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31.7.18

Por que estudar filosofia? (Reflexões no YouTube)

Neste vídeo falo sobre como pode ser altamente prejudicial a sua saúde mental acreditar por muito tempo na gente que fala que filosofia é só algo chato, difícil de ler, e que não serve para nada. No entanto, lhe darei dicas preciosas para que não faça como eu, e leia Platão antes de se aventurar por Kant... No fim das contas, veremos que a filosofia serve para algo essencial em nossa vida: aprender a pensar por si mesmo.

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30.10.13

E não pisquem os olhos!

Dizem que os alquimistas queriam transformar chumbo em ouro. Há um certo mistério nesta transformação: segundo Lavoisier, “na Natureza nada se perde ou se cria, apenas se transforma”; então, poderíamos pensar, como diabos uma substância se torna outra?

Do que, afinal, é feita a Natureza? O que forma a realidade (ou o que conseguimos perceber da realidade)?

Segundo Aristóteles, a realidade nada mais é do que uma relação entre substância e estrutura. Para ele, nada existe que não seja uma combinação entre elas. A substância sem estrutura é o caos (o que, no pensamento grego, equivalia ao “nada” de onde surgiu o mundo); já a estrutura sem substância é mero fantasma do ser... Mas será mesmo?

Normalmente se diz que um espiritualista crê em “espíritos e coisas imateriais”, enquanto que um cientista materialista crê “somente na matéria”. Quando analisamos sob este ponto de vista, fica parecendo que os primeiros creem em coisas etéreas, e que os últimos creem em coisas sólidas. Estranho de se pensar: foi exatamente a ciência moderna que minou completamente toda e qualquer ideia de “solidez da matéria”.

Hoje se sabe que num simples aperto de mão, se alguma parte de nossos átomos realmente se chocasse com os átomos de quem cumprimentamos educadamente, teríamos um drástico incidente nuclear do qual certamente não escaparíamos com vida. No fim das contas, somos formados por pequenos pedaços flutuantes de matéria que em realidade estão simplesmente “flutuando por aí”. A única coisa que os mantém juntos é a estrutura determinada pelas leis naturais... Mas, e quanto a substância?

Em 1844, Michael Faraday, observando que a matéria só podia ser reconhecida pelas forças que atuam sobre ela, indagou-se: “Que razão teríamos para supor que ela realmente existe?” [1]

No início do século XX a física descobriu que os próprios átomos, até então verdadeiros “arautos da solidez intrínseca da realidade”, eram, em essência, espaço vazio. Não muito tempo depois a mecânica quântica revelou ante a cientistas extremamente espantados que os constituintes subatômicos – elétrons, prótons e nêutrons, que formam os átomos – se comportavam mais como aglomerados de propriedades abstratas do que como usualmente são vislumbrados por nós leigos: pequeníssimas bolas de bilhar.

A cada nova casca da realidade desvelada pela ciência ficava mais claro que a cebola cósmica era formada por pura estrutura, enquanto que a substância em si foi se tornando cada vez mais teórica e cada vez menos empírica e observável. Segundo a teoria das cordas, a matéria poderia ser formada praticamente por pura geometria – mas uma “geometria” que tampouco pode ser detectada atualmente.

Em seu nível mais fundamental, a ciência descreve os elementos da realidade de um ponto de vista puramente relacional e estrutural, ignorando, em realidade, se existe ou não uma substância no final das contas. Ela pode nos dizer, por exemplo, que um elétron tem certa massa e certa carga, mas tudo o que isto nos informa é que o elétron tem a propensão de sofrer a ação de outras partículas e forças naturais de determinadas maneiras. Ela pode nos dizer que a massa equivale a energia, mas não nos informa efetivamente o que diabos é a energia senão uma quantidade numérica que, calculada da forma correta, se conserva igual através de todos os processos físicos do universo.

Conforme observou o filósofo Bertrand Russell em Análise da matéria (1927), “as entidades que constituem o mundo físico são como peças num jogo de xadrez: o importante é o papel de cada peça num sistema de regras que determinam como ela pode se mover, e não do que é feita tal peça”.

