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24.4.18

Deus é nosso amor (Reflexões no YouTube)

Em meu segundo vídeo na TV Aberta das Internetz, falo um pouco mais sobre as diversas formas de se conceber a Deus, tanto as ocidentais quanto as orientais. Também veremos como Joseph Campbell foi um sujeito fod@, e como os sábios hindus já debatiam assuntos divinos complexos desde pelo menos a época de Cristo:

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18.4.18

Fé e Razão (Reflexões no YouTube)

Começo minha carreira no YouTube trazendo uma pergunta muito interessante da época do Orkut, e aproveito para falar um pouco de ceticismo, espiritualidade, médiuns, desmistificadores e, como não poderia faltar, Deus:

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Obs.: Até que para um vídeo inicial ficou bem razoável. Tive problemas com a definição da imagem (que só foram realmente percebidos após o envio do vídeo), mas pelo menos o áudio já ficou ok. Não liguem para a "estante torta" ao fundo; minha casa não está desnivelada, mas talvez ainda leve alguns vídeos para eu deixar tudo mais "horizontal".


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3.4.18

Viviane Mosé fala sobre a sociedade em rede

Ontem tive o privilégio de ver ao vivo, na Câmara Municipal de Campo Grande/MS, a palestra do maior pensador vivo do país, que por acaso é uma mulher, e se chama Viviane Mosé.

Iniciando seu discurso há 100 mil anos, desde o surgimento da consciência humana, passando pela descoberta de nossa mortalidade, pela agricultura e pela invenção de imprensa, Mosé chega enfim a grande revolução de nosso tempo, a internet, com todo o seu potencial maravilhoso e todas as suas revelações monstruosas de nós mesmos: uma sociedade deprimida em busca de algum rumo, em geral dominada pelos discursos fáceis, radicais, mas que tem a sua frente a imensa tarefa de aprender a viver em rede, a educar e ser educada, e a abandonar uma visão excessivamente racional da vida em prol de uma presença emocional, aqui e agora...

Tudo isso tentou falar a filósofa e poetisa de um fôlego só. Estejam preparados, não é vídeo para se ver sem prestar atenção. Se trata de um verdadeiro vendaval filosófico:

Obs.: Ela começa a falar em 00:14:50. Infelizmente o Facebook não permite inserção de tempo inicial num vídeo compartilhado desta forma.


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23.3.18

O Jardim de Epicuro - A Felicidade

Após ter acompanhado seu nascimento e crescimento desde o início, é com muita honra que hoje prosseguimos com a parceria deste blog com o canal Conhecimentos da Humanidade no YouTube, apresentado por Bruno Lanaro e Leo Lousada.

Neste roteiro, adaptei um antigo homônimo recente que foi criado já na intenção de servir ao canal. Nele, conhecemos mais sobre a escola epicurista de filosofia, e sobre a imensa diferença entre a ataraxia e o hedonismo:

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2.1.18

A jornada dos ratos

Fico feliz de começar o ano novo do blog com esta pérola de Steve Cutts, Hapiness (Felicidade), um curta de animação sobre a jornada dos ratos em busca de felicidade e significado em suas existências:

Eu poderia, é claro, falar muitas coisas acerca deste curta que não tem de fato diálogo algum, mas creio que Alan Moore já resumiu tudo para mim, então aqui vai (trecho do documentário The Mindscape of Alan Moore):

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com "E" maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é, particularmente, a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

***

Crédito da imagem: Steve Cutts/Divulgação (Hapiness)

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17.11.17

Rumi e o misticismo islâmico

Após ter acompanhado seu nascimento e crescimento desde o início, é com muita honra que hoje prosseguimos com a parceria deste blog com o canal Conhecimentos da Humanidade no YouTube, apresentado por Bruno Lanaro e Leo Lousada.

