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10.12.18

A Ilha do Conhecimento (Reflexões no YouTube)

Neste vídeo falaremos sobre uma metáfora que, embora diga mais respeito a ciência, também pode ser aplicada a outras áreas do conhecimento humano, como a filosofia e até mesmo a religião: se cada vez que expandimos o nosso horizonte de conhecimento a nossa margem com o Oceano do Desconhecido aumenta, será que algum dia poderemos chegar ao ponto de "conhecer tudo"? Haveria uma teoria final unificada para a Natureza? Também veremos como a própria perfeição (ou nossa perfeita compreensão dela) pode muito bem ser mais um sonho inalcançável.

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!


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8.11.16

Marcelo Gleiser, o Carl Sagan brasileiro

Desde o final do século passado, com o seu monumental A dança do universo, o físico e escritor Marcelo Gleiser já se alçava como um dos maiores divulgadores de ciência nacionais. De lá para cá, só tem melhorado, particularmente por não reduzir o escopo da sua curiosidade somente a ciência, como também a arte, a espiritualidade, a meditação, as mitologias, e até mesmo as religiões. Talvez nada disso tenha tornado Gleiser um cientista melhor, mas certamente o tornou um ser humano melhor.

Tudo isso fica claro e evidente nesta espetacular entrevista que ele deu para o Canal Livre da Band no último final de semana. O mote inicial da conversa é a possibilidade de vida fora da Terra, mas ao longo do programa eles também falam de muito, muito mais coisa. Dentre outros grandes momentos, é particularmente profundo aquele em que ele explica porque é agnóstico, e não ateu.

Aliás, nesta e em outras abordagens acerca da relação da ciência com a crença, Gleiser está inteiramente alinhado com o saudoso Carl Sagan, que nunca teve pudor em falar de espiritualidade (e tampouco foi ateu, e sim agnóstico). De fato, faz algum tempo que Gleiser é o nosso Sagan brasileiro. Vejam só:

(clique na imagem acima para abrir o vídeo da primeira parte do programa no site da Band)

Abaixo seguem os links para as 3 demais partes:
» Parte 2 (a colonização de outros planetas)
» Parte 3 (ciência e religião)
» Parte 4 (questões metafísicas)

***

Obs.: Também não posso deixar de ressaltar a participação do jornalista Salvador Nogueira, que ajudou muito com suas perguntas muito bem elaboradas. Não é para menos, pois se trata de um dos nossos melhores jornalistas na área de ciência.


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3.9.12

Eu Maior: novas entrevistas

O documentário Eu Maior ainda não foi lançado, mas está em pós-produção e esperamos que saia ainda este ano. Entretanto, outro dia voltei lá e descobri mais 5 trechos de entrevistas com mentes incríveis. Aproveitem a degustação:

Mário Sérgio Cortella é filósofo e doutor em Educação pela PUC de São Paulo, onde é professor-titular do Departamento de Fundamentos da Educação e da Pós-Graduação em Educação. É para mim o maior filósofo brasileiro vivo.


Ari Raynsford é Doutor em Engenharia Nuclear e Mestre em Engenharia Mecânica pelo MIT (EUA), e Engenheiro Naval pela Escola Politécnica da USP. Estuda o Modelo Integral do filósofo americano Ken Wilber há vinte anos e trabalha há dez na sua divulgação.


» Ver entrevista com Rubem Alves

Rubem Alves é educador, poeta, filósofo, psicanalista, cronista, ensaísta, teólogo e acadêmico. Sua obra explora a essência do homem e a alma do ser, servindo de contraponto à visão do homem globalizado que busca satisfazer desejos e vive além de suas reais necessidades.

» Ver entrevista com Marcelo Gleiser

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia no Dartmouth College (EUA). Há 13 anos escreve uma coluna para a Folha de S. Paulo. Sua paixão pela ciência e a capacidade de explicar questões complexas de forma acessível para o público leigo são características marcantes em seus livros de divulgação científica.

» Ver entrevista com Marina Silva

Nascida em Rio Branco, Marina Silva é uma ambientalista, historiadora, pedagoga e política brasileira. Em quase 30 anos de vida pública, ganhou reconhecimento dentro e fora do país pela defesa da ética, da valorização dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável.

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» Veja mais entrevistas no site do Eu Maior

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31.8.12

Aristóteles e Higgs: uma parábola etérea

Texto de Marcelo Gleiser para a coluna Ciência da Folha de São Paulo (29/07/12). O comentário final é meu.

Aristóteles e Peter Higgs entram num bar. Higgs, como sempre, pede o seu uísque de puro malte. Aristóteles, fiel às suas raízes, fica com um copo de vinho.

"Então, ouvi dizer que finalmente encontraram," diz Aristóteles, animado.

"É, demorou, mas parece que sim," responde Higgs, todo sorridente. "Você acha que 40 anos é muito tempo? Eu esperei 23 séculos!" "Como é?", pergunta Higgs, atônito. "Você não acha que..."

"Claro que acho!", corta Aristóteles. "Você chama de campo, eu de éter. No final dá no mesmo, não?"

"De jeito nenhum!", responde Higgs, furioso. "O seu éter é inventado. Eu calculei, entende? Fiz previsões concretas."

"Vocês cientistas e suas previsões...", diz Aristóteles. "Basta ter imaginação e um bom olho. Você não acha que o meu éter é uma excelente explicação para o que ocorre nos céus?"

"Talvez tenha sido há 2.000 anos. Mas tudo mudou após Galileu e Kepler", diz Higgs.

Aristóteles olha para Higgs com desprezo. "Você está se referindo a esse 'método' de vocês, certo?"

"O método científico, para ser preciso", responde Higgs, orgulhoso. "É a noção de que uma hipótese precisa ser validada por experimentos para que seja aceita como explicação significativa de como funciona o mundo."

"Significativa? A minha filosofia foi muito mais significativa para mais gente e por muito mais tempo do que sua ciência e o seu método."

"É verdade, Aristóteles, suas ideias inspiraram muita gente por muitos séculos. Mas ser significativo não significa estar correto."

"E como você sabe o que é certo ou errado?", rebate Aristóteles. "O que você acha que está certo hoje pode ser considerado errado amanhã."

"Tem razão, a ciência não é infalível. Mas é o melhor método que temos para aprender como o mundo funciona", responde Higgs.

"Nos meus tempos bastava ser convincente", reflete Aristóteles com nostalgia. "Se tinha um bom argumento e sabia defendê-lo, dava tudo certo", continuou.

"As pessoas acreditavam em você, mas não era fácil. A competição era intensa!" "Posso imaginar", responde Higgs.

"Ainda é difícil. A diferença é que argumentos não são suficientes. Ideias têm que ser testadas. Por isso a descoberta do bóson de Higgs é tão importante."

"É, pode ser. Mas no fundo é só um outro éter", provoca Aristóteles.

"Um éter bem diferente do seu", responde Higgs. "E por quê?", pergunta Aristóteles. "Pra começar, o campo de Higgs interage com a matéria comum. O seu éter não interage com nada."

"Claro que não! Era perfeito e eterno", diz Aristóteles.

