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7.2.25

Financiamento coletivo de "Artemagia" junto aos "231 Portais de Iniciação"

Após muitos anos estudando e se dedicando integralmente ao tema, meus amigos Pri Martinelli e Marcelo Del Debbio estão lançando mais um financiamento coletivo de sucesso no Catarse (sim, ele mal foi lançado e já ultrapassou 100% da meta): "231 Portais de Iniciação - Os Estudos Avançados da Cabalá e dos Arcanos Maiores do Tarot".

Vocês podem ficar sabendo mais sobre a história toda lendo a própria página no site do Catarse. Mas o que interessa aqui é que eles estão lançando, juntamente com o projeto, o meu livro "Artemagia - uma reflexão sobre o Caminho", e também o excelente "Bruxaria - nascido em berço de palha", de outro grande amigo, André Correia.

Assim, é possível fazer a compra prévia de todos os livros e receber daqui a alguns meses, como em qualquer projeto de financiamento coletivo. Mas a vantagem é que, como ele foi financiado em poucas horas (literalmente), tudo indica que a versão final virá cheia de brindes extras. Não posso prometer, mas há grande chance do meu livro e o do André virem em capa dura, embora estejam no preço de capa comum.

Então não percam essa oportunidade de incentivar o mercado editorial nacional, e receber de volta um conhecimento inestimável:

catarse.me/231portais

obs.: Você pode apoiar este projeto até o dia 12/03/2025


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23.2.24

Lançamento: A Tábua de Esmeralda de Hermes

As Edições Textos para Reflexão retornam ao hermetismo!

A Tábua de Esmeralda foi um dos textos fundamentais que deram origem à alquimia, ao hermetismo e a boa parte do ocultismo e esoterismo que conhecemos hoje. Esta edição conta com tradução e comentários de Rafael Arrais e luxuosa introdução de Thiago Tamosauskas, alquimista praticante.

Já disponível em e-book na Amazon e também na versão impressa, pelo Clube de Autores:

Comprar e-book (Kindle) Comprar livro (Amazon) Comprar livro (Clube de Autores)

» Leia minha tradução da Tábua


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18.1.24

A Tábua de Esmeralda (traduzida por Rafael Arrais)

A Tábua de Esmeralda foi um dos textos fundamentais que deram origem à alquimia, ao hermetismo e a boa parte do ocultismo e esoterismo que conhecemos hoje. Também conhecida como Tábua Esmeraldina ou O Segredo de Hermes, trata-se de um texto antiquíssimo que influenciou tanto o Oriente como o Ocidente, e que se propõe a revelar a natureza do universo e suas transformações. Sua autoria remonta a Hermes Trismegisto, o lendário semideus greco-egípcio, também associado aos deuses Thoth, Hermes e Mercúrio. Sua origem exata é incerta, mas há indícios míticos e históricos que apontam para o Egito Antigo.

Em breve as Edições Textos para Reflexão vão lançar minha versão da Tábua de Esmeralda, traduzida e comentada, com introdução luxuosa de Thiago Tamosauskas (de onde foi retirado o parágrafo acima), alquimista praticante e autor do Principia Alchimica. Enquanto o e-book não sai (ele está sendo escrito nesse momento), trago aqui a minha tradução da Tábua, que no fim das contas é um texto bem curto mesmo:


A Tábua de Esmeralda

(1) É verdade, sem falsidade, certo e muito verdadeiro:
(2) O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma coisa só.
(3) E assim como todas as coisas vieram do Um, pela sua mediação, assim todas as coisas nasceram desta única coisa, por adaptação.
(4) O seu pai é o Sol, a sua mãe é a Lua, o Vento o embalou em seu ventre; a Terra é a sua ama de leite.
(5) A Origem de toda Telesma [1] do mundo está aí.
(6) Seu poder permanece intacto, se estiver voltado para a Terra.
(7) Você irá separar a terra do fogo, o sutil do denso, suavemente e com muito talento.
(8) Suba da Terra para o Céu, e desça novamente à Terra, e receba o poder das coisas superiores e inferiores.
(9) Desse modo você terá a glória do mundo inteiro.
(10) E todas as trevas se afastarão da sua presença.
(11) Aí está a força mais poderosa de todas: aquela que conquista todas as coisas sutis e penetra em tudo o que é sólido.
(12) Assim o mundo foi criado.
(13) Esta é a fonte das admiráveis adaptações que indiquei aqui.
(14) Por isso fui chamado de Hermes Trismegisto, pois possuo as três partes da filosofia de todo o mundo.
(15) O que eu tinha a dizer sobre a Obra Solar está completo.

(tradução por Rafael Arrais)


***

[1] O termo latino, telesma, veio do árabe ṭilasm, sendo este o idioma onde temos o registro mais antigo da Tábua (os originais se perderam). No árabe, ṭilasm significa "talismã" e/ou "enigma". Obviamente eu vou me aprofundar bastante em seu significado nos comentários do livro.