Talvez tenha sido John Wheeler, um físico americano, quem melhor descreveu a essência da realidade: uma cadeia estrutural de pura informação. Para se explicar melhor, ele cunhou a expressão “o it que vem do bit”. Em suas palavras: “Cada it – cada partícula, cada campo de força e até mesmo o próprio continuum espaço-tempo – deriva inteiramente sua função, seu significado, sua própria existência – mesmo que em alguns contextos indiretamente – de respostas induzidas por equipamento a perguntas sim ou não, escolhas binárias, bits. O it que vem do bit simboliza a ideia de que cada item do mundo físico tem no fundo – bem no fundo, na maioria dos casos – uma fonte e uma explicação imateriais; que aquilo que chamamos de realidade vem em última análise da colocação de perguntas sim-não, e do registro de respostas evocadas por equipamento; em resumo, que todas as coisas físicas são informacional-teóricas na origem.” [2]

Mas se as mentes mais racionais e científicas de nossa história recente nos dizem que em sua essência a realidade não passa de um fluxo de estruturas em constante mutação, sem qualquer substância subjacente, onde exatamente se encontra a antiga solidez do materialismo clássico? Onde existe, afinal, alguma substância?

Ora, a despeito de toda a metafísica presente na física moderna, há ainda uma parte do universo em que a sua explicação para a realidade ainda não penetra inteiramente: algo que se situa, ao menos em teoria, bem entre as nossas orelhas...

Para que a realidade pudesse ser explicada somente em termos de informação, seria necessário que nossa consciência e nossa subjetividade também o fossem. Dizem que os cientistas da computação estão muito próximos de criar simulações computacionais de processos mentais complexos, como “sentir dor com uma martelada no dedão” ou “sentir prazer com a vermelhidão e o perfume de uma rosa”. O filósofo John Searle, entretanto, se pergunta “porque alguém na plena possa de suas faculdades racionais suporia que uma simulação de processos mentais em computador de fato tivesse processos mentais?”.

Esta é uma longa discussão, mas o que sabemos atualmente é que a consciência e a subjetividade humanas permanecem absolutamente misteriosas, além do alcance da linguagem e de uma descrição puramente informacional... A consciência não se limita ao mero processamento de informações, a mera computação. Há algo mais, algo que utilizamos principalmente na leitura de poesia ou na contemplação de grandes peças de teatro, obras de arte, shows musicais ou, simplesmente, na observação de um jardim: a interpretação da Natureza.

Se o mundo não pode ser descrito somente por este ponto de vista absolutamente abstrato e metafísico da ciência moderna, há que se buscar onde há exatamente uma substância “palpável” por detrás de tanta teoria.

Ora, se em toda a vasta quantidade de informação do universo tudo o que se encontrou foi estrutura, é possível que a substância esteja, afinal, na própria mente que observa toda essa imensidão estrutural. Neste caso, é possível que toda a realidade – subjetiva e objetiva – seja constituída da mesma substância básica. Parece uma hipótese simples e atraente, além de maluca... Foi exatamente a esta hipótese que Bertrand Russell chegou em sua Análise da matéria. O mesmo disse Arthur Eddington (outro “Sir”) em The Nature of the Physical World (1928): “a substância do mundo é uma substância mental”.

É precisamente neste ponto que grandes cientistas e filósofos da modernidade se alinham novamente com o misticismo antigo, muito antigo, ainda que muitos sequer se deem conta disso.

Há milhares de anos houve um homem (ou talvez um mito, ou quem sabe um deus, o que neste caso não faz tanta diferença), chamado Hermes Trimegisto, que disse que “o Todo é mental”. Não foi a única coisa que disse que casa perfeitamente com a ciência moderna. Segundo ele, “o que está em cima é como o que está embaixo” – querendo dizer que as leis que regem o que está no alto do céu eram as mesmas que regem o que está aqui no solo onde pisamos; e “tudo vibra, nada está parado” – querendo dizer que, a despeito do que nossos sentidos nos dizem a todo momento, não há um só pedaço do seu corpo que esteja realmente parado no mesmo lugar. Quantos chutes e quantos acertos para Hermes, não?

