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31.1.10

Evolução: até onde vai o acaso?

Texto de Chris Impey em "O universo vivo" (editora Larousse). Tradução de Henrique Monteiro. As notas ao final são minhas.

A recorrência de determinadas formas bem-sucedidas, juntamente com a efemeridade da maioria das espécies, levou a uma tensão entre duas idéias na teoria da evolução: a contingência e a convergência. O paleontólogo Stephen Jay Gould foi o defensor mais eloquente da idéia de que o acaso desempenhou papel decisivo na evolução [1]. Gould foi um personagem de grande importância e decisivo no campo da evolução – magistral como pesquisador e escritor popular, ainda que às vezes arrogante e refratário no seu modo de pensar.

Gould usava o Folhelho Bugess como seu exemplo central. O Folhelho Bugess é um modelo muito bem-preservado da profusão de formas de vida exóticas que apareceram nos oceanos da Terra pouco mais de 510 milhões de anos atrás. A maioria das linhagens não sobreviveu – Gould sustentava que não havia como prever quais desses organismos bem-adaptados subsistiria. Eventos caprichosos como impactos e meteoros tornaram a evolução altamente contingente. Segundo essa teoria, os micróbios podem ser comuns em planetas como a Terra ao longo do cosmos, mas os mamíferos e os répteis seriam improváveis, e os primatas e humanos com certeza muito raros.

Simon Conway Morris, um paleontólogo da Universidade de Cambridge, era um estudante de graduação quando tomou contato pela primeira vez com o achado valioso do Folhelho de Burgess. Sua interpretação dos mesmos fósseis [2] que Gould observara levou-o a uam conclusão muito diferente. Conway Morris não nega o papel desempenhado pela sorte, mas observa que as estratégias evolucionárias são limitadas pelas leis da física e não acontecem em um ambiente de possibilidades ilimitadas.

Peguemos como exemplo às asas e aos olhos. O vôo evoluiu separadamente entre insetos, mamíferos (o morcego) e répteis (notavelmente o pterossauro, um leviatã voador do Triássico). O desenho das asas é diferente em casa caso, mas a vantagem evolucionária de ganhar os céus é inegável. A visão foi descoberta, e às vezes reinventada, em criaturas tão diferentes quanto mamíferos, cefalópodes e insetos. Se você observar um polvo, o olho que verá é tão misterioso quanto o seu, mas ele tem uma ascendência completamente diferente. Todos esses são exemplos de convergência [3].

Conway Morris identificou um impressionante número de exemplos de convergência. Ele reconhece o elemento acaso da evolução, mas sustenta que a vida encontrou soluções semelhantes para o problema da sobrevivência inúmeras vezes seguidas. Por isso ele é otimista quanto à inevitabilidade de animais grandes e complexos e até mesmo da inteligência. Em sua pesquisa intitulada “Sintonizando as freqüências da vida”, ele escreve: “Onde quer que exista vida, haverá, no momento devido, uma mente. Se essa mente será sempre como a nossa é outra questão.

O naturalista britânico D’Arcy Thompson chamou a atenção para a convergência cerca de um século atrás, mas alguns dos exemplos mais intrigantes ocorrem no nível molecular. Dois grupos de peixes sem nenhuma relação um com o outro usam o mesmo anticongelante natural para combater os efeitos da água fria. O truque é realizado por um proteína codificada por uma seqüência dos mesmos aminoácidos repetidos indefinidamente. No caso, o peixe Nototheniidae da Antártica surgiu de 7 a 15 milhões de anos atrás, ao passo que o bacalhau ártico apareceu do outro lado da Terra há 3 milhões de anos. Em outro exemplo, anticorpos idênticos foram encontrados em duas espécies altamente distintas, o cação-lixa e o camelo. Circuitos genéticos semelhantes foram localizados na bactéria E. coli e na levedura, mostrando que a convergência também ocorre em níveis superiores de organização molecular.

A convergência molecular endossa o fato de que a criação de elementos pesados nas estrelas proporciona uma base universal para a bioquímica, assim como o fato de que componentes básicos como aminoácidos são encontrados em uma vasta gama de ambientes cósmicos. Existe um número astronômico de proteínas possíveis, assim como de outras moléculas biologicamente úteis. Ainda assim, a vida escolheu um número modesto [4] – propagada ao nível de genes, essa especificidade contribui para limitar as funções e as formas das espécies.

***

[1] O acaso é um nome fortuito que os cientistas encontraram para intitular "não fazemos idéia das causas reais". A idéia de acaso vai lentamente caindo por terra na medida em que as causas vão sendo identificadas e compreendidas, por exemplo, pela idéia de convergência (exposta logo a seguir no texto). Ainda que, conforme o próprio Impey admita um pouco anteriormente a este texto: "Na evolução, assim como na maioria dos outros ramos da ciência, não faz sentido perguntar por quê. Só faz sentido perguntar como". Ou seja: como cientista, você não pergunta porque um mecanismo que ainda não compreende inteiramente executa as suas funções de modo surpreendentemente coordenado. Primeiro procura entender como ele funciona. Os "porquês" ficam com a religião e a filosofia.

