Pular para conteúdo
25.4.09

Falácia!

O texto abaixo usa passagens da Wikipedia e do artigo original de Azel no ateus.net

Segundo a Wikipedia uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. O conhecimento do que é ou não um raciocínio falacioso certamente é um dos mais úteis que existem quando vamos analisar criticamente qualquer assunto. As falácias e inconsistências lógicas abundam em nossa sociedade e são utilizadas o tempo todo, como podemos verificar facilmente nos pronunciamentos de políticos demagogos, entre outros casos. O problema é que, de tão comuns, as falácias costumam ser usadas por descuido... Quem não se utilizou de alguma que atire a primeira ofensa!

Vejamos alguns exemplos mais comuns de falácias:

Raciocínio circular ou petição de princípios
Esse é um erro comuníssimo em debates ou pregações religiosas. Trata-se simplesmente de afirmar a mesma coisa com outras palavras. Alguns exemplos:

1. “Por que a Bíblia é a Palavra de Deus? Ora, porque ela foi inspirada pelo próprio Criador.”
2. “A Bíblia é perfeita porque é a Palavra de Deus. E como sabemos que ela é a Palavra de Deus? Pela sua perfeição.”

Esse exemplo é fácil de encontrar, especialmente nos meios evangélicos mais conservadores. É importante ressaltar que ele foi posto aqui apenas para ilustrar um tipo de raciocínio falacioso muito freqüente, não para desmerecer a Bíblia ou a crença de quem quer que seja. Um exemplo laico agora:

3. “Eu acho que alpinismo é um esporte perigoso porque é inseguro e arriscado.”

Dizer que algo é “inseguro e arriscado” não é o mesmo que dizer que ele é “perigoso”? Ora, o que essa “explicação" acrescentou que justificasse a idéia de que alpinismo é perigoso? Nada. Simplesmente repetiu-se a primeira afirmação com outras palavras.

Supersimplificação e raciocínio “8 ou 80”
Essas são praticamente inevitáveis, e se você não se deparar com elas, é porque está debatendo filosofia ou seu interlocutor é diplomata profissional. Um bom argumento deve resumir as questões em debate e simplificá-las para o leitor ou a audiência. Dizemos que há supersimplificação quando isso é feito de tal forma que muitos detalhes importantes são deixados de lado e o resumo feito só permite uma única conclusão. Exemplo:

1. “Os nazistas usaram alguns escritos de Nietzsche em sua propaganda. A irmã de Nietzsche era nazista. Portanto, Nietzsche era nazista.”

Já o raciocínio “8 ou 80”, conhecido também como falso dilema, é aquele que só admite duas possibilidades antagônicas numa determinada questão, mesmo que haja muitas mais, sendo que a pessoa que o utiliza está, claro, do lado certo. Essa falácia pode ser assim resumida:

2. “Ou você está totalmente certo ou eu estou totalmente errado.”
3. “A Bíblia alega ser a Palavra de Deus e sem erros. Se você achar um erro nela, então ela tem de estar totalmente errada.”

Generalização apressada
Falácia de generalização apressada, como o nome indica, é aquela em que uma pessoa constrói algumas premissas para um argumento e, em seguida, o conclui rápido demais. Noutras palavras, é tirar uma conclusão com base em evidências insuficientes, julgar todas as coisas de um determinado universo com base numa amostragem muito pequena. Conseqüentemente, ela passa por cima de detalhes, fatores, circunstâncias e mesmo dos casos que poderiam refutar a universalidade de suas premissas. É claro que todo argumento presume algum grau de generalização, mas, neste caso, ela é excessiva. Vejamos dois exemplos:

1. “Minha avó tem dor de cabeça crônica. Meu vizinho também tem e descobriu que o motivo é um câncer. Logo, minha avó tem câncer.”
2. “O pastor da igreja X roubou o dinheiro dos fiéis. Fulano é pastor. Logo, também é ladrão.”
3. “Meu tio é candomblecista e já matou um bode para oferecer ao orixá. Beltrano foi ao terreiro de candomblé. Logo, ele também mata animais para o orixá.”

Ataque pessoal ou argumento ad hominem
Essa falácia é fácil de reconhecer. Consiste simplesmente em atacar uma pessoa em vez dos argumentos que ela expõe, usar um traço de seu caráter como pretexto para desqualificar ou ignorar o que ela diz. Pode ser usado quando não se sabe como refutar o que o oponente diz ou simplesmente por excesso de preconceito, sendo um meio muito cômodo (e desonesto) de fugir do debate. Vejamos:

1. “O que Fulano diz sobre o balanço da empresa não pode ser levado a sério, afinal ele traiu a mulher.”
2. “O senhor não tem autoridade para criticar nossa política educacional, pois nunca concluiu uma faculdade.”
3. “A religião é uma coisa má. Veja só quantas guerras foram provocadas por ela.”

Apelo à ignorância
Resume-se na frase “ausência de evidência não é evidência de ausência”. Consiste em usar a falta de provas (ou a inabilidade do oponente em apresentá-las) a favor ou contra algo para provar uma outra tese.

