Pular para conteúdo
2.1.18

A jornada dos ratos

Fico feliz de começar o ano novo do blog com esta pérola de Steve Cutts, Hapiness (Felicidade), um curta de animação sobre a jornada dos ratos em busca de felicidade e significado em suas existências:

Eu poderia, é claro, falar muitas coisas acerca deste curta que não tem de fato diálogo algum, mas creio que Alan Moore já resumiu tudo para mim, então aqui vai (trecho do documentário The Mindscape of Alan Moore):

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com "E" maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é, particularmente, a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

***

Crédito da imagem: Steve Cutts/Divulgação (Hapiness)

Marcadores: , , , , , ,

21.10.16

E se a morte se apaixonasse pela vida?

Parece que foi tentando responder a essa pergunta que a jovem animadora holandesa Marsha Onderstijn realizou esta pequena pérola, The life of death [A vida da morte], um curta que guarda uma importante reflexão ao final - quem sabe, para ser saboreada junto com uma, ou algumas lágrimas... Não há nada mais que possa ser dito:

Marcadores: , , , ,

15.9.14

Esta terra é minha!

se indagava o Chefe Seattle, em resposta a oferta do então presidente americano sobre as terras de seu povo: "Como alguém pode comprar ou vender a terra? Essa ideia é estranha para nós". A ideia de que uma parte da Terra pode "pertencer a um povo", seja pela conquista sangrenta ou pela oferta de riquezas, ia de encontro a crença dos indígenas norte-americanos: "Somos parte da terra e ela é parte de nós. Sabemos que a terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. Todas as coisas são interligadas, como o sangue que nos une. O homem não tece a teia da vida - ele é apenas um fio dela. O que fizer à teia, fará a si mesmo".

Em This Land is Mine, um curta de animação tão melodioso quanto brutal, Nina Paley parece nos trazer uma reflexão muito parecida com a do Chefe Seattle. Trata-se de uma breve história do que vem ocorrendo no território hoje disputado por Israel e Palestina, e que já foi conhecido por diversos outros nomes, desde a pré-história até os dias atuais... Assistindo até o final, fica difícil não se perguntar: "O que diabos, afinal, tem de santa essa terra?"

» Um pequeno guia dos povos retratados no curta (em inglês)

***

Crédito da trilha sonora: The Exodus Song - melodia de Ernest Gold, com letra de Pat Boone e voz de Andy Williams

Crédito da imagem: Divulgação/This Lands is Mine

Marcadores: , , , , , ,

12.5.14

Aquele que trará o fogo de volta ao mundo

Uma cena do filme

Produzido pelo studio canadense Heliofant, I, Pet Goat II é um curta animado que se tornou um viral na web. Apesar de não trazer praticamente nenhum diálogo, ele é repleto de simbolismo místico, numa história perturbadora que fala sobre a atual situação do mundo, e sobre a promessa de uma nova Alvorada.

Segundo a Heliofant, "A animação é uma história sobre o fogo no coração do sofrimento. Trazendo ao seu encontro dançarinos, músicos, artistas gráficos e animadores em 3d, o filme traz uma visão crítica dos eventos atuais. Nele há uma figura misteriosa, navegando em seu barco através de uma terra escura e desolada, em sua jornada em busca da paz interior."

O filme consegue realmente tocar a nossa essência ao trazer tantos símbolos que, afinal, dizem respeito ao que existe em nossa alma. O mundo que vemos lá fora é sobretudo um reflexo do que cultivamos adentro. A animação é uma crítica óbvia ao atual sistema político (sobretudo o americano), a falência das ideologias modernas, as igrejas fossilizadas em seus dogmas, e o culto ao "deus do consumo", como o gosto de chamar. No entanto, nele também há a promessa de um novo amanhecer, onde aquele que estava dormindo em nosso interior, acordará novamente, e trará o fogo de volta ao mundo... Vejam:

Há diversas outras análises mais profundas deste curta. Se for de seu interesse, encontrei uma análise em vídeo do canal WolfBio, no YoutTube. O Gnosis Portugal também traz uma extensa análise em seu site.

