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24.8.15

Simpósio de Hermetismo, 2015

A foto acima foi tirada em 2012, durante o III Simpósio de Hermetismo em São Paulo, organizado pela Associação Educacional Sirius-Gaia. Se notarem bem, eu também estou ali no meio do pessoal...

A boa notícia é que este ano finalmente teremos o IV Simpósio, também em São Paulo, no mês de Novembro. A ótima notícia é que, até amanhã, você ainda pode se inscrever no evento com o preço promocional.

Mas, o que diabos é um Simpósio de Hermetismo?

A Filosofia Hermética é base de tradições milenares, perpetuadas através dos diversos métodos adotados nos diferentes Círculos Iniciáticos, que permitem aos praticantes a expansão da consciência através do autoconhecimento, seu desenvolvimento enquanto indivíduo (e consequentemente do mundo que o cerca) e a superação das fronteiras do ordinário.

As Ciências Ocultas unem o conhecimento místico à ciência e procuram desvendar de forma clara e compreensível aquilo que é “extraordinário” ou, em outros termos, aquilo que vai além do “conhecimento ortodoxo”, a ciência convencional.

Esta sabedoria antiga durante muito tempo permaneceu restrita às diversas Ordens ou Escolas de Mistérios, guardadas do acesso do público em geral, não apenas por seu caráter “secreto”, mas porque sua linguagem simbólica encontra-se além da visão objetiva ou dos interesses da maioria das pessoas, permanecendo “oculta” para elas.

O Simpósio deste ano chega a sua quarta edição, com o mesmo objetivo de promover e sustentar o debate a respeito de diversas práticas ocultistas e filosóficas, reunindo no mesmo evento diferentes correntes e Escolas Ocultistas para compartilhar sua visão e sua prática.

O evento ocorrerá durante os dias 20 a 22 de Novembro em São Paulo, no Espaço Federal, na Avenida Paulista, 1776, primeiro andar (próximo ao metrô Trianon-Masp). Veja a programação completa.

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Nota: Já me inscrevi para o Simpósio deste ano, e devo estar pessoalmente no evento (como espectador) durante todo o Sábado (21) e a manhã de Domingo (22). Se você curte este blog, além de poder me encontrar por lá, provavelmente deverá curtir o que os palestrantes têm a nos passar. Mas, para além do ganho de conhecimento, o que é mais interessante num evento como esse é exatamente poder encontrar pessoalmente todos os demais "loucos" que se interessam por tais assuntos. Há uma sensação de comunidade e pertencimento que pode ser bastante agradável aqueles que têm a alma aberta :)

Crédito da foto: AESG/Divulgação

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21.8.15

Uma longa tradução (parte 3)

O grande projeto do Textos para Reflexão este ano é, como alguns devem saber, a tradução de um dos livros mais sagrados do mundo, o Bhagavad Gita (vocês podem saber mais sobre ele no artigo A sublime canção, que servirá de base para o prefácio da edição).

Conforme falei no início, estarei lhes trazendo alguns trechos desta longa tradução para que possam acompanhar o seu andamento enquanto eu não chego ao final do trabalho.

Portanto, continuando da parte anterior, segue abaixo o trecho final do Capítulo I:


Arjuna descreve os malefícios da guerra

Com a destruição da família, as antigas tradições e códigos de conduta também são perdidos, e a imoralidade passa a prevalecer. (1.40)

E quando a imoralidade prevalece, ó Krishna, as mulheres da família se tornam corrompidas, assim como seus filhos indesejados [1] (1.41)

Tudo isso carrega tanto a família quanto seus assassinos para o inferno, pois os espíritos de seus antepassados são esquecidos pelos filhos corrompidos, que já não lhe prestarão mais as oferendas cerimoniais nem o respeito devido. (1.42)

Pelo ato ilegítimo e pecaminoso de tais rebentos indesejados, as qualidades ancestrais da família e toda a ordem social são destruídas. (1.43)

Já nos foi dito, ó Krishna, que os membros de tais famílias corrompidas vagueiam pelo inferno por um longo período. [2] (1.44)

Ai de nós, de todos nós! Estamos prestes a cometer um grande pecado ao concordarmos com essa matança insensata de nossos parentes, tudo por conta da ganância dos prazeres e riquezas do reino (Hastinapura [3]). (1.45)

Para mim seria muito melhor que meus irmãos me matassem com suas armas na batalha, enquanto eu estivesse desarmado e sem oferecer resistência. Que eles bebam o sangue do meu coração... (1.46)

Sanjaya disse: Tendo dito isso tudo ao seu amigo Lorde Krishna, e deixando seu arco e suas flechas de lado, o príncipe Arjuna se recostou no assento de sua carruagem de guerra, com sua alma inundada de angústia e tristeza. (1.47)


(tradução de Rafael Arrais)

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[1] Novamente há dois planos de interpretação. O literal se assemelha a antiga visão conservadora (de fato, milenar). O plano mítico continua tratando do campo psicológico: as mulheres corrompidas, e seus filhos indesejados, nada mais são do que os maus pensamentos, muitos dos quais “não sabemos exatamente como chegaram até nós”.