"Nada é eterno", rebate Higgs.

"Pelo seu método, a menos que você tenha um experimento que dure uma eternidade, é impossível provar isso!" afirma Aristóteles.

"Touché, você me pegou", admite Higgs. "Não podemos saber tudo." "Exato", diz Aristóteles. "E é aí que fica divertido, quando a certeza acaba."

"Parabéns pela descoberta do seu éter", diz Aristóteles.

"Existem muitos tipos de éter", afirma Higgs. "E muitos tipos de bósons de Higgs", retruca Aristóteles.

"É, vamos ter que continuar a busca." "E o que há de melhor?", completa Aristóteles, tomando um gole.

***

Comentário
Em meu último artigo, O frescobol cósmico, trouxe uma curiosa comparação conceitual entre a descrição científica do Campo de Higgs e um trecho do Livro dos Espíritos que detalha o conceito espiritualista do chamado Fluido Universal (algo análogo ao Éter ou a Quintessência de Aristóteles). Se alguns céticos se "incomodaram" com a comparação vinda de um espiritualista que, afinal, "só escreve um blog e nada entende de ciência", fico curioso para saber sua opinião acerca deste artigo do renomado cientista brasileiro, Marcelo Gleiser, que em essência aponta exatamente para a mesma comparação conceitual.

» Veja o post original, no site da Folha

***

Crédito da foto: Site oficial de Marcelo Gleiser

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2.6.11

Transcendência

Diálogos de Waldemar Falcão, Marcelo Gleiser e Frei Betto em "Conversa sobre a fé e a ciência” (Ed. Agir) – Trechos das pgs. 86 a 90. Os comentários ao final são meus.

Waldemar Falcão – Isso é um ponto que acho muito interessante, que para mim de certa forma aproxima a ciência e a religião [1]: é porque as duas buscam uma compreensão do mundo que vai além daquilo que podemos captar através dos nossos cinco sentidos habituais. O que acontece é que principalmente o budismo, no caso, tenta sempre ir além daquilo que conseguimos perceber através dos cinco sentidos habituais, e de uma certa maneira acho que é o que a ciência tenta compreender: o invisível. A física quântica, principalmente, está toda mergulhada nessa parte, no mundo subatômico.

Marcelo Gleiser – O ponto então talvez seja a busca pela transcendência.

WF – Acho essa palavra perfeita nesse contexto!

MG – Que é uma coisa que tanto a religião quanto a ciência procuram. No caso, Betto, você falou da paixão que vem de fora, mas que também está dentro de você [2]. E quando se acredita num Criador que é onipotente e onipresente, para penetrar na Sua mente, você tem de transcender sua dimensão humana. Isso pode ser tanto por meio da fé, ou até mesmo da ciência, se o cientista acredita nessa metáfora que quanto mais a gente entende o mundo, mas a gente entende a mente de Deus. Hoje em dia isso costuma ser metáfora, mas na época de Galileu e de Newton era isso mesmo [3]: o mundo era uma obra do Arquiteto Divino, e, portanto, quanto mais se conhecesse deste mundo pela ciência, mais se conhecia, de fato, a mente de Deus. O [Stephen] Hawking continua usando essa metáfora: quanto mais a gente entender da teoria unificada, que visa unificar todas as forças da natureza numa só, mais a gente entende a mente de Deus. No fundo, ambas, a fé e a ciência, estão servindo como uma veículo de transcendência da condição humana, de ir além, de explorar uma dimensão desconhecida; e você, Betto, falou uma coisa interessante: que a ciência é o reino da dúvida, se alimenta da dúvida para buscar a verdade. Acho que é fundamental saber que não existem verdades acabadas, finais. O processo de busca é o processo de transcendência.

Frei Betto – Justamente, e o maior de todos os erros é a religião abafar a espiritualidade. Esse é o maior de todos os erros [4].

MG – É um paradoxo.

WF – É um paradoxo, mas fato incontestável.

FB – É como você ter um carro maravilhoso na garagem, mas que não anda. Todo mundo aprecia e...

MG – Isso é importantíssimo para mim, porque vejo como um problema sério da religião, não só no ritual católico e no cristão, mas em geral; talvez não nos evangélicos, mas também na maioria das vertentes dos ritos judaicos existe essa questão da passividade, quer dizer, você repete todas aquelas rezas, mas não tem...

WF – Aquele arrebatamento.

MG – Em contrapartida, você vai a um candomblé ou àquelas igrejas negras dos Estados Unidos, em que todo mundo canta, dança e grita... Essa coisa da entrega da atividade, da busca, não só receber e repetir, deve ser importante, concorda [5]?

FB – Tudo é a questão do poder. Em 1971, houve uma reunião de bispos de vários continentes em Roma, e um bispo africano convidou os bispos e cardeais para, à noite – naquela época não havia vídeo –, ver um documentário sobre a liturgia na diocese dele. No filme em cores aparecia um tronco de árvore com o vinho e hóstia, uns negros dançando e batucando, e as negras com os seios à mostra, de tanga, todas pintadas, dançando. Um cardeal se levantou: “Isso é um absurdo, é uma infâmia, é uma blasfêmia, não é a liturgia da Igreja!”. Aí o bispo africano parou o filme, acendeu a luz e disse: “Pode não ser da liturgia de Roma, mas da Igreja é, porque se nós, africanos, tivéssemos evangelizado a Europa, a essa hora todos vocês estariam de tanga, dançando e cantando em volta do altar” [6]. Isso comprova a dificuldade que as religiões têm de se inculturar.

WF – De serem permeáveis a outras culturas.

FB – Como soube fazer isso muito bem o apóstolo Paulo, que disse “fui grego com os gregos e judeu com os judeus”. Há uma briga explícita na Carta aos Gálatas, uma das 13 cartas contidas no Novo Testamento e que são consideradas sagradas pela Igreja Cristã, que Paulo escreveu, nas quais critica duramente Pedro. E Pedro era o papa! Pedro achava que para ser cristão o pagão deveria, primeiro, passar pelos ritos judaicos: circuncisão, observação dos ritos de pureza, etc. Paulo chega a dizer que Pedro é um homem de duas caras. Não conhecemos a resposta de Pedro, mas sabemos que Paulo viveu um momento da Igreja em que, pelo amor à Igreja, se podiam expressar críticas até ao papa, não tinha essa coisa de “amém” para toda forma de autoridade, achando que a autoridade é portadora da verdade. Muitas vezes ela falseia a verdade [7]. Mas quero voltar ao tema: a ciência pode, na minha opinião, viver sem a religião. Diria mais: eu me sentiria, como cristão, como religioso, muito incomodado com uma ciência confessionalizada, como me sinto incomodado como esse esforço de querer provar, pela linha da unificação, que lá na ponta do Big Bang está Deus e... eu brincava com isso... acho que escrevi isso na Obra do Artista [8], não me lembro, mas mencionava os quarks, que nunca foram quebrados. Então são sempre três, não é isso?

MG – Na verdade, são seis quarks. Mas prótons e nêutrons são feitos de três.

