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11.5.10

Ad infinitum (Projeto Ouroboros)

Desde que comecei a escrever sobre assuntos relativos a espiritualidade – algo que costumo classificar como filosofia espiritualista – tenho me perguntado do motivo de insistir em tentar definir ou conceituar o que não pode ser definido nem conceituado.

Os sábios antigos raramente nos deixaram algum escrito. Sócrates foi interpretado por Platão, Lao Tsé mal deixou alguma coisa escrita, a vida e os ensinamentos de Buda foram descritos por seus discípulos. Acredito que eles viviam plenamente a sabedoria, e por isso lhes era desnecessário deixar discursos escritos – mas talvez eles soubessem que seus seguidores iriam terminar por redigi-los a sua maneira.

Penso, seguindo essa lógica, que mesmo sem conhecer tais sábios, terminei por me tornar uma espécie de discípulo tardio de todos eles. Me intriga como as pessoas possam ignorar solenemente essa fonte de luz, e preferir muitas vezes assistir a um jogo de futebol, ir ao shopping, ver um filme de ação no cinema, ir rezar na missa, sair para beber...

Não me entendam mal, eu também faço tudo isso. A minha maldição é que raramente consigo me ater somente aos ditos afazeres mundanos. É difícil andar pelas ruas e não imaginar que cada ser é um caminho único do Cosmos conhecer a si mesmo, cada livro uma história com potencial para sacudir o meu mundo para sempre, e cada estrela na noite um reflexo de eras das quais nós homens não participamos – ao menos, não como homens. Essa é sim a minha maldição, mas há males que vem para o bem.

De certa forma, portanto, tenho escrito sempre sobre o mesmo assunto. Aqui no blog tenho feito isso de forma relativamente descompromissada e espontânea. Não que isso seja ruim, mas certamente sinto a necessidade de construir textos mais elaborados sobre um tema tão fantástico.

Dessa forma a pouco mais de um ano tenho escrito um livro, que vou chamar aqui de “Projeto Ouroboros” [1]. Ele trata de um diálogo amigável entre quatro personagens: S., O., P. e I., respectivamente.

Um deles é cético e agnóstico, o outro uma jovem filósofa, ainda outro um espiritualista com certa simpatia pelo oculto, e finalmente temos o teísta moderado. Acredito que essas personalidades resumem boa parte dos “lados da história” em uma discussão sobre o tema em questão.

Neste blog irei a partir de hoje postar trechos desse projeto em construção. Quanto a qual personagem corresponde a qual característica citada acima, assim como ao tema do livro em si, vou deixar que cada um se arrisque a descobrir por si mesmo.

Bem vindos ao Ouroboros: veja todos os posts do projeto.

Rafael Arrais, 12/05/10

***

[1] Em 1/12/12 foi revelado o nome final do livro: Ad infinitum.

***

Crédito das imagens: Benjamin [topo], Ori [ao longo].

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6 comentários:

Blogger Júnior disse...

Com certeza será muito interessante!!
E por falar nisso o diálogo do homem que afirmava levitar ficou ótimo...

Um grande abraço,

Edson Júnior

13/5/10 17:48  
Blogger raph disse...

Obrigado Júnior, outro abraço :)

13/5/10 18:56  
Anonymous Pedro Gama disse...

Raphael, obrigado por me "amaldiçoar" um pouquinho a cada dia com seus textos!

Vou acompanhar o Projeto Ouroboros com mto prazer!

Abraço!

14/5/10 17:04  
Blogger raph disse...

Obrigado Pedro. Pois é ser "diferente", nesse sentido, é uma "maldição" na opinião dos outros, mas pode ser uma benção na realidade.

15/5/10 12:55  
Anonymous TiagoMazzon disse...

E a sincronicidade se faz presente mais uma vez. Escrevi esse texto no meu blog semana passada http://www.labirintodamente.com.br/blog/2010/05/28/frases/ e acabei de ler esse seu post sobre Ouroboros. Sempre é legal quando isso acontece :)
Boa sorte com o projeto !
E, by-the-way, também nao consigo seguir por muito tempo pensando só nas coisas mundanas... algo me puxa para o significado profundo de tudo, algo me faz sempre refletir e levar as coisas a um outro nivel, coisa tao rara de se ver hoje em dia em outras pessoas...
Paz profunda!

8/6/10 08:08  
Blogger raph disse...

Pois é Tiago, porisso mesmo eu disse que sabia como você se sentia, em relação ao que disse em http://www.labirintodamente.com.br/blog/2009/12/29/auto-reflexao-de-um-blogger/

Mas, como podemos ver, não somos os únicos que as vezes "escorregam" da imersão nas coisas mundanas :)

Alegria!
raph

8/6/10 12:21  

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