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21.4.22

O que é o Sefirat ha Ômer?

Neste vídeo Raph faz um panorama geral do Sefirat ha Ômer (ou Contagem do Ômer, uma prática do misticismo judaico) e responde a 7 das principais questões de quem nunca ouviu falar do tema - ou conhece muito pouco do assunto, mas se interessa em saber mais.. Assista abaixo:

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!


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18.5.20

Bate-papo Mayhem: o aspecto emocional do Sefirat ha Ômer, com Raph

Oi pessoal. Enquanto não volto a postar vídeos no canal do Textos para Reflexão, vocês podem aproveitar para assistir a minha participação no programa Bate-papo do Projeto Mayhem, onde fui recebido pelo meu amigo Marcelo Del Debbio e falei sobre o aspecto emocional do Sefirat ha Ômer, uma prática de meditação do misticismo judaico:

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15.4.19

Sefirat ha Ômer 2019

Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado à contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuót, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. Nesta Contagem mística (de origem judaica), meditamos todos os dias relacionando sete das esferas da Árvore da Vida da Kabbalah com elas próprias e também com as demais, totalizando exatamente os 49 dias de Contagem (7x7=49).

Em 2014 eu segui a Contagem conforme proposta pela Kabbalah Hermética, seguindo o passo a passo organizado pelo meu amigo Marcelo Del Debbio (você pode ver toda a explicação e os vídeos de cada dia da Contagem aqui). De forma inteiramente inesperada, acabei escrevendo (o verbo mais correto provavelmente seria “recebendo”) um novo poema a cada noite da minha Contagem, o que acabou se tornando um livro chamado 49 noites antes da Colheita (disponível em e-book e versão impressa). Todos os 49 poemas foram recitados e gravados em áudio, e hoje estão disponíveis gratuitamente no nosso canal do YouTube.

A Contagem de 2019 se inicia em 20 de Abril, ao pôr do sol. Para celebrar mais um ano de Ômer, trago abaixo os 49 tweets que postei no meu twitter, respectivos a minha meditação do ano passado:

• Todos os primeiros passos foram dados por amor. [1/49]

• Cada passo, cada sentimento, ao seu ritmo. [2/49]

• Assim, ama a quem vai a frente, mas também a quem vai atrás. Ama quem vai a sua direita, e quem vai a sua esquerda. [3/49]

• Ama cada ser. Cada forma com a qual a Vida dá forma e observa a si mesma. [4/49]

• E saiba que, no Caminho do Amor, há um mandamento não escrito: "submissão". [5/49]

• E quem de fato o compreendeu, sabe que o Amor é, foi e sempre será: eterno. [6/49]

• Amadurecido no camimho, amo por amar; não como quem quer guardar um tesouro num cofre, mas como quem vê o ouro espalhado junto a brisa do deserto, e sorri. [7/49]

• Caminho com um sonho em meu horizonte: o dia de alcançar o Amor que julga estranho apenas o que é estranho. [8/49]

• Não perambulo por este deserto a esmo, há um monte onde preciso chegar. Há uma festa para a qual eu também fui chamado. [9/49]

• Cruza um beduíno em meu caminho. É velho, fala num jeito manso, tem a pele desgastada e os olhos cintilantes. Ele me pede um pouco da água do meu cantil. Subitamente, sinto por ele um Amor imenso, além das palavras. [10/49]

• Ninguém atravessa um deserto sem conhecer os seus oásis. [11/49]

• Além das ideias de certo e errado, há um oásis no deserto. Toda travessia passa por ele, por deitar em sua relva, por beber de sua água; e, então, retornar ao mundo. [12/49]

• Nesta senda pelo deserto, mestre e discípulo avançam somente de mãos dadas. [13/49]

• Bendito é o mestre que anseia por discípulos que possam, ainda nesta vida, lhe ultrapassar em sabedoria. [14/49]

• Ama verdadeiramente quem é capaz de transbordar a si mesmo. [15/49]

• O Amor não é um jogo com regras estabelecidas. O Amor é uma experiência. [16/49]

• São tantas as belezas neste Caminho: são incontáveis, e todas passarão. Tudo passa, exceto o Amor que sentimos contemplando a beleza em si mesma, o Amor que arde na eternidade. Eu quero fogo, fogo! [17/49]

• Quem quase nunca julga, raramente poderá ser julgado. [18/49]

• Jamais vi fruto algum com a casca assinada: "feito pela Terra". [19/49]

• Quem ama tem um compromisso com a própria alma. [20/49]

• Nessa travessia é preciso amar quem segue se arrastando pela areia da mesma forma com que amamos quem vai saltitante, bem lá na frente... [21/49]

• Muitos países foram conquistados pelas armas e seus soldados, mas somente o Amor pode conquistar uma alma. [22/49]

• Muitos dos que se arrastam pela retaguarda não são velhos nem mancos: eles estão atados pelos tornozelos a pesados grilhões; e é de bom grado que carregam suas bolas de chumbo. [23/49]

• Quem quer que chegue primeiro no local da Colheita, terá a nobre função de ajudar nos prepartivos da festa, enquanto se aguarda pelos demais... [24/49]

• Uma alma verdadeiramente antiga jamais se portará de forma intolerante para com os erros de quem dá seus primeiros passos no Caminho. [25/49]

• A noite, no deserto de si, sob a luz de incontáveis estrelas, é impossível não se sentir pequenino. [26/49]