FB – Ao quebrá-los, o que se encontra? Encontra-se, do outro lado, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Considero isso uma grande bobagem. Um Deus que precisa ser explicado pela ciência, acabou [9].

[...] MG – Acho essa uma ótima posição. Pelo lado da ciência também é uma grande bobagem querer explicar Deus [10].

***

[1] Estavam falando sobre a suposição radical, e errônea, de que a religião seria o reino do dogma e da certeza absoluta; e a ciência, o reino da dúvida. Chegaram à conclusão de que o questionamento era um fator positivo, e de que a dúvida permeava tanto a ciência quanto a religião.

[2] Referência à experiência religiosa relatada por Frei Betto.

[3] Sempre acho uma grande ironia e ignorância quando afirmam que “toda religião é veneno”, pois que esses que o afirmam quase sempre são “devotos” da ciência (materialista). Soubessem eles um pouco da história da ciência, saberiam que foi graças à inspiração religiosa que muitos grandes cientistas realizaram grandes descobertas e feitos.

[4] Reparem que Frei Betto acaba de concordar com Gleiser no sentido de não aceitarmos a existência de verdades finais, acabadas, absolutas – ou, pelo menos, de não aceitarmos que já chegamos a sua compreensão completa. Todos aqueles que seguem manuais de verdades absolutas talvez ficassem atônitos ao saber que grandes religiosos e eclesiásticos, católicos como Frei Betto ou Pe. Fábio de Melo, antes consideram manuais de dúvidas divinas do que de verdades absolutas – embora todos os conheçam pelo mesmo nome. Onde há dúvida, há busca pela transcendência.

[5] Dentro de seu agnosticismo, Gleiser me parece um ser profundamente religioso, no sentido essencial da religiosidade, que é exatamente essa busca pela transcendência, pela religação a mente de um Criador ou, talvez fosse melhor dizer no seu caso, aos mistérios ocultos do Cosmos. Em suma, ele me lembra muito o Carl Sagan quanto se mete a falar sobre religião e espiritualidade (estou fazendo aqui um grande elogio, é claro).

[6] A liturgia do filme do bispo africano não era assim tão diferente da utilizada pelo Batista para seus rituais de batismo e devoção. Me lembro da cena em que Jesus o encontra, no filme “A última tentação de cristo” –acredito que tenha sido bem fiel a realidade de época. Ironias, ironias...

[7] Vejam bem: quem diz isso é um frade!

[8] “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (Ed. Ática), lançado em 1995.

[9] Acredito que Frei Betto tenha se confundido um pouco no que quis dizer, é claro que sempre será uma grande besteira tentar explicar ou definir Deus por meio de teorias científicas – A trindade não é formada por quarks, o Big Bang não necessariamente é um “espirro divino”, nem a física quântica parece poder explicar diretamente uma série de questões espiritualistas... Entretanto, a ciência é o conhecimento da realidade detectável e das leis naturais; enquanto que a religião é um movimento íntimo, uma certa vontade incomensurável que nos impele a refletir, a pensar, e a tentar desvendar os mistérios do Cosmos. Nesse contexto, uma não excluí a outra, e ambas estarão sempre sondando a “mente de Deus”: seja no sentido, seja no mecanismo, pois Deus é tudo que há, e algo a mais.

[10] Embora Gleiser seja um cientista agnóstico, Frei Betto um cristão socialista, e Waldemar Falcão um músico espiritualista, a conversa deles engrena em diversos momentos, o que faz desse livro um achado. De fato, já conhecia Gleiser (de “A dança do universo”, “Criação imperfeita”, dentre outros) e os dois livros anteriores de Falcão, excelentes (“Encontros com médiuns notáveis” e “O Deus de cada um”), mas me surpreendi com a coerência do próprio Frei Betto, apesar de nem sempre concordar com o que ele diz.

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Crédito da foto: Bruno Veiga/Divulgação (Frei Betto e Marcelo Gleiser).

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13.11.10

Isto não é o nada, parte 2

continuando da parte 1

Está na hora de eu dar minha opinião sobre tudo isso... Apesar de admirar o pensamento de todos os autores citados acima – incluindo dos que discordo –, penso que ainda há uma forma de resumir estas questões da unificação fundamental, do surgimento da vida e do paradoxo de ainda não termos encontrado nenhum sinal de vida inteligente neste Cosmos tão grande.

Este é o problema, o paradoxo, e também a solução – ele é grande, muito grande, talvez não muito diferente, na prática, do infinito. Quando os cientistas descobriram a radiação de fundo cósmica, uma das maiores comprovações experimentais da teoria do Big Bang, também se depararam com um grande problema: como explicar como ela era tão homogênea?

Isto foi resolvido pela teoria do físico Alan Guth. A sua idéia é que, na aurora do tempo, o espaço inflou com uma velocidade absurdamente grande. Dois pontos que, inicialmente, eram vizinhos, durante a expansão ultra-rápida se distanciaram mais rapidamente do que a velocidade da luz. Para que o mecanismo funcionasse e pudesse explicar a geometria cósmica e a homogeneidade da matéria, a expansão tinha de ser exponencialmente rápida. Por isso, sua teoria ficou conhecida como Inflação Cósmica. Atualmente esta teoria é aceita pela grande maioria dos cientistas.

Uma das conseqüências da Inflação é o conceito de horizonte cósmico... Sabemos que nada material viaja mais rápido do que a luz, entretanto, durante a Inflação, o próprio tecido do espaço-tempo “inflou” de forma mais rápida do que a luz! Isso significa que existe um horizonte até onde podemos enxergar o universo – e além dele há o “universo desconhecido”, além do alcance da luz do nosso lado, do nosso horizonte, como uma América que jamais poderá ser alcançada por Colombo.

Diante dessas informações, eu muitas vezes me pergunto, ou melhor, me vejo fazendo a seguinte pergunta aos cientistas: “Meus caros, que parte do infinito vocês não entenderam?”

Os cientistas procuram por agulhas no palheiro cósmico, e ao não encontrá-las ficam algo inquietos e angustiados... Para os que seguem a bíblia, como Heeren, isso só pode significar que Deus escolheu mesmo apenas aquele povo perdido num deserto da terceira pedra do Sol, na periferia de uma dentre trilhões de galáxias; Para os céticos desiludidos com a busca pela unificação na ciência, ou pela busca da “vida abundante” no Cosmos, isso só pode significar que somos um raríssimo acidente em meio a um universo caótico e hostil; Ainda para outros, talvez mais moderados, isso tão somente significa que o Cosmos é grande, realmente grande – mas quão grande?

É aí que o infinito entra para bagunçar com todas as teorias e crenças de tantas mentes brilhantes. O infinito não se equaciona, está além da matemática e talvez mesmo além de nossa racionalidade... Mesmo assim, ainda é possível tentar vislumbrá-lo pela lógica, tal qual arriscou o grande Benedito Espinosa.

Em sua “Ética” (Ed. Autêntica), Espinosa analisa a questão da criação, do “porque existe algo e não nada?”. Podem acusá-lo de ser mais um “sonhador da unidade fundamental de todas as coisas” – tal qual o faz Marcelo Gleiser com certa propriedade –, mas apenas acusar não basta: é preciso resolver a questão, é preciso encarar ao infinito face a face. E até hoje, que me desculpem os seguidores da bíblia e cientistas céticos, dentre todas as teorias acima citadas, somente ele avançou efetivamente nesta questão.

