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1.7.17

Lançamento: A Origem das Espécies

As Edições Textos para Reflexão trazem a você a obra que mudou o mundo, A Origem das Espécies de Charles Darwin, exclusivamente para o seu Amazon Kindle.

Esta obra, apesar de essencialmente acadêmica, mudou para sempre a nossa concepção da vida e da natureza, e serve até hoje de alicerce primordial para ramos científicos como a biologia e a genética, que desabariam sem a teoria da seleção natural. Você já pode começar a ler em poucos minutos, pelo preço de um café:

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À seguir, trazemos alguns trechos selecionados de nossa edição digital:

[Cap. 6]

É certamente verdadeiro que se veem raramente aparecer num indivíduo novos órgãos que parecem ter sido criados com um fim especial; é mesmo o que demonstra o velho axioma de história natural de que se tem exagerado um pouco a significação: Natura non facit saltum [a natureza não dá saltos].

A maior parte dos naturalistas experimentados admitem a verdade deste adágio; ou, para empregar as expressões de Mine Edwards, a natureza é pródiga em variedades, mas avara em inovações. Para que haverá, na hipótese das criações, tantas variedades e tão poucas novidades reais? Por que é que todas as partes, todos os órgãos de tantos seres independentes, criadas, como se supõe, separadamente para ocupar um lugar distinto na natureza, estiveram tão ordinariamente ligadas umas às outras por uma série de gradações? Por que não teria passado a natureza simultaneamente de uma conformação para outra? A teoria da seleção natural faz-nos compreender claramente porque não sucede assim; a seleção natural, com efeito, atua apenas aproveitando leves variações sucessivas, não pode pois jamais dar saltos bruscos e consideráveis, só pode avançar por graus insignificantes, lentos e seguros.

[Cap. 15]

A disposição semelhante dos ossos na mão humana, na asa do morcego, na barbatana do golfinho e na perna do cavalo; o mesmo número de vértebras no pescoço da girafa e no do elefante; todos estes fatos e um número infinito de outros semelhantes explicam-se facilmente pela teoria da descendência com modificações sucessivas, lentas e ligeiras. A semelhança de tipo entre a asa e a perna do morcego, ainda que destinadas a usos tão diversos; entre as maxilas e as patas do escaravelho; entre as pétalas, os estames e pistilos de uma flor, explica-se igualmente em grande escala pela teoria da modificação gradual das partes e dos órgãos que, num antepassado afastado de cada uma dessas classes, eram primitivamente semelhantes. Vemos claramente, segundo o princípio de que as variações sucessivas não sobrevêm sempre numa idade precoce e apenas são hereditárias na idade correspondente, porque os embriões de mamíferos, de aves, de répteis e de peixes, são tão semelhantes entre si e tão diferentes no estado adulto. Podemos cessar de nos maravilhar de que os embriões de um mamífero de respiração aérea, ou de uma ave, tenham fendas branquiais e artérias em rede, como no peixe, que deve, por meio de guelras bem desenvolvidas, respirar o ar dissolvido na água.

[...] Não é possível supor que uma teoria falsa pudesse explicar, de maneira tão satisfatória, como o faz a teoria da seleção natural, as diversas grandes séries de fatos de que nos temos ocupado. Tem-se recentemente objetado que está nisto um falso método de raciocínio; mas é o que se emprega para apreciar os acontecimentos ordinários da vida, e os maiores sábios não têm desdenhado em o seguir. É assim que se chega à teoria ondulatória da luz; e a crença da rotação da Terra no seu eixo só recentemente encontrou o apoio de provas diretas. Não é uma objeção valiosa dizer que, no presente, a ciência não lança luz alguma sobre o problema bem mais elevado da essência ou da origem da vida. Quem pode explicar o que é a essência da atração ou da gravidade! Ninguém hoje, contudo, se recusa a admitir todas as consequências que ressaltam de um elemento desconhecido, a atração, posto que Leibnitz tivesse outrora censurado Newton de ter introduzido na ciência “propriedades ocultas e milagres”.

Não vejo razão alguma para que as opiniões desenvolvidas neste volume firam o sentimento religioso de quem quer que seja. Basta, além disso, para mostrar quanto estas espécies de impressões são passageiras, lembrar que a maior descoberta que o homem tem feito, a lei da atração universal, foi também atacada por Leibnitz, “como subversiva da religião natural, e, nestas condições, da religião revelada”. Um eclesiástico célebre escrevia-me um dia, “que tinha acabado por compreender que acreditar na criação de algumas formas capazes de se desenvolver por si mesmas noutras formas necessárias, é ter uma concepção bem mais elevada de Deus, do que acreditar que houvesse necessidade de novos atos de criação para preencher as lacunas causadas pela ação das leis estabelecidas”.

[...] O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores. Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda hoje!

(Charles Darwin; tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul)


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26.10.12

Em crise no Éden

A origem do termo Éden, em hebraico, parece derivar da palavra acade edinu, que deriva do sumério edin. Em todas estas línguas a palavra significa "planície" ou "estepe". No entanto, o Gênesis nos conta que o Éden era uma espécie de jardim das delícias, com os frutos mais variados e suculentos, onde Adão e Eva viviam em felicidade plena, sem envelhecer, ou trabalhar, ou adoecer. O mito nos conta que Deus havia feito este tal acordo com o primeiro homem e a primeira mulher: poderiam viver indefinidamente em seu jardim, sem conhecer a fome e a morte, contanto que jamais comecem do fruto do conhecimento do bem e do mal.

Mas, estranho de se pensar: seria a ignorância a razão de sua felicidade? Adão e Eva eram imortais, mas todo animal é imortal, na medida em que não desenvolveu a consciência e, dessa forma, não sabe que vai morrer. O mito nos conta que eles foram expulsos do Éden, que "tomaram conhecimento de sua própria nudez", mas não seria este momento exatamente o grandioso despertar da consciência humana? O momento em que souberam que eram um ser a parte, com vontade própria? Quando compreenderam que eram como qualquer outro animal, exceto pelo fato de que sabiam que iriam morrer? Neste sentido, a questão da existência não é a morte em si, que é fato, mas sim o que faremos desta vida, desta angústia quase insustentável de termos uma alma, algo tão infinitamente belo e frágil, sem sabermos ao certo o que fazer dela...

