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21.11.13

Nos fale do Amor...

O próximo livro digital das Edições Textos para Reflexão será uma tradução da obra mais grandiosa da Luz do Líbano, Gibran Khalil Gibran.

O Profeta, escrito originalmente em árabe e, depois, em inglês, é a obra mais profunda, conhecida e bem sucedida de Gibran.

Já foi traduzida para mais de 30 idiomas e lida por milhões de pessoas em todo o mundo. Dentre estas há, quem sabe, milhares que o elegeram um livro de cabeceira, para onde retornam cada vez que sentem saudades da primavera. Gibran, afinal, entendia da Alma e das Estações...

No trecho abaixo, a versão final para a minha tradução do trecho onde Almustafa, o eleito e amado, fala sobre o Amor:

***

ENTÃO, disse Almitra, “nos fale do Amor”.
E ele ergueu a cabeça e observou a multidão, e uma quietude recaiu sobre todos. Com uma voz forte, ele lhes disse:
“Quando o amor lhes acenar, sigam-no,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados.
E quando suas asas lhe envolverem, aceitem-nas,
Embora a espada oculta em suas plumas possa lhes ferir.
E quando ele lhes falar, acreditem no que diz,
Embora sua voz possa despedaçar os seus sonhos como o vento do norte devasta ao jardim.

Pois assim como o amor os coroa, ele também os crucifica.
E da mesma forma que auxilia em seu crescimento, trabalha também para a sua poda.
E assim como ascende a sua altura e acaricia os seus ramos mais tenros que se agitam ao sol,
Também desce até suas raízes e as sacode em seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele os aperta junto a si.
Ele os debulha para expor-lhes a nudez.
Ele os peneira para livrar-lhes das suas cascas.
Ele os mói até a extrema brancura.
Ele os amassa até que se tornem maleáveis.
Então ele os encaminha ao fogo sagrado, para que possam se tornar o pão místico do banquete divino.

Todas essas coisas o amor irá operar em seu interior para que conheçam aos segredos de seus próprios corações, e através deste conhecimento se tornem um fragmento do coração da Vida.

Entretanto, acaso em seu medo vocês buscarem apenas a paz e o prazer do amor,
Então será melhor que cubram a sua nudez e abandonem ao açoite do amor,
Para que deem risadas num mundo sem estações, mas nem todos os seus risos; e chorem, mas nem todas as suas lágrimas.

O amor nada oferece além de si mesmo e nada recebe além de si mesmo.
O amor não possui, e tampouco pode ser possuído;
Pois o amor se basta em si mesmo.

Quando você ama não deveria dizer, “Deus está em meu coração”, mas sim, “Eu estou no coração de Deus”.
E não pensem que podem direcionar o curso do amor, pois o amor, se lhes acharem dignos, determinará ele próprio o seu curso.

O amor não tem outro desejo senão o de cumprir a si mesmo.
Entretanto, acaso em seu amor precisarem ter desejos, que sejam estes os seus desejos:
De se diluírem e serem como um córrego que canta a sua melodia para a noitinha.
De conhecerem a dor da extrema sensibilidade.
De se ferirem por sua própria compreensão do amor.
E de sangrarem de boa vontade e com alegria.
De acordarem na aurora com um coração alado e agradecerem por um novo dia de amor;
De descansarem ao meio-dia e meditarem acerca do êxtase do amor;
De retornarem para casa a tardinha com gratidão;
E então, de adormecerem com uma prece para o amado em seus corações, e uma canção de louvor em seus lábios.”

(trecho de O Profeta de Khalil Gibran; tradução de Rafael Arrais)


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4 comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Bem alquímico nas entrelinhas... Parabéns e sucesso! :)

21/11/13 20:00  
Blogger raph disse...

Pois é, eu só fui reparar isso agora que estou relendo e traduzindo, já que quando li há mais de uma década não fui capaz de relacionar a simbologia das palavras com a Alquimia. Mas isto é uma grande herança do misticismo árabe, de certa forma foram eles quem "salvaram" este conhecimento até ele ser "redescoberto" na Europa :)

Abs
raph

21/11/13 20:52  
Blogger Rato Saltador disse...

Memorável na voz de Leticia Sabatela: http://www.youtube.com/watch?v=6aiZcJsZie0

Tocante. Chama para um despojamento radical e completo. Dificil, mas ao mesmo tempo muito simples.

Abs e grato por compartilhar!

21/11/13 22:42  
Blogger raph disse...

Esta narração e provavelmente todas as demais da Leticia usam a melhor tradução de Gibran, a de Mansour Challita.

Eu obviamente não posso seguir a tradução, mas em alguns momentos de extrema dúvida acerca de quais palavras usar, Challita têm me salvado :)

Abs!
raph

22/11/13 00:38  

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