Se algo não surge do nada, nem mesmo flutuações quânticas no vácuo, nem mesmo um espaço vazio ou um pensamento, então há que existir algo de incriado, algo de eterno. Espinosa o chamou de Substância, “a Substância que não poderia criar a si mesma”... Ora, como sabemos que espaço e tempo estão intimamente conectados, falar em eternidade é falar em infinito.

Comparativamente, o núcleo de um átomo em relação à órbita de seus elétrons corresponderia a um pequeno inseto no centro de um estádio de futebol, uma mosca no meio do Maracanã. O resto é espaço vazio, ou preenchido por alguma parte dos 96% de matéria ou energia escura que não interagem com a luz e, portanto, jamais foram detectados pela ciência – postula-se sua existência pela observação do movimento das galáxias, na media em que falta bastante matéria para explicá-lo.

Seguindo nesse pensamento, sabemos que apenas em nosso horizonte cósmico existem mais estrelas (sóis como o nosso, cheias de planetas à volta) do que grãos de areia em todas as praias da Terra! E mesmo que nem uma única forma de vida exista em torno desses trilhões e trilhões de sóis, lembrem-se de que estamos falando apenas de nosso horizonte, de até onde nossa luz pode chegar. No “universo desconhecido” temos praticamente um infinito de possibilidades. É muito difícil afirmar qualquer coisa do tipo “não existe vida fora da Terra” ante à tal infinito.

Procuramos por agulhas num palheiro cósmico, mas não devemos esmorecer se a busca tem se mostrado árdua... Não devemos esmorecer ante o infinito, pois ele é tudo o que há, ele é a Substância que abarca a todos nós. Procuramos por versões conscientes dessa Substância, mas por vezes esquecemos que também somos formados por ela, que também estamos encharcados desse mar por todos os lados.

Por mais rara que seja a vida na Terra, ela não se compara à raridade da simples existência de tudo o que há. Como os 4% da matéria que interage com a luz, ou como a ínfima quantidade de elementos pesados que possibilitam a vida como a conhecemos em meio a um oceano de hélio e hidrogênio, somos tão raros quanto a própria Substância. E mesmo que sejamos poucos na Terra, nos confins de nosso horizonte cósmico e além, certamente seremos muitos – tantos quanto às estrelas em meio ao infinito.

Da próxima vez que se angustiarem com a escuridão da noite, com a idéia do nada e da morte vindoura, lembrem-se de que também temos tantos neurônios em nosso cérebro quanto estrelas no céu, lembrem-se de tudo isso que nos lembramos, e pensamos, e sentimos, e intuímos. Lembrem-se e afirmem para si mesmos:

Isto não é o nada.

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Crédito das imagens: Silent World, de Michael Kenna (os textos são meus)

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Isto não é o nada, parte 1

Em 1996 cientistas da NASA declararam que um meteorito vindo de Marte parecia trazer consigo sinais de vida. A pedra extraterrestre, chamada ALH84001, desprendeu-se de Marte após a colisão violenta de algum cometa ou asteróide a cerca de 16 bilhões de anos, e caiu na Terra por volta de 13 mil anos atrás, sendo finalmente descoberta na Antártica em 1984.

Houve forte repercussão na mídia, e até o então presidente americano, Bill Clinton, referiu-se a possibilidade da descoberta de vida extraterrestre: “Hoje a pedra 84001 nos fala de um passo de bilhões de anos e de uma distância de milhões de quilômetros. Nos fala da possibilidade de vida. Se essa descoberta for confirmada, será uma das maiores na história da ciência. Suas implicações serão profundas, e inspirarão ainda mais reverência pelo universo em que vivemos. Ao prometer respostas para algumas das questões mais antigas da humanidade, levanta outras ainda mais fundamentais.”

Hoje, no entanto, a maioria dos cientistas está convencida de que os sinais de vida no meteorito 84001 não são reais. Um dos métodos para se identificar atividades biológicas em amostras de meteoritos é buscar por minúsculas “marcas de vida” gravadas nas rochas. A dificuldade é que processos geológicos muitas vezes causam efeitos extremamente parecidos com atividade bacteriana. Embora não tenhamos o caso por encerrado, essa pedra não é a prova que tanto buscamos. Ao que sabemos por evidências físicas, continuamos sendo o único planeta com vida no Cosmos.

Obviamente a falta dessa evidência não impede que muitos cientistas continuem esperançosos em encontrá-la em breve, afinal o universo é um lugar bem grande. Em seu livro “The Fifth Miracle [O Quinto Milagre]” o físico Paul Davies diz que “se a vida vem de uma sopa pré-biótica com certeza causal, então as leis da Natureza escondem um subtexto, um imperativo cósmico que comanda: ‘Faça-se a vida!’... Essa visão deslumbrante da Natureza é profundamente inspiradora e majestosa. Espero que esteja correta. Seria maravilhoso se estivesse.”

James Gardner é um jornalista especializado em pesquisa científica que traduz esse sentimento em uma teoria consideravelmente bem fundamentada, a do Biocosmos Egoísta, a qual é elaborada no livro homônimo, e defendida com maior embasamento no livro “O universo inteligente” (Ed. Cultrix). Vejamos como ele a resume: “A essência da hipótese do Biocosmos Egoísta é que o universo que habitamos está no processo de ficar impregnado de vida cada vez mais inteligente – mas não necessariamente vida humana ou sua sucessora. Nessa teoria, a emergência da vida e da inteligência cada vez mais competente não é um acidente sem significado num cosmos hostil, em grande parte isento de vida, mas está no próprio âmago da vasta maquinaria da criação, da evolução cosmológica e da replicação cósmica.”

Há ainda outros cientistas que primeiro buscam por evidências antes de considerar tais hipóteses. Em “O universo vivo” (Ed. Larousse) o físico Chris Impey nos traz uma detalhada análise da astrobiologia – o estudo da vida no espaço. Ao contrário do que muitos possam pensar, este é um ramo oficial da ciência, e demonstra que muitos consideram com seriedade a possibilidade de acharmos além da Terra formas de vida simples como bactérias e extremófilos, capazes de sobreviver em condições geoquímicas extremas, como no subterrâneo de Marte ou no oceano gelado de Europa, uma das luas de Júpiter... Isso não significa que esperam encontrar tão cedo qualquer ser mais complexo do que uma ameba, tanto menos alguma espécie capaz de comunicar-se conosco.

Recentemente cientistas descobriram um planeta que possui o tamanho correto, a densidade correta e a distância correta de sua estrela para abrigar vida tal qual a conhecemos. Gliese 581 é uma estrela anã vermelha localizada a 20,3 anos-luz da Terra, na constelação de Libra. O Planeta G, sexto de seu sistema, orbita no meio do que se chama de “região habitável” na qual a água pode existir em forma líquida, e possui cerca de 1,5 vezes o tamanho da Terra, o que garante uma atração gravitacional para fazer com que esta água possa se acumular em lagos e mares.