Crédito da imagem: uma gravura (de autoria desconhecida) do livro de Heinrich Khunrath, Amphitheatrum Sapientiae Aeternae, publicado em 1595; esta mesma imagem é usada na capa do nosso livro digital, a ser lançado em breve:

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29.9.23

Minha tradução de O Príncipe publicada pela Faro Editorial

Em 2020 eu vendi três das minhas traduções à Faro Editorial e me tornei definitivamente um tradutor profissional. Este ano negociei mais uma das minhas traduções com a Faro, o célebre O Príncipe de Nicolau Maquiavel.

Logo abaixo trarei imagens da edição, que já foi lançada. Eu não recebo direitos autorais pela venda do livro, pois a negociação de uma tradução se dá por um pagamento único, como a venda de um produto mesmo. No entanto, caso vocês o comprem na loja da Amazon utilizando o link abaixo, eu ganharei uma comissão praticamente equivalente à parte que um autor leva de direitos autorais :)

Eis as imagens do livro:

Comprar O Príncipe na Amazon

***

Obs.: O Príncipe foi publicado pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial.

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10.8.23

Voltei ao Conhecimentos da Humanidade para falar de Rumi

Voltei a participar do canal Conhecimentos da Humanidade para falar de Rumi, do sufismo, e de minha jornada pessoal na Ordem Sufi Naqshbandi. Há outras lives onde falo do mesmo tema, mas ainda que você tenha visto alguma, saiba que esta é bem especial, pois nela ficará sabendo de certos detalhes de minha jornada com o sufismo que eu nunca falei em lugar nenhum (e nem o Bruno). Assista abaixo:

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22.6.23

Lançamento: Artemagia

O Projeto Ars Magica chegou ao fim, e o seu título final é Artemagia: uma reflexão sobre o Caminho.

Em Artemagia, Rafael Arrais se vale da sua escrita poética e hipnotizante para nos trazer preciosas e profundas reflexões acerca do Caminho, o caminho espiritual, e tudo o que ele abarca: a Arte, a magia, a religião, a filosofia, a ciência, a espiritualidade, a chamada Verdadeira Vontade, o contato com anjos e demônios, as vias da mão direita e esquerda, o tarot etc. Se souber ler com o coração, você também será mudado para sempre por este livro.

Já disponível em e-book, na Amazon, e também na versão impressa:

Comprar e-book (Kindle) Comprar livro (Amazon) Comprar livro (Clube de Autores)

» Leia alguns trechos da obra


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24.5.23

Projeto Ars Magica (trecho 2)

10 anos após o lançamento de Ad infinitum, enfim eu voltei a escrever um livro totalmente original. De lá para cá, foram muitas traduções, edições, e compilações de poemas e artigos do meu blog; mas agora chegou a hora de algo novo. E, assim como o próprio Ad infinitum um dia foi tão somente o Projeto Ouroboros, agora também voltarei a postar trechos de meu novo livro, enquanto ele é escrito. Bem-vindos ao Projeto Ars Magica!

Ao contrário do projeto anterior, neste não darei muitos detalhes do que exatamente se trata. Mas, para resumir, será uma obra sobre a Arte e o Caminho.

Então, vamos direto ao que interessa: abaixo, segue um dos trechos já escritos do projeto.

3.1

Imagine que antes das cidades e vilarejos, antes da agricultura, antes que os homens se decidissem por habitar um só canto, existiram templos, e um deles é bem mais antigo que as pirâmides; de fato, sua idade passa dos dez mil anos:

Göbekli Tepe (“monte com barriga”, em turco) é o topo de uma colina onde foi encontrado um santuário, no ponto mais alto de um encadeamento montanhoso no sudeste da Turquia. Sua estrutura possui 15 metros de altura por 300 de diâmetro e inclui dois complexos que se acredita serem de natureza ritual, e datam do décimo ao oitavo milênio a.C. Neles foram erguidos círculos de enormes pilares de pedra em forma de T – os megalitos (monumentos de pedra) conhecidos mais antigos do mundo. O estudo dos três recintos de pedra mais antigos do santuário revelou um padrão geométrico oculto: um triângulo equilátero com 19,25 metros de lado, subjacente a todo o plano arquitetônico.

Um templo, um templo de dez mil anos! Mas o que era um templo, o que é um templo? A palavra deriva de templum, “local sagrado”, em latim. E não há dúvida que Göbekli Tepe era um deles. Mas, será que naquele tempo os caçadores-coletores, os andarilhos e xamãs se reuniam ali, na maior estrutura arquitetônica do mundo, apenas para ouvir um sermão religioso e cantarolar músicas edificantes? Ou será que aquele templo era o próprio centro de sua existência, o lugar para onde retornavam, de tempos em tempos, para preencher suas vidas de sentido, e suas almas de entusiasmo?