Amor nunca foi posse, mas vínculo, entrelaçamento de almas. [27/49]

• Ninguém atravessa o deserto pela fama de grande explorador. Atravessamos o deserto porque é esta a única via para a Colheita. [28/49]

• O verdadeiro caminhante coloca sua Obra acima de si mesmo: ele já não tem importância alguma, só importa a luz que é capaz de refletir. [29/49]

• O verdadeiro caminhante nunca pediu pela guerra, mas sempre fez parte do exército da Vida. [30/49]

• O verdadeiro caminhante é sempre grato e atento a todas as lições do Caminho. [31/49]

• Foi justamente a grama, a mais humilde das plantas, a que transformou esta parte do deserto num oásis... [32/49]

• Enquanto não se ama por amar, enquanto não se compreende que o Amor é o próprio tesouro, que o Amor basta a si mesmo, é impossível alcançar a essência desta realidade... [33/49]

• A melhor forma de vencer este deserto é caminhar de mãos dadas. [34/49]

• A verdadeira majestade advém do exemplo. [35/49]

• O Amor é um compromisso com a experiência de se estar vivo, aqui e agora... [36/49]

• Quem evita o seu próprio deserto está fadado a se arrastar solitário, apartado de si, junto a multidão. [37/49]

• A melhor ajuda é aquela de quem transborda o próprio coração, e atinge às margens dos desertos alheios. [38/49]

• Quem ama tem compromisso com o Amor em si. O Amor é seu próprio tesouro. [39/49]

• Morrer para si; desvanescer como a areia soprada pelo vento; renascer de uma semente de Amor: é tudo isso o que se faz neste deserto. [40/49]

• Desde que iniciei minha caminhada, jamais vi o sol faltar ao seu compromisso com o dia, ou a lua com a noite. [41/49]

• O Amor não tem compromisso algum com a violência, a ignorância ou o sentimento de posse. O Amor tem compromisso consigo mesmo, a Vida tem a sua própria agenda... [42/49]

• Esta jornada é tão longa e extenuante, por que alguém iria querer passar por tantos sacrifícios? Mas eu nem quero, nem não quero, eu amo. Eu sirvo ao Amor, e de bom grado! [43/49]

• Nenhum ser humano é capaz de conhecer toda a extensão de seu próprio deserto. Ainda é preciso outro ser humano para se descobrir nossos recônditos mais ocultos. O olhar de quem amamos é o olhar de Deus... [44/49]

• O Amor em movimento, o Amor como exemplo, supera qualquer texto, vale mais que qualquer discurso. [45/49]

• Aqui, no deserto de mim, após a longa caminhada, perdi tudo o que tinha, restou apenas o Amor: o que sou. [46/49]

• Quando não há nada no mundo além da noite, do deserto, da lua e das estrelas, você subitamente se torna agredecido por tudo o que existe. [47/49]

• O compromisso com quem se ama verdadeiramente é perene, vence qualquer distância: um jamais esteve fora do outro. [48/49]

• Não há soberania mais elevada do que a submissão ao Amor. [49/49]


***

Crédito da imagem: Google Image Search

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28.3.18

Vamos contar o Ômer?

Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado à contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuót, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. Nesta Contagem mística (de origem judaica), meditamos todos os dias relacionando sete das esferas da Árvore da Vida da Kabbalah com elas próprias e também com as demais, totalizando exatamente os 49 dias de Contagem (7x7=49).

Em 2014 eu segui a Contagem conforme proposta pela Kabbalah Hermética, seguindo o passo a passo organizado pelo meu amigo Marcelo Del Debbio (você pode ver toda a explicação e os vídeos de cada dia da Contagem aqui). De forma inteiramente inesperada, acabei escrevendo (o verbo mais correto provavelmente seria “recebendo”) um novo poema a cada noite da minha Contagem, o que acabou se tornando um livro chamado 49 noites antes da Colheita (disponível em e-book e versão impressa).

Muito bem, para a Contagem deste ano de 2018, que se iniciará ao pôr do sol do dia 31 de Março, eu resolvi preparar uma surpresa a todos os contadores que, pelo menos desde 2015, vêm usando meus poemas para auxiliar em suas meditações do Ômer: recitarei todos eles e irei incluí-los no canal do blog no YouTube. Iniciando por Chesed shebe Chesed, a ideia é que escutem cada um deles com a alma plena, durante a meditação específica de cada dia da Contagem:

“Conte esta noite: Hoje é o dia 1 do Ômer.”

» Aqui você encontra o restante da playlist com todos os áudios (note que eles ainda estão sendo incluídos, até o início de cada semana da Contagem, os áudios correspondentes já devem aparecer por lá).

***

Também recomendamos o Sefirat ha Ômer, um APP gratuito para Android, criado por Cristian Dornelles. Contendo todos os textos e gráficos do passo a passo elaborado pelo Marcelo Del Debbio, este aplicativo independente de conexão com internet serve para lhe guiar em cada noite dos 49 dias de meditação, onde você estiver.

Crédito da imagem: Vinícius Amano/unsplash

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4.4.15

Aos contadores do Ômer...

A Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado a contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuot, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. Através da Cabala, a Contagem deixou de ser somente uma tradição agrícola, ou histórica, para se tornar um dos maiores rituais de meditação e autoconhecimento do mundo, praticado simultaneamente por milhares de pessoas em todo o globo, todos os anos.