Neste segundo roteiro, me vali da minha experiência com o estudo e a tradução dos poemas de Rumi para traçar uma espécie de apresentação poética da sua vida e obra. Não é de forma alguma um mergulho profundo na sua poesia oceânica, mas antes um breve passeio de barco por um riacho que, para aqueles que se sentirem tocados no coração, pode de fato levar até o mar da Alma:

» Veja também nosso livro com traduções dos seus poemas: Rumi – A dança da alma

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8.11.17

Carol Moreira e a Jornada do Herói

Desde que comecei a acompanhar com mais atenção aos youtubbers em geral, após a rápida ascensão de inscritos no canal Conhecimentos da Humanidade, de dois amigos meus, tenho percebido que o futuro da comunicação mainstream certamente passará por lá (ou já passa). Muitas residências brasileiras hoje mal sintonizam a TV Aberta, e algumas delas não têm nem TV a Cabo, ou seja: tudo se resume aos serviços de streamming de mídia, e dentre eles o YouTube é não somente o maior, como o mais promissor.

Apesar da maior parte dos youtubbers de maior audiência viverem de humor (muitas vezes, bem duvidoso), há sem dúvida muitas pérolas nas nuvens, e algumas delas serão eventualmente divulgadas por aqui. Além do próprio Conhecimentos da Humanidade, do qual já falei, o primeiro canal que queria trazer é o da Carol Moreira, formada em cinema e nerd de carteirinha. Ela é mais conhecida hoje, provavelmente, pelos excelentes comentários acerca da série Game of Thrones, da HBO, junto com sua amiga Mikannn, mas o seu canal vai muito além disso.

Um bom exemplo é este breve resumo que ela faz, com relativa propriedade, da Jornada do Herói (ou Monomito), uma teoria elaborada pelo grande Joseph Campbell. Dá gosto ver que, em meio ao mar de informações irrelevantes ou superficiais nos grandes canais de mídia, hoje temos a chance de, aqui e ali, pescar coisas tão belas e preciosas quanto a Carol:

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Crédito da foto: Carol Moreira/Divulgação

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13.10.17

O voo interno de Estas Tonne

Como um trovador dos dias atuais, eu viajo a incontáveis locais e encontro inspiração em diversas culturas sem me identificar especificamente com uma única nação ou país, mas antes com a riqueza cultural de todo o mundo. Minha música é o reflexo de uma estrutura clássica, com técnicas do flamenco, raízes ciganas, e características latinas. Meu nome é Estas Tonne.


Estas Tonne, apesar de nascido na Rússia, é um músico do mundo. Já tem diversos álbuns gravados que são distribuídos gratuitamente na web, mas o que é mais interessante é como eles foram gravados – como afirma o próprio músico: "Cada álbum é um demo gravado ao vivo. O que significa caminhar em um estúdio e tocar o que se sente."

Recentemente ele publicou no YouTube uma espécie de poema seguido de belíssimas imagens e, é claro, do seu violão mágico. Respire fundo, aperte o play, e sinta Internal Flight, the movie (Voo Interno, o filme):

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Crédito da foto: Divulgação/Estas Tonne

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28.9.17

Hipátia de Alexandria, a grande mestra

Após ter acompanhado seu nascimento e crescimento desde o início, é com muita honra que hoje inauguramos a parceria deste blog com o canal Conhecimentos da Humanidade no YouTube, apresentado por Bruno Lanaro e Leo Lousada.

Neste primeiro roteiro enviado ao canal, eu me baseei no meu artigo Hipátia e Sinésio para trazer ao universo dos youtubbers uma narrativa historicamente fiel desta verdadeira musa da Filosofia, a grande Hipátia de Alexandria. Musa, não por sua lendária beleza, ou não somente por ela, mas tanto mais pela sabedoria que refletiu adiante em muitos de seus discípulos que, como pode ser visto no vídeo, jamais a esqueceram, e a trataram por “mestra” até o fim de suas vidas.

Então, sem mais delongas, fiquem agora com Hipátia, a Grande Mestra:

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12.9.17

A importância do vazio

Nunca fui exatamente um grande fã de desenhos japoneses, mas isto durou até assistir ao filme que ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2003, A Viagem de Chihiro. Desde então me tornei mais um dos fiéis seguidores do grandioso Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli, a empresa que ele criou para transformar em desenho sua obra-prima dos quadrinhos, Nausicaä do Vale do Vento, que por acaso é também uma das melhores histórias em quadrinhos que li na vida (e li muitas, desde criança).

Após Nausicaä felizmente se seguiram muitas obras grandiosas, onde além de Chihiro, ainda se contam Meu Amigo Totoro, Princesa Mononoke, O Serviço de Entregas da Kiki e muitas outras, além dos desenhos da Ghibli que não contaram com a assinatura de Miyazaki na direção, mas que também seguem a mesma filosofia.