Seus pilares de pedra apresentam os seguintes animais esculpidos: raposas, leões, bois e vacas, javalis, burros, garças-reais, patos, escorpiões, formigas, aranhas, muitas serpentes e algumas figuras antropomórficas. É preciso lembrar que isso tudo se deu antes do registro das primeiras linguagens escritas. Ou seja, tais pilares ancestrais representam os primeiros registros da arte rupestre fora das cavernas. Mas o que exatamente os xamãs realizavam no ventre da terra, o que exatamente se fazia em Göbekli Tepe?

Para todas essas questões, seria leviano dar uma resposta categórica e definitiva. O que podemos imaginar daqui, dez mil anos depois, é que ali, no sudeste da Turquia, o ser humano começou a entrar em contato com o Mistério.


3.2

Há uma lenda bastante difundida entre as religiões ocidentais que afirma, basicamente, que o monoteísmo, a “descoberta” do Deus Único, foi uma concepção originária do judaísmo. Segundo esta lenda, existem no mundo algumas poucas religiões monoteístas, derivadas da crença hebraica, e outras tantas que creem na existência de vários deuses de origem paralela – o chamado politeísmo.

A verdade, no entanto, pode ser mais profunda: Joseph Campbell foi um estudioso de mitos e religiões em todo o globo, e em O poder do mito ele deixa muito claro o que acredita ser a principal diferença entre as grandes religiões ocidentais e orientais: enquanto a oeste do canal de Suez, a maioria das pessoas identifica Deus com a fonte do Mistério, a leste de Suez, a associação que se faz é a da divindade como o veículo desta energia transcendente.

Por isso as religiões ocidentais tendem a identificar a Deus como um Grande Senhor que, sabe-se lá de onde, mantém a fonte da vida em constante afluência, enquanto que as religiões orientais tendem a ver esta divindade por toda a parte – ela seria o próprio fluido em movimento, a habitar a essência de todos os seres e de todas as coisas.

O curioso é que ambas as visões são complementares, e parecem ser apenas formas diferentes de se contemplar este grande Mistério: “por que existe algo, e não nada?” Para resolver tal questão ancestral, a mente humana tem se aventurado a observar os recônditos mais distantes do Cosmos, e a mergulhar cada vez mais profundamente dentro de si mesma. Este grande conjunto de dualidades, de opostos, emanados de uma única fonte, mas que preenchem a tudo o que há, se parece mais com uma imensa roda de deuses, eternamente girando em torno de um eixo misterioso.

Como a pedra do moinho, gira a roda do céu
em torno de Allah.
Acaso segure um raio de tal roda
terá sua mão decepada!

(Rumi)

E, como veremos, nesta mesma roda há diversas maneiras de se enxergar este Mistério que nos transcende.

 

Rafael Arrais

***

Crédito das imagens: [topo] raph (com Midjourney e GFPGAN); [ao longo] Google Image Search (escavações em Göbekli Tepe).

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10.5.23

Projeto Ars Magica (trecho 1)

10 anos após o lançamento de Ad infinitum, enfim eu voltei a escrever um livro totalmente original. De lá para cá, foram muitas traduções, edições, e compilações de poemas e artigos do meu blog; mas agora chegou a hora de algo novo. E, assim como o próprio Ad infinitum um dia foi tão somente o Projeto Ouroboros, agora também voltarei a postar trechos de meu novo livro, enquanto ele é escrito. Bem-vindos ao Projeto Ars Magica!

Ao contrário do projeto anterior, neste não darei muitos detalhes do que exatamente se trata. Mas, para resumir, será uma obra sobre a Arte e o Caminho.

Então, vamos direto ao que interessa: abaixo, segue um dos trechos já escritos do projeto.

1.2

Uma bela forma de se pensar o Caminho é imaginar uma região cheia de vales e montanhas. De vez em quando, um caminhante tem a oportunidade de subir no pico de uma das montanhas, mesmo que seja a menorzinha. Então, dali ele consegue observar as terras abaixo, as florestas e as estradas, os jardins e as fazendas, as pequenas aldeias e as grandes cidades, os rios correndo rumo ao oceano, e o horizonte onde as montanhas cada vez mais altas têm seu cume coberto pelas nuvens. Há sempre grande contentamento em simplesmente descansar no cume de um monte e contemplar o mundo abaixo, sem se preocupar com nada, sem ser nada e, ao mesmo tempo, ser carregado pelas brisas, ser dissolvido em tudo. A verdade, porém, é que nenhum caminhante consegue reter tal estado por muito tempo: do contrário, já teria chegado à última estada, e não precisaria mais caminhar.