Durante 49 noites, no Ômer de 2014, eu meditei sobre o microcosmo e o macrocosmo, sobre a lua e as estrelas, sobre a noite escura e a manhã vindoura, sobre a solidão e a tristeza, e sobre o amor que é eterno... Tais meditações se transformaram em poemas, e são estes poemas que compõem o livro 49 noites antes da Colheita.

Em homenagem aos contadores do Ômer deste ano, disponibilizei meu livro em download gratuito na Amazon, a promoção é válida entre hoje (04/04) e aproximadamente quinta-feira (08/04). Se você vai iniciar sua Contagem hoje, já pode aproveitar os poemas como "instrumento de trabalho". Alguns podem preferir ler o poema correspondente ao dia da Contagem antes ou depois da sua meditação diária, mas o importante é que acredito que eles podem, de verdade, lhes ajudar:

Baixe grátis (Kindle)

Não tem um Kindle? Não há problema: você também pode ler os e-books da Amazon num Tablet, iPad, Laptop, Smartphone, iPhone, PC ou MAC, basta instalar um dos aplicativos de leitura gratuitos.

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Vejam o vídeo com um dos poemas do livro, Netzach shebe Netzach, com música e edição de Fabio Almeida:

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Ainda no tema de "downloads gratuitos" para a Contagem de 2015, recomendamos o Sefirat ha Ômer 2015, um APP gratuito para Android, criado por Cristian Dornelles. Contendo todos os textos e gráficos do portal Teoria da Conspiração, este aplicativo independente de conexão com internet serve para acompanhar cada dia dos 49 dias de meditação, onde você estiver:

» Baixe grátis no Google Play

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14.6.14

Lançamento: 49 noites antes da Colheita

As Edições Textos para Reflexão retornam com os 50 poemas que foram o fruto da minha Contagem do Ômer neste ano de 2014 (*).

A Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado a contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuot, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. Através da Cabala, a Contagem deixou de ser somente uma tradição agrícola, ou histórica, para se tornar um dos maiores rituais de meditação e autoconhecimento do mundo, praticado simultaneamente por milhares de pessoas em todo o globo, todos os anos.

Durante 49 noites, enquanto este lado do globo virava suas costas ao sol, eu meditei sobre o microcosmo e o macrocosmo, sobre a lua e as estrelas, sobre a noite escura e a manhã vindoura, sobre a solidão e a tristeza, e sobre o amor que é eterno... Tais meditações se transformaram em poemas, e são estes poemas que compõem esta edição.

Um livro digital já disponível para o Amazon Kindle, e também na versão impressa:

Comprar eBook (Kindle) Comprar a versão impressa

***

Quem frequenta o blog deve se lembrar que alguns desses poemas já foram publicados por aqui. Para facilitar, estou trazendo os links para todos eles novamente abaixo:

» [Chesed shebe Chesed]

» [Hod shebe Chesed]

» [Chesed shebe Geburah]

» [Netzach shebe Geburah]

» [Geburah shebe Tiferet]

» [Hod shebe Tiferet]

» [Netzach shebe Netzach] (vídeo do Fabio Almeida sobre este poema)

» [Malkuth shebe Netzach]

» [Hod shebe Hod, ou Lag Baômer]

» [Tiferet shebe Yesod]

» [Yesod shebe Yesod]

***

(*) Gostaria de agradecer enormemente ao Marcelo Del Debbio por haver me encaminhado, indiretamente, para esta trilha. Ao Rodrigo Amorim Grola por ter me dado permissão de utilizar sua magistral ilustração da Ávore da Vida no livro. Ao pessoal do Conversa entre Adeptus pelo capricho nos vídeos com as instruções para as meditações de cada dia. E, especialmente, ao Fabio Almeida, por ter preenchido com música alguns dos poemas que consegui "roubar" de Kether. Claro que devo estender o agradecimento a todos os leitores, atuais e futuros, pois este livro agora é de todos vocês - eu já fiz a minha parte!


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11.6.14

49 noites depois...

Não percam a conta! O próximo lançamento das Edições Textos para Reflexão será nada menos do que o resultado da minha Contagem do Ômer neste ano de 2014: 49 noites antes da Colheita - um Sefirat ha Ômer poético. Certamente uma das fases mais inspiradas da minha vida como poeta e escritor...

Vocês já devem ter visto alguns poemas com títulos esquisitos por aqui, não? Pois é, eu já expliquei melhor do que eles se tratam noutro post. Agora quero lhes trazer uma passagem da Introdução do livro, onde falo sobre a música Lamidbar, do grupo Mawaca, que me auxiliou enormemente na jornada ascendente pela Árvore da Vida. E, ao final, uma amostra da capa do livro!

***

LAMIDBAR

Há mais de uma década tenho a felicidade de conhecer um dos maiores grupos musicais em atividade no mundo; e que é, quem diria, brasileiro.

O Mawaca é um grupo que pesquisa e recria a música das mais diversificadas etnias do globo buscando conexões com a música brasileira. Formado por sete cantoras que interpretam canções em mais de dez línguas, o Mawaca revela no seu nome a essência do seu trabalho. Segundo a etnia hausa do norte da Nigéria os mawaka (cantores-xamãs) recorrem ao poder mágico da palavra cantada para atrair o poder dos espíritos.