[2] Muitas vezes se pensa que na ciência não existem interpretações distintas para teorias bem fundamentadas, e obviamente não é o que ocorre. Na verdade um dos trunfos da ciência é a sua capacidade de abarcar interpretações distintas e por vezes opostas, sem que os cientistas se achem no direito de humilhar ou fazer pouco caso de seus opositores (bem, pelo menos os cientistas de verdade).

[3] Talvez a evolução da vida seja como uma corrida off-road: todos largam do mesmo ponto e seguem estradas distintas, mas para passar a outra fase da competição precisam encontrar o check-point; Até que em algum desses pontos de passagem surja, finalmente, uma mente. Nesse sentido, não é possível afirmar que a vida não siga algum plano. Muito embora daí a afirmar que este plano seja um design divino já requira alguma dose de crença.

[4] Quando um cientista como Impey usa o termo "a vida escolheu", é o caso típico de uso de linguagem metafórica. Será que todo cientista é um poeta? Ou será que as vezes a intuição acaba "burlando" a linha se segurança do ceticismo materialista? Talvez o Deus da ciência, a tal "vida que faz escolhas", seja o Deus do Acaso, um Deus desconhecido...

***

Crédito da ilustração: Simon Conway Morris e Masanori Gukuhari (espécies exóticas do Folhelho Burgess).

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11 comentários:

Anonymous lucas disse...

Há um livro chamado passos de um bebado,cujo o autor fala como o acaso determina nossas vidas e rege o unirvesso,convesso que não li o livro todo(portanto não me sinto no direito nem de negar nem de confirmar sua teoria) mas li entrevistas na revista veja e galileu.

Na minha opinião,justificar todas as leis do unirveso pelo acaso é o mesmo que dizer ´´isso é assim porque Deus quis e pronto´´,só trocamos Deus pelo acaso,e ao meu ver o acaso não denomina um fator fisico,sendo uma maneira generica de nos referimos a diversos outros fatores

4/2/10 11:44  
Blogger raph disse...

Concordo plenamente :)

4/2/10 16:52  
Anonymous Franco-Atirador disse...

Como biólogo, sempre me interessei por esse assunto, sempre gostei de animais, me interessei pela criação, ainda mais pq cresci em uma igreja evangélica e era, portanto, criacionista. Mas logo que comecei a estudar, aceitei sem problemas a evolução, passei a ser ateu e hoje estudo ocultismo. Não sei se sabe, mas não há formas transicionais suficientes entre as espécies como a biodiversidade e a lógica darwiniana postularam, parecendo que as espécies dão verdadeiros saltos evolutivos. Isso já foi sugerido como equilíbrio pontuado, pelo evolucionista Stephen Jay Gould.

Depois que mergulhei nesses assuntos esotéricos, comecei inevitavelmente a ler esquisoterisses, mas no meio delas algumas coisas me pareceram razoáveis, como, por exemplo, a possível futura mudança no nosso DNA, provocado pela energia cósmica extra do centro da galáxia que nos levará adiante na evolução da raça. Ok, isso pode ser besteira, mas apliquei o pensamento aos animais e aos ciclos energéticos do sistema solar/galáxia. Depois de ler e ver documentários sobre as maluquices da física quântica, a semelhança com as antigas correntes espiritualistas e como tudo está conectado, como certas faixas do espectro eletromagnético afetam nosso dna (UV e o câncer), me pareceu plausível as formas de vida na terra responderem com uma transformação após alguns ciclos de descarga energética que trariam mudanças (já que mudança é um dos nomes do jogo da existência).

Há também a perturbadora ideia de que as mutações surgem ao acaso (nesse caso, sabemos que não existe o acaso, pode ter algo muito grande por detrás disso, mas como não sabemos, a ciência postula que as razões não são significativas)... e sempre me indaguei que, sendo assim, deve haver mutações PRA CARALHO em TODOS os campos possíveis dos seres vivos, afim de criar tantas formas e comportamentos eficientes na exploração do mundo pra garantir a sobrevivência. Portanto sempre achei que deve haver algo meio Lamarckista na Natureza, ainda mais pq além de aparecerem tantas mutações extremamente específicas e vantajosas, os organismos vão perdendo as que não usam (entende oq quero dizer com MUTAÇÕES PRA CARALHO? É questão de probabilidade, é muito difícil ocorrer só por ocorrer, devido ao uma razão desconhecida e aleatória, e isso sem falar que a GRANDE MAIORIA das mutações é PREJUDICIAL). Até mesmo Francis Crick (codescobridor da molécula de dna), manifesta essa indignação probabilística sobre a formação do dna ao acaso devido à sua altíssima complexidade. Há inteligência, a ordem vinda do caos, mas o quê controla isso?