Sigmund Freud certa vez disse que houveram três feridas narcísicas [1] na humanidade que tiveram como consequência uma mudança significativa na forma como o homem vê a si próprio. Os três pensadores responsáveis por elas foram Nicolau Copérnico, Charles Darwin e o próprio Freud. Eu tendo a ver a análise de Freud como a análise de uma crise da alma humana, mas todas as crises geram admiráveis oportunidades para a elevação de nossa consciência, ao menos para aqueles que tem olhos atentos nas leis da Natureza:

Não estamos no centro
Inspirado por ideias de manuscritos antigos, Copérnico foi o primeiro cientista moderno a contrariar a ideia comum de que a Terra estava situada no centro do Cosmos, e que mesmo o Sol girava em seu redor. Com o heliocentrismo, que foi posteriormente comprovado por observações de Galileu Galilei, o homem se viu destituído do centro mítico do universo. Assim como Narciso, que só conseguia admirar sua própria imagem refletida no lago, o homem antigo acreditava que habitava a morada central, algum ponto importante do infinito...

Mas, estranho de se pensar: como pode o infinito ter um centro? Que importa se é a Terra que gira em torno do Sol, ou o contrário, se hoje sabemos que tudo se encontra catapultado em direção a tal imensidão, e que mesmo o nosso Sol é somente um dentre bilhões de outros sóis? Ainda que a Terra gire em seu torno, o Sol não está fixado em centro algum, mas viaja pelo Cosmos como um pedaço de poeira ao vento matinal. No Cosmos, afinal, nada se perde, mas tudo flui, e se metamorfoseia, se transforma. Somos formados por poeira de estrelas, e nossos átomos são emprestados do mesmo conjunto de átomos que forma tudo o que há.

Dessa forma, todos os pontos estão igualados - o centro não existe, mas se encontra espalhado por todos os lugares.

Não fomos criados perfeitos
Diz o mito que uma bela ninfa, chamada Eco, estava perdidamente apaixonada por Narciso. Mas o belíssimo rapaz, embriagado pelo próprio reflexo, se julgava um deus e, dessa forma, indigno da afeição de uma mera ninfa... Talvez tenha sido um pensamento parecido que levou o homem a se julgar um ser superior em meio a natureza e aos demais animais. Havia sido criado perfeito, pelo próprio Deus, ainda no Éden, de onde havia sido expulso por desejar adquirir conhecimentos proibidos. Isto tudo foi questionado pela teoria de Darwin e Wallace, que postulava que o homem não havia sido criado como era hoje, mas que veio evoluindo pela árvore da vida, desde uma simples bactéria, por bilhões de anos, e por milhões de espécies distintas.

Mas, estranho de se pensar: como poderia o homem ser uma criação perfeita se, ainda no Éden, havia muitas coisas que desconhecia? Veja bem: o fruto que comeu, e que causou sua expulsão do jardim das delícias, trazia não somente o conhecimento do mal, como do bem. Se o homem não conhecia o mal, tampouco conhecia o bem. Era, dessa forma, um perfeito ignorante - como vimos, nem mesmo conhecia sua própria mortalidade.

Hoje sabemos, através da biologia, que o homem não surgiu do nada, nem tampouco é perfeito, mas que evoluiu através das adversidades, de sua relação com o meio ambiente a volta. Darwin disse que através da "guerra da fome e da morte", a evolução das espécies "tendia a perfeição". Mas a perfeição a que ele se referia não era uma perfeição final, derradeira, mas um eterno "vir a ser", um aprendizado sem fim. Não há nada mais sinistro do que a perfeição, se o próprio universo fosse perfeitamente simétrico desde o início do espaço-tempo, matéria e anti-matéria teriam se aniquilado mutuamente, e nada mais haveria do que vácuo e vazio - nenhum lampejo de luz numa escuridão fria, simétrica. Para nossa sorte, a Natureza nunca foi totalmente perfeita. E, quem somos nós, senão crianças em constante aprendizado?

Dessa forma, todos temos de seguir nesta trilha ancestral - a perfeição está no caminho, e não na chegada.

Não conhecemos sequer nossa casa
Coube ao próprio Freud redescobrir o inconsciente humano, aquele mesmo que se mostrava, antigamente, nos mais variados mitos. Pois que mitos nada mais são do que os fatos da mente encenados em ficções, histórias que eram passadas adiante pelos contadores e menestréis... Diz ainda o mito de Narciso que Némesis, a deusa da vingança e da ética, condenou-o por haver ignorado solenemente o amor da ninfa, que terminou por definhar em desilusão. Mesmo o próprio Narciso, condenado a contemplar sua bela face no lago, terminou por definhar e morrer, assim como Eco. Mas, quando foram buscar seu corpo, encontraram apenas uma flor, a flor da alma que havia morrido para a beleza do ego, e agora contemplava uma beleza ainda mais profunda.

Se antes Narciso andava distraído por sua própria beleza, e não observava o mundo a volta, agora havia morrido, e renascido. Um belo mito, que demonstra que nem todas as punições divinas são aquilo que imaginamos a primeira vista. Némesis teve sim compaixão, mas sobretudo senso de justiça: todos, afinal, precisam reavaliar seus atos, até que se conheçam verdadeiramente, até que compreendam os meandros e os monstros de seu próprio inconsciente.

Se Freud encontrou tantos traumas e tanta escuridão nas mentes mais comuns, é porque a era moderna carece de seus mitos, de modo que somente alguns poucos conseguem ser, ainda, psicólogos de si mesmos. Toda a filosofia se encontra aí: autoconhecimento. A filosofia é a verdadeira autoajuda, e conhecer aos próprios pensamentos, sem medo, sem culpa, é a única forma de lapidar a alma, transformar chumbo em ouro, e renascer, como a lótus, em meio ao charco dos desejos desenfreados - agora, devidamente controlados pela vontade.