Como me vali de uma de suas interpretações mais belas, Lamidbar, para me auxiliar em minhas meditações na Contagem do Ômer, penso que deveria trazer aqui ao menos a letra deste canto hebraico tradicional, que segue abaixo:

Lamidbar saenú
Al gavshot gmalim
Al tsabeihem ietsaltselú
Paamonim gdolim
Saenú, saenú
Lamidbar saenú
Li li li li li li

Allá en el midbar,
vide relumbrar,
con voz de adobe
y un buen cantar
las tablas de la ley
(que) vide abajar

Mira el Rey
Es Mose rabenu
Que subió y abajó
a los altos cielos
Li li li li li li

[tradução]

Vamos para o deserto
Montados em nossos camelos
Seus guizos, pelo caminho, vão tilintar
Vamos, vamos!
Li li li li li li

Lá no deserto
vê-se alumiar
ao som do adobe [pandeiro sem platinelas]
e de um lindo cantar
as tábuas da lei
que dos céus vão baixar

Vivas ao rei!
É Moisés, o rabino
Que subiu e desceu
das alturas celestiais
Li li li li li li

***

Segundo Magda Pucci, do grupo Mawaca, “neste arranjo, nós tomamos a melodia cantada por Ora Sittner, cujo texto está em hebraico (versão de Alexander Penn), e utilizamos o texto em ladino da versão grega e turca coletada por Susana Weich, especialista em música sefaradita (dos judeus de Portugal e Espanha)”.

Lamidbar é parte do CD/DVD Pra todo canto, e pode ser facilmente encontrada online (*).

***

(*) Por exemplo, no Soundcloud:

Capa do livro

Sim, terá versão impressa, além de eBook na Amazon!


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26.5.14

Yesod shebe Yesod

Então, ainda há este cheiro de azedume,
este pântano onde muitos se debatem
e poucos encontram em si
a vontade para sair.

Então, você ainda pode ver esta multidão
que caminha sem direção,
e morre aos poucos
enclausurada em suas próprias gaiolas.

Ante olhares curiosos, que em realidade
nada veem e nada sentem,
você continua batendo suas asas
e planando junto aos ventos do leste.

“Que outro mundo é este?” – você pode perguntar...
Ora, é o mesmo!
Não é o mundo que muda, ó andarilho dos ares,
mas o seu ponto de observação...

Afinal, foi você quem rompeu seus grilhões;
você quem se arremessou sobre o abismo profundo
que havia além da sua antiga gaiola;
e foi você, ó ser alado,
quem criou estas asas de amor,
e renasceu nesta nova forma,
e aprendeu a ver todas as coisas do alto!


Mas ainda é cedo para celebrar.
Este sonho é apenas um breve deslumbre
da Grande Colheita na Alvorada.

Sim, eu sei o quanto é difícil
voar tão alto,
e contemplar a luz nascendo além do horizonte,
apenas para acordar novamente lá embaixo.

Mas é esta, precisamente, a sua tarefa,
o compromisso que assumiu com seus irmãos –
vir buscar as sementes que nascem aqui,
no alto do Sinai,
e então, descer
para semear todo o mundo.

Vá! Vá, pequeno pássaro!
Suas asas ainda são frágeis
e o seu bico aguenta somente uma semente...

Mas vá!
Voe de volta aos vales de abaixo
e escolha com todo cuidado e sabedoria
onde plantá-la.

Voa! Voa!
Voa para bem longe daqui...
Deixe que a manhã do mundo
venha novamente lhe buscar,
mas lembra,
lembra deste sonho
no Dia da Colheita!


raph’25.05.14

***

Nota: Este é o último poema do Sefirat ha Ômer que eu devo publicar no blog. Mas, se tudo correr bem até o Dia da Colheita, isso tudo ainda deve se transformar num livro de poesia mística...

Crédito da foto: Hazel Erikson

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23.5.14

Tiferet shebe Yesod

Neste caminho há um abismo
aparentemente intransponível.

Até a sua escarpa
a via foi dura e sofrida,
mas ao menos os livros ainda nos aconselhavam
sobre a melhor forma
de desviar deste ou daquele obstáculo,
e de evitar este ou aquele perigo.
Depois desta passagem, no entanto,
não há nada que as palavras possam fazer,
e nem mesmo os nosso instrutores mais sábios
poderão nos ajudar...

Ó, desbravadores de novas terras,
aventureiros de adentro,
não há quem possa erguer a ponte
e dar o primeiro passo desta travessia –
ninguém, além de nós mesmos!


Neste caminho há um abismo
vasto e profundo.

Até a sua beira
a jornada ocorreu em nossa própria margem;
mas do outro lado,
onde a música ecoa sem cessar,
iremos transbordar
e inundar o mundo inteiro!

Ó, construtores de pontes,
engenheiros da Alvorada,
certifiquem-se de que a sua corda
esteja bem fincada do outro lado;
e, ao dar o primeiro passo nesta travessia,
não se voltem para o que deixaram para trás
e nem olhem para baixo,
mas se concentrem, isto sim,
nos passos que ainda têm pela frente.


Neste caminho há um abismo
a separar os dois mundos.

Até este lado
a vida seguiu fria e sem sentido,
mas na outra margem
os sol já aquece as campinas,
a música já nos convida para a festa,
os deuses já se vão a dançar embriagados
e as cornucópias já estão postas à mesa...


raph’22.05.14

***

A cornucópia (imagem que ilustra o poema) é um símbolo representativo de fertilidade, riqueza e abundância. Na mitologia greco-romana era representada por um vaso em forma de chifre, com uma abundância de frutas e flores fluindo de seu interior.

