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17.8.16

O nascimento do ocultismo

Para muitos desavisados, o ocultismo nada mais é do que "aquele negócio estranho de magia, que as pessoas praticam em grupinhos secretos". Para muitos céticos, "é puro charlatanismo". Para muitos crentes de padres e pastores, "é coisa do demônio"...

No entanto grandes artistas, cientistas e místicos de nossa história foram ocultistas. A própria história da ciência moderna está intimamente ligada as chamadas ciências ocultas, particularmente ao hermetismo, embora a Academia faça questão de "esquecer" este fato. Dá o que pensar não é mesmo? E foi assim, pensando e estudando (muito), que o meu amigo Marcelo Del Debbio, grande pesquisador brasileiro da área, elaborou uma história que ele tem contado e recontado muitas vezes [1], e que fala sobre o nascimento do ocultismo e do seu impacto em nossa civilização, que hoje mais do que nunca pode ser sentido por todos, basta querer e buscar no lugar certo.

Nesta entrevista para Fredi Jon, youtubber do programa Tocando o Oculto, o Marcelo conseguiu fazer um dos melhores resumos desta história que já tive a oportunidade de assistir. Vejam com a mente aberta:

parte 1

parte 2

***

[1] Se querem saber ainda muito mais, recomendo que leiam o e-book O Grande Computador Celeste, que pode ser encontrado gratuitamente aqui no blog, e também na Amazon.

Crédito da foto: Google Image Search/TV Brasil/Divulgação (Marcelo Del Debbio)

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10.8.16

A flor e a náusea nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Para os poetas, daqui e de fora, um dos grandes momentos da bela cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi este em que duas grandes atrizes, Fernanda Montenegro e Judi Dench, recitam em suas respectivas línguas, português e inglês, o trecho final do poema A flor e a náusea, do imortal Carlos Drummond de Andrade.

Abaixo, segue o áudio desta parte da cerimônia, já que não encontrei online o trecho em vídeo:

O poema inteiro, no entanto, causa bem mais impacto, conforme recitado por Carlos Vereza no Programa do Jô:

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade

***

Crédito da imagem: Google Image Search

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7.8.16

Lançamento: A Metamorfose

As Edições Textos para Reflexão trazem até vocês mais um clássico eterno da literatura mundial, pelo preço de um café!

Desta vez o autor escolhido foi Franz Kafka, e a obra, o seu conto mais lido e comentado, A Metamorfose, uma das histórias mais bizarras do século passado. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, trazemos o Epílogo da edição (cuidado, pode conter alguns spoilers):

Um clássico da literatura mundial ou uma espécie de “pegadinha literária”, com o perdão do termo? De fato, Kafka foi genial por conseguir evitar, a todo momento, que o seu leitor conseguisse responder definitivamente a tal pergunta.

É perfeitamente compreensível que muita gente não o tenha compreendido, e que alguns tenham até mesmo se sentido enojados pela temática da sua Metamorfose, mas quem poderá dizer que este também não era o seu objetivo? Quem poderá dar por certo que esta grande brincadeira literária, por vezes doce, por vezes irritante, mas sempre primorosamente elaborada em palavras, não era justamente o que tinha em mente quando se sentava para escrever?

No entanto, há acadêmicos que se negam a admitir qualquer espécie de humor, seja oculto ou não, no texto kafkiano. Para muita gente a metáfora do trabalhador disciplinado, que faz de tudo para cuidar das finanças da família, mas que não tem de fato um sentido na vida, e termina por cair em profunda depressão, é perfeitamente compatível com o inseto estranho em que resulta a metamorfose, trancado em seu quarto escuro, sujo, e incapaz de alcançar sequer a sala da própria casa.

Mas me parece inegável haver alguma espécie de humor, seja ele doentio ou como queiram chamar, no simples fato de que, apesar do absurdo da sua situação, Gregor Samsa esteja quase sempre a pensar no cotidiano e em assuntos triviais, como quando se lamenta em ter de faltar ao trabalho, ou quando está tentando a todo custo se manter inteirado das fofocas do jantar. Gregor se encontra “perfeitamente feliz”, afinal, quando consegue se manter numa posição quase que de meditação, grudado no teto do seu próprio quarto... Ora, se isso não era para ser engraçado, mesmo que de alguma forma bizarra, definitivamente o senhor Kafka é um escritor indecifrável.

Seja como for, fato é que este pequeno conto, a sua obra mais lida, ainda será lida por muito tempo, em muitos cantos diversos e épocas futuras. Esperemos que até lá, mais gente se identifique com o Gregor que corre alegremente pelas paredes do que com o inseto esmagado pelo peso do mundo, incapaz de se arrastar sequer para baixo do sofá.

O editor.

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