Dessa forma, foi preciso que uma grande crise se abatesse sobre a alma para que percebêssemos o que somos - hóspedes em nossa própria mente, mas sempre a procura do Anfitrião.

O despertar
Assim como Narciso, Adão e Eva despertaram para uma existência própria, e deixaram de contemplar a Deus - seja indiretamente, pelo amor a própria beleza, seja diretamente, pelo espanto ante tal imenso jardim. Estavam em crise em meio ao próprio Éden, mas tal crise lhes trouxe a oportunidade de serem, enfim, seres que possuem vontade. E assim que puderam, finalmente, escolher por conta própria, escolheram caminhar a frente, em Sua direção, para não somente contemplar, mas compreender... E, em compreendendo, tornarem-se nesta Criação, cocriadores!

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[1] Referência ao mito de Narciso, que ainda é revisitado ao longo do artigo.

Crédito da imagem: Robert Recker/Corbis

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3.1.11

The lessons of evolution

(translated by the author from the orginal portuguese article, “As lições da evolução”)

All of those who did not enlisted themselves in holy wars can learn some lessons from Darwin-Wallace’s theory concerning the origin and evolution of the species. Lessons about how nature works not only at the physical level, but at the spiritual level as well. Those who think that the evolution determined the triumph of materialism against other philosophies of nature are just wrong. If modern sciente opted to “forget” Alfred Russel Wallace, who was a spiritualist, at least it couldn’t do anything about what Charles Darwin wrote at the last paragraph of “The Origin of Species”:

“Thus, from the war of nature, from famine and death, the most exalted object which we are capable of conceiving, namely, the production of the higher animals, directly follows. There is grandeur in this view of life, with its several powers, having been originally breathed by the Creator into a few forms or into one; and that, whilst this planet has gone circling on according to the fixed law of gravity, from so simple a beginning endless forms most beautiful and most wonderful have been, and are being evolved.”

We know that this theory never pretended to explain the surge of life nor of the human consciousness, but the mecanism from which life evolved from the ancient and most simple life forms over Earth. Even then, and not without good reasons, it became one of the pilars that sustains the modern materialist thinking that says that all we are can be explained just by the particles that forms our bodies and brains – even when we actually don’t have a clue about which particles forms our counsciousness, but that’s another story.

What I would like to show here, though, is that the evolutuon theory also brings some huge lessons for a spiritualist view of existence:

We are all one
Even at physical level, we are formed by particles, by dust from distant stars that came to our planet over meteors and, mixing with other elements at Earth’s cradle, mysteriously created the very first living organisms. From organisms as simple as bacterias, everyone else surged, evolving from the same life code, the DNA. Today science proved that there are no human races, our genome is almost identical from australian aborigene to the white european. Not only racism is ignorance, but the notion that we are beings apart at creation, that irrational animals should serve us as objects, is absurd. The indians already knew that we are all one, that nature is only one, and that we are all connected; But, in modern age, scientific proof was needed for our eyes to be opened once more. This is nature’s biggest lesson: next time you look at a small squirrel by the ground, know that we are only here because their ancestors, our ancestors, survived the great extinction of the dinossaurs. We are sons of the squirrels, and the bacterias, because on this cosmic path, nobody is more special than anybody, the same opportunity to live and evolve was given to all of us.

We benefict ourselves from exchanges
The concept of “pure race” was definitely dumped by evolution. If nazism surged on the world, it was because their leaders were also ignorant, and lost the opportunity to learn from nature. Isolated human beings, reproducing only in small local communities, are much more vulnearble to viruses and diseases overall, because they simply didn’t had enough mixtures with genomes from other human beings that walked across distant places of Earth.
Altough, more even, we know that commercial, cultural and religious exchanges were fundamental for humanity’s development as a whole. It was with the silk route, from India to Europe and Middle East, that many civilizations begun to develop faster and faster. It was by the time when many philosophical and religious douctrines met at the same peaceful place that much of our global knowledge solidified: from Ancient Greece to Alexandria, from Al-Andaluz to European Renaissance.
If we made those archievements through the exchange of genes, market goods and knowledge, who knows where we could reach with the exchange of love?

Altruism is one species’s evolution
From bacterias that spends energy to produce a viscous substance that make their colonies float over water’s surface and became more protected, to the ancient gift exchange among homonidies, where male brought food from their hunts as payment for having sex with the females, altruism has been comproved as one species’s evolution.
Those who hunt alone will have more food when he kills his prey, but history shows that those species who hunt as a group obtains an evolutionary advantage: when everybody helps each other out, even having to share the hunt, they have much more chances of avoiding dying by starving, alone, because the probability of getting a good hunt each day is much bigger for groups with more eyes and more sharp weapons.
Since ancient times, nature have been teaching us that mystery: the more we share with other beings, more potential we develop to share even more. Love is neverending fuel, the fire from it’s pyre is eternal and the wind only make it grow more and more...

From adversity comes the greatest evolutionary leaps
No species evolved with little stress lives, be it by the abundance of preys to be hunted or by the complete ausence of predators. Without adversity, be it a starving predator or one’s stomach begging for energy, beings wouldn’t had any good reason to evolve.
Altough we all like peace, that everything “works as planned”, we cannot expect that adversities pass always far from us. That would be, at the long range, a big trap. Stagnation, be it physical, be it mental, be it spiritual, is the greatest evil of mankind. The dark age of medieval Europe showed us that dogmas do not serve as our salvation, and that absolut truths manuals are of no help if the people is yet ignorant of the real intepretation of those truths. To aquire knowledge doesn’t make anybody a saint: it’s needed to practice, it’s needed to step deep in the mud, it’s needed to face the desert and comprehend that, be stagnation anywhere still alive, nature won’t let us relax.
The “war of nature”, which Darwin spoke about above, is the path where it’s mecanism keep pushing us, over and over, always upwards.