“Pessoalmente, dada a propensão da vida como a conhecemos de brotar em qualquer oportunidade, eu diria que as chances de existir vida neste planeta beiram 100%” disse Steven Voght, professor de astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia ao Discovery News.

Em seu livro “Criação imperfeita” (Ed. Record), o físico brasileiro Marcelo Gleiser critica veementemente essa propensão “monoteísta e unificadora” presente em muitos cientistas, uma espécie de busca por códigos ocultos na Natureza, por uma mítica Teoria do Tudo; E, claro, ele discorda dessa noção de que a vida “tem a propensão de brotar em qualquer oportunidade”. Enfim, Gleiser confessa que já foi ele mesmo um “unificador” em busca desses mistérios ocultos do Cosmos, mas que terminou por aceitar que a vida é tão somente um evento raríssimo num universo violento e hostil, fruto de uma cadeia de assimetrias que data desde o Big Bang, quando a pequena assimetria entre a presença de matéria e anti-matéria possibilitou o surgimento de galáxias, estrelas, planetas e, eventualmente, da vida no planeta Terra – teoricamente um evento tão raro que temos pouca esperança de encontrar vida inteligente em nosso horizonte cósmico, quanto menos especular que o universo é uma espécie de Biocosmos Egoísta.

Gleiser defende que a vida é especial exatamente por aparentemente só existir aqui – que é rara, muito rara, e que por isso mesmo tem de ser valorizada e protegida. A espiritualidade de Gleiser se foca num “humanocentrismo cósmico”, mas que até onde sabemos não passa da atmosfera terrestre. Para a teoria de Gleiser fazer sentido, basta que continuemos a não encontrar vida extraterrestre nos séculos vindouros, o que será uma prova cada vez maior de que o universo não parece ser uma “fonte inesgotável de vida”.

Interessante e irônico comparar o pensamento de Gleiser com o do jornalista científico Fred Heeren. Em seu livro “Mostre-me Deus” (Ed. Clio), ele nos traz uma análise abrangente do estado da cosmologia atual, mas aqui e ali ele insiste em inserir analogias bíblicas, muitas delas forçadas, mas que não deixam de compor uma teoria interessante. Não vou entrar em detalhes, mas o mais interessante para nossa comparação é que Heeren diz que é exatamente porque até hoje não encontramos vida inteligente fora da Terra que a bíblia parece fazer todo o sentido! Ou seja, Deus parece ter escolhido exatamente este planeta, e somente ele, dentre trilhões e trilhões de outros, para criar a vida.

É muito comum em livros de divulgação científica vermos teorias sendo expostas a torto e a direito sem uma preocupação maior com sua lógica – pois isso seria filosofia e não ciência. A ciência depende afinal apenas de comprovação experimental, e enquanto esta não aparece, uma miríade sem fim de teorias são elaboradas... Gleiser, por exemplo, também critica com fervor o atual estágio da física teórica, em que se baseia quase que totalmente em teorias que não têm como ser testadas e, portanto, nem validades nem invalidadas. Temos nesse cenário, como maior expoente, a Teoria-M ou Teoria das Cordas, que postula que os componentes fundamentais da matéria são minúsculas cordas, e que é de sua vibração que são criadas partículas de maior ou menor massa. A Teoria-M é uma das tantas outras que buscam uma unificação das teorias físicas, uma mítica Teoria do Tudo tão criticada por Gleiser – na medida em que para ele, ela obviamente ainda está bem além de nosso alcance.

Na parte final, minha opinião sobre o assunto...

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Crédito das imagens: Silent World, de Michael Kenna (os textos são meus)

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1.11.10

Uma imagem, uma reflexão (7)

"Eu vi a perfeição da Natureza, e também vi sua imperfeição. Me perdoem, pois não sei qual é a mais bonita..."

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Texto de Marcelo Gleiser em "Criação Imperfeita" (Ed. Record) - Trechos das páginas 206, 209 e 210. Os comentários entre chaves são meus:

A água e o gelo tem propriedades espaciais bem diferentes. Enquanto a água é homogênea, isto é, em média aparenta ser a mesma em todos os pontos do volume que ocupa, o gelo não tem essa simetria: ao congelarem, as moléculas de água adquirem um arranjo espacial bem específico, formando uma rede cristalina hexagonal, parecida com uma colméia de abelhas. Átomos de oxigênio ocupam cada um dos seis vértices dos hexágonos, enquanto os dois átomos de hidrogênio alinham-se ao longo das conexões entre os vértices. Essa simetria em seis lados das redes cristalinas de gelo determina a belíssima simetria hexagonal dos flocos de neve, que são manifestações macroscópicas de uma simetria microscópica. Mesmo que os cristais tenham uma alto grau de simetria, a água líquida é ainda mais simétrica, pois é a mesma em todas as direções [considerando apenas a simetria, uma poça d'água é "mais perfeita" do que um cristal de gelo como o acima].

[...] Inicialmente, a temperaturas acima de zero grau, a água é homogênea e não vemos qualquer sinal de cristais de gelo se formando. Quando a temperatura cai, começamos a perceber pequenas regiões onde a água começa a congelar. Os minúsculos cristais de gelo são as sementes, ou "pontos de necleação", da transição de fase [estado líquido para estado sólido]. Na prática, essas sementes surgem devido à presença de impurezas. É isso que ocorre quando chove ou neva. O vapor d'água do ar resfriado vira uma gotícula líquida (se condensa) em torno de um grão de poeira. Se a condensação ocorre próxima ao solo, vamos gotas de orvalho próximas ao solo ou no chão. Se ocorre na atmosfera, a condensação forma nuvens. Quando a temperatura cai o suficiente, uma gotícula pode congelar, induzindo as gotículas vizinhas a fazer o mesmo. Como gelo é mais frio do que água, esse processo libera calor, ocorrendo fora de equilíbrio térmico. O equilíbrio só é restaurado quando todo o sistema é convertido para uma única fase. Como observamos nos nossos congeladores, uma vez que a água congela, nada de muito interessante ocorre; equilíbrio é a ausência de mudança [sem as imperfeições e desequilíbrios dos primeiros minutos do universo, nós não estaríamos aqui para admirar sua beleza - na perfeição e na imperfeição].

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(clique na imagem para abrir em tamanho maior)

Crédito: Foto de cristal de gelo tirada através de microscópio especial, por Kenneth G. Libbrecht.

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20.7.10

Reflexões sobre a perfeição, parte 3

Continuando da parte 2

Em busca da Teoria do Tudo

Tenho um amigo matemático – Guilherme Tomishiyo – que ousa afirmar que a matemática é mais arte do que ciência. Vejamos seu pensamento acerca do assunto:

“O motivo pra mim da matemática não ser uma ciência, ao menos uma ciência natural – que estuda a natureza –, é que ela não parte de observações da mesma.

Um matemático não analisa um aspecto do mundo natural e tenta traduzir aquilo. Ele parte de axiomas e constrói daí um sistema lógico. Eu diria que ela é o estudo dos padrões. Quem estuda matemática sabe que números são apenas uma parte, a grande maioria dela não está nem um pouco relacionada com isso.