A lição que parece restar disto tudo é que não importa, no final das contas, se queremos descrever a realidade através da filosofia de Aristóteles, da física de partículas aliada a mecânica quântica, ou do hermetismo antigo. O que importa é que estamos tentando descrever o que temos contemplado, espantados, há muitas e muitas eras. Que existe aí alguma substância, seja onde for, e ela não é o Nada, pois não existe o Nada.

Dizem os teístas que Deus criou o mundo à partir do Nada. Mas isto não é possível, nem mesmo para Deus – no fim, uma substância jamais se tornou outra, e Deus sempre foi o mesmo. Nunca houve a possibilidade da existência do Nada, nunca houve “0”, apenas “1”. Flutuações quânticas no vácuo não são o Nada; o tecido espaço-temporal ou o campo de Higgs não são o Nada; mesmo um espaço perfeitamente vazio, exatamente por estar “vazio” e “poder ser preenchido” não é o Nada. Não importa se ainda tateamos em meio a névoa metafísica de um universo puramente informacional onde catalogamos e computamos estrutura, sem jamais chegar a capturar qualquer substância: o fato é que existe Algo, e não Nada.

Seremos capazes de, algum dia, com toda nossa filosofia, ciência e espiritualidade, completar este tortuoso caminho de religação a esta tal substância? Seremos capazes de algum dia abrir os olhos e ver não os fótons de luz que refletem a estrutura da realidade, mas ver efetivamente a substância que faz com que ela exista?

Seja como for, neste dia, neste momento dourado, estejam atentos e não pisquem os olhos... Contemplem a substância que sempre aí esteve, que sempre existiu, estruturada de maneiras inefáveis e infinitas, dando forma a toda a vastidão informacional do Cosmos através de todo espaço e todo tempo... Contemplem com os olhos da alma, seja ela o que for...

E não pisquem os olhos!

***

[1] Esta e outras citações deste artigo foram retiradas de Por que o mundo existe?, de Jim Holt (Ed. Intrínseca).

[2] Citado em O universo inteligente, de James Gardner (Ed. Pensamento). O livro de Wheeler, de onde foi extraída a citação, é intitulado At home in the universe.
Um bit de informação equivale a menor unidade computacional que pode ser medida, ela pode assumir somente dois valores, tais como “0” ou “1”, “verdadeiro” ou “falso”, etc. Não confundir com bytes, que são conjuntos de bits (normalmente, 8 bits).

Crédito da foto: ever-look

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15.8.13

Interesses impessoais

Texto de Bertrand Russell em "A conquista de felicidade” (Ed. Saraiva/Nova Fronteira) – trechos das págs. 166 a 170. Tradução de Luiz Guerra. O comentário ao final é meu.


Os interesses impessoais, além de sua importância como fator de relaxamento, têm outras vantagens. Para começar, ajudam a manter o senso de proporção. É fácil deixarmo-nos absorver por nossos próprios projetos, nosso círculo de amizades, nosso tipo de trabalho, até o ponto de esquecermos que tudo isso constitui uma parte mínima da atividade humana total – e também pensarmos que a maior parte do mundo em nada afeta o que fizemos.

O leitor pode perguntar: por que devo me lembrar disso? Tenho várias respostas. Em primeiro lugar, é bom ter uma imagem do mundo tão completa quanto nos permitam nossas atividades necessárias. Nenhum de nós vai ficar muito tempo neste mundo, e cada qual, durante os poucos anos de sua vida, precisa aprender o máximo que puder sobre este estranho planeta e sua posição no universo. Não aproveitar as oportunidades de conhecimento, por mais imperfeitas que sejam, é como ir ao teatro e não prestar atenção na peça.