Environment shapes us
Deep water small cataclysms, caused by the interruption in the leak of high temperature waters from terrestrial crust, can cause the extinction of whole ecological niches, killing small coral reefs and other species from ocean’s deep. A river changes it’s course, monsoons are interrupted, and entire empires are extinct, or move to invade new territories, like is the usual case in southern Asia history...
In our vain hope that we were the center of the whole Cosmos, we believed that it were the gods who should serve us, even by the path of so many forms of bargains. Even today, there are scientists who believe that they can dictate the routes of nature, “creating” new species or slowing indefinitely the aging of body’s cells. All in vain: nothing is still, everything flows, everything vibrates. Nature moves in cycles, and between glacial ages over Earth, the humans have surged with all of their knowledge.
But not all knowledge is vain. The greatest proof of this is in the comprehension that it’s the environment which molds the evolution of the species, much more than the battles for survival. And even here, once more, the indians were correct: we are all connected, more even with the environment around us.

Nature is free
Men have been trying to comprehend the mecanisms of nature, but even today they fail miserably over any kind of deeper prediction about where the wind gotta blow next. To predict climate over a short time is possible, but over the long range it’s not: nature insists in raising it’s veil, and among the smallest events that, for not knowing their true cause, we call as “chaotic” or “random”, nothing can be predicted efectively from the future. Nor where the wind gotta blow, nor where the earth gotta shake, nor up to where evolution gotta bring us.
Darwin used to say that the destiny of species “tends towards perfection”. Even it being so complex to define perfection, nature will never get tired of surprising us. In just a few seconds of the cosmic year, men were born with all their knowledge. Perfection is the tomorrow, is what is yet to come, is the potentiality of the etereal consciousnesses dancing over the ages and the species – and nobody can really tell where all of this gotta end. Of it’s agenda, life itself cares: nature is free.

Life is the function of the system
Even every system having it’s function, there are many who opt to ignore that even nature-system has one. In every particle that insists to mold organisms that behave in an anti-entrophical way during the time they are alive, lies a piece of the sacred code; Which codified, tells along infinite chemical reactions among the cosmic whirlwind: “To produce life, that is my function”.

The law of evolution
Nor the strongest, nor the most intelligent. Survives and evolves those who better adapt to the environment’s conditions, and it’s constant changes.
Physically, we are part of the species which obtained the biggest sucess over adapting to the Earth’s environment. We explored and occupied the most remote zones of our planet, and today we are in the very first steps of launching ourselves over the vast Cosmic ocean. Which we still lack, if not an adaptation of the consciousness? If not to explore and to occupy our infinite interior?

article by Rafael Arrais

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Image credits : [top] Louie Psihoyos/CORBIS (Paleontologist Doug Zhiming); [middle] Bettmann/CORBIS (Neanderthal)

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27.1.10

As lições da evolução

Todos aqueles que não se alistaram em guerras santas tem como tirar lições da teoria de Darwin-Wallace para a evolução das espécies; Lições de como a natureza funciona não só no nível físico, como também no espiritual. Engana-se quem pensa que a evolução determina o trunfo do materialismo sobre as demais interpretações da natureza. Se a ciência moderna optou por “esquecer” de Alfred Russel Wallace, que era espiritualista, pelo menos nada pode fazer quanto ao encerramento que Charles Darwin deu para o seu célebre livro, no último parágrafo de “A Origem das Espécies”:

“Assim, a coisa mais elevada que somos capazes de conceber, ou seja, a produção dos animais superiores, resulta diretamente da guerra da natureza da fome e da morte. Há grandeza nesta concepção de que a vida, com suas diferentes forças, foi alentada pelo Criador num curto número de formas ou numa só e que, enquanto este planeta foi girando segundo a constante lei da gravitação, desenvolveram-se e se estão desenvolvendo, a partir de um princípio tão singelo, infinidades de formas as mais belas e portentosas.”

Sabemos que esta teoria nunca pretendeu explicar o surgimento da vida, tampouco o da consciência humana, e sim o mecanismo pelo qual a vida evoluiu a partir das primeiras e mais primitivas formas de vida na Terra. Mesmo assim, e não sem boas razões, ela se tornou um dos pilares que sustentam o pensamento materialista moderno – de que tudo o que somos se resume as partículas de nosso corpo – ainda que não façamos idéia de quais partículas formam a consciência, mas isso é uma outra história.

O que eu gostaria de destacar aqui, porém, é que a evolução também traz enormes lições para uma visão espiritualista da existência:

Somos todos um
Ainda que a nível físico, somos formados por partículas, por poeira de estrelas longínquas que chegaram até nós em meteoritos e, misturando-se com os elementos da Terra em seu berço, criaram de alguma forma ainda oculta os primeiros organismos. De formas tão simples quanto bactérias, tudo o mais surgiu, evoluindo a partir do mesmo código da vida, o DNA.
Hoje a ciência sabe que não existem raças humanas, nosso genoma é praticamente idêntico do aborígene australiano ao homem branco europeu. Não apenas o racismo é ignorância, mas a própria noção de que somos seres a parte na criação, de que os animais irracionais nos servem como meros objetos, é absurda. Os índios já sabiam que somos todos um, que a natureza é uma só, e que estamos todos conectados; Mas, na época moderna, foi preciso a prova científica para que abríssemos os olhos. Esta é a maior lição da natureza: da próxima vez que olhar um pequeno roedor em sua toca, saiba que foi graças a eles que sobrevivemos à época da grande extinção dos dinossauros [1]. Nós somos filhos dos roedores, e das bactérias, porque nesse caminho cósmico, ninguém é mais especial que ninguém, a todos foi dada a mesma oportunidade de viver e de evoluir.