Uma coisa que eu acho estupidamente bela na matemática é o seu aspecto ontológico. Daqui a mil anos, podemos descobrir que Einstein esteve errado, e a sua teoria inteira não passava de um caso particular de uma teoria mais geral (como foi com Newton), mas daqui a 10 mil anos, o Teorema de Pitágoras continuará sendo verdadeiro, assim como todos os teoremas já demonstrados até o momento.

O teor artístico da matemática é inegável. A criatividade – mesmo para conjecturar alguns fatores – é sublime.”

Por muitos e muitos anos a física experimental esteve sempre à frente da física teórica – primeiro a natureza era observada, experimentada, e somente após os cientistas tentavam explicar o mecanismo natural através de suas equações e teorias... Ultimamente, entretanto, isto se inverteu...

Desde a formulação das teorias da relatividade e da mecânica quântica, os físicos vêm tentando unir todas as forças da natureza em uma espécie de Teoria do Tudo. Assim como Maxwell conseguiu unificar a eletricidade e o magnetismo em uma elegante matemática, Einstein e muitos outros gênios científicos vêm tentando unir o eletromagnetismo as forças nucleares (forte e fraca) e a gravidade. Até agora, a única teoria que obteve sucesso considerável foi à teoria das supercordas ou Teoria-M (não me pergunte sobre o que significa o “M”).

Essa teoria postula que os elementos mais fundamentais da matéria não são pontos e/ou partículas, e sim cordas muito, muito pequenas, em eterna vibração... Da amplitude de suas vibrações partículas de maior ou menor massa são criadas, e o universo se trona uma elegante sinfonia cósmica.

O grande problema da Teoria-M, entretanto, é que ela não pode ser testada! Não dispomos da tecnologia necessária para chegar sequer próximo da energia necessária para detectarmos uma supercorda (ou p-brana). Entretanto, físicos de toda a parte do mundo a estudam a décadas, simplesmente porque sua matemática lhes parece bela e simétrica, com a vantagem de que a gravidade se adequou as suas equações desde os primeiros esboços da teoria. Mas, seria esse sentimento de beleza suficiente para garantir a veracidade de uma teoria?

Brian Greene, um dos grandes defensores da Teoria-M, admite que a simetria da natureza atraí certos cientistas:

“Os cientistas descrevem duas propriedades das leis físicas - o fato de que elas não dependem da ocasião (tempo) ou do lugar (espaço) em que foram invocadas - como simetrias da natureza. Com isso eles querem referir-se ao fato de que a natureza trata todos os momentos do tempo e todos os lugares do espaço de forma idêntica - simétrica -, fazendo com que as mesmas leis estejam em operação em todas as partes. O efeito causado por essas simetrias é o mesmo que exercem na música e na arte em geral - o de uma profunda satisfação; eles revelam ordem e coerência no funcionamento da natureza. A elegância, a riqueza, a complexidade e a diversidade dos fenômenos naturais que decorrem de um conjunto simples de leis universais é parte integrante do que os cientistas querem dizer quando empregam o termo "beleza".”

Já o físico brasileiro Marcelo Gleiser recentemente passou a criticar ferozmente esse tipo de “utopia estética” na ciência:

“A noção de que a natureza é perfeita e pode ser decifrada pela aplicação sistemática do método reducionista precisa ser abolida. Muito mais de acordo com as descobertas da ciência moderna é que devemos adotar uma abordagem múltipla, e que junto ao reducionismo precisamos utilizar outros métodos para lidar com sistemas mais complexos. Claro, tudo ainda dentro dos parâmetros das ciências naturais, mas aceitando que a natureza é imperfeita e que a ordem que tanto procuramos é, na verdade, uma expressão da ordem que buscamos em nós mesmos.
 
É bom lembrar que a ciência cria modelos que descrevem a realidade; esses modelos não são a realidade, só nossas representações dela. As "verdades" que tanto admiramos são aproximações do que de fato ocorre. As simetrias jamais são exatas. O surpreendente na natureza não é a sua perfeição, mas o fato de a matéria, após bilhões de anos, ter evoluído a ponto de criar entidades capazes de se questionarem sobre a sua existência.”

Espinosa concluiu que o conceito de perfeição só pode ser aplicado às obras humanas, pois que essas podem já ter terminado... Como os quadros e as esculturas dos grandes artistas da Renascença. Talvez o mesmo possa ser dito dos teoremas matemáticos – que são perfeitos porque já foram terminados... Mas, e o que isso tem a ver com a natureza, com a imensidão cósmica a nossa volta?

Eu disse que muita ciência e/ou muita religião nos aproximam e desvelam a Deus... Mas não seria então um “deus imperfeito”? Um “deus ausente” que irradiou o Cosmos à partir de si mesmo somente para deixar-nos a mercê desse eterno baile de partículas e poeira? Existe algum sentido em todo esse infinito a nossa volta? Onde estará à perfeição prometida pelos profetas, o céu que aguardamos para descansar?

Isso nós descobriremos a seguir, seguindo pelo caminho do pólen (dentre outros)...

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Crédito da imagem: mib_hr

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13.6.10

Newton, Einstein e Deus

Texto de Marcelo Gleiser no Caderno Mais! da Folha de São Paulo. Baseado em uma versão mais completa, publicada em inglês no blog 13.7: Cosmos and Culture. Retirado do blog de Alam Kenjiminowa. As notas ao final são minhas.

Talvez isso surpreenda muita gente, mas tanto Newton quanto Einstein, sem dúvida dois dos grandes gigantes da física, tinham uma relação bastante íntima com Deus.

É bem verdade que o que ambos chamavam de "Deus" não era compatível com a versão mais popular do Deus judaico-cristão [1].

Numa época em que existe tanta disputa sobre a compatibilidade da ciência com a religião, talvez seja uma boa ideia revisitar o pensamento desses dois grandes sábios.

No epílogo da edição de 1713 de sua obra prima "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural" (1686), Newton escreve que o seu Deus (cristão, claro) era o senhor do Cosmo e que deveria ser adorado por estar em toda a parte, por ser o "Governante Universal". Essa visão de Deus pode ser considerada panteísta, se entendermos por panteísmo a doutrina que identifica Deus com o Universo ou que identifica o Universo como sendo uma manifestação de Deus [2].

A visão que Einstein tinha de Deus, devidamente destituída da conotação cristã, ecoava de certa forma a de Newton. Einstein desprezava tudo o que dizia respeito à religião organizada, em particular a sua rígida hierarquia e ortodoxia [3].

Para ele, um Deus que se preocupava com o destino individual dos homens não fazia sentido. Sua visão era bem mais abstrata, baseada nos ensinamentos do filósofo Baruch Spinoza, que viveu no século 17. Numa carta dirigida a Eduard Büsching, de 25 de outubro de 1929, Einstein diz: "Nós, que seguimos Spinoza, vemos a manifestação de Deus na maravilhosa ordem de tudo o que existe e na sua alma, que se revela nos homens e animais" [4].