[2] No hinduísmo o inferno não é eterno, e quer significar o período de arrependimento pelo qual a alma passa, seja após a morte, quando aguarda um novo renascimento, seja ainda na própria vida. No entanto, muitas descrições do inferno hindu não devem em nada, em matéria de sofrimento, ao inferno do cristianismo.

[3] Hastinapura (cidade [pura] do elefante [hastina]) é a lendária capital da dinastia dos reis Kurus e local principal de toda a narrativa do Mahabharata, incluindo o Gita. Está localizada ao norte da Índia, às margens do rio Ganges, e possuí um importante sítio arqueológico que comprova sua existência ainda na época em que tais obras sagradas foram primeiramente escritas. Hoje abriga uma cidadezinha fundada em 1949, que contava 21.248 habitantes no senso de 2001.

» Em breve, novos trechos desta tradução...

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Crédito da imagem: Google Image Search/krishna.org

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18.8.15

Lançamento: A fórmula do ateísmo

As Edições Textos para Reflexão publicam novamente um livro de Igor Teo, colunista do portal Teoria da Conspiração:

"Este livro não é apenas sobre religião. Numa sociedade marcada cada vez mais pelo espírito cético e pós-tradicional, Igor Teo demonstra como o fundamento da crença é o que temos de mais básico em nossa relação com o mundo. Estamos a todo o momento acreditando em algo, e agindo no mundo segundo uma crença. Acreditamos não apenas que Deus exista ou não, mas também na ordem econômica, na ordem social, na nossa identidade, na forma que nossas relações com as outras pessoas supostamente devem acontecer.

Nossas crenças sobre nós mesmos e o funcionamento do mundo constituem a fantasia subjetiva que herdamos da sociedade e da relação com o Outro. É com nossas próprias fantasias sobre o mundo que temos que viver e lidar inevitavelmente. Através da psicanálise, o autor busca entender a instituição da crença na nossa vida, discutindo a questão levantada por Jacques Lacan como a “verdadeira fórmula do ateísmo”, em que se entende que tal fórmula não seria de que Deus está morto, mas que na verdade Deus é inconsciente."

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Abaixo, segue o prefácio do livro, por Rafael Arrais:

Sócrates foi acusado de ateísmo, e condenado à morte pela ingestão de veneno.

Jesus de Nazaré foi acusado de ateísmo, e condenado à morte pela crucificação.

Benedito Espinosa foi acusado de ateísmo, e excomungado do judaísmo por sua comunidade.

Já Albert Einstein, a despeito de ser um grande simpatizante do deus da filosofia de Espinosa, certamente foi acusado de ateísmo por tantos outros. Para a sorte do cientista alemão, no entanto, em sua época o ateísmo já não era mais um crime passível de excomunhão de comunidades, ou de penas de morte.

Em sua origem na Grécia antiga, pouco antes dos tempos socráticos, o termo atheos significava “sem Deus”, ou “aquele que cortou seus laços com os deuses”. Ele era aplicado a todos aqueles que abandonavam, ou tentavam deturpar, as crenças oficiais de suas respectivas comunidades.

Hoje em dia, no entanto, há muitos autoproclamados ateus que efetivamente não creem em seres sobrenaturais de qualquer espécie. Eles costumam dizer que a sua única diferença para com os crentes é o fato de eles “crerem num deus a menos”. Mas, será mesmo?

O que este livro vem nos mostrar, através da sua análise didática do pensamento de Sigmund Freud, Jacques Lacan, Slavoj Žižek e alguns outros pensadores da psicologia humana, é que os antigos estavam certos: de fato, é mesmo impossível sermos “totalmente ateus”, pois é impossível sermos “100% céticos” – acreditamos num deus a menos, está bem, mas quem disse que isso nos faz descrentes de todos os deuses?

Afinal, se não cremos em Javé, Allah, Krishna, ou nem mesmo no deus de Espinosa, isso não significa que sejamos ateus para o deus do consumo, o deus do comunismo, ou o deus do liberalismo. Se todos os deuses são ficções, coisas que se passam na mente humana, e não na realidade objetiva, então a Declaração dos Direitos Humanos, o Manifesto Comunista e a Bíblia Sagrada estão todos no mesmo barco, e ele se chama linguagem.

Dessa forma, talvez o melhor caminho para compreendermos a inefável natureza da Natureza seja voltar nosso olhar para aquele deus que é capaz de contemplar, elaborar e interpretar o que há no tempo e no espaço: nós mesmos.

Pois, seja sobrenatural ou não, fato é que ele reside num mar profundo e pouco navegado. Este livro, como tantos outros, não lhe servirá de muito auxílio se você mesmo não se resolver a arriscar um mergulho dentro de si.

Na filosofia, a única certeza que temos é de que existe algo, e não nada. Ironicamente, o que muitos místicos navegantes descobriram a duras penas é que, no fim das contas, não necessitamos realmente de nenhuma outra.


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