Nos beneficiamos das trocas
O conceito de “raça pura” foi definitivamente enterrado pela evolução. Se o nazismo surgiu no mundo, foi porque seus líderes eram também ignorantes, e perderam a oportunidade de aprender com a natureza. Seres humanos isolados, reproduzindo-se apenas em pequenas comunidades locais, são muito mais vulneráveis a vírus e doenças em geral, pois simplesmente não tiveram misturas suficientes com os genes de outros humanos que caminharam por outras partes do globo.
Porém, mais do que isso, sabemos que as trocas comerciais, culturais e religiosas são fundamentais para o desenvolvimento da humanidade como um todo. Foi com a rota da seda, da Índia para a Europa e Oriente Médio, que as grandes civilizações começaram a se desenvolver mais rapidamente. Foi na época da afluência de várias correntes filosóficas, científicas e religiosas para um mesmo local de paz que muito do pensamento humano se solidificou: da Grécia Antiga a Alexandria, de Al-Andalus ao Renascimento na Europa.
Se alcançamos tais façanhas com trocas de genes, mercadorias e conhecimento, quem sabe onde poderemos chegar com a troca de amor?

O altruísmo é uma evolução da espécie
Desde bactérias que gastam energia para produzir uma substância viscosa que faz suas colônias flutuarem na água e ficarem mais protegidas, até a troca de oferendas ancestrais de hominídeos, onde os machos traziam alimento de suas caçadas para trocar pelo sexo com as fêmeas, o altruísmo tem se comprovado como uma evolução da espécie.
Aquele que caça sozinho terá mais comida quando abater uma presa, porém a história prova que são as espécies que caçam em grupo que obtém a maior vantagem evolutiva: quando todos se ajudam e auxiliam mutuamente, ainda que tenham de dividir a caçada, existem maiores garantias de que não morrerão de fome, solitários, pois a probabilidade de haver boa caça todos os dias é bem maior em grupos que têm mais olhos e mais armas afiadas.
Desde épocas imemoriais, a natureza tem nos ensinado tal mistério: quanto mais nos afeiçoamos aos seres, mais capacidade temos de nos afeiçoar ainda mais. O amor é combustível que não acaba nunca, o fogo de sua pira é eterno e o vento só faz ele crescer mais e mais...

Das adversidades nascem os grandes saltos evolutivos
Nenhuma espécie evoluiu com vida mansa, seja pela abundância de presas para caçar ou pela ausência completa de predadores. Sem a adversidade, seja esta um predador faminto ou um estômago suplicando por energia, os seres não teriam motivo para evoluir.
Embora todos gostemos de paz, de que tudo “ande nos trilhos”, não podemos esperar que as adversidades passem ao largo. Esta seria, ao longo prazo, uma grande armadilha. A estagnação, seja física, seja mental, seja espiritual, é o grande mal da humanidade. A época negra na Europa medieval demonstrou que dogmas não nos servem de salvação, e que manuais de verdades absolutas de nada adiantam se as pessoas ainda são ignorantes da real interpretação dessas verdades. Adquirir conhecimento não faz de ninguém um santo: é preciso praticar, é preciso sujar os pés de lama, é preciso encarar o deserto e compreender que, onde quer que haja estagnação, a natureza não nos deixará relaxar.
A “guerra da natureza”, a que Darwin mencionou acima, é uma forma pela qual o seu mecanismo continua nos puxando, e puxando, sempre para cima.

O ambiente nos molda
Pequenos cataclismas submarinos, causados pelo fim da vazão de água em altas temperaturas da crosta terrestre, podem fazer com que nichos ecológicos inteiros de seres microscópicos se extinguam, levando consigo pequenas barreiras de corais e espécies das profundezas do oceano. Um rio muda de curso, as monções são interrompidas, e impérios inteiros se extinguem, ou partem para invadir novos territórios, como é caso tão comum na história do sul da Ásia...
Em nossa vã esperança de que fossemos o centro de todo o Cosmos, acreditamos que os deuses é quem deveriam nos servir, ainda que através das mais variadas formas de barganha. Ainda hoje, há cientistas que crêem que podem ditar os rumos da natureza, “criando” novas espécies ou retardando indefinidamente o envelhecimento das células do corpo. Tudo em vão: nada está parado, tudo flui, tudo vibra. A natureza se move em ciclos, e dentre eras glaciais terrestres, surgiu o ser humano e todo o seu conhecimento.
Mas nem todo conhecimento é em vão. A maior prova está na compreensão de que, muito mais do que as disputas pela sobrevivência, é o meio-ambiente que molda a evolução das espécies. E mesmo aqui, uma vez mais, os índios estavam certos: estamos todos conectados, principalmente com a natureza a nossa volta.

A natureza é livre
O homem vem tentando compreender os mecanismos da natureza, mas até hoje falha miseravelmente em qualquer tipo de previsão mais aprofundada sobre para onde o vento soprará a seguir. Prever o clima a curto prazo é possível, a longo prazo não: é que a natureza insiste em erguer o seu véu, e dentre pequenos eventos que, por não sabermos a causa real, chamamos de “caóticos” ou “aleatórios”, nada realmente pode ser previsto do futuro. Nem onde o vento vai soprar, nem onde a terra vai tremer, nem até onde a evolução poderá nos levar.
Darwin dizia que o destino das espécies “tende a perfeição”. Muito embora seja complexo definir o que seja perfeição, a natureza jamais cansará de nos surpreender. Em apenas alguns segundos do ano cósmico, surgiu o homem e todo o seu conhecimento. A perfeição é o amanhã, é o porvir, é a potencialidade das consciências etéreas a bailar por entre eras e espécies – e ninguém pode realmente prever aonde tudo isso vai dar.
De sua agenda, a vida mesmo cuida: a natureza é livre.

A vida é a função do sistema
Embora todo sistema tenha sua função, há muitos que preferem ignorar que o sistema-natureza também tenha a sua. Em cada partícula que insiste em moldar organismos que se comportam de forma anti-entrópica enquanto vivificados, encontra-se parte do texto sagrado; Texto este que, codificado, reafirma através de infinitas reações químicas em meio ao turbilhão do universo: “Produzir vida, esta é a minha função”.

A lei da evolução
Nem o mais forte, nem o mais inteligente. Sobrevive e evolui aquele que melhor se adapta as condições do ambiente, e as suas mudanças.
Fisicamente, fazemos parte da espécie que obteve o maior sucesso em se adaptar ao meio-ambiente. Exploramos e ocupamos as zonas mais remotas do planeta, e hoje estamos em via de nos lançar ao oceano do Cosmos. Que nos faltará, senão uma adaptação de consciência? Senão explorar e ocupar nosso infinito interior?

