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29.7.08

Dentre selvageria e compaixão

After telling you so much,
What do I have,
For my own sake?
For my own cries?
What have I touched,
What have I felt?
Amidst your many faces?
Hidden in thousand lies?

After wondering so much,
What have I seen,
With my own eyes?
By my own words?
What have I learned,
What have I found?
Trapped in years of waiting,
Drowned in phrases and rhymes?

After searching for so long,
What have I cried,
What have I broken?
Unless my troubled self,
Unless my vanity tides?
Surrounded by poems and books,
Amongst savageness and kind.

Untitled poem by Flávia Lopes

***

Depois de ter-lhe revelado tanto,
O que eu tenho,
Para minha causa?
Para meus prantos?
O que eu toquei,
O que eu senti?
Entre suas muitas faces?
Escondidas dentre mil mentiras?

Depois de refletir tanto,
O que eu vi,
Com meus próprios olhos?
Por minhas palavras?
O que eu aprendi,
O que eu encontrei?
Trancafiado em anos de espera,
Afogado em frases e rimas?

Depois de procurar todo esse tempo,
O que eu chorei,
O que eu quebrei?
A não ser meu ser incomodado,
A não ser minhas marés de vaidade?
Envoltas por poemas e livros,
Dentre selvageria e compaixão.

Poema sem título por Flávia Lopes, tradução de Rafael Arrais

***

A conversa (que não houve)

Já se perguntou, amiga, o que aqui fazemos?
Nesse telhado, de frente para o luar,
E os espaços infinitos entre as estrelas,
E os espaços finitos entre todos nós...
Já se perguntou, alguma vez,
O que será que estamos a observar?

Se dias e noites de transeuntes da cidade,
Ou noites e dias de gatos a pular, telha a telha,
Nos lençóis da madrugada.
Onde não existe tempo, não existe idade,
Mas somente a brisa noturna
A acalentar toda alma soturna...

Será que importa o preço do barril?
A nova tendência da moda praia?
O novo artilheiro da varsea?
Será que tudo não passa de uma grande brincadeira?
Ardil de anjos arteiros
Que mesmo nas noites de luar
Gargalham, incontroláveis, até a alegria findar?

E quem cai na armadilha de acreditar
Que somos apenas cidadãos de tal nação,
Trabalhadores orgulhosos de tal corporação,
Fiéis de alguma ou qualquer religião...
Espera sempre pelo céu que há no porvir,
Mas nunca, nunca se prepara,
Para qualquer frustração que há de vir...

Será que existe o telhado?
Será que existe essa conversa?
Será que existem gatos a pular?
Ou, antes de tudo isso,
Existem amigos, e amizades,
Existem seres conscientes de si,
E consciências etéreas, esvoaçantes...
Indetectáveis senão pelo amor, e pela dor,
De observar ao mais belo luar
Sem ter minha amiga para conversar?

raph'08

***

Para Flávia.

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2 comentários:

Blogger Natalia B. disse...

É Raph, seu poema descreve bem o que stou sentindo hoje... Observando esse luar sem ter minha amiga para conversar. Mas tenho os bálsamos que são seus textos. Um grande abraço, Natalia.

19/1/11 19:51  
Blogger raph disse...

Pois é eu sei que você conhecia também o "telhado" dela. Esse poema é inspirado nas conversas do telhado (as que houveram). Até a foto encontrei uma parecida...

Bjs
raph

21/1/11 09:32  

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