Então, todo caminhante sabe que precisará descer novamente, e se aventurar em mais uma jornada, rumo ao próximo cume de montanha. O que separa uma escalada dessas de outra? Uma prática de meditação bem feita? Um recital de poesia? Uma dança ao redor da fogueira, ao som do tambor? Uma nova vida? Tanto faz: o que importa é que, do Alto, podemos somente observar o Caminho à frente, mas é cá embaixo que se caminha. Daí que cabe ao caminhante memorizar o Caminho, quando visto do alto; e não apenas dentro da mente, mas sobretudo no interior do próprio coração, nas profundezas da alma.

Ao descer abaixo, muitos caminhantes trazem consigo mapas detalhados de cada passada, de cada estradinha, de cada curva e ponte estreita que deverão passar a fim de chegar depressa na próxima subida de montanha. Não há nada de ruim em ser precavido, mas é preciso considerar que tudo muda, que nada está parado, que ninguém atravessa o mesmo rio uma segunda vez, e que até mesmo as montanhas mudam de lugar. E, ainda mais importante que isso: é preciso considerar que isso não é uma competição, e que mais vale chegar na próxima estalagem na companhia de outros caminhantes do que se destacar, e chegar primeiro, e estar só.

Nós não fomos chamados a este Caminho para subir no “pódio dos melhores artistas da caminhada”, nós fomos chamados a caminhar juntos, e há grandes caminhantes que se abstiveram de avançar mais, apenas para poder dar conselhos aqueles que se arrastam lá atrás.

Afinal, estamos todos debaixo do mesmo Sol, e mesmo na noite mais escura, vem a Lua nos dizer: “Olhem, olhem para o Alto, contemplem a imensidão e iniciem a contagem dos sóis!”.

Tudo isso foi sempre assim, caminhantes e retardatários, sábios e ignorantes, amigos dissolvidos em tudo que há, e seres obsediados pelo próprio ego. Não sabemos onde vai dar o Caminho, mas aqueles que já se aventuraram a dar os primeiros passos já não se encontram mais perdidos.

 

Rafael Arrais

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Crédito das imagens: [topo] raph (com Midjourney e GFPGAN); [ao longo] Daniel Kordan.

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13.9.21

Minha tradução de 1984 publicada pela Faro Editorial

Em 2020 eu vendi três das minhas traduções à Faro Editorial e me tornei definitivamente um tradutor profissional. Este ano negociei mais uma das minhas traduções com a Faro, o célebre 1984 de George Orwell.

Logo abaixo trarei imagens da edição, que já foi lançada. Eu não recebo direitos autorais pela venda do livro, pois a negociação de uma tradução se dá por um pagamento único, como a venda de um produto mesmo. No entanto, caso vocês o comprem na loja da Amazon utilizando o link abaixo, eu ganharei uma comissão praticamente equivalente à parte que um autor leva de direitos autorais :)

Eis as imagens do livro:

Comprar 1984 na Amazon

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Obs.: 1984 foi publicado pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial.

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14.7.21

Lançamento: Rumi - Além das ideias de certo e errado

As Edições Textos para Reflexão enfim retornam à poesia!

Em Rumi - Além das ideias de certo e errado, Rafael Arrais volta a traduzir e comentar a vasta obra poética do grande expoente do sufismo, o misticismo do Islã. Dando continuidade ao que foi iniciado em outro livro, A dança da alma, o tradutor, que hoje também é praticante do sufismo, se aprofunda ainda mais nos abismos poéticos de Rumi.

Um ebook já disponível para o Amazon Kindle; e na versão impressa, tanto na Amazon quanto no Clube de Autores:

Comprar e-book (Kindle) Comprar livro (Amazon) Comprar livro (Clube de Autores)

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Alguns poemas de Jalal ud-Din Rumi, Shams de Tabriz e Rabia Basri que estão no livro já foram postados aqui no blog, vejam:

» Poemas de Rumi
» Poemas de Shams de Tabriz
» Poemas de Rabia Basri

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Leiam também Rumi - A dança da alma:

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21.5.21

Minha tradução de A Arte da Guerra publicada pela Faro Editorial

Ao longo do ano passado (2020) eu vendi três das minhas traduções à Faro Editorial. Duas delas já foram publicadas: O Pequeno Príncipe (de Antoine de Saint-Exupéry), ainda em 2020, e A Revolução dos Bichos (de George Orwell), no início deste ano. Como já tinha dito, havia uma terceira tradução sendo negociada, e hoje posso revelar qual era: A Arte da Guerra, de Sun Tzu.

Logo abaixo trarei imagens da edição, que já foi lançada. Eu não recebo direitos autorais pela venda do livro, pois a negociação de uma tradução se dá por um pagamento único, como a venda de um produto mesmo. No entanto, caso vocês o comprem na loja da Amazon utilizando o link abaixo, eu ganharei uma comissão praticamente equivalente à parte que um autor leva de direitos autorais :)

Eis as imagens do livro:

Comprar A Arte da Guerra na Amazon

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Obs.: A Arte da Guerra foi publicado pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial.