Em 1947, numa outra carta, Einstein escreveu: "Minha visão se aproxima da de Spinoza: admiração pela beleza do mundo e pela simplicidade lógica de sua ordem e harmonia, que podemos compreender".

Como essas posições podem ser usadas no debate sobre a compatibilidade da ciência com a religião?

De um lado, ateus radicais como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris argumentam que não pode haver uma compatibilidade, que a religião é uma ilusão que precisa ser erradicada, que o sobrenatural é uma falácia [5].

De outro, existem vários cientistas que são pessoas religiosas e até mesmo ortodoxas, e que não veem qualquer problema em compatibilizar seu trabalho com a sua fé. O fato de existirem posições tão antagônicas reflete, antes de mais nada, a riqueza do pensamento humano. Nisso, vejo um ponto de partida para uma possível conciliação [6].

É verdade que o ateísmo radical está respondendo a grupos fundamentalistas que tentam evangelizar instituições públicas. "Guerra é guerra e devemos usar as mesmas armas", ouvi de amigos. Mas o pior que um fundamentalista pode fazer é transformar você nele.

Einstein e Newton encontraram Deus na Natureza e viam a ciência como uma ponte entre a mente humana e a mente divina.

Para eles, adorar a Natureza, estudá-la cientificamente, era uma atitude religiosa. Acho difícil ir contra essa posição, seja você ateu ou religioso. Religiões nascem, morrem e se transformam com o passar do tempo [7]. Mas, enquanto existirmos como espécie, nossa íntima relação com o Cosmo permanecerá.

***

[1] Como sempre digo por aqui, raramente algum livre-pensador terá a mesma visão de Deus que outro. Somente os que seguem dogmas, ou os que atacam ferozmente os dogmas, têm uma visão ou um conceito mais homogêneo do que quer que seja Deus.

[2] Muitos teístas criticam o panteísmo afirmando que Deus não pode ser a mesma coisa que sua obra, assim como uma pintura não é a mesma coisa que um artista. Porém, se a pintura é a manifestação do artista, o universo pode ser a manifestação de Deus. Um panteísta pode achar que absolutamente toda a natureza é sagrada, portanto, mas não quer dizer que afirme que Deus é limitado ao universo. Até mesmo porque do nada, nada se faz, e daí se tira - pela lógica - que Deus é "algo mais do que o tudo".

[3] Por "religião organizada e/ou ortodoxia", leia-se Igreja (ekklesia). A religiosidade, ou Religião (religare), é muito mais do que isso.

[4] O belíssimo conceito que Espinosa (eu prefiro usar seu nome latino) fazia de Deus é resumido no primeiro capítulo de sua "Ética". Mas talvez possa ser resumido ainda mais na frase "uma substância não pode criar a si mesma". O Deus de Espinosa é tão somente - pela lógica - a Primeira Substância, da qual tudo o mais se irradiou.

[5] Vale lembrar que inúmeras doutrinas religiosas concordam que o sobrenatural não existe. Complexo, entretanto, é afirmar que já sabemos tudo sobre o natural - obviamente ainda nos falta muito a desvendar.

[6] Eu certamente não concordo com muitas crenças ou descrenças de Gleiser, mas isso não me impede de admirá-lo por sua inteligência e bom senso, além é claro do trabalho exemplar na divulgação científica. Muitas vezes a discussão sobre a existência de Deus é absolutamente inútil, é quando um "deus-barreira" serve apenas para se interpor entre o entendimento dos seres. Busquemos então o ponto de encontro, e não um debate infindável sobre a discórdia.

[7] As Igrejas (ekklesia) são fundadas e esquecidas, é verdade. A Religião (religare), porém, é sempre um mesmo caminho. Caminho talvez infinito, mas que é trilhado por cada um, e não há sábio ou cientista que possa fazê-lo por você...

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Crédito da imagem: Guto Lacaz (exposição "Einstein no Brasil")

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13.4.10

Mitos, ciência e religiosidade

Texto de Marcelo Gleiser no Caderno Mais! da Folha de São Paulo (11/04/10). As notas ao final são minhas.

Começo hoje com a definição de mito dada por Joseph Campbell, uma das grandes autoridades mundiais em mitologia: "Mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre" [1]. Sabemos que mitos são narrativas criadas para explicar algo, para justificar alguma coisa. Na prática, não importa se o mito é verdadeiro ou falso; o que importa é sua eficiência.

Por exemplo, o mito da supremacia ariana propagado por Hitler teve consequências trágicas para milhões de judeus, ciganos e outros. O mito que funciona tem alto poder de sedução, apelando para medos e fraquezas, oferecendo soluções, prometendo desenlaces alternativos aos dramas que nos afligem diariamente.

A fé num determinado mito reflete a paixão com que a pessoa se apega a ele. No Rio, quem acredita em Nossa Senhora de Fátima sobe ajoelhado centenas de degraus em direção à igreja da santa e chega ao topo com os joelhos sangrando, mas com um sorriso estampado no rosto. As peregrinações religiosas movimentam bilhões de pessoas por todo o mundo. É tolo desprezar essa força com o sarcasmo do cético. Querendo trazer a ciência para um número maior de pessoas, eu me questiono muito sobre isso.

Como escrevi antes neste espaço, os que creem veem o avanço científico com uma ambiguidade surpreendente: de um lado, condenam a ciência como sendo materialista, cética e destruidora da fé das pessoas. "Ah, esses cientistas são uns chatos, não acreditam em Deus, duendes, ETs, nada!"

De outro, tomam antibióticos, voam em aviões, usam seus celulares e GPSs e assistem às suas TVs digitais. Existe uma descontinuidade gritante entre os usos da ciência e de suas aplicações tecnológicas e a percepção de suas implicações culturais e mesmo religiosas. Como resolver esse dilema?

A solução não é simples. Decretar guerra à fé, como andam fazendo alguns ateus mais radicais, como Richard Dawkin, não me parece uma estratégia viável. Pelo contrário, vejo essa polarização como um péssimo instrumento diplomático. Como Dawkins corretamente afirmou, os extremistas religiosos nunca mudarão de opinião, enquanto um cientista, diante de evidência convincente, é forçado eticamente a fazê-lo. Talvez essa seja a distinção mais essencial entre ciência e religião: o ver para crer da ciência versus o crer para ver da religião [2].

Aplicando esse critério à existência de entidades sobrenaturais, fica claro que o ateísmo é radical demais; melhor optar pelo agnosticismo, que duvida, mas não nega categoricamente o que não sabe. Carl Sagan famosamente disse que a ausência de evidência não é evidência de ausência. Mesmo que estivesse se referindo à existência de ETs inteligentes, podemos usar o mesmo raciocínio para a existência de divindades: não vejo evidência delas, mas não posso descartar sua existência por completo, por mais que duvide dela. Essa coexistência do existir e do não-existir é incômoda tanto para os céticos quanto para os crentes. Mas talvez seja inevitável.

A ciência caminha por meio do acúmulo de observações e provas concretas, replicáveis por grupos diferentes. A experiência religiosa é individual e subjetiva, mesmo que, às vezes, seja induzida em rituais públicos. Como escreveu o psicólogo americano William James, a verdadeira experiência religiosa é espiritual e não depende de dogmas. Apesar de o natural e o sobrenatural serem irreconciliáveis, é possível ser uma pessoa espiritualizada e cética [3].