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[1] Um biólogo amigo meu apontou uma correção: "nosso 'ancestral' sobrevivente da extinção dos dinossauros não era um Roedor, que é um grupo avançado do qual os Primatas não derivaram; mas fazia parte de ordens extintas, como os Multituberculados, que só superficialmente lembram roedores". Devido a característica poética do trecho, preferi deixar assim.

Este artigo também se encontra traduzido para o inglês: "The lessons of evolution"

Crédito das imagens: [topo] Louie Psihoyos/CORBIS (Paleontologista Doug Zhiming); [ao longo] Bettmann/CORBIS (Neanderthal)

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12.2.09

A evolução desconhecida

Neste dia onde comemoramos os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, co-criador da teoria da Evolução com Alfred Russel Wallace, gostaria de falar sobre a parte ainda "desconhecida" da evolução das espécies, e principalmente a do homo sapiens.

Como Drausio Varella e outros antropologistas gostam de lembrar, a evolução cultural não se deu apenas no homo sapiens, como em outras espécies capazes de conviver em sociedade, como chipanzés e bonobos, nossos parentes mais próximos (segundo os estudos do Genoma Humano comprovaram). E não paramos por aqui: muitos psicólogos evolutivos fazem alarde sobre a teoria da evolução da mente humana - "Homens traem mais pois na Idade da Pedra precisavam disseminar a espécie em diversas parceiras, sob o risco de condenar sua espécie a extinção caso fossem monogâmicos numa época ainda absolutamente inóspita a sobrevivência sedentária." - esse tipo de afirmação é muito comum entre os defensores da PE Pop (Psicologia Evoltutiva Populacional).

Em artigo recente na Scientific American, o prof. David J. Butler critica a afirmativa de que "o homem moderno tem a mente da Idade da Pedra", e expõe diversas razões, na maioria falta de evidências, para que consideremos essa afirmação uma falácia. Entretanto, se perguntarmos a qualquer cético que crê na teoria da Evolução, o fato de que existe a evolução cultural e cognitiva humana é quase que sempre dado como verdadeiro... Interessante pois que, independente de críticas como as do prof. Butler, exista um problema muito mais importante e crucial para ser resolvido: "Como é possível que Genes, que transmitem apenas características físicas, possam carregar informações ou memórias de uma possível evolução cultural e cognitiva da espécie?".

Até hoje, pouco se desenvolveu esse assunto na literatura científica. Podemos aqui destacar que Dawkins percebeu o problema, tanto que se preocupou em delinear uma vaga teoria acerca dos Memes, teoricamente os "genes que transmitiriam as características não-físicas adiante"... Infelizmente o célebre autor do Gene Egoísta não conseguiu encontrar essa outra espécie de "genes exóticos" em lugar algum, e nem tampouco qualquer outro pesquisador. Os memes continuam sendo alternativas místicas aos genes.

Também podemos citar Jung e seu Inconsciente Coletivo, segundo a Wikipedia ele "é a camada mais profunda da psique humana. Ele é constituído pelos materiais que foram herdados da humanidade. É nele que residem os traços funcionais, tais como imagens virtuais, que seriam comuns a todos os seres humanos." - Seria então, mais ou menos, como quintilhões de bits de informação que "flutuam no ar" e, de alguma forma desconhecida, são acessados não somente por homo sapiens conscientes, como também por todas as outras espécies que obtiveram alguma forma de evolução cultural ou cognitiva - ou seja, não dependeríamos de genes para passar tais informações adiante, elas estariam simplesmente "em algum lugar do espaço". E chamaríamos isso de ciência ou de esoterismo?

É verdade que a teoria de Darwin-Wallace nunca pretendeu explicar a origem da vida, apenas trazer luz a forma com a qual essa vida evoluiu de simples bactérias para seres formidáveis e complexos, numa infinidade de espécies. A teoria da Evolução nunca casou muito bem com a noção de evolução da cultura e cognição nas espécies, e se mostrou especificamente limitada em explicar o surgimento da consciência. Poderemos imaginar que isso se explica pelo fato de que ambos os criadores de tal teoria serem cientistas e céticos, que nada compreendiam de espiritualidade. Então estaríamos errados...

Não é à toa que Wallace é tão pouco citado quando se fala na teoria da Evolução - primeiro, era bem mais jovem que Darwin quando a teoria lhes surgiu a ambos, mas principalmente, Wallace foi espiritualista, e um cientista espiritualista é algo que nunca soou muito bem aqueles que escrevem a história da ciência... Segundo a Wikipedia e suas fontes, Wallace "argumentou que a seleção natural não poderia justificar o gênio matemático, artístico ou musical, nem contemplações metafísicas, a razão ou o humor, e que algo no "invisível universo do Espírito" tinha intercedido pelo menos três vezes na história: 1. A criação da vida a partir da matéria inorgânica; 2. A introdução da consciência nos animais superiores; 3. A geração das faculdades acima-mencionadas no espírito humano." - Ora, não é tão fácil desacreditar o pensamento de um espiritualista, quando este é um dos responsáveis pela teoria mór do materialismo, não é mesmo?

Mas poderemos pensar: será que ciência e religião estão em lados opostos? Será que materialismo e espiritualismo nunca se encontraram? Será que a Natureza se explica por noções radicais, preto no branco, como "tudo é matéria" ou "tudo é espiritual e ilusório", ou será que Natureza antes opera em gradações de cinza?

O que Wallace defendia é conhecido pela humanidade desde milhares de anos atrás, nos primórdios das religiões orientais, principalmente do Hinduismo (mesmo Sagan traça paralelos entre as teorias de criação/destruição do Universo e a cosmologia religiosa da antiga India). Consciência, alma ou espírito, chame-a como achar melhor, o que a teoria da Reencarnação defende é tão somente que existe uma lógica perfeitamente plausível por detrás da crença de que a consciência e a memória não dependem de genes para serem passadas adiante, simplesmente pelo fato de que, ao contrário do corpo dito "físico", não são exterminadas na morte.