***

Crédito da imagem: I, Pet Goat II (Divulgação)

Marcadores: , , , , , ,

21.1.13

A jornada do herói

Nesta animação de parte da palestra de Matthew Winkler para o TED, vemos um rápido resumo da Jornada do Herói, baseado na teoria do Monomito de Joseph Campbell (com legendas*):

ps. Não esqueçam, moças e rapazes, todos os mitos dizem respeito a você: "Você enfrentou seu maior monstro interno? Você morreu para o seu lado animal e renasceu com uma nova consciência do mundo a sua volta?"... Conforme dizia o Tio Ben, "com grandes poderem vem grandes responsabilidades". E todo ser que possuí uma alma possuí uma grande responsabilidade!

***

(*) Caso a legenda não abra automaticamente, clique em "CC" na barra inferior do vídeo e escolha a opção "Portuguese (Brazil)".

Vejam também:

» O poder do mito

» Xamãs, heróis e dragões

Marcadores: , , , ,

18.12.12

Amor químico

A ocitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na hipófise posterior (ambos partes do cérebro humano), e tem a função de promover as contrações musculares uterinas durante o parto e a ejeção do leite durante a amamentação. Segundo Paul Zak, um economista americano que estuda a ocitocina através de ferramentas de scanning cerebral, ela também está intimamente ligada a empatia, de modo que, quando alguém possuí ocitocina em níveis elevados, tende a se comportar de modo mais altruísta e amoroso. Zak a chamou de "a molécula do amor", mas alerta que é muito melhor produzi-la naturalmente do que, quem sabe nalgum dia, tomar algum "comprimido de amor". Um abraço é mais do que suficiente para aumentar a ocitocina, contanto que seja verdadeiro, contanto que haja empatia envolvida. Neste TED Talk, Zak fala mais sobre o assunto:

De fato, conhecermos os processos cerebrais envolvidos com a sensação, a experiência do amor, não necessariamente nos diz muita coisa acerca do amor. Se o amor for apenas uma "regulação hormonal", poderíamos compará-lo a um combustível que faz com que um dado automóvel possa se locomover... Mas nenhuma analogia científica e racional parece dar conta da complexidade envolvida no amor. Afinal, se o amor é um combustível, ele é um combustível especial: que, quanto mais é utilizado, mais potente se torna. Com um litro somos capazes de dar a volta ao mundo, contanto que continuemos a ter a coragem de manter o pé no acelerador. O amor é um combustível que não termina nunca - sendo assim, será possível que possamos "nos abastecer de amor", como quem se abastece de vitamina C?

Nesta animação a seguir, projeto final de Nadav Nachmany para sua faculdade de artes e design, temos uma visão um tanto quanto sombria de como pode ser a vida de alguém "viciado em pílulas de amor", em amor químico... Dá o que pensar:

***

Crédito da imagem: Tim Pannell/Corbis

Marcadores: , , , , , , , ,

6.10.12

Mudando o paradigma da educação

Esta é uma animação da palestra do pensador da educação, Sir Ken Robinson, conforme proferida ao RSA (com a caridosa dublagem de Alexandre Gomes, do blog Brasil Acadêmico).

A educação não está em crise apenas na América Latina, como em todo o resto do mundo. Estamos vivendo no início da era da informação, e nossas crianças estão sendo "bombardeadas" pela maior quantidade de estímulos da história da infância humana... Neste cenário, não é de se surpreender que elas não se interessem pelas "aulas chatas", e sejam diagnosticadas com o transtorno de déficit de atenção (TDA ou TDAH). Segundo Robinson, "anestesiar" nossos filhos com remédios não trata da questão principal, mas pode ter sérias consequências para nosso futuro.

Nos EUA, como na Europa, como no Brasil, é preciso mudar urgentemente as escolas, para que não formem "máquinas pensantes", para que não assassinem a criatividade, para que não obstruam o pensamento livre. A mudança já se faz perceber, mas depende de nós a acelerar enquanto há tempo:

Marcadores: , , , , , , ,