Há algo de profundamente misterioso em boa parte dos filmes da Ghibli, e nem sempre é fácil identificar do que exatamente se trata este "mistério". Sem dúvida, em muitos desenhos há menção a mitologia japonesa, principalmente ao xintoísmo e a sua crença de que espíritos habitam toda a parte da natureza. Há desenhos onde sonhos se tornam realidade, e onde a realidade é tão fantástica que mais parece um sonho. Ao mesmo tempo, há também uma perene conexão com a realidade humana, com nossa essência mais profunda, algo que Miyazaki herdou do Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, do qual é fã confesso. Mas ainda nos faltam palavras para descrever melhor do que se trata...

Felizmente para nós, Max Valarezo e o pessoal do canal EntrePlanos no YouTube nos trazem um belo vídeo onde este "mistério" é, quem sabe, melhor vislumbrado. Com vocês, Ma, ou "a importância do vazio":

***

Crédito da imagem: Studio Ghibli/Meu Amigo Totoro

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3.5.17

A marcha das formigas

Dave Matthews nasceu e viveu na África do Sul até os seus 10 anos de idade, quando seu pai faleceu devido a complicações de saúde. Sua família então se mudou para Nova York. Porém, ainda aos 12 anos ele voltou à sua terra natal, onde permaneceu mudando de escola em escola, se preocupando mais com a música do que com os estudos. Terminado o ensino médio, Dave retornou aos EUA e se estabeleceu em Charlottesville, Virgínia. Novamente um americano, incerto do que iria fazer da vida, acabou se tornado um conhecido e querido barman local.

Encorajado pelo amigo e guitarrista Tim Reynolds, Dave começou a mostrar sua música e, a partir de canções que havia escrito, convidou dois colegas instrumentistas para gravar uma demo tape. Assim nasceu a Dave Matthews Band, uma das bandas de maior sucesso de público e vendagem desde o final do século passado e, não obstante, uma banda essencialmente folk (popular, local), principalmente em seus primórdios. Talvez por conta de suas conexões africanas, Dave aprendeu a observar o espírito da América, em todas as suas nuances. Foi desta contemplação, acredito, que surgiu uma de suas letras mais belas e inquitantes, Ants Marching (Formigas Marchando), que fala basicamente de nós, os ocidentais, e do que temos feito de nossas vidas...

Neste show beneficiente em prol da agricultura local (ou familiar), literalmente no centro dos EUA, Dave nos apresenta Ants Marching ao vivo, acompanhado de seu antigo amigo (que por acaso é um dos maiores guitarristas vivos):

Ele se levanta pela manhã
Escova os dentes, belisca alguma coisa, e está pronto
Ele nunca muda coisa alguma
A semana termina, e outra começa

Ela pensa: nós nos entreolhamos
Imaginando o que o outro está a refletir
Mas nunca falamos coisa alguma
E estes crimes entre nós vão se aprofundando

Ele vai visitar sua mãe
A comida é boa, logo ele se esquece dos problemas
E se lembra de quando era pequeno
Brincando debaixo da mesa e sonhando

Você pega todas essas chances
E as guarda numa caixa, esperando dias mais tranquilos
Então as luzes se apagam, e você se levanta, e morre

Dirigindo por esta estrada
Há todos esses carros, e pela calçada
Pessoas vagueiam em todas as direções
Nenhuma palavra é trocada, não há tempo...

Oh! e todas as formigas estão marchando
Anteninhas vermelhas e pretas balançando
Todas elas seguindo do mesmo jeito
Todas elas seguindo no mesmo... caminho!

O doceiro instiga os pensamentos de um
Desejo por doces torturado pelo programa
De perda de peso que nos martela a cabeça
Corte o doce, corte, corte
Fique em cima do muro, não vá ofender ninguém
Corte, corte, corte, corte...

Você pega todas essas chances
E as guarda numa caixa, esperando dias mais tranquilos
Então as luzes se apagam, e você se levanta, e morre

Ants Marching (Formigas Marchando), por Dave Matthews Band (trad. Rafael Arrais)

***

Crédito da imagem: Google Image Search/Divulgação (Tim Reynolds e Dave Matthews)

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14.2.17

Aleluia

Kayleigh Rogers é uma garota tímida que compõe o time de 200 estudantes da Killard House School, em Donaghadee, no Reino Unido. Ela tem um tipo de autismo moderado e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, mas sua professora de música, Lloyd Scates, notou que "quando ela canta, ela simplesmente se abre" e encorajou a garota a cantar e ganhar confiança através do treinamento vocal.