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6.5.21

Não, esse blog não morreu

Há pouco mais de 5 anos eu fui demitido de uma empresa da área de TI na qual já estava há quase 12 anos. Na maior parte desse tempo, por conta de ter ido morar noutro estado, eu trabalhei em home-office. Muito antes da pandemia e das reuniões por videochamada, eu já tinha meu “escritório em casa”, e isso certamente explica como arranjei tempo para tocar esse blog. Tanto que, logo após a demissão, minha preocupação não era tanto ficar desempregado (um webdeveloper front end não costuma ter muita dificuldade de se realocar, mesmo na crise), mas sim de como diabos manter o blog vivo após assumir um novo emprego “tradicional”, do tipo que lhe obriga a se deslocar até outro local da cidade, perdendo justamente as horas preciosas que eu até então usava para a escrita.

Foi nesse ano de 2016, não mais que semanas após a minha demissão, que eu tive a sorte de encontrar o Léo Lousada para tomar um chope. Ele, que é de São Paulo/SP, estava visitando Campo Grande/MS por conta de uma questão de trabalho, e ficou hospedado num hotel a alguns quilômetros de onde moro. Marcamos de nos ver num bar aqui pertinho, de modo que eu fui a pé, e ele veio de uber. Para quem não sabe, o Léo é um dos criadores e apresentadores do canal Conhecimentos da Humanidade, que hoje conta com quase 400 mil inscritos no YouTube, mas que naquela época ainda tinha somente poucas dezenas de milhares. Bem, eu já conhecia o Léo dos Simpósios de Hermetismo que havia assistido em São Paulo, mas foi após a nossa interação por conta do Conhecimentos da Humanidade que nos tornamos mais próximos.

Em todo caso, o que importa é que naquela noite dois hermetistas tomavam chope amigavelmente, mas um estava empregado, e o outro (talvez por ser de Capricórnio) estava consideravelmente aflito. Uma aflição do tipo que às vezes nem o estoicismo consegue amainar. Honestamente, eu não me lembro do que o Léo me falou, mas conhecendo ele, provavelmente teve algo a ver com estar tranquilo e compreender que por vezes essa é a forma do Universo lhe encaminhar para uma outra via, mais essencial. E hoje é muito claro para mim que ele tinha razão, mas eu não conseguia entender como ser demitido estaria me ajudando a ter mais tempo para a escrita. Eu não ganho mesada de pais ricos, e ainda pago aluguel.

Ora, mas se não me lembro do que ele disse exatamente, me lembro de outra coisa: ao nos despedirmos, ele optou por voltar caminhando em plena noite para o hotel. De fato, o clima estava agradável e ele seguiria por uma avenida relativamente movimentada (e, portanto, relativamente segura), mas como andava aflito eu não pude evitar perguntar:

“Vai andar tudo isso a pé, tem certeza?”

“Tenho, quero conhecer a cidade.”

Era o único tempo que o Léo teria para conhecer a cidade. De fato, ele sempre trabalhou muito. Não faço ideia de como consegue tocar tantos projetos em paralelo com o emprego formal. Eu não conseguiria, mas cada um é cada um. O fato é que a expressão tranquila dele, naquela noitinha, ao se despedir, é a imagem que me marcou a memória: ele tinha com ele o tipo de estoicismo, o tipo de paz mental, que eu precisava naquele momento. Muitas vezes um amigo ajuda o outro pelas vias mais esquisitas, principalmente um amigo hermetista. O Léo me ajudou ao me lembrar de um estado de consciência que eu havia perdido naquele momento. E ele nem mesmo precisou se esforçar ou pensar em algo importante para dizer: bastou apenas ser ele mesmo, e dividir alguns chopes comigo naquela noite.

É fácil entender hoje o que se seguiu de lá para cá. Mas você nunca percebe como tudo se encaminha para esta ou aquela direção quando se sente perdido no meio do turbilhão da própria mente, e suas elucubrações.

Literalmente dias após ser demitido eu consegui manter um trabalho do tipo freelancer (temporário) com uma grande empresa do ramo de alimentos. A questão é que o contrato durava 3 meses. Ou seja, em 3 meses eu precisaria estar novamente empregado, e dificilmente voltaria a trabalhar em home-office. Nesses meses eu participei de um longo processo de seleção para a maior empresa de TI do estado onde moro (MS). Me lembro vividamente do último dia do processo, onde a vaga ficaria entre eu e um outro sujeito, um descendente de japoneses gente boa que havia acabado de ter um filho com a esposa, e também ficado desempregado por conta da crise econômica no país. Me lembro de como olhei para os olhos dele quanto o cumprimentei a primeira vez e tive uma intuição muito forte que dizia mais ou menos assim: “A vaga é dele, eu preciso perder essa vaga”. Então, eu simplesmente me autossabotei no restante da avaliação. Talvez ele tivesse ganhado a vaga ainda assim, mas de alguma forma eu já sabia que aquele não seria o meu futuro.