1. “Você não tem provas de que Deus existe. Logo, ele não existe.”
2. “Você não tem provas de que Deus não existe. Logo, ele existe.”

Apelo à multidão
Quem conhece a expressão “maria-vai-com-as-outras” certamente saberá quando uma falácia de apelo à multidão está sendo usada. Basicamente, esse é o tipo de raciocínio que diz “se todos fazem, então eu devo fazer também”. Políticos bons de voto adoram essa linha de argumento, religiosos proselitistas também.

1. “Você não acha que se uma religião cresce tanto em tão pouco tempo é porque Deus está com ela?”
2. “Dez milhões de pessoas não podem estar erradas. Junte-se à nossa igreja você também.”

Premissas contraditórias
Quando as bases do argumento são mutuamente excludentes. Por exemplo:

1. “O que acontece quando uma força irresistível encontra um obstáculo irremovível?”

Ora, o erro aqui é que não existe força irresistível. Se existisse, então não haveria um obstáculo irremovível, e vice-versa. Logo, se a pergunta não é coerente consigo mesma, não pode haver resposta.

2. “Se Deus pode tudo, ele poderia fazer uma pedra tão pesada que nem ele mesmo pudesse levantar?”

Novamente, a pergunta não faz sentido, pois admitir que Deus pode criar tal pedra é admitir também que ele não pode tudo; e admitir que ele não pode criar a pedra é o mesmo que negar sua onipotência. Então, não se tem aí nenhum fundamento que possa dar margem a um raciocínio legítimo.

Redução ao absurdo
É um raciocínio levado indevidamente ao extremo. Designado apropriadamente em inglês pela expressão “slippery slope”, ou seja, rampa escorregadia, na qual um simples empurrão basta para que se perca totalmente o controle. Essa falácia pode ser expressa assim:

1. “Se você permite o aborto em casos de risco de vida para a mãe nos hospitais públicos, logo todo o mundo vai querer abortar por qualquer motivo, ninguém mais vai valorizar a gravidez e a taxa de natalidade vai acabar despencando, prejudicando a economia do país.”
2. “A crença na vida após a morte é perniciosa, pois quem acredita nisso sempre vai achar que as coisas vão melhorar no Além e, portanto, vai se acomodar à sua situação atual, não lutar por seus direitos e permanecer em tamanha inatividade que a nação logo vai estar subjugada pelos exploradores internacionais. É por isso que nosso país seria muito melhor se todos fossem ateus.”
3. “Se deixarmos o governo vender uma estatal hoje, daqui a dois ou três anos o país inteiro vai estar nas mãos do empresariado internacional.”

Certamente a lista seria interminável...

***

Crédito da foto: IdleMindedLee

Marcadores: , , , , ,

3 comentários:

Anonymous lucas disse...

Estou surpreso por vocé postar um texto que defenda Nietzsche,de fato ele nunca foi nazista e sua filosofia denfendia justamente um homen que não fosse preso a dogmas e que criace seu proprio conceito de verdade e etica,infelismente seu conceito de ´´super homen´´ foi usados para dar suporte ao mito da raça ariana e para alimentar o preconceito ateu.

Pessoalmente eu prefiro Sartre,que se preouculpou em detacar que um homen que seguise sua filosofia não seria automaticamente feliz mas sim mais preocupado com suas ações,ja que ele não teria nada para culpar pelos seus erros.Viver acreditando em uma verdade absoluta e mais facil do que viver com duvidas sobre quetões primordiais.



Como esse brog fala tambem de filosofia eu sugeriria um texto sobre o pensamento existencialista do seculo passado,sei que não deve ser interesante falar sobre filosofos ateus num brog espirita(vale detacar que nem todos filosofos existencialistas eram ateus),mas a sempre algo que pode ser aproveitado.

30/1/10 17:37  
Blogger raph disse...

Bem, deixa eu esclarecer algumas coisas:

1. Eu também acho que Nietzche nunca defenderia o nazismo. Apesar de não concordar com boa parte do que ele diz, o considero um dos maiores filósofos da modernidade, sem dívida sabia se expressar muito bem. Mas o texto desse post é da autoria do Azel:

http://ateus.net/artigos/ceticismo/falacias_e_erros_de_raciocinio.php

2. Eu não conheço muito de Sartre, prefiro escrever mais sobre quem conheço bem. Não é questão de citar somente quem "concorda comigo", também amo Carl Sagan e tenho certeza que ele discordaria de mim em inúmeros pontos...

3. O blog fala de espiritismo mas não é espírita. Assim como fala sobre Carl Sagan mas não é científico, etc. Talvez fosse melhor deniminá-lo "blog de filosofia espiritualista", se for o caso :)

Abs
raph

31/1/10 15:12  
Anonymous Anônimo disse...

Protip: Hitler era cristão católico romano. N00bs.

14/7/11 09:36  

Postar um comentário

Toda reflexão é bem-vinda:

‹ Voltar a Home

Related Posts with Thumbnails