Crédito da imagem: Wonderpolis.org/Google Image Search

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17.5.14

Hod shebe Hod, ou Lag Baômer

Até ontem havia uma peste negra
espalhada em nossa comunidade.
O seu mal se originou
no coração dos próprios discípulos
que desejaram alcançar a santidade antes do tempo,
e foram atraídos para a mais ardilosa das armadilhas –
crer que um mestre é feito
apenas de leitura e recitações.

Até ontem havia uma peste negra
espalhada em nossa comunidade.
Ela tornou os dias acinzentados
e as noites plenas de tristeza.
Porém, assim como as manhãs sucedem aos crepúsculos,
alguma grande luz estava destinada a surgir
de tamanha escuridão...

Milhares padeceram desta doença vil,
mas nosso rabi sempre nos disse,
“Ninguém pediu para ser doente,
e é a doença que nos ensina
a aproveitar os tempos saudáveis.”

Assim, os poucos discípulos que sobreviveram
decidiram acender fogueiras pela noitinha
para lembrar dos seus amigos que se foram,
e os orientar em sua jornada ao outro mundo.

Ó, buscadores do inefável,
quantas doenças, quantas mortes e quantas vidas
foram necessárias para que chegassem até aqui?
Quanto gemido e ranger de dentes
em plena solidão, em plena escuridão,
foram necessários para que encontrassem tais fogueiras?

Nos vales das sombras da morte
o vento corre gelado
e apaga todas as velas
acesas nas encruzilhadas...

Mas hoje é o dia do esplendor!
Hoje todas as fogueiras ardem
e as salamandras dançam
no ritmo do cintilar dos sóis!

O sopro da ignorância
pode aniquilar a chama de uma vela,
mas o que poderá fazer
contra um exército de incendiários?

Hoje as crianças correm e brincam em torno do fogo
sem perigo algum;
que este fogo foi aceso
no coração de cada um dos discípulos
que sobreviveram a tal peste...

E, ainda que fosse somente um,
ainda teria valido a pena;
pois basta que um consiga carregar a tocha
para que a pira se acenda
e sinalize sua luz
para o universo inteiro!

Hoje é um dia assim;
um dia para celebrar o fim da escuridão;
um dia para refletir a luz destas fogueiras
até os confins de nosso mundo.

Ó, agentes da Alvorada,
a luz foi criada
para ser refletida
adiante, adiante, adiante...

Isto não tem fim!


raph’17.05.14

***

Crédito da imagem: Youth Olympic Games, Singapore 2010 (Divulgação)

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14.5.14

Netzach shebe Netzach (english version)

In May 9th 2014, during the meditation of the Counting of the Omer (Sefirat ha Ômer), those words came to me. A day afater, my friend Fabio Almeida (author of the portuguese blog, podcast and videocast Música & Magia [Music & Magic]) gave me this wonderful gift, with music than seens to come from the same place from where came those words (*)...

(*) Here are the words (versão em português aqui):

The ancient used to look upon the night sky
and connect those dots of light,
imagining a variety of forms and shapes
and symbols
and gods…

If the nights were even more filled with stars,
shining too close,
their light would dazzle us
and, being blind like this,
we wouldn’t take note of any constellation…

In the same way, we know
that there are nights full of storms
and so densely clouded,
that it’s thick veil overshadows all light.
Yet, even in the middle of the torrential rains,
lightning comes down
to warn us
that light still lingers,
untouched and pure,
even within the darkest night…

Oh, villagers of the lost tribes,
hear that thunder,
feel that rumble
shaking the entire world!


And then, think about this truth:
“It’s only because there is darkness
that we know what light is.
It’s only because there are storms
that we know what tranquility is.
And it’s only because there is so, so much loneliness,
that we remember the world from which we came from,
where all the stars of the endless night
formed, in the view of their inhabitants,
a single symbol,
a single god;
and his name was –
The one who lives in everything.”


raph’05.09.14
(also translated from portuguese by raph)

***

Crédito da imagem: Rhys Logan

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13.5.14

Malkuth shebe Netzach

Desde que a primeira tribo
passou a colher mais trigo e cevada
do que necessitava para comer,
surgiram os estoques de grãos,
os vilarejos
e os salteadores...

Desde esse tempo
que há guerra
entre os que buscam conquistar tais riquezas
e os que as vigiam e defendem.

Mas contam as lendas
que, de tempos em tempos,
passava pela Terra
um nobre rei.

E a sua nobreza residia
no desejo de lutar e dominar territórios
não no mundo de fora,
mas no de dentro.

Ora, nós vimos grandes imperadores
que marcharam do Ocidente ao Oriente,
deixando um rio de sangue em seu caminho.
Tais homens foram lembrados e honrados
por todos aqueles que viveram em sua época.

O nobre rei, no entanto,
enviou todo o seu exército para o abismo
de sua própria alma;
e, tendo marchado montanha acima,
até tocar o próprio céu,
se tornou o Monarca das Campinas do Vasto Horizonte.