Minha intuição costuma ter razão. O contrato de 3 meses foi renovado por mais 3, depois por mais 4, eventualmente a cada 6 meses. Com isso alguns anos se passaram, e eu decidi me dedicar com mais afinco as traduções de grandes autores em domínio público, algo que eu havia iniciado em 2013. Ora, se até então as Edições Textos para Reflexão tinham servido para que eu pudesse autopublicar e-books que eram traduções de alguns dos melhores livros que li na vida, dali em diante eu decidi que teria de me dedicar também a alguns best-sellers que talvez não estivessem na minha lista de “melhores livros da história”.

Eu não imaginava que um dia poderia viver somente da venda de e-books, é claro. Primeiro porque não abriria mão de vendê-los “pelo preço de um café” (até hoje eles custam entre R$0,98 e R$5,99 na Amazon, afora os gratuitos); segundo porque ainda era um mercado um tanto pequeno e relativamente estagnado. Mesmo assim, foi mais ou menos a partir dessa época que O Príncipe de Maquiavel, A Metamorfose de Kafka e o Fausto de Goethe surgiram no catálogo. O primeiro sendo um estrondoso sucesso de vendas desde 2017; o segundo com suas idas e vindas às listas de mais vendidos; e o último, por conta da concorrência de outras editoras digitais, um retumbante fracasso. Claro que nem sempre são traduções minhas: no caso do Fausto, por exemplo, o tradutor também já havia entrado em domínio público.

Mas fato é que minhas vendas de e-books tinham se estabelecido como um consistente complemento salarial, de modo que além de eu continuar como freelancer, ainda poderia trabalhar menos horas do que anteriormente. O tempo para a escrita estava mais do que assegurado!

Então chegou 2019. Meu primeiro filho nasceu no início do ano, e em Maio eu perdia definitivamente o contrato que havia mantido como freelancer. Ocorre que Maio de 2019 não estava tão longe do dia 01/01/2021, data em que a obra de George Orwell, peso pesado da literatura do século XX, entraria em domínio público. Eu ficaria seriamente no vermelho nesses cerca de 18 meses, mas eu tinha dinheiro guardado para isso; e, além do mais, se a partir de meados de 2021 eu conseguisse viver só da venda de e-books, estaria garantindo não somente o tempo para a escrita [1], como algo até mais valioso do que isso: o tempo para estar bem perto do meu filho, para vê-lo dar os primeiros passos e falar as primeiras palavras. Era um sonho que em realidade não tinha preço.

Em meados do início de 2020, entretanto, o inimaginável aconteceu: após cerca de um século, o mundo vivia uma nova pandemia. Enquanto o país se trancava em casa, enquanto o mundo realizava conjuntamente a maior quarentena de sua história, as vendas de e-books simplesmente decolaram! Fazia todo sentido, afinal: é MUITO mais seguro comprar online, mas ao contrário de um livro impresso, um e-book chega ao seu dispositivo de leitura em questão de segundos. Assim, em Março de 2020 eu já havia alcançado a meta de renda que planejava para 2021. Mas não fazia tanto sentido comemorar uma vitória dessas enquanto as estatísticas de mortes pela Covid-19 só aumentavam.

Foi quando a curva de mortes caiu com certa consistência, mais para o fim de 2020, que eu me permiti comemorar o sonho. Vale lembrar que eu não sabia exatamente o que era um e-book até o fim de 2012 (se me perguntasse, diria que é um PDF, mas um e-book é muito mais que isso), e cerca de 8 anos depois eu estava vivendo inteiramente da venda deles. Por isso o caminho para a chamada Verdadeira Vontade é algo tão imprevisível: por mais que você possa ser um artista, alguém criativo, quiçá intuitivo, o Universo sempre será infinitamente mais criativo do que você. Por isso também que nesse caminho o amor pelo que realizamos sempre contará MUITO mais do que quaisquer expectativas de resultado.

Tudo isso para finalmente explicar porque esse blog não morreu:

Sim, eu estou há meses sem escrever por aqui, e isso teve uma boa razão: George Orwell. Desde a metade de 2020 eu tenho me dedicado à tradução de suas principais obras: A Revolução dos Bichos e 1984. Hoje, ambas já foram lançadas. A primeira, lançada pontualmente em 01/01/2021, é o maior sucesso das Edições Textos para Reflexão, tendo alcançado o #1 geral na Loja Kindle da Amazon, e estacionado entre os 50 mais vendidos desde então. A segunda, que levou quase 8 meses e, por isso, só pôde ser lançada no final de Abril, está brigando com a concorrência para também alcançar os 50 mais vendidos, quiçá estacionando um bom tempo por lá. Esse trabalho de tradução (particularmente no caso de 1984) me tomou absolutamente todo o tempo livre, foi algo dificílimo, mas acabou. Um dia, quando voltar a abordar Orwell aqui no blog, falarei mais sobre isso.