Então, após ler sobre ocultismo (e enxergar como a natureza é incrivelmente mais complexa do que a ciência imagina), campos mórficos, as dinâmicas das energias, memória da natureza, sutilidades, egrégoras; fico imaginando que tem algo muito louco por trás da evolução das formas dos seres aqui em malkuth. Os animais "baixariam" suas habilidades de acordo com a necessidade, através de sua vontade?
Uma vez que muitos não possuem consciência e consequentemente vontade (seres unicelulares, por exemplo), o que os guiaria? O Todo?

23/1/13 10:50  
Blogger raph disse...

Oi Franco,

Olha, eu pessoalmente acredito que há duas questões importantes aí:

- O Princípio Antrópico, que postula que existem variáveis finamente ajustadas para as forças da Natureza, que se variassem em menos de 1% para cá ou para lá, não possibilitariam nem que planetas surgissem, nem a vida como a conhecemos na Terra. Ou seja, isto dá a ideia de um Sistema-Natureza suficientemente ajustado NO INÍCIO para que tudo se desenvolvesse de acordo com as leis do sistema, até o infinito;

- A Reencarnação, que postula que princípios inteligentes, formados por matéria fluida, habitaram os reinos mineral, vegetal e animal, até despertarem na consciência humana. Ela pode responder não somente aos supostos saltos evolutivos, como também ao fato de algumas crianças nascerem com habilidades incomuns, ou aquelas que dizem lembrar vidas passadas. Neste caso, as inteligências elas mesmas poderiam auxiliar na modelagem física da espécie, principalmente do cérebro, através de encarnações sucessivas ao longo de milhões de anos. O físico se adequaria ao espiritual, neste caso, e embora ainda houvesse aleatoriedade (leia-se, "causas desconhecidas") neste processo, ele teria ainda um Sentido. E este Sentido é simplesmente evoluir.

Alfred Russel Wallace, cocriador da teoria da evolução das espécies, acreditava nisso (reencarnação).

Eu também falo muito sobre isso no blog (Reflexões sobre a reencarnação, Onde estarão os memes, A evolução desconhecida, etc.) e, principalmente, no meu livro, "Ad infinitum".

Mas, para quem não crê na reencarnação, a melhor teoria não-reencarnacionista que já encontrei é aquela descrita no livro "Evolução em 4 dimensões" (Companhia das Letras).

Abs!
raph

23/1/13 12:24  
Anonymous Franco-Atirador disse...

Entendo. Então esta matéria mais densa seguiria a vibração da alma, assim como naquele experimento onde ondas cada vez mais altas remodelam em formas cada vez mais complexas os grãos de areia sobre uma superfície metálica (que você certamente já viu).

No entanto, acredito estar longe da ciência descobrir como se dá, detalhadamente, o salto-entre-formas, que parece ser rápido. Parece que só descobriremos quando vermos um (se é que veremos, ainda que vivamos suficientemente pra isso, pois podem achar que são espécies não descobertas, devido a brutal diversidade do mundo biológico). Haveriam energias envolvidas? Checkpoints como datas cósmicas/Datas para o download de novas formas? Mas entendemos que o corpo/forma é o veículo da alma, e esta precisa deste para ser melhorada, então deve haver uma inferface interessante entre os dois, uma troca interessante de informações, onde, em determinada espécie, principalmente as avançadas como nós, ganhamos (na alma) mais complexidade a cada vida, até que este corpo se torne insuficiente/desarmônico, e migremos para outro já existente que nos suporte, OU transformamos o nosso, evoluindo (como a criança estelar de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Cada corpo, então, possuiria um nível de complacência para alma , um espectro aceitável, limitado. Rodaria algumas versões similares de versões mais ou menos complexas de uma alma (justamente como certos programas precisam de certos hardwares). Cada ser humano, por ter determinado grau de consciência, já possui bastante responsabilidade e visão de onde quer ir, do que quer fazer com sua jornada, sua alma, seus veículos. Não está mais sendo guiado pela Natureza, já botou o nariz pra fora do Éden; enquanto os animais seriam geridos mais pelas necessidades do meio (mas nós também); mas, como os programas (novas formas, habilidades) são baixados por seres praticamente inconsciente/programados, isso é um mistério muito grande (custo a acreditar na aleatoriedade, devido à altíssima especificidade e multiplicidade de formas, além do abandono das ineficientes, como explicado no primeiro post). Haveria alguma inteligência suprema enviando os novos downloads? Há um plano para as formas? O acaso/aleatoriedade tem o lado bom do sabor da liberdade: "vamos ver no que dá"...."Nooossa! veja quantas formas se produziram". Na verdade, talvez as formas de vida possam seguir algorítimos mais ou menos restritos, mas ainda assim precisamos de um Programador, O Arquiteto.