Neste ensaio gravado que se tornou viral na Europa e eventualmente em todo o mundo, Kayleigh interpreta de forma magistral e até mesmo assustadora (ela parece "tomada" pela canção) a belíssima música de Leonard Cohen, Hallelujah:

O interessante é que a letra original de Cohen fala mais sobre os infortúnios da paixão do que propriamente sobre uma temática puramente cristã (há até mesmo um trecho que diz, "Bem, talvez haja um Deus lá em cima"). Cohen foi budista e chegou a viver por cerca de 5 anos num mosteiro próximo a Los Angeles, chegando a ser ordenado monge.

Já a versão tocada acima, conhecida como Christimas version (versão de Natal) foi escrita pela banda americana Cloverton, e é totalmente focada na história do nascimento de Jesus em Belém.

***

Crédito da imagem: Killard House School/Divulgação

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19.12.16

O mistério das vozes celestes

Veneza, julho de 2014, em pleno concerto de André Rieu, violinista e regente holandês, ela é chamada ao palco.

Quando Amira Willighagen se encaminha para o centro das atenções de um público exigente e acostumado com as grandes cantoras de ópera, as expressões são de grande surpresa. Do alto de seus 10 anos de idade, a criança conterrânea de Rieu inspira mais sentimentos de fofura do que propriamente de espanto. O espanto ficou para depois.

Muito provavelmente, a grande maioria do público não acompanhou o programa de talentos holandês que, cerca de um ano antes, havia lançado a voz celeste de Amira ao mundo da música. Ela vinha cantar a mesma música com que chocou o grande público pela primeira vez, O Mio Babbino Caro (Ó Meu Pai Querido), um grande clássico de Giacomo Puccini. Quando ela inicia seu canto, as expressões de espanto vão surgindo, vencendo até mesmo os mais sérios e compenetrados.

A diferença é que ali Amira não estava mais num programa de TV, mas num dos locais mais sagrados da música erudita no mundo, cercada pela arte antiga por toda parte: na arquitetura, na escultura, no próprio ar que gentilmente conduzia sua voz cristalina aos ouvidos mais distantes...

Então, as lágrimas começam a irromper aqui e ali. Como explicar em palavras o mistério das vozes celestes? Para que querer analisar cientificamente, ou teologicamente, a arte da alma?

Amira é um milagre biológico, um milagre vivo. Há quem creia que Deus aponta para algumas almas recém-nascidas e diz, "Esta terá uma voz divina". Há quem creia que tudo se limita a dança neuronal que, aleatoriamente, faz com que crianças pequeninas se interessem por ouvir Maria Callas no YouTube, desde muito cedo, ainda que os próprios pais nunca tenham sido grandes entusiastas de música clássica, tampouco cantores de ópera. Há também quem creia que tal potencialidade não é, não pode ser fruto de uma única vida.

Eu ainda creio que as lágrimas da platéia falam mais alto do que qualquer explicação. De alguma forma, ainda que sem saber colocar em palavras, elas sabem deste mistério:

***

Crédito da foto: Google Image Search/Divulgação (Amira Willighagen)

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17.11.16

Trio Mandili

Como alguns devem saber também sou um curioso e admirador da chamada world music, que para mim é só música mesmo. Em minhas andanças virtuais esbarrei neste belo trio de cantoras da Geórgia, um pequeno país do leste europeu espremido entre a Rússia e a Turquia, e que é também o único país do mundo onde o georgiano é o idioma oficial.

Devido a imensa dificuldade em se achar até mesmo versões em inglês das músicas do Trio Mandili, vou ficar devendo as costumeiras (tentativas de) traduções das letras. O que posso dizer é que elas são de uma região montanhosa e rural no leste da Geórgia (chamada Khevsureti), que cantam em geral antigas canções tradicionais do seu povo (que falam de amor, natureza e cortejos de sedução), e que tocam um instrumento muito peculiar chamado Panduri (um espécie de bandolim). Finalmente, os seus nomes são Anna Chincharauli, Tatia Mgeladze e Shorena Tsikarauli.