Não, esse blog não morreu. Para falar a verdade, está mais vivo do que nunca. E tudo indica que continuará assim. Mesmo sem projeto de financiamento coletivo, tenho a sorte de ter alcançado a condição financeira necessária para “viver da escrita”. Para alguém como eu, é como a sensação de ser milionário, só que melhor.

E, se ainda não comemoro mais, é pelos mais de 400 mil cadáveres do lado de fora...

***

[1] Nesse meio tempo eu também cheguei a criar um canal no YouTube, homônimo ao blog. Ao contrário da escrita, no entanto, a criação de vídeos não é exatamente o meu “habitat natural”, e eu não tenho certeza se algum dia voltarei a produzir vídeos com regularidade. Nada me impedirá, por outro lado, de criar vídeos pontuais (quando der na telha).

Crédito das imagens: [topo] Mike Tinnion/unsplash; [ao longo] Garçom anônimo (meu encontro com o Léo Lousada; estou na esquerda da imagem).

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11.2.21

Lançamento: Mulheres que inspiram

As Edições Textos para Reflexão publicam mais um livro gratuito, novamente unindo um grupo de amigas... e um amigo.

A história foi injusta com as mulheres. Dentro da cultura patriarcal, quantas delas tiveram suas trajetórias ocultadas pela narrativa dominante? Filósofas, poetisas, cientistas, artistas... enfim, mulheres. O livro Mulheres que inspiram pode ser visto como uma tentativa de recuperar essas histórias.

Um ebook já disponível na Amazon, Google Play e Kobo:

Baixar eBook (Amazon) Baixar eBook (Google) Baixar eBook (Kobo)


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2.2.21

O ano em que virei tradutor profissional

Muitos aqui devem saber que tenho trabalhado há alguns anos com tradução, edição e autopublicação de e-books e livros impressos na Amazon e outras lojas. Bem, para quem não sabe, ou não conhece a história toda, ela está bem relatada noutro texto aqui do blog, O ano em que virei editora.

Pois bem, ocorre que até pouco tempo atrás eu talvez nem pudesse ser considerado um tradutor profissional, mas sim alguém que traduzia por hobby. Isso mudou. Mudou não somente porque com o advento da pandemia de COVID-19 as vendas de e-books deram um salto, e eu passei a conseguir viver somente disso, mas também, e talvez o mais importante nesse caso, pelo fato de eu ter sido procurado por uma editora para vender minhas traduções!

Sim, após tanto enviar meus originais para diversas editoras ao longo de anos e anos, calhou de eu ser publicado por uma delas sem nem precisar ir atrás dos seus editores: foram eles que vieram “bater a porta” da minha caixa de e-mail.

É claro que fui publicado não como autor, e sim como tradutor, mas fato é que hoje também estou presente em estantes de livrarias físicas, não somente em lojas virtuais.

Ao longo do ano passado (2020) eu vendi três das minhas traduções à Faro Editorial. Duas delas já foram publicadas: O Pequeno Príncipe (de Antoine de Saint-Exupéry), ainda em 2020, e A Revolução dos Bichos (de George Orwell), no início deste ano. Quanto à terceira tradução, ainda não foi publicada, e não posso revelar qual é.

Logo abaixo trarei imagens de ambos os livros. Eu não recebo direitos autorais pela venda deles, pois a negociação de uma tradução se dá por um pagamento único, como a venda de um produto mesmo. No entanto, caso vocês os comprem na loja da Amazon utilizando os links abaixo, eu ganharei uma comissão praticamente equivalente à parte que um autor leva de direitos autorais :)

Eis as obras:

O Pequeno Príncipe

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A Revolução dos Bichos

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Obs.: A Revolução dos Bichos foi publicado pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial.

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26.11.20

Bate-papo Mayhem: Rumi, o Sufismo e os poetas da alma, com Raph

Oi pessoal. Recentemente fui novamente convidado a participar do programa Bate-papo Mayhem, apresentado pelo meu amigo Marcelo Del Debbio. Desta vez eu falei sobre os mistérios da poesia, da sua relação com a magia, e também sobre Rumi, Shams, Rabia Basri e o misticismo sufi:

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3.11.20

Recital de Sexta (no Instagram)

Há cerca de 14 anos criei o blog Textos para Reflexão em homenagem a uma grande amiga que faleceu naquele ano, em 2006. Se quiser saber mais sobre essa história, e curte poesia, assista ao Primeiro Recital de Sexta no meu Instagram, onde eu e minha amiga Nath recitamos Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Rumi e outros grandes poetas:

No Recital de Sexta continiaremos recitando poemas de nossos poetas e poetisas prediletos, além daqueles de autoria própria. Para quem tiver interesse em acompanhar ao vivo, recomendo que sigam nossos canais no Instagram (@rarrais e @n.a.t.a.l.i.a____) para ficarem sabendo com antecedência do horário da próxima Live.


