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15.5.18

O limite

Desde que saímos das matas,
lentamente também temos nos desembrenhado
da alma.

Somos cada vez mais como coisas,
coisas racionais, eficientes, deuses artesãos,
técnicos dos átomos.

Não é ruim ter pisado na lua,
ou desvendado a fissão nuclear,
porém nesse meio tempo,
neste piscar de olhos
entre os xamãs da África
e os burocratas da Suíça,
também acabamos padecendo
de um grande esquecimento...

Não será com pílulas nem com bolsas de grife,
nem mesmo com heróis a serviço de um algoritmo de lucro
que conseguiremos anestesiar a alma:
a grande verdade
é que ela não pode ser anestesiada,
nem mesmo quando cortamos os pulsos
ou nos arremessamos do topo de arranha-céus...

Quisemos viver como coisas,
quisemos comprovar nossas teorias
de que tudo o que há são átomos a bailar
em máquinas biológicas
a serviço de estranhos códigos
que geraram a si mesmos...
falhamos!

Há um limite para nosso conhecimento
puramente racional.
Há um limite para a linguagem, para as palavras,
até mesmo para a poesia.
O que se sente quando se ama,
quando se está verdadeiramente aqui,
em meio a mata, em meio a alma,
é indizível, é inefável, é indestrutível,
e jamais nos deixará relaxar.

Sim, há angústia e sofrimento no mundo,
e principalmente em nós:
as máquinas que interpretam.
Mas ante a alma, face a face,
tal dor desvanece no ar,
se espalha como a brisa da mata,
como se nunca tivesse sequer existido...

Neófito: nós não somos máquinas,
não somos coisas, nós somos
como um reflexo de uma luz bem maior,
como a fragrância das flores de um outro continente,
como a semente que brota a margem
do córrego que flui da fonte.

Está em tempo de relembrar...


raph'18

***

Crédito da imagem: raph

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