O vídeo abaixo, encontrado na página do trio no Facebook, traz a canção Erti nakhvit:

Veja também outras belíssimas canções do Trio Mandili:
» Apareka (ao vivo num programa de TV local)
» Assa! (ao vivo na beira de um riacho)

***

Crédito da foto: Trio Mandili/Divulgação

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8.11.16

Marcelo Gleiser, o Carl Sagan brasileiro

Desde o final do século passado, com o seu monumental A dança do universo, o físico e escritor Marcelo Gleiser já se alçava como um dos maiores divulgadores de ciência nacionais. De lá para cá, só tem melhorado, particularmente por não reduzir o escopo da sua curiosidade somente a ciência, como também a arte, a espiritualidade, a meditação, as mitologias, e até mesmo as religiões. Talvez nada disso tenha tornado Gleiser um cientista melhor, mas certamente o tornou um ser humano melhor.

Tudo isso fica claro e evidente nesta espetacular entrevista que ele deu para o Canal Livre da Band no último final de semana. O mote inicial da conversa é a possibilidade de vida fora da Terra, mas ao longo do programa eles também falam de muito, muito mais coisa. Dentre outros grandes momentos, é particularmente profundo aquele em que ele explica porque é agnóstico, e não ateu.

Aliás, nesta e em outras abordagens acerca da relação da ciência com a crença, Gleiser está inteiramente alinhado com o saudoso Carl Sagan, que nunca teve pudor em falar de espiritualidade (e tampouco foi ateu, e sim agnóstico). De fato, faz algum tempo que Gleiser é o nosso Sagan brasileiro. Vejam só:

(clique na imagem acima para abrir o vídeo da primeira parte do programa no site da Band)

Abaixo seguem os links para as 3 demais partes:
» Parte 2 (a colonização de outros planetas)
» Parte 3 (ciência e religião)
» Parte 4 (questões metafísicas)

***

Obs.: Também não posso deixar de ressaltar a participação do jornalista Salvador Nogueira, que ajudou muito com suas perguntas muito bem elaboradas. Não é para menos, pois se trata de um dos nossos melhores jornalistas na área de ciência.


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21.10.16

E se a morte se apaixonasse pela vida?

Parece que foi tentando responder a essa pergunta que a jovem animadora holandesa Marsha Onderstijn realizou esta pequena pérola, The life of death [A vida da morte], um curta que guarda uma importante reflexão ao final - quem sabe, para ser saboreada junto com uma, ou algumas lágrimas... Não há nada mais que possa ser dito:

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13.10.16

Parem as máquinas, um bardo acaba de ganhar o Nobel!

O cantor e compositor americano Bob Dylan foi anunciado no dia de hoje o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2016.

Além de ícone da música, Dylan é poeta e já escreveu dezenas de livros, assim sendo podemos de fato anunciar: um bardo ganhou o Nobel!

Ainda que não conheça muito sobre Dylan, certamente já deve ter ouvido suas músicas, senão da própria voz do artista, de muitos outros músicos que lhe regravaram e prestaram homenagens. Em todo caso, abaixo segue praticamente tudo o que precisa para começar a conhecê-lo:

***

Crédito da foto: Daniel Kramer (o bardo, quando jovem...)

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28.9.16

A canção da Unidade

Ainda lembro a primeira vez em que ouvi esta voz vinda diretamente do céu. Era um show de rock no Ocidente, mas era também um show de Peter Gabriel, ex-vocalista do Genesis que, além de músico, é também um produtor musical de mão cheia, que nunca limitou seu olhar somente a música ocidental. Foi achar justo no Paquistão esta voz celeste, a voz de Nusrat Fateh Ali Khan.

Na época, década final do século passado, antes dos atentados de 11 de Setembro, os islâmicos não eram tão facilmente associados a atos de terrorismo e intolerância, porém já se pressupunha uma grande ortodoxia religiosa, sobretudo no meu caso que não conhecia nada de islamismo...

Assim, por anos dancei as músicas de Nusrat me sentindo um herege, pois supunha que todos deviam ouvir os cânticos religiosos, quase todos falando da unidade divina ou do amor universal, da mesma maneira com que eram cantados por Nusrat e seu grupo familiar (literalmente, a maior parte são parentes): sentado e em posição respeitosa.