Einstein dizia que a busca pelo conhecimento científico é, em essência, religiosa. Essa religião é bem diferente da dos ortodoxos, mas nos remete ao mesmo lugar, o cosmo de onde viemos, seja lá qual o nome que lhe damos.

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[1] Acredito que Campbell quis dizer que o mito existe fora do tempo, em essência, e porisso existe sempre. É a essência de verdade dos grandes mitos que sobrevive (sempre), independente do formato e da cultura de onde se originaram. Não sei se o Gleiser entendeu dessa forma...

[2] Grande parte das pessoas parece não compreender direito nem o que é ciência nem o que é religião. Ciência é o conhecimento da realidade detectável por sentidos ou instrumentos, não sendo nem materialista nem espiritualista. Religião é a religação, a busca pela compreensão de Deus ou do Cosmos, não sendo ela em si presa a nenhuma igreja ou doutrina, pois o caminho é livre, é o caminho de cada um... Não concordo com o "ver para crer" nem com o "crer para ver" - seria melhor dizer: a compreensão do Mecanismo da natureza (em vendo, se compreende) e a compreensão do Sentido da natureza (em compreendendo, se vê). Ou como dizia Sto. Agostinho: crer para compreender, compreender para crer.

[3] Esta também era a opnião de Carl Sagan em “O mundo assombrado pelos demônios”:

“Espírito” vem da palavra latina que significa “respirar”. O que respiramos é o ar, que é certamente matéria, por mais fina que seja. Apesar do uso em contrário, não há na palavra “espiritual” nenhuma inferência necessária de que estamos falando de algo que não seja matéria (inclusive aquela de que é feito o cérebro), ou de algo que esteja fora do domínio da ciência. De vez em quando, sinto-me livre para empregar a palavra. A ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade. Quando reconhecemos nosso lugar na imensidão de anos-luz e no transcorrer das eras, quando compreendemos a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, então o sentimento sublime, misto de júbilo e humildade, é certamente espiritual. Como também são espirituais as nossas emoções diante da grande arte, música ou literatura, ou de atos de coragem altruísta exemplar como os de Mahatma Gandhi ou Martin Luther King. A noção de que a ciência e a espiritualidade são de alguma maneira mutuamente exclusivas presta um desserviço a ambas.

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Crédito da foto: Site oficial de Marcelo Gleiser

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26.5.09

O ceticismo do cientista

Texto de Marcelo Gleiser, físico e divulgador de ciência, autor de "A dança do universo" - publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

Volta e meia, leitores me questionam sobre o que lhes parece ser o exagerado – ou pouco razoável – ceticismo do cientista.

As abordagens variam. Algumas vezes, acham inconsistente um cientista se dizer ateu quando não pode responder a certas questões básicas, como, por exemplo, a origem do Universo ou da vida. Dizem eles: “Vocês falam do Big Bang, o evento que iniciou tudo. Mas de onde veio a energia que provocou esse evento? Como falar de algo material surgindo do nada, sem a ação de um ser imaterial, isto é, divino?” Outras críticas dizem respeito à descrença em fenômenos paranormais, sobrenaturais, OVNIs e seres extraterrestres, espiritismo etc.

Segundo estatísticas recentes feitas pela Fundação Gallup nos Estados Unidos, em torno de 50% dos americanos acreditam em percepção extra-sensorial. Mais de 40% acreditam em possessões demoníacas e casas mal-assombradas, e em torno de 30% crêem em clarividência, fantasmas e astrologia. Não conheço estatísticas semelhantes para o Brasil, mas imagino que os números devam ser no mínimo comparáveis.

Sem a menor dúvida, a luta do cético é ingrata; ele estará sempre em minoria. Existem muito mais colunas sobre astrologia do que sobre astronomia ou ciência nos jornais e revistas do Brasil e do mundo. Mas, sem ceticismo, a sociedade estaria fadada a ser controlada por indivíduos oportunistas que se alimentam dessa necessidade muito humana de acreditar.

Ela existe para todos não há dúvidas. Mesmo o cético deve acreditar no poder da razão para desvendar os muitos mistérios que existem. A paixão que o alimenta é a mesma do crente, mas direcionada em sentido oposto.

Devido a esse ceticismo, muitas vezes os cientistas (incluindo este que lhes escreve) são acusados de insensibilidade. De jeito nenhum. Eu tenho grande respeito pelos que acreditam. O que me é difícil aceitar é a exploração que existe em torno dessa necessidade, a exploração da fé.

Na Índia, por exemplo, recentemente apareceram milhares de “homens-deuses”, que se dizem meio deuses, meio gente. No México, funcionários do governo freqüentam seminários sobre como usar o poder dos anjos. O Peru está cheio de psíquicos, enquanto na França são aromaterapeutas. Testes em laboratório visando verificar poderes extra-sensoriais invariavelmente falham.

O famoso paranormal israelense Uri Geller, que dobrou garfos na frente de milhões nos anos 70, foi desmascarado como fraudulento. O meu orientador de doutorado na Inglaterra, impressionado com Geller e outros médiuns, montou um laboratório para testar seus poderes. Ele o fez com ótimas intenções, para explorar a origem desses poderes de modo a divulgá-las para o resto da humanidade. Mas falharam todos.

Voltando à questão do Big Bang. A religião não deve existir para tapar os buracos da nossa ignorância. Isso a desmoraliza. É verdade, não podemos ainda explicar de forma satisfatória a origem do Universo. Existem inúmeras hipóteses, mas nenhuma muito convincente.

Mesmo se tivéssemos uma explicação científica, sobraria uma outra questão: o que determinou o conjunto das leis físicas que regem este Universo? Por que não um outro? Existe aqui uma confusão sobre qual é a missão da ciência. Ela não se propõe a responder a todas as questões que afligem o ser humano.

A ciência, ou melhor, a descrição científica da natureza, é uma linguagem criada pelos homens (e mulheres) para interpretar o cosmo em que vivemos. Ela não é absoluta, mas está sempre em transição, gradativamente aprimorada pela validação empírica obtida através de observações. A ciência é um processo de descoberta, cuja língua é universal e, ao menos em princípio, profundamente democrática: qualquer pessoa, com qualquer crença religiosa ou afiliação política, de diferentes classes sociais e culturas pode participar desse debate. (Claro, na prática a situação é mais complexa.)

Ela não terá jamais todas as respostas, pois nem sabemos todas as perguntas. O cético prefere viver com a dúvida do que aceitar respostas que não podem ser comprovadas, que são aceitas apenas pela fé. Para ele, o não-saber não gera insegurança, mas sim mais apetite pelo saber. Essa talvez seja a lição mais importante da ciência, nos ensinar a viver com a dúvida, a idolatrá-la. Pois, sem ela, o conhecimento não avança.

Fonte: ateus.net (mas vale lembrar: nem todo cético é ateu, o ceticismo é uma ferramenta do pensar e não uma ideologia)

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