Num Universo não-local, onde 96% da matéria não interage com a luz, e onde pululam teorias físicas acerca da existência de diversas dimensões, branas, ou mesmo universos palralelos - e mais, onde sabe-se a tempos pela ciência que toda matéria é invisível e intangível - será assim tão fantástico e absurdo imaginarmos que a consciência, algo que sequer detectamos no cérebro humano, e que não sabemos do que é formado, possa sobreviver ao fim das atividades cerebrais?

Pode ser que no futuro a ciência descubra que realmente a consciência nada mais é do que um estado exótico do cérebro, fruto de reações químicas que possibilitaram que poeira de estrelas pudessem adquirir conhecimento do céu noturno, e do Cosmos das quais são filhas. No entanto, negar de antemão a possibilidade da evolução "desconhecida" se dar através de caminhos igualmente ocultos, e apostar todas as fichas no materialismo, me parece algo arriscado... Afinal, todos podemos estar errados, então não deveríamos apontar raivosos e dizer "você está louco, isso não pode estar certo!" - E quem disse que a Natureza obedece aquilo que "achamos estar certo"?

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Crédito da foto: corbis

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10.2.09

O criacionismo de Spore

Em Setembro de 2008 o conceituado designer de jogos Will Wright realizou o projeto de sua vida: finalmente o jogo Spore era lançado. Will é conhecido por seus jogos de simulação, como Sim City, um simulador de administração de cidades que até o ex-prefeito do Rio, César Maia, jogava; ou The Sims, o jogo que "simula a vida real" e foi o grande responsável por uma legião de mulheres passar a se interessar por jogos de computador... Mas Spore foi algo muito mais ambicioso: um simulador do desenvolvimento de uma espécie de vida, desde os estágios celulares (em uma poça) até a conquista do espaço, após ter passado pelos estágios intermediários de criatura, tribo e civilização.

Não quero aqui analisar o jogo em si, que achei excelente (principalmente nas duas primeiras fases, geniais!), mas sim lembrar que foi lançado a poucos meses do ano em que a teoria de Darwin-Wallace para a evolução das espécies completa 150 anos, enquanto também comemora-se os 200 anos do nascimento de Charles Darwin. Ora, para os cientistas e céticos, nada mais oportuno do que se deleitar com um jogo tão educativo, e verificar que a ciência finalmente está chegando no "campo de visão" dos jovens, correto?

Nem tão depressa... Na verdade, muitos cientistas tem criticado Spore num ponto fundamental: por incrível que pareça, acaba por defender, de certa forma, o criacionismo, ou neo-criacionismo. Ora, sabemos que durante o jogo nossa célula vai evoluindo até virar peixe, depois uma espécie anfíbia, depois uma espécie que pode lembrar diversas outras conhecidas, de répteis a aves ou mamíferos, ou algo completamente novo e exótico... Isso porque é o jogador quem decide! É o jogador quem define como a espécie vai se desenvolvendo com seus "pontos de DNA". É simples identificar porque os cientistas céticos não gostaram muito da idéia: primeiro, não existem os tais "pontos de DNA", na verdade as espécies se desenvolveram pela seleção natural de mutações em seu próprio DNA ancestral - segundo, teoricamente não existe inteligência alguma por trás desse desenvolvimento das espécies. Será mesmo?

Segundo a Wikipedia nos fala sobre o Neocriacionismo:

"Apesar da predominância de correntes evolucionistas nos meios acadêmicos, alguns cientistas tornaram-se notados por defenderem o criacionismo clássico, que envolve a crença num criador. Os argumentos de pessoas pertencentes a comunidade científica em favor do criacionismo apontam para a organização e exatidão das leis naturais. Essa visão dá uma imagem que parece com aquela proposta por Isaac Newton, ao comparar o mundo a um mecanismo que evidencia um projeto inteligente e sobrenatural."

Ou seja, me parece irônico e pitoresco que exatamente no jogo eletrônico onde mais se investiu em estudos para que a ciência fosse corretamente retratada, tenhamos o velho dilema do Evolucionismo vs. Criacionismo... Porém, não seria o caso de nos perguntarmos se, em realidade, as coisas não sejam exatamente uma mistura das duas teorias? Será que antes não se complementam, antes de se exlcuir mutuamente?

De fato, a teoria de Darwin-Wallace nunca pretendeu explicar a origem da vida, apenas a forma pela qual ela se desenvolveu na Terra. Porém, mesmo lembrando que os elementos químicos que teoricamente possibilitaram o surgimento da vida no planeta tenham chegado aqui através de asteróides nômades, há que se perguntar - "mas e de onde exatamente vieram esses elementos?" - Pois ainda que toda a evolução das espécies na Terra seja fruto do código gerado por tais elementos, fica a questão de quem ou o que os criou, e se não teve um objetivo inteligente ou consciente. Afinal, todo efeito tem causa, e todo efeito que gera consciência teoricamente teve causa consciente. Lógica pura e simples.

Mas não temos provas: nem para o Evolucionismo (dentre os problemas podemos citar as grandes "lacunas" entre espécies de hominídeos, assim como o mistério do grande salto da consciência humana), nem para o Criacionismo (basta lembrar que "deus" ainda não desceu na Terra e nos informou de seus planos divinos, ou pelo menos não nos deixou nenhuma prova científica de que tenha feito isso). Então, só nos resta continuar jogando Spore, e ponderando sobre a grande questão... "Como você criaria o Universo?"

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Crédito da imagem: minha espécie no Spore

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12.6.08

Evolução das Espécies e Espiritismo

Em seu livro de 1859 , "A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), Charles Darwin introduziu a idéia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural.

A Gênese, cap. X, publicado em 1868 :

"27. - Na classe dos mamíferos, o homem pertence à ordem dos bímanos. Logo abaixo dele vêm os quadrúmanos (animais de quatro mãos) ou macacos, alguns dos quais, como o orangotango, o chimpanzé, o jocó, têm certos ademanes do homem, a tal ponto que, por muito tempo, foram denominados: homens das florestas. Como o homem, esses macacos caminham eretos, usam cajados, constróem choças e levam à boca, com a mão, os alimentos: sinais característicos.