E este rei é lembrado, até o dia de hoje,
por todos aqueles que sentem
esta saudade perene
de tudo o que é eterno...


raph’12.05.14

***

Crédito da imagem: cena de Irmão Sol, Irmã Lua (Divulgação)

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11.5.14

A Contagem do Ômer

A Contagem do Ômer

Até o dia seguinte ao sétimo sábado contareis cinquenta dias; e oferecereis uma nova oferta de cereais a Jeová. E quando segardes as searas da vossa terra, não segareis totalmente os cantos do vosso campo, nem colhereis o rabisco da vossa seara; para o pobre e para o estrangeiro o deixareis: eu sou Jeová vosso Deus – Levítico, 23:16 e 23:22 (Sociedade Bíblica Britânica)


Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado a contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuót, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. A Pessach, também conhecida como “Festa da Libertação”, celebra a fuga dos hebreus da escravidão no Egito em 14 de Nissan no ano aproximado de 1280 a.C. Ora, Nissan é o mês do calendário judaico que se inicia com a primeira lua nova durante a época em que a cevada já plantada atinge o seu amadurecimento. A Contagem do Ômer (sefirat significa “contagem”) tem, portanto, a sua utilidade prática, que é a contagem dos dias até que a cevada esteja pronta para a colheita. Ômer era uma medida antiga de grãos secos, e equivalia a aproximadamente 2,2 litros.

O caráter festivo mais antigo de Shavuót é o de uma festa campestre. Ao final da Contagem, já no mês de Sivan do calendário judaico, era realizada a colheita da cevada e de outros cereais. Grandes grupos de agricultores afluíam de todas as províncias, e o país adquiria um aspecto animado e pitoresco. Todos se dirigiam a Jerusalém, acompanhados durante todo o trajeto pelos alegres sons das flautas. Em cestos decorados com fitas e flores, cada qual conduzia a sua oferenda: primícias do trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras. Chegando à Cidade Santa eram acolhidos com cânticos de boas vindas e adentravam ao Templo, onde faziam a entrega de seus cestos ao sacerdote. A cerimônia se completava com hinos, toques de harpas e outros instrumentos musicais.

Há uma outra razão para o Shavuót ser tão festivo. Ocorre que a Contagem do Ômer (os 49 dias que o antecediam) não era exatamente um período de grandes alegrias, mas sim de introspecção, e até mesmo melancolia... Nesses dias, os hebreus também refaziam em seu imaginário os passos da jornada de seus antepassados do Egito ao Monte Sinai, em sua fuga angustiada do jugo do Faraó.

Posteriormente, o período da Contagem também passou a ser considerado um período de luto em memória à peste que matou centenas de discípulos do rabino Akiva. Costumeiramente os homens não se barbeavam e nem celebravam casamentos neste período. O único dia em que se abandonava o luto era no Lag Baômer, o trigésimo terceiro dia da Contagem (Hod shebe Hod), e o dia que marcou o fim definitivo dos casos da doença.

Este dia era também o dia em que faleceu o rabino Shimon bar Yochai, considerado o grande precursor da Cabala, uma vertente mística do judaísmo tradicional. E foi exatamente através da Cabala que a Contagem do Ômer deixou de ser somente uma tradição agrícola, ou histórica, para se tornar um dos maiores rituais de meditação e autoconhecimento do mundo, praticado simultaneamente por milhares (quiçá milhões) de pessoas em todo o globo, todos os anos.

Nesta Contagem mística, meditamos todos os dias relacionando sete das esferas da Árvore da Vida com elas próprias e também com as demais, totalizando exatamente os 49 dias de Contagem (7x7=49). A Árvore da Vida, na tradição da Cabala, representa um sistema hierárquico que pode ser lido de duas formas: De cima para baixo, se inicia na centelha divina (Kether), e vai se tornando mais “densa”, até atingir o mundo físico (Malkuth). De baixo para cima, se inicia na consciência “mundana”, que vai se elevando, esfera por esfera, até que se abra inteiramente para a comunhão com a divindade do Cosmos. Estes dois caminhos representam tanto a criação de tudo que há a partir desta substância primeira, como o caminho de religação que a consciência humana precisa galgar para que consiga se reunir novamente com sua origem divina.

Apesar de a Árvore conter, na realidade, 10 esferas, há 3 delas que se situam tão próximas da centelha divina, do transcendente e inefável, que também estão além das conceitualizações da linguagem. Neste sentido, as meditações diárias da Contagem usam somente 7 das 10 esferas:

Chesed ou Bondade (Misericórdia)
Chesed se situa abaixo de Chokmah. É a misericórdia. Representa o desejo de compartilhar incondicionalmente. Representa a vontade de doar tudo de si mesmo e a generosidade sem preconceitos, a extrema compaixão.

Geburah ou Disciplina (Rigor)
Geburah se situa abaixo de Binah. É o rigor. Representa o desejo de contenção e de questionar os próprios impulsos. Canaliza sua energia por meio de objetivos concretos, com o intuito de superar obstáculos e transformar a própria natureza.

Tiferet ou Compaixão (Beleza)
Tiferet se situa abaixo e entre Chesed e Geburah. É a beleza. Transforma em beleza Chokmah, Binah e Kether (as 3 esferas superiores). É a sabedoria e o entendimento sob a luz do conhecimento. Representa a divisão da árvore em macrocosmo e microcosmo.

Netzach ou Tolerância (Vitória)
Netzach se situa abaixo de Chesed. É a vitória. Representa a energia dos sentimentos. Se relaciona com a vontade de reciprocidade, a busca pelo próximo e a superação dos próprios limites, propagando o pensamento eterno. Funciona como o princípio fertilizador do esperma masculino.