O mundo está cheio de fatos trágicos ou cômicos, heroicos, extravagantes ou surpreendentes, e aqueles que não encontram interesse no espetáculo estão renunciando a um dos privilégios que a vida nos oferece.

Por outro lado, o senso de proporção torna-se muito útil, e às vezes bastante consolador. Todos somos propensos à excitação exagerada, à preocupação exagerada, à impressão exagerada da importância do pequeno pedacinho de terra em que vivemos, e do pequeno espaço de tempo compreendido entre nosso nascimento e nossa morte.

Toda essa excitação e essa supervalorização de nossa própria importância nada têm de bom. É certo que nos fazem trabalhar mais, mas não nos farão trabalhar melhor. É preferível pouco trabalho com bom resultado a muito trabalho com mau resultado, embora não seja esse o pensamento dos partidários da vida superativa.

Os que se preocupam muito com seu trabalho se acham em constante perigo de cair no fanatismo, que consiste basicamente em recordar uma ou duas coisas desejáveis, esquecendo-se de todas as demais, e supor que qualquer dano incidental que causemos, tratando de conseguir essas coisas, não tem importância.

Não existe melhor precaução contra esse temperamento fanático que uma concepção ampla da vida humana e de sua posição no universo. Pode parecer que estamos invocando uma concepção demasiadamente grande para a ocasião, mas, fora desta aplicação particular, é algo que tem um grande valor por si só.

Um dos defeitos da moderna educação superior é que ela se transformou num puro treinamento para adquirir certas habilidades e cada vez se preocupa menos em ampliar a mente e o coração por meio do exame imparcial do mundo.

Vamos imaginar que estejamos empenhados em uma campanha política e que trabalhemos com todas as nossas forças pela vitória de nosso partido. Até aí, tudo bem. Mas ao longo da campanha pode perfeitamente acontecer que se apresente alguma oportunidade de vitória que implique o uso de métodos calculados para fomentar o ódio, a violência e a desconfiança. Por exemplo, podemos ter a ideia de que a melhor tática para ganhar uma disputa seja insultando uma nação estrangeira. Se nosso alcance mental só abrange o presente, ou se assimilamos a doutrina de que importa apenas o que chamamos de eficiência, adotaremos esses métodos tão equívocos. Pode ser que graças a eles consigamos atingir nossos propósitos imediatos, mas a longo prazo as consequências mostram-se desastrosas.

Em contrapartida, se nossa bagagem mental inclui as épocas passadas da humanidade, sua lenta e parcial saída do estado de barbárie e a brevidade de toda a sua história em comparação com os períodos astronômicos, se essas ideias modelaram nossos sentimentos habituais, nos daremos conta de que a batalha momentânea em que estamos empenhados não pode ser tão importante a ponto de nos arriscarmos a dar um passo atrás, retrocedendo às trevas de onde tão lentamente saímos.

Além disso, se somos derrotados em nosso objetivo imediato, nos servirá de sustento esse mesmo sentido do momentâneo que nos levou a rechaçar o uso de métodos degradantes. Mais além de nossas atividades imediatas, teremos objetivos a longo prazo – que pouco a pouco irão tomando forma –, nos quais uma pessoa não será um indivíduo isolado, mas sim parte do grande exército daqueles que têm guiado a humanidade para uma existência civilizada.

Quem haja adotado essa maneira de pensar nunca se verá abandonado por uma certa felicidade de fundo, seja qual for sua sorte pessoal. A vida se transformará em uma comunhão com os grandes de todas as épocas e a morte pessoal não será mais que um incidente sem importância.

Se me coubesse organizar a educação superior, [...] tentaria fazer com que os jovens adquirissem uma viva consciência do passado, que se tornassem plenamente conscientes de que o futuro da humanidade será, quase com toda a segurança, incomparavelmente mais longo que seu passado e que, também, adquirissem plena consciência de o quanto é pequeno o planeta sobre o qual vivemos, tanto quanto de que a vida neste planeta não passa de um incidente passageiro.

