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8.1.13

O Ouroboros e a Árvore da Vida

Trecho do meu livro, Ad infinitum, que será lançado em 2013. Esta é uma nota acerca do símbolo representado na capa do livro...

Penso que os símbolos expostos na capa merecem alguma explicação:

A serpente formando um círculo quase perfeito, mordendo a própria cauda, representa o ouroboros. O nome vem do grego antigo, uma junção de oura (cauda) com boros (devora, devorar). Este símbolo antigo está relacionado à ideia de eternidade, e dos ciclos ininterruptos da existência: a serpente morde a própria cauda e forma um novo ser, assim como pode se livrar da pele antiga, e formar uma nova, embora sempre continue a ser, em essência, serpente. É possível que o símbolo matemático do infinito (∞) tenha se originado a partir da representação de dois ouroboros lado a lado. Finalmente, conforme o círculo formado pela serpente nunca será um círculo perfeito, isto nos remete a ideia de que a busca pelo conhecimento é um eterno “vir a ser”, sem que necessariamente devamos nos preocupar com a ideia opressora de “chegarmos à perfeição final”, pois talvez algo assim sequer exista. Agostinho de Hipona resumiu melhor: “Crer para compreender, compreender para crer; Buscar para encontrar, e então continuar buscando”.

Já a árvore no interior do círculo formado pela serpente pode remeter a pelo menos três simbologias distintas:

(a) A Árvore da Vida na Cabala, que representa um sistema hierárquico que pode ser lido de duas formas: De cima para baixo, se inicia na centelha divina (Kether), e vai se tornando mais “densa”, até atingir o mundo físico (Malkuth). De baixo para cima, se inicia na consciência “mundana”, que vai se elevando, esfera por esfera, até que se abra inteiramente para a comunhão com a divindade do Cosmos. Estes dois caminhos representam tanto a criação de tudo que há a partir desta substância primeira, como o caminho de religação que a consciência humana precisa galgar para que consiga se reunir novamente com sua origem divina;

(b) A Árvore da Ciência do Bem e do Mal, que no mito bíblico representa ao mesmo tempo o perigo e a benção de se tomar conhecimento da própria mortalidade. Afinal, os animais irracionais são imortais, na medida em que não têm a ciência da própria morte. O ser humano se torna mortal a partir do momento em que começa a desenvolver a própria racionalidade, o próprio conhecimento, o próprio sentimento, a própria intuição. Este é o caminho que todos precisamos percorrer – “sair do Éden” para, depois de muito esforço, descobrir finalmente que o Éden não foi nem será, mas é, e sempre esteve em nossa própria consciência, a ciência do nosso ser;

(c) A árvore filogenética, que na biologia representa as relações evolutivas entre várias espécies ou outras entidades que possam ter um ancestral comum. Na árvore de todas as espécies de vida que existem ou já existiram na Terra, o ser humano é apenas um pequeno galho, bem lá no topo, um recém-chegado no teatro ancestral da vida...

***

Crédito da imagem: Ayon (o símbolo referido na nota acima)

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2 comentários:

Anonymous Samuel Otemi disse...


Compartilhando informação.
O simbolo do infinito se chama analema, representa o caminho do sol no céu durante o ano, o sol é representado por um circulo, representa o espirito superior, tifereth , a sua volta sobre se mesmo devia representar para os antigos os ciclos da propria vida e a renovação através do nascimento e da morte de cada dia; o infinito.

http://apod.nasa.gov/apod/ap061223.html

Sobre os animais não ter ciência da própria morte, não concordo, quando um animal vai morrer normalmente ele procura seu lugar preferido, e assim como eles são os primeiros a fugir quando nem há sinal de qualquer catástrofe. Eu acredito que a conciência do fim, eles possuem, já que eles sonham_e pelos mares do sonhar é que alma navega_.E se eles navegam eles pensam. A sua maneira. Depende do grau da "NÊmesis" dentro deles.Sobre a "irracionalidade" eu acho que isto é um entolho uma coisa que se repete tanto que acabomos acreditando, o pensamento deles são diferentes, uns são coletivos,indiferenciados das potencias de sua existencia e mais abertos a elas.
No fim descobriremos que não há um fim mas um novo começo , refletindo a totalidade, o infinito que há dentro de nós.

Para nascermos de novo e esquecermos, e quando os animais fugirem, estaremos apenas nós esperando a morte.Igual em pompéia.Não havia animal algum nas cidades apenas os humanos mumificados em cinza . Humanos absortos nos sus próprios sentidos; Que ignoram os sonhos de sua alma, e fecham os olhos as potencias de seus distinos, ao espirito que canta em seus corações.Tornando-se estatuas. Exemplos vivos do que mais tememos; o esquecimento!

Rafael o seu livro deve ter ficado muito bom . Só pelo tema.Deve ser fonte de infinitas elucubrações adaptativas.

8/1/13 21:28  
Blogger raph disse...

Bem Samuel, o fato de que os animais provavelmente não raciocinem com a mesma complexidade do ser humano não significa que não tenham consciência, ainda que em estado "bruto":

A consciência animal

A questão é que eles não parecem capazes de ter o mesmo tipo de especulação mental, filosófica, que informa ao ser humano, ciente de sua individualidade no mundo, que nalgum dia irá morrer. Mas, no momento da morte, ou na iminência dela, é claro que os animais reagem e, como temos visto, de forma muitas vezes mais eficaz que o próprio ser humano.

Da mesma forma, o fato de não terem ciência de sua mortalidade não significa que não tenham ciência da dor, e do perigo, etc.

Esta interpretação, "dos animais imortais", inclusive nem é minha, mas do Mario Sergio Cortella, em sua entrevista para o documentário Eu Maior, que ainda não foi lançado infelizmente...

***

O livro deve ficar pronto muito em breve, espero que gostem. Eu coloquei boa parte da minha vida nos últimos anos nele :)

Abs
raph

9/1/13 13:50  

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