Hod ou Humildade (Esplendor)
Hod se situa abaixo de Geburah. É o esplendor. Representa o pensamento concreto. É um canal de aprimoramento interno, de identificação com o próximo, sendo uma forma de aceitação do pensamento, assim como do reconhecimento dos opostos. Funciona como o princípio receptivo do óvulo feminino.

Yesod ou Compromisso (Fundação)
Yesod se situa abaixo e entre Netzach e Hod. É a fundação. Representa o Plano Astral. Funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são então misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É a compilação das oito demais emanações (Malkuth não tem emanação).

Malkuth ou Nobreza (Reino)
Malkuth se situa na posição central inferior da árvore. É o reino. Representa o mundo físico, onde é revelado o material compilado e emanado por Yesod (das oito demais emanações). É o canal da manifestação, desejando a recepção das demais esferas. É a distância de Kether que provoca esse desejo, criando a sensação de falta e de solidão. É, assim, o início do caminho ascendente.


Vejam abaixo uma ilustração da Árvore da Vida, por Rodrigo Amorim Grola:

A Árvore da Vida

***

Durante 49 noites, enquanto este lado do globo vira suas costas ao sol, eu tenho meditado sobre tais esferas, sobre o microcosmo e o macrocosmo, sobre a lua e as estrelas, sobre a noite escura e a manhã vindoura, sobre a solidão e a tristeza, e sobre o amor que é eterno...

Tais meditações têm se transformado em poemas, e os seus títulos correspondem exatamente ao dia da Contagem em que chegaram para mim. Não sei até onde isso tudo vai dar, mas o vídeo abaixo é somente um exemplo do que tem ocorrido em minha vida durante a Contagem do Ômer.

Boa reflexão a todos!


Em 9 de Maio de 2014 (Netzach shebe Netzach), durante a meditação da Contagem do Ômer, estas palavras chegaram para mim. Um dia depois, meu amigo Fabio Almeida (autor do blog, podcast e videocast Música & Magia) me deu este presente maravilhoso, com música que parece ter saído do mesmo lugar de onde vieram as tais palavras...


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9.5.14

Netzach shebe Netzach

Os antigos olhavam para o céu noturno
e ligavam seus pontos luminosos,
imaginando as mais variadas formas,
os mais variados símbolos
e deuses...

Se as noites fossem ainda mais repletas de estrelas
brilhando próximas demais,
a sua luz nos ofuscaria
e, cegos assim,
não catalogaríamos constelação alguma...

Da mesma forma, nós sabemos
que há noites de céu tempestuoso
e tão densamente nublado,
que o seu véu espesso nos priva de toda a luz.
Porém, mesmo em meio às chuvas torrenciais,
descem os relâmpagos
para nos avisar
que a luz ainda perdura,
pura e intocada,
em meio a noite mais escura...

Ó, aldeões das tribos perdidas,
ouçam a este trovão,
sintam a sua vibração
chacoalhar todo o mundo!


E depois, reflitam sobre esta verdade:
“É somente porque há escuridão
que sabemos o que é a luz.
É somente porque há tempestade
que sabemos o que é a tranquilidade.
E é somente porque há tanta, tanta solidão,
que lembramos do mundo de onde viemos,
onde todas as estrelas da noite infinita
formavam, aos olhos dos seus habitantes,
um único símbolo,
um único deus;
e o seu nome era –
Aquele que existe em tudo.”


raph’09.05.14

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Crédito da imagem: Rhys Logan

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3.5.14

Hod shebe Tiferet

Enquanto caminhamos aflitos,
com as galochas enterradas neste charco
de desejos desenfreados,
descem os instrutores anônimos
e nos deixam mensagens pela manhã fria;
na beleza das gotas de orvalho,
na efemeridade da neblina
e no frescor das brisas...

Aquele que os enviou em nosso auxílio
não se preocupa em ser reconhecido.
Não é como um deus estranho
que deseja ser adorado acima dos demais,
que exige provas de fidelidade,
ou que marcha sobre os exércitos inimigos.

Os instrutores nos ensinam muitas coisas,
mas não o seu nome;
pois que o seu nome já está em tudo,
e seria inútil pronunciá-lo.

Ele é o mais desconhecido dos deuses,
e no entanto todos os altares do mundo
no fundo, o veneram...
Ele é o mais fiel dos deuses,
e no entanto jamais exigiu
sequer uma oferenda, um sacrifício, em retorno...
Ele é o mais pacífico, o deus mais gentil,
e no entanto o seu cajado
é capaz de esmagar qualquer exército...

Ele é aquela essência sagrada
que todos nós temos buscado
a cada momento de nossa existência.
E, no entanto,
é até estranho de se pensar,
mas aquilo que buscamos
também está a nos buscar...


raph’03.05.14

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Crédito da imagem: Steven DaLuz

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1.5.14

Geburah shebe Tiferet

Hoje é o primeiro dia do Curso de Amor.
Os alunos carregaram suas cadeiras
da sala de aula até o jardim,
e com elas formaram um círculo
em torno de um pequeno chafariz.

Quando chegou o professor,
todos já estavam apreensivos.
Afinal, nunca haviam realmente
elaborado uma estratégia para o amor,
ou para como lidar com ele ao longo da vida.
Ele era, enfim, a coisa mais preciosa,
e também a mais desconhecida,
da qual toda a Academia se afastara –
menos aquele professor...


