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5.3.14

A grande aventura

Pé ante pé, por esta trilha de contos e histórias,
eu procurei por ti, ó andarilho das beiras de estradas,
sombra das tavernas, incitador de aventuras,
mas tudo o que pude ouvir foram seus passos
silenciosos, sempre próximos,
sempre ocultos...

Montei uma frota de balões,
contratei os melhores mestres baloeiros de todo o reino,
e juntos partimos a lhe buscar pelos céus.
Você, porém, estava sempre detrás das nuvens,
voando além do poente,
ou escondido, em silêncio, no ninho da Fênix.
Foi o guardião do portão da Cidadela dos Silfos quem disse,
“Desistam, ele não está no céu,
se estivesse, os pássaros já o teriam encontrado.”

Então juntei grandes mestres navegadores
e juntos construímos os barcos mais velozes de todo o oceano,
cujas velas eram ungidas com o óleo mágico
fabricado pelos alquimistas da Casa das Sereias.
Você, porém, estava sempre uma onda a nossa frente,
cortando as profundezas em sua carruagem de golfinhos,
ou escondido, meditando, na última torre do Grande Abismo.
Foi o velho Noé, da proa de sua grandiosa Arca, quem disse,
“Desistam, ele não está nem na superfície nem pelo fundo do mar,
se estivesse, os peixes já o teriam achado.”

Então reuni os maiores cientistas do mundo
e juntos projetamos uma grande nave espacial,
que era uma versão ainda mais moderna
daquela outra onde voou meu amigo Carl.
Você, porém, estava sempre além do próximo asteroide,
velejando pelo cosmos em seu barco sideral,
ou no escuro da noite eterna, perfeitamente imóvel,
fingindo ser uma estrela ou um vaga-lume.
Foi o comandante Kirk, em sua Enterprise, quem disse,
“O que diabos buscam pelo espaço?
Ora, se alguém como ele realmente existisse,
nós já teríamos catalogado em nossa rede.”

Pé ante pé, por esta trilha de contos e histórias,
eu procurei por ti...

Rodei por todos os mundos e todos os caminhos,
me aventurei por tenebrosas masmorras
e enfrentei o bafo de labaredas de centenas de dragões.
Foi somente após morrer no último jogo,
e passar toda a madrugada imaginando como seria
o meu próximo personagem,
que finalmente percebi:
Você não é, afinal, como a donzela em perigo,
aprisionada na Terrível Caverna do Grande Sono,
e nem mesmo como a espada encantada presa na rocha,
a espera de um nobre rei para empunhá-la;
você é mais do que todos os tesouros desta grande aventura,
você é a própria aventura,
o herói e o vilão,
e todas as histórias
e todos os contos
e todos os rolamentos de dados.


raph’14

***

Crédito da imagem: Larry Elmore

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5 comentários:

Blogger Rato Saltador disse...

Boa!

Li escutando isso: https://www.youtube.com/watch?v=F_lw-n_sok8

:D

Grato!

6/3/14 00:45  
Blogger raph disse...

Faz sentido!

:)

Abs!
raph

6/3/14 09:50  
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns poeta! Tbm já vi o "Peregrino" de relance, quando olhando no "espelho da alma" deixei de ver a mim e minhas projeções e vi, de relance, o meu próprio coração, pulsando em tudo, vibrando em todos, pois meu coração não era só meu coração, mas o coração do mundo... E quando as coisas parecem não fazer sentido, quando o jogo parece perdido e monótono, simplesmente volto o "olho da minha mente" a esse "Coração Sagrado" e digo: "sou tua, máscara! Faça teu teatro e guie-me em teu enredo!" e assim posso vê-lo em cada momento, em cada coisa, ser ou acontecimento, posso vê-lo em tudo, até em mim mesmo, mesmo sem merecimento algum...

9/3/14 09:08  
Blogger raph disse...

E, nesse momento, não é mais necessário rolar dado algum :)

9/3/14 17:31  
Blogger Juliano disse...

Muito bonito Raph, gostei bastante!
Obrigado por compartilhar!
Abraço.

18/3/14 07:54  

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