Somente muitos anos depois fui descobrir o sufismo de Rumi e Shams de Tabriz, e então entendi que tais canções sempre foram sufis, sempre foram místicas, e os místicos jamais limitam as expressões da alma: as incentivam! Hoje sei que não foram poucos os shows onde parte da plateia dançava próxima ao palco, próxima a voz celeste de Nusrat. E ele, conectado que estava ao céu, nunca ligou para nenhuma possível “heterodoxia” em tais danças.

Nusrat também buscou se aproximar do Ocidente. Peter Gabriel foi somente uma de suas parcerias. Cantou por toda a Europa, e tem exibições memoráveis em Paris. Infelizmente nos deixou ainda antes da virada do século, mas a sua voz perdura e ainda deve perdurar por muitas gerações. Nusrat foi o tipo de cantor que não encontra paralelo, que não pode ser imitado, enfim, um artista único...

A canção abaixo, Allah Huu [Deus é], é um canto acerca da Unidade. Para quem conseguir acompanhar a quase meia hora, e todas as improvisações vocais (ou magias) do percurso, o dia poderá se tornar verdadeiramente especial – quiçá, inesquecível!

A tradução do urdu para o inglês é encontrada ao longo dos comentários do vídeo na página do YouTube, e aparentemente corrige alguns erros das próprias legendas. Eu obviamente somente traduzi do inglês para o português. Segue abaixo os versos em urdu seguidos dos versos correspondentes em português:

Malik-Ul-Mulk, Lashareeka Lahoo
Ó governante do mundo, você não tem iguais
Wahadahoo Laa Ilaahaa Illaahoo
Você é o prometido, não há nada além de ti
Shams Tabraiz Gar Khuda Talabee
Shams de Tabriz [grande sábio sufi] é o seu estudante
Khushboo Khuwan La Illaha Illahoo
Em cada fragrância, não há nada além de ti
Qounain Ka Masjood Hai Maa'bood Hai Tu
Ó criador, você é venerado nos dois mundos
Her Shay Teri Shahid Hai K Mashhood Hai Tu
Tudo o que há é testemunho da sua manifestação
Her Aik K Lab Per Hai Teri Hamd-O-Sana
Cada lábio guarda uma oração para ti
Her Sooz Mein Her Saaz Mein Moujood Hai Tu
Em cada acorde, em cada canção, você está presente

Tere He Naam Say Her Ibtida Hai
Tudo se inicia em seu nome
Tere He Naam Per Tak Intiha Hai
Tudo se encerra em seu nome
Teri Hamd-O-Sana Alhamdulillah
Todo o louvor pertence a Allah
K Tu Mere Mohammad Ka Khuda Hai
Você, o Deus de Maomé...

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

[Allahu Akbar é uma conhecida expressão árabe que significa "Deus é grande"; aqui no entanto eles cantam somente "Deus é", repetindo várias vezes a mesma frase que dá nome a própria canção]

Yeh Zameen Jab Na Thi Yeh Jahaan Jab Na Thaa
Quando esta terra e este mundo ainda não existiam
Chaand Suraj Na Thay Aasman Jab Na Tha
Quando não havia lua, sol ou céu
Raaz-E-Haq Bhi Kisi Per Ayaan Jab Na Tha
Quando o segredo da verdade ainda era desconhecido
Tab Na Tha Kuch Yahaan Tha Magar Tu Hee Tu
Quando nada havia, havia ti

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

Har Shay Tere Jamaal Ki Aainaa Daar Hai
Tudo que há é um reflexo da sua glória
Har Shay Pukaarti Hai Tu Parvardigaar Hai
Tudo o que há clama: você é o Senhor

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

Teri Ruboobiyat Ki Ada Ka Kamaal Hai
Esta é a distinção da sua visão arrebatadora:
Tu Rab-e-Qayaanat Hai, Tu Lajwal Hai
Você é o Senhor do Universo, não há rivais para ti

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

Tu Jo Her Aan Nayi Shaan Dikha Deta Hai
Você que revela uma nova beleza a cada instante
Deeda-E-Shouq Ko Hairan Bana Deta Hai
E surpreende mesmo aqueles que anseiam por mais e mais
Daali Daali Teri Takhleeq K Gun Gaati Hai
Cada jovem canta a sua criação
Patta Patta Teri Qudrat Ka Pata Deta Hai
Cada folha é uma assinatura da sua natureza