Sentado na borda do chafariz,
ao centro de todos,
ele deu início a aula:

“O amor. Ó, o amor, tão assustadoramente ilógico,
tão terrivelmente caótico,
tão maravilhosamente vivo, vivo!

Ele não se encontra nas cartilhas nem nos livros acadêmicos,
mas num coração que insiste em bater
e pulsar, a cada momento de nossas vidas.

Meus amigos, se querem compreender o amor,
precisam abandonar esses manuais de natação;
precisam mergulhar em si mesmos,
explorar as suas fossas mais profundas,
e colher todas as pérolas submersas,
uma por uma.

Meus amigos, ninguém pode dar amor
sem ter amor.
Pois o amor não aceita moeda de troca –
ele é o seu próprio valor.

A sua história não se encontra
nos registros das vidas dos reis e imperadores,
nem nas teorias políticas, sociais ou econômicas.
De fato, a sua história ainda não foi contada.
Hoje, ela precisa ser contada por vocês...

A cada dia de suas vidas,
enquanto o sol e a lua se alternam pelo céu,
há uma miríade de pequenos contos
e primorosas novelas
sendo contadas por cada um de vocês;
não em discursos ou livros,
mas em atos de amor!

Nessas histórias, o porteiro pode ser um dos personagens principais,
aquele que pode retribuir cada “bom dia”
com outro “bom dia” ainda mais entusiasmado.
Deem a devida importância a tal personagem,
pois é ele quem guarda a sua porta de entrada
e de saída.

E assim ele prosseguiu sua aula dando inúmeros outros exemplos,
até que a tardinha chegou...


Meus amigos, finalmente, eu lhes digo
que há duas formas de se interpretar este mundo,
como que duas ilhas separadas por uma baía:
Numa delas, tudo é separado, esquematizado
e catalogado em pequenas caixas.
Noutra, tudo é uno, vivo
e compartilhado como num grande banquete.

Eu não vim aqui lhes ensinar mais nada,
senão a se embebedarem neste banquete;
até que a própria noção
encarcerada nos termos “eu” e “você”
se dissolva numa doce melodia
que é cantada por todos,
enquanto brindam em homenagem a Vida...


raph’30.04.14

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Crédito da foto: Hayneedle Outdoor Fountains (Divulgação)

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26.4.14

Netzach shebe Geburah

A noite segue cintilante e gelada.
A fogueira crepita ao centro da aldeia,
enquanto permanecemos em silêncio,
sentados em círculo,
imaginando se tais labaredas
não seriam as salamandras
dos contos de outrora...

Antigamente os xamãs eram chamados,
tão somente, “contadores de histórias”.

Hoje em dia,
aqueles que construíram templos em torno das fogueiras
e abafaram o seu fogo
com cimento e chumbo,
se auto intitulam
“sacerdotes”, “rabinos”, “gurus” e “mestres”.

Saibam, porém, meus amigos,
que mestre algum, antigo ou novo,
chamaria a si mesmo de “mestre”.

Há muito, muito tempo,
os xamãs narravam suas histórias
no sereno da noite,
sob a luz do luar
e o calor das fogueiras.

O seu jugo era suave,
o seu linguajar era doce,
e eles sabiam esperar...

Hoje, quase todos foram dizimados
pelos homens que acreditavam
que as terras estão à venda,
e que o seu ouro e as suas joias
são o que há de mais valioso no mundo!

Hoje, os xamãs de outrora
contam as suas histórias em sonhos iluminados,
aquecidos por um só coração,
e que acontecem
num tempo além de qualquer tempo,
em torno da Aldeia
mãe de todas as aldeias...


Eles não nos pedem orações decoradas,
nem dízimos ou penitências.
Eles pedem tão somente
que ajudemos, em pensamento,
a alimentar o fogo
ao centro do círculo –
até que o mundo todo se incendeie,
e que todo chumbo se transmute em ouro.

Eles nos pedem com educação e gentileza;
a sua voz ressoa suave
como a brisa da manhã vindoura;
e eles sabem esperar...


raph’25.04.14

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Crédito da foto: Tim Fritz

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22.4.14

Chesed shebe Geburah

Neste momento
há um ladrão de sonhos
sendo adorado
por uma legião de temerosos.

Neste momento
há um grande amante
sendo acusado de inúmeros adultérios
ao largo das igrejas.

Neste momento
há um porta-voz do apocalipse
ofertando terrenos no Paraíso,
em troca da esperança
de que este mundo
tome rumo...


Nós temos visto
inúmeros templos serem construídos
em meio aos desertos.
Por que não no sopé dos montes?
Ou nos oásis
e litorais ensolarados?

Pois é no deserto que há sofrimento,
dor, injúria e desejo desenfreado;
e é neste batismo seco
que todos os julgamentos são realizados...


Há grandes teólogos,
mestres, e outros homens santos
debatendo noite e dia
sobre o livre-arbítrio,
a pureza da alma
e o “grandioso caminho moral”.

Mas enquanto isso,
pulando pelos montes,
dançando nos oásis
e brincando na praia dos mundos,
os amantes não julgam
e nem são julgados.

No amor
eles se deleitam.
No amor
eles são como um,
e todas as leis do mundo dos homens
se tornam tão importantes
e imprescindíveis
quanto a construção e a destruição
de esplendorosos castelos de areia...


raph’22.04.14

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Crédito da foto: Bill Hammer

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