Eu realmente preciso tomar um chá de cogumelos pra visualizar isso melhor :).

25/1/13 09:09  
Anonymous Franco-Atirador disse...

Descrição do livro Evolução em 4 dimensões:

O francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) seria a última pessoa que alguém poderia pensar em chamar para salvar a teoria da evolução de Charles Darwin. Afinal, Lamarck acabou entrando para a história como o autor da teoria evolutiva errada, e "lamarckismo" virou sinônimo de engano para os biólogos. Isso porque sua teoria pregava a herança de caracteres adquiridos, quando Darwin mostraria corretamente que a evolução ocorre por meio da seleção natural de variações aleatórias.
Em Evolução em quatro dimensões, Eva Jablonka e Marion J. Lamb resgatam as ideias do maltratado naturalista francês. Segundo as autoras, o darwinismo hoje precisa de uma reforma, de uma nova síntese - e tal síntese passa pela incorporação do lamarckismo na teoria evolutiva. Descobertas da biologia molecular nos últimos cinquenta anos mostram que a evolução vai além da seleção de variações casuais nos genes.
As autoras identificam quatro "dimensões" na evolução - quatro sistemas de herança que desempenham um papel na evolução: a genética, a epigenética (ou transmissão de características celulares, alheia ao DNA), a comportamental e a simbólica (transmissão por meio da linguagem e de outras formas de comunicação simbólica).
Em todos esses sistemas ocorre alguma herança de caracteres adquiridos, novamente uma heresia lamarckista que Jablonka e Lamb incorporam ao repertório do darwinismo, não para derrubá-lo, mas para mostrar que há muito mais variação disponível para a seleção natural do que sonha a biologia.




Estou comprando este livro.

25/1/13 09:26  
Blogger raph disse...

Sobre o primeiro comentário:

1 - Não a toa minha imagem de fundo no Facebook atualmente é exatamente a criança estelar do 2001 :)

2 - "Aleatório" significa praticamente o mesmo que dizer "efeito de causas tão complexas que as desconhecemos ou compreendemos a ínfima parte". Mas, para um intelecto como o Demônio de Laplace, ou um ser semi-onisciente ou totalmente onisciente (nesta caso, teria de ser Deus), "aleatório" não tem significado algum. Seria o mesmo que dizer "nada" - mas onde está o nada? Não existe, nunca existiu, e jamais poderá existir.

3 - Sobre os "checkpoints evolutivos", o texto acima postula que a mente seja, exatamente, um deles. Eu concordo plenamente, principalmente devido a complexidade de "salto" entre um chimpanzé e um homo sapiens, em se falando da capacidade cognitiva. Isto se deu em poucas dezenas de milhares de anos. Porque tão rápido, se anteriormente saltos bem menores que este lavaram milhões ou bilhões de anos?

4 - Acerca do Arquiteto: novamente voltamos a questão do Princípio Antrópico. Um ser que "imagina" um sistema-natureza com tamanha "perfeição", não precisaria intervir. De fato, apenas arquitetou tudo, e depois observou o experimento... Mas não quer dizer que seja um Arquiteto Ocioso, pois que TUDO neste experimento depende ainda dele. Basta a força da gravidade deixar de existir por segundos, neste Cosmos, e será o caos total...

25/1/13 17:33  
Blogger raph disse...

Sobre o livro "Evolução em 4 dimensões":

Sem dúvida é monumental, de longe o melhor livro que já li sobre genética e evolução das espécies. As autores parecem ser as únicas que estão ainda desenvolvendo o assunto.

Também sempre cito ele para quem não crê em reencarnação. Para mim, tirando a reencarnação, a melhor teoria que já encontrei e esta da evolução em quatro dimensões... Claro, ainda precisa ser aprofundada, mas elas deram um passo monumental.

Temos trechos deste livro no blog:
http://textosparareflexao.blogspot.com/search/label/Eva%20Jablonka

Abs!
raph

25/1/13 17:36  
Anonymous Franco-Atirador disse...

http://ul.to/9lzyesqe

29/1/13 17:30  
Anonymous Franco-Atirador disse...

http://www.youtube.com/watch?v=eoCNPusKRSU

BBC, Cai como uma luva. Um dos melhores docs que já vi.

Números na natureza, padrões, geometria sagrada, caos...

Vale a pena.

10/2/13 23:46  
Blogger raph disse...

Obrigado, verei depois...

Abs
raph

11/2/13 16:33  

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Toda reflexão é bem-vinda:

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