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

Laa Ilaahaa Teri Shaan Ya Wahdahoo
Meu Deus, você é todo o esplendor que nos foi prometido
Tu Khayaal-O-Tajassus Tu He Aarzoo
Você é a curiosidade, você é o desejo
Aankh Ki Roshni Dil Ki Awaaz Tu
A luz dos meus olhos, a voz do meu coração
Tha Bhi Tu! Hai Bhi Tu! Hoga Bhi Tu Hee Tu!
Você foi, é e sempre será! Somente ti, somente ti!

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

Khaalik-E-Kul Hai Tu Is Mein Kia Guftagu
Você é tudo, e é este o argumento que aqui se encerra:
Saare Aalam Ko Hai Teri He Justaju
Todo o mundo busca somente por ti
Teri Jalvaagari Hai Ayaan Chaar Su
Pois a sua magnificência se encontra em cada canto desta terra
La Shareeka Lahoo Maalik-E-Mulk Tu
Ó governante do mundo, você não tem iguais

Allah Huu! Allah Huu! Allah Huu! [várias vezes]

(trad. Rafael Arrais)

***

Nota: No vídeo Nusrat acrescenta bastante coisa a letra, o que muitas vezes parece ser um discurso de improviso inspirado no momento. Se formos considerar a história de conflitos entre Índia e Paquistão, não é de surpreender que ele muitas vezes cite os hindus e os islâmicos, inclusive os repreendendo. Os sufis, apesar de surgidos do Islã, são universalistas o suficiente para conservarem este tipo de olhar crítico para com sua própria religião.

Crédito da foto: Google Image Search/BBC/Divulgaçao (Nusrat Fateh Ali Khan)

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4.9.16

Entrevista com Raph Arrais

Embora nem sempre esteja muito evidente, tanto Raph quanto Rafael Arrais são a mesma pessoa, e é esta a mesma quem escreve este blog. Nessa entrevista para meu amigo Igor Teo [1], falo um pouco mais sobre a história do blog, assim como sobre poesia, criatividade, morte, amor, e algumas coisas mais...

Lá pelas tantas, em homenagem ao saudoso Abujamra, tento até mesmo responder a pergunta "o que é a vida?":

***

[1] O Igor, que alguns devem conhecer dos livros que publicamos pelas nossas Edições Textos para Reflexão, está com um projeto de popular o seu canal no YouTube com uma variedade de vídeos. Alguns são só dele, mas noutros temos hangouts com mais pessoas. Para quem se interessar, semana passada também participei do primeiro episódio do Hangout Reflexões

Crédito da imagem: raph + Prisma (sim este sou eu)

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17.8.16

O nascimento do ocultismo

Para muitos desavisados, o ocultismo nada mais é do que "aquele negócio estranho de magia, que as pessoas praticam em grupinhos secretos". Para muitos céticos, "é puro charlatanismo". Para muitos crentes de padres e pastores, "é coisa do demônio"...

No entanto grandes artistas, cientistas e místicos de nossa história foram ocultistas. A própria história da ciência moderna está intimamente ligada as chamadas ciências ocultas, particularmente ao hermetismo, embora a Academia faça questão de "esquecer" este fato. Dá o que pensar não é mesmo? E foi assim, pensando e estudando (muito), que o meu amigo Marcelo Del Debbio, grande pesquisador brasileiro da área, elaborou uma história que ele tem contado e recontado muitas vezes [1], e que fala sobre o nascimento do ocultismo e do seu impacto em nossa civilização, que hoje mais do que nunca pode ser sentido por todos, basta querer e buscar no lugar certo.

Nesta entrevista para Fredi Jon, youtubber do programa Tocando o Oculto, o Marcelo conseguiu fazer um dos melhores resumos desta história que já tive a oportunidade de assistir. Vejam com a mente aberta:

parte 1

parte 2

***

[1] Se querem saber ainda muito mais, recomendo que leiam o e-book O Grande Computador Celeste, que pode ser encontrado gratuitamente aqui no blog, e também na Amazon.

Crédito da foto: Google Image Search/TV Brasil/Divulgação (Marcelo Del Debbio)

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