Citações (8)
Algumas citações minhas e de outros autores. Elas geralmente já terão aparecido anteriormente na página do Textos para Reflexão no Facebook...
De nada adianta termos a nossa frente a Verdade escrita, se não soubermos interpretar seus símbolos, seus signos... Poesias chegam mais perto, mas ainda assim são essencialmente compostas por essas cascas de sentimento...
"O poeta finge ser dor a dor que deveras sente; e quem o lê, na dor lida se sente bem; mas não nas duas que teve o poeta, e sim na dor que eles não têm" - porque a dor é uma experiência. Mas o amor também é uma experiência.
Somente o pensamento pode, quando conectado a tais mistérios, ao mesmo tempo sentir e conseguir retirar deste fruto a sua casca, e trazer cascas de sentimento para o papel... Ainda assim, somente o poeta sabe o que sentiu - o que escreve é um fingimento, mas um divino fingimento.
É por isso também que digo: minha religião é meu pensamento.
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Alguns se escandalizam com os assuntos espirituais, e querem nos imputar uma certeza das coisas que não temos, como se todo espiritualista fosse um "dogmático do espírito".
Eu posso falar por mim: Penso que, perto da imensidão do Cosmos, o que sabemos é, parafrasenado Yeats, "como uma gota de orvalho suspensa numa folha de grama".
Mas, de fato, tenho a convicção de que possuo uma vontade e uma certa liberdade. Não liberdade total, claro, mas uma "ínfima" liberdade, como o cachorro que é levado por uma coleira, e pode por vezes se ajustar e caminhar pros lados, mas que não pode se demorar muito, senão será arrastado pela coleira do Destino (aqui cito o estoicismo).
Pois se não tenho vontade, ou se a subjetividade não existe, tampouco é minha culpa: é culpa de Deus e seu determinismo absoluto, ou, no caso de não haver Deus, culpa do tilintar neuronal supostamente aleatório do meu cérebro: eu não tenho culpa, em ambos os casos, de crer que tenho vontade.
Mas, tirando este item essencial, do resto todo eu duvido, e questiono, e sei muito pouco.
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O mito e a poesia são intuições, o que se espera é que a ciência defina o que se aplica a realidade dos mecanismos naturais, e o que se aplica somente ao campo da mente e da imaginação.
Há muito tempo um sujeito fez uma aposta, disse que "tudo vibra, nada está parado (*)"... Como ele poderia saber disso naquela época, senão pela intuição? Somente no século XX a física de partículas comprovou experimentalmente que, contra todas as expectativas da nossa realidade conforme interpretada por nossa consciência humana, nada, NADA, de fato, está parado.
Somos poeira de estrelas a levitar pelo Cosmos, e quando por acaso um átomo realmente toca outro átomo, ocorrem explosões nucleares. Mas tudo vibra, nada está parado: apertamos a mão um do outro, e na realidade nenhum átomo de nossa mão toca a mão de quem cumprimentamos, e nenhum deles está parado.
(*) A Lei da Vibração no hermetismo, que data do Antigo Egito.
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Ainda uma pitada de hermetismo:
Já nos foi dito que todos os paradoxos seriam reconciliados. E, pela lógica, realmente foram: existe algo, o Uno, a “substância que não poderia criar a si mesma, incriada”, e para esta, e talvez somente para esta, não há oposto, nunca houve e nunca haverá. Todos os paradoxos estão reconciliados no Uno desde o início até o fim, pela eternidade e o infinito: basta ter olhos para ver.
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(a) "Sim sou contra a pena de morte"
(b) "Porque?"
(a) "Muito branda"
(b) "Mas há predadores que precisam ser exterminados"
(a) "O problema é que eles voltam, e suas 'pendências' geralmente só podem ser resolvidas aqui. Por isso quanto mais tempo para que tenham alguma pequena chance de serem resolvidas, melhor.
Uma outra opção é exterminar toda a raça humana. Mas isto poderemos fazer independente de haver ou não pena de morte"
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Algumas notícias do dia a dia trazem ensinamentos profundos aos bons observadores. Muitos devem saber que uma cobertura em Copacabana pegou fogo recentemente, e outros devem saber que se tratava da casa de um artista e colecionador de arte romeno, mas que mora no Brasil há tempos: Jean Boghici.
Ocorre que ele era um dos maiores colecionadores do país, com quadros de Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, muitos dos quais nem tinham preço definido, mas provavelmente valeriam milhões se estivessem a venda, e se perderam no incêndio...
E o que Jean disse aos jornalistas? "Estou com raiva e vou me vingar desse destino cruel, vou fazer uma belíssima exposição com os quadros que restaram".
E disse mais: "E eu quero saber de quadro... Meu gato morreu! Isso que me dói"... Dois gatos morreram no incêndio.
Talvez seja essa a sabedoria que a arte traz as pessoas.
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O texto a seguir é de um professor universitário aposentado de física, e um amigo:
Tudo o que o meu coração busca a minha razão aceita. Porque se a razão não se amoldar ao coração e nem o coração se amoldar à razão, a vida fica conflituosa e insuportável. O que pode acontecer é que o mundo, a sociedade, os outros, os homens, conspirem contra isso. Mas minha razão não aceita nada que não venha de algum desejo sincero que promova a paz, a concórdia, o amor, a felicidade, de forma altruísta. Mas muitos são gananciosos, possessivos, egoístas e querem que o mundo exista para servi-los e não eles para servir. Se todos se imbuírem do ideal de servir e de amar sem restrição, todos serão servidos e amados. Se todos trabalharem com afinco uns pelos outros, sem esperar retribuição, todos serão beneficiados com a dádiva do produto do trabalho dos outros. Mas se todos esperarem ser amados para amar, serem beneficiados para beneficiar, serem servidos para servir, então nunca se dará a partida para a construção de um mundo mais justo, harmônico, fraterno, próspero, aprazível, igualitário, livre e feliz para todos.
(Ernesto von Rückert é livre pensador, humanista, estóico, epicurista e ateísta)
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Crédito da imagem: Franco Vogt/Corbis
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