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10.11.15

Brisas

Foi através de tais olhares e carícias,
em meio as brisas da Primavera,
que o ser ensaiou sua arte:
uma dança ancestral
de falos e orifícios,
de oferendas e primícias,
e da ânsia da Natureza
por si mesma...

E caminhamos sós
em meio a uma multidão
de seres e vidas e pequenos redemoinhos
flutuando pela escuridão,
cultivando sem saber
a todos os mundos e sóis
desta imensa vastidão...

A nossa grande angústia
é perceber a essência da realidade
a escorar pelos ombros
vinda sabe lá de onde,
ventando e ventando e ventando,
invisível, inefável, incompreensível
senão por alguma parte oculta,
alguma antessala além de toda idade,
algum tesouro guardado há muito
em cada coração...

Mas caminhamos, caminhamos!
E, neste rio sem fim,
as eras escoam
para muito além de tudo que sabemos
ou saberemos:
ondas e tribos e civilizações
escoando
eternamente
além do tempo...

E é então que aqui, nesse momento,
nesta vida ao vento,
vemos em parte,
tocamos, acariciamos em parte,
somos os coadjuvantes de tal arte...

Mas dia virá,
vida virá,
que dançaremos, viveremos,
e veremos face a face!

E lá, já não piscaremos os olhos,
já não veremos dois,
profano e sagrado,
"eu" e "você",
mas a coisa em si, o ser em si,
o par de nossas danças,
o norte de nossas andanças;
e assim, nesse êxtase, sentiremos
a fragrância que sempre esteve em tudo,
e tudo abarcou,
e sempre viajou
junto as brisas que sopram
em tudo o que pulsa,
tudo o que vive, morre
e revive;
em tudo o que fomos,
o que somos
e ainda seremos...


raph'15

***

Crédito da imagem: Google Image Search/thenewfamilyfarm

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