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16.4.14

Chesed shebe Chesed

Viemos do pó.
Habitamos o pó.
Somos todos poeira de estrelas;
e, ainda assim, elas nos amam,
e nos regam com sua luz,
e nos vivificam com seu calor,
e dançam conosco
através dos dias e das noites,
e pelas estações,
e por cada palavra
de nossas orações.

Somos um fruto de casca muito grossa.
Nem a serpente nos fendeu –
é preciso um fogo mais intenso,
que arde sem se ver
e irrompe o seu casulo
de dentro para fora...

O que não conhecíamos,
dia virá que conheceremos...
O que não percebíamos,
dia virá que perceberemos...
Mas o que não sentíamos,
o que não amávamos,
não será jamais sentido ou amado
nalgum dia futuro...

O que amamos e sentimos
é para sempre –
arde no farfalhar das gramas,
sussurra no crepitar das chamas,
e nos abraça e afaga
e diz, bem baixinho,
dentro de nossa mente:

“Eu estive a sua procura;
em cada sorriso,
em cada lágrima,
em cada suspiro de vida
ou de morte,
eu estive lá
e ainda estou...

Eu estive a sua procura;
mas você jamais esteve
nem longe
nem fora
de mim”


Viemos das estrelas,
e somos estrelas,
e tudo quanto há
são constelações...


“Venha! Venha para fora!
Há tantas luzes na noitinha...
Venha! E traga a sua luneta!”


raph’15.04.14

***

Crédito da imagem: Dimitri Lomanova

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6 comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Lindo poema! :)

16/4/14 17:52  
Blogger Helder Dutra Porto disse...

que lindo, cara.

vou tentar acompanhar junto à cada meditação do Ômer seus poemas, Rafael.

grande abraço.

16/4/14 19:53  
Anonymous Anônimo disse...

Ha, postei a mesma foto na segunda-feira mas não sabia o autor >.<

Abraço,
Petri

16/4/14 19:55  
Blogger raph disse...

Oi pessoal,

Obrigado :)

Eu cheguei a pensar em postar todos os poemas do Sefirat ha Omer, mas cheguei a conclusão que isso seria um certo exagero...

Ao invés disso, pretendo juntar todos eles num eBook gratuito, quem sabe, para usarem no Omer de 2015 :)

Também não poderia me "forçar" a escrever um poema todos os 49 dias. Até agora eles têm chegado, mas não posso garantir que cheguem todos os dias - daí então terei tempo para preenches as "lacunas" até o ano que vem.

Abs!
raph

16/4/14 23:51  
Blogger raph disse...

Mas eventualmente vou postando alguns deles, quem sabe um por semana...

Este foi o do segundo dia:

[Geburah shebe Chesed]

Quem quer que adentre em meu bosque
encontrará beleza, mas não paz.


A época da inocência já se foi.
Hoje o amor é uma guerra,
e a cada vez que o sol nos rodeia
todas as árvores lutam por sua luz.

As mais frondosas buscam tanto proteger as demais
que a sua sombra as impede de contemplar o sol,
e elas não aprendem a crescer por si mesmas...

As mais apaixonadas brotam tão próximas uma da outra
que as suas raízes entrelaçadas
definham sugando os mesmos nutrientes...

E ainda temos as trepadeiras
que se enroscam nos troncos alheios
e jamais desenvolvem o seu próprio...

Quem quer que adentre em meu bosque
encontrará beleza, mas não paz.


Há um lenhador terrível
andando oculto pelas sombras.
Sim, é ele quem decepa os galhos a machadadas,
para que os troncos sigam retos, rumo ao céu...

Até que possam observar toda a floresta do alto,
e ver o sol, face a face –
e então agradecer do fundo da alma
por cada golpe
deste divino jardineiro.

raph'16.04.2014

16/4/14 23:53  
Blogger Rato Saltador disse...

Belíssimo, caro.

Lembrou-me um conto que escrevi há algum tempo em que trata de um amor desmedido e, nesse caso, literalmente sufocante:

http://operavida.blogspot.com.br/2011/11/filhas-de-aqueloo.html

17/4/14 16:21  

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