28. - Por pouco que se observe a escala dos seres vivos, do ponto de vista do organismo, é-se forçado a reconhecer que, desde o líquen até a árvore e desde o zoófito até o homem, há uma cadeia que se eleva gradativamente, sem solução de continuidade e cujos anéis todos têm um ponto de contacto com o anel precedente. Acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. Visto que são idênticas às dos outros corpos as condições do corpo do homem, química e constitucionalmente; visto que ele nasce, vive e morre da mesma maneira, também nas mesmas condições que os outros se há de ele ter formado.

29. - Ainda que isso lhe fira o orgulho, tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra. Aí está o inexorável argumento dos fatos, contra o qual seria inútil protestar.
Todavia, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, tanto mais cresce de importância o princípio espiritual. Se o primeiro. o nivela ao bruto, o segundo o eleva a incomensurável altura. Vemos o limite extremo tio animal: não vemos o limite a que chegará o espírito do homem."

Meu comentário:
A doutrina da evolução das espécies é, na sua parte comprovada (e física), peça fundamental do Espiritismo. Ocorre que o Espiritismo explica então a evolução moral e cognitiva pela parte espiritual, que teve essencialmente de passar por encarnações em diversas espécies dos reinos vegetal ao animal, até chegar ao Homo Sapiens.
Pois bem, pode-se supor que Kardec, conhecedor de ciências, tenha se apropriado rapidamente das idéias de Darwin e elaborado uma explicação surpreendente para a publicação da Gênese.
Mas, o que diriam se um livro que foi publicado ANTES do livro de Darwin trouxesse as sementes dessa idéia que até então não havia sido proposta sequer pela ciência?

Questões retiradas do Livro dos Espíritos, publicado em 1857 , 2 anos ANTES de Darwin expor sua Evolução ao mundo:

" 595. Os animais têm livre-arbítrio?
— Não são simples máquinas, como supondes (1)mas sua liberdade de ação é limitada pelas suas necessidades, e não pode ser comparada à do homem. Sendo muito inferiores a este, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos atos da vida material.
(1) Descartes ensinava que os animais são máquinas, agindo segundo as leis naturais, por não terem espírito. Essa concepção, que no tempo de Kardec era ainda bastante difundida, prevalece até hoje entre a maioria dos homens. Os Espíritos a contestam, como se vê, e a sua opinião é referenciada pelas Ciências. (N. do T.)"

"604. Os animais, mesmo aperfeiçoados nos mundos superiores, sendo sempre interiores aos homens, disso resultaria que Deus tivesse criado seres intelectuais perpetuamente votados à inferioridade, o que parece em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se assinalam em todas as suas obras?
Tudo se encadeia na Natureza por liames que não podeis ainda perceber , e as coisas aparentemente mais disparatadas têm pontos de contato que o homem jamais chegará a compreender no seu estado atual. Pode entrevê-los por um esforço de sua inteligência, mas somente quando essa inteligência tiver atingido todo o seu desenvolvimento e se libertado dos prejuízos do orgulho e da ignorância poderá ver claramente na obra de Deus. Até lá suas idéias limitadas lhe farão ver as coisas de um ponto de vista mesquinho. Sabei que Deus não pode contradizer-se e que tudo, na Natureza, se harmoniza através de leis gerais que jamais se afastam da sublime sabedoria do Criador."

"606 - a) A inteligência do homem e a dos animais emanam, portanto, de um princípio único?
— Sem nenhuma dúvida; mas no homem ela passou por uma elaboração que a eleva sobre a dos brutos.

607. Ficou dito que a alma do homem, em sua origem, assemelha-se ao estado de infância da vida corpórea, que a sua inteligência apenas desponta e que ela ensaia para a vida. (Ver item 190.) Onde cumpre o Espírito essa primeira fase?
Numa série de existências que precedem o período que chamais de Humanidade. "

"609. O Espírito, tendo entrado no período da humanidade, conserva os traços do que havia sido precedentemente, ou seja, do estado em que se encontrava no período que se poderia chamar anti-humano(*)?
- Isso depende da distância que separa os dois períodos e do progresso realizado. Durante algumas gerações, ele pode conservar um reflexo mais ou menos pronunciado do estado primitivo, porque nada na Natureza se faz por transição brusca(1); há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia do seres e dos acontecimentos. Mas esses traços desaparecem com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos se realçam lentamente, porque não são ainda secundados pela vontade, mas seguem uma progressão mais rápida à medida que o Espírito adquire consciência mais perfeita de si mesmo."

Meu comentário:
(*) A nomenclatura tosca para algo que os espíritos não poderiam ainda divulgar, e que portanto os auxiliares de Kardec não conseguiam bem definir, mostra que, ao mesmo tempo:

1- Kardec e seus auxiliares não vislumbravam a Evolução de Darwin e tinham sérias dificuldades em compreender que o espírito humano veio sim do reino animal, onde evoluiu até formar consciência própria e poder encarnar em Homo Sapiens.

2- Os espíritos aparentemente sabiam que os que perguntavam estavam confusos, no entanto não poderiam trazer uma revelação que a humanidade estava prestes a descobrir por si mesma, seguindo uma lei clara de não interferência... Ou seja, é como o professor que não pode resolver a equação do aluno, ainda que ele esteja quase a resolvendo por si só .

3- Os espíritos estavam apenas esperando Darwin divulgar sua teoria ao mundo para explicar as coisas de forma mais elaborada, o que foi feito na Gênese... Ainda que possamos pensar, de forma cética, que Kardec apenas "intuiu" tudo isso por si mesmo, e antecedeu a Darwin mesmo sem bem saber, sem dúvida a explicação MENOS FANTÁSTICA é a de que consciências extra-corpo que coordenam a vida terrestre trouxeram a informação no momento oportuno, pois seguem regras bem estabelecidades de contato com os encarnados e do que podem e do que não podem ainda divulgar.

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