Juntamente a tais fatos, [...] apresentaria a esses jovens outro conjunto de fatos, esboçados para gravar em suas mentes a grandeza de que é capaz o indivíduo e convencê-los de que em toda a profundidade do espaço estrelar nada que tenha tanto valor é conhecido.

Há muito Spinoza escreveu sobre a servidão e a liberdade. Devido ao seu estilo e a sua linguagem, suas ideias são de difícil acesso, exceto para os estudantes de filosofia, mas o que pretendo dizer aqui distingue-se muito pouco do que ele disse.

Uma pessoa que tenha percebido o que seja a grandeza da alma, ainda que temporária e brevemente, já não poderá ser feliz, caso se deixe transformar em um ser mesquinho, egoísta, atormentado por males triviais, com medo do que lhe haja reservado o destino. A pessoa capaz de grandeza de alma abrirá de par em par as janelas de sua mente, deixando que penetrem livremente através delas os ventos de todas as partes do universo.

Ela se verá a si própria, verá a vida e verá o mundo com toda a verdade que nossas limitações humanas permitam; dando-se conta da brevidade e da insignificância da vida humana, e compreenderá, também, que nas mentes individuais se acha concentrado tudo o que de valor existe no universo conhecido.

Comprovará que o homem, cuja mente espelha o mundo, chega a ser, em certo sentido, tão grande quanto o mundo. E experimentará, inclusive, uma profunda alegria ao emancipar-se dos medos que assombram o escravo das circunstâncias – e, no fundo, continuará sendo feliz, malgrado todas as vicissitudes de sua vida exterior.

***

Comentário
Do alto de todo o seu ateísmo pleno de espiritualidade, Bertrand Russell consegue nos trazer uma mistura rara de conhecimento científico, político e espiritual. O que ele aconselha sobre levarmos sempre em consideração, na vida, o quanto somos pequenos em relação a totalidade do Cosmos e, o quanto somos, ainda assim, grandes em nosso amor pelo Cosmos e pelos seres que o habitam, é uma espécie de ensinamento que permeia tanto a filosofia epicurista e estoica quanto as belas “preposições geométricas” de Benedito Espinosa. Agindo assim, colocamos nosso interesse, nosso pensamento e, principalmente, nosso amor, além das fronteiras ilusórias de nosso eu – transbordamos o casulo e voamos, como borboletas, por toda a imensidão que nos abarca.

Perto da imensidão da natureza, nossas angústias e desejos soam como poeira e folhas espalhadas pelo vento no jardim. Quaisquer que sejam as diferenças entre as pessoas e seus desejos e angústias, elas não são nada perto das diferenças entre os seres humanos mais poderosos e os grandes desertos, as altas montanhas, geleiras e oceanos, a luz das estrelas. Existem fenômenos naturais tão grandes que tornam as variações entre duas pessoas quaisquer ridiculamente pequenas. Ao passar um tempo em amplos espaços, a consciência de nossa própria insignificância na hierarquia social pode se transformar na consciência reconfortante da insignificância de todos os seres humanos no Cosmos.

Podemos superar o sentimento de que somos insignificantes não nos tornando mais importantes ou desejando fama, poder ou status, mas reconhecendo a insignificância relativa de todos. Nossa preocupação com quem é alguns milímetros mais alto do que nós pode dar lugar a uma reverência a coisas infinitamente maiores que nós, uma força que podemos ser levados a chamar de natureza, vida, infinito, eternidade – ou simplesmente Deus.

Mas, sobretudo, quem mantém os pés no chão florido das amizades duradouras e a mente na imensidão estrelar do Cosmos, este não poderá jamais ser seduzido pelas efêmeras promessas dos chamados “bens materiais”. Pois que terá ao seu lado o amor ao saber, as reflexões diárias, a liberdade de pensamento, e a possibilidade permanente de se dirigir a janela do ser, escancaradamente aberta, e observar a paisagem – toda esta deliciosa impermanência que o cerca, sem jamais se apegar de fato a coisa alguma além do amor em si mesmo.

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Crédito das imagens: Joel "Boy Wonder" Robinson

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