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4.12.06

O turbilhão

Já dizia Santo Agostinho: “O passado já não existe e o futuro ainda não existe. (…) O presente não tem nenhuma duração, se a tivesse, dividir-se-ia em passado e futuro.” - Portanto, o que importa é o que nós somos, o que conquistamos moralmente para nós mesmos, o quanto fomos capazes de evoluir até agora... Mas, e que "agora" seria esse então? Não importa.

Não importa, porque se nossa medida de grandeza fosse baseada no quanto conseguimos juntar em nossas casas ou em cofres de bancos, ou a quantas instituições de caridade doamos todo ano, ou a quantas pessoas nos conhecem ou quantas notas saem sobre nossas vidas nos jornais todos os dias, enfim, acho que teríamos muitos grandes homens e grandes mulheres nesse mundo.

Mas, como Sócrates o fez, é preciso aprender a julgar quem é sábio e quem apenas se julga como tal... Não extamente pelos outros, mas antes por nós mesmos. Aprender o que é realmente a sabedoria nos aponta o único caminho pelo qual deveríamos estar sujando nossas botas de lama. São vários os caminhos para a sabedoria, e todos, guiados por nosso próprio amor ao saber, levam para dentro de nós mesmos.

Como estamos sempre em trânsito, nessa viagem quase que eterna de nossa pequena Via Láctea pelos confins do cosmos, tudo a nossa volta também é dinâmico, está sempre em movimento. Não adianta querer guardar quinquilharias nas gavetas, trajes finos nos armários, medalhas e troféis no sótão... O turbilhão que move esse universo não poupa a nada nem a ninguém, mais poderoso do que o próprio tempo, ele só cessa ante os portais que levam a algo ainda mais poderoso.

Sim, pois que nada adentra aos portais de nossa própria alma, ah não ser nós mesmos. Lá, somos onipotentes, embora ainda não possamos exercer essa onipotência em todo seu potencial... Mas mesmo assim, tudo que guardamos na alma "o ladrão não leva e as traças não devoram".

Sábio é aquele que guarda um ensinamento dentro d'alma, e não precisa vasculhar toda sua biblioteca para encontra-lo novamente. Sábio é também quem carrega toda a sua casa sempre consigo mesmo, e prefere o som leve de uma harpa que pode carregar, do que uma sinfonia belíssima tocada em piano, mas que lhe pesa mais do que qualquer outra coisa, por ainda não poder decifra-la. Sim, mesmo aqueles que guardam seus amores a sete chaves dentro de seus corações não podem ser censurados, pois que não há coisa mais valiosa do que um amor, e é perigoso deixar um amor perdido enquanto se corre atrás de outro.

Mas, acima de tudo, sábio é aquele que não se preocupa em decorar tantas orações, pois que sabe que diante de tamanha imensidão, a única coisa que pode dizer ao descobrir que dentro de si mesmo existe uma imensidão ainda maior e mais bela, é somente isso mesmo...

"Obrigado".

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