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8.10.20

Papo de Quinta (no Instagram)

Recentemente meu amigo Igor Teo (psicólogo, filósofo, escritor e taoista) me convidou para participar de uma Live ao vivo no seu canal no Instagram. A princípio a gente mal sabia do que iria se tratar nosso bate-papo, não tínhamos sequer um título para a coisa. Mas no finalizinho da primeira Live já surgiu o nome: Papo de Quinta. No Papo de Quinta a gente fala sobre filosofia, espiritualidade, ciência, política, redes sociais, escrita e mercado editorial, dentre outros assuntos.

Assim, para quem tiver interesse em acompanhar, recomendo que sigam nossos canais no Instagram (@rarrais e @cuide.si) para ficarem sabendo com antecedência do horário da próxima Live. Hoje não teve, mas quinta que vem deve ter... Abaixo, trago os dois primeiros episódios:

1.10.20

Traduzindo Orwell: 1984

No primeiro dia de 2021 entra em domínio público em todo o planeta (exceto os EUA) toda a obra de Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo seu célebre pseudônimo: George Orwell.

Orwell foi um peso pesado da literatura do século XX, e duas de suas obras são best-sellers praticamente eternos: 1984 e A Revolução dos Bichos. Desde o início de Maio deste ano eu tenho me dedicado a traduzir ambas. A última, uma tradução consideravelmente mais curta, foi finalizada há algumas semanas, e recentemente eu finalmente dei início à tradução da primeira.

Sim, é isso mesmo: neste momento eu, Rafael Arrais, estou no início da tradução de 1984. É importante deixar isso divulgado aqui, pois tenho certeza de que não serei o único a publicar traduções de Orwell ano que vem, seja na Amazon ou nas outras plataformas de autopublicação.

Se tudo correr bem, as Edições Textos para Reflexão iniciarão o ano que vem em grande estilo, com lançamentos das traduções das obras já citadas em versão digital e impressa [1]; além de, pela primeira vez na história da editora, estarmos preparando um lançamento na própria língua inglesa. Quem viver verá!

Na sequência, trago um trecho da minha tradução de 1984:


Parte 1, Capítulo 1

[...] Winston despertou de seus devaneios e se acomodou melhor na cadeira. Soltou um arroto. Era o gim em seu estômago começando a subir.
Seus olhos voltaram a focar a página. Constatou que durante o tempo em que esteve ali sentado em devaneios, sentindo-se só e desamparado, havia continuado a escrever, numa espécie de ação automática. E já não era mais a letra pequenina e desajeitada de antes. A sua pena havia deslizado como uma libertina através do papel macio, escrevendo em letras grandes e nítidas:

ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO

Muitas vezes. Elas preenchiam a metade de uma página.
Ele não conseguiu deixar de sentir uma pontada de pânico. Era absurdo, já que ter escrito aquelas palavras não era nada mais perigoso do que o próprio ato de iniciar um diário; mesmo assim, por um momento, teve a tentação de rasgar as páginas já escritas e abandonar por completo aquela ideia toda.
Não o fez, porém, porque sabia ser algo inútil. Quer tivesse ou não tivesse escrito ABAIXO O GRANDE IRMÃO, era algo inteiramente irrelevante. Não fazia a menor diferença prosseguir ou não com aquele diário. A Polícia do Pensamento o descobriria de um jeito ou de outro. Ele havia cometido – ainda que não tivesse escrito nada no papel – o crime essencial, que englobava todos os demais dentro de si. Era chamado de pensamento-crime. O pensamento-crime não era algo que pudesse ser ocultado indefinidamente. Seria possível escondê-lo durante algum tempo, às vezes por anos a fio, no entanto mais cedo ou mais tarde o criminoso sempre era pego.
E era sempre à noite – as prisões invariavelmente ocorriam à noite. A interrupção súbita do sono, a mão bruta sacudindo o ombro, as luzes cegando os olhos, o círculo de rostos impiedosos em torno da cama. Na grande maioria dos casos não havia julgamento, nem mesmo o registro da prisão. As pessoas simplesmente desapareciam, sempre durante a noite. Seus nomes eram removidos dos registros, todas as menções a qualquer coisa que tivessem realizado eram apagadas, suas existências anteriores eram negadas e logo mais totalmente esquecidas. Você era abolido, aniquilado: VAPORIZADO era o termo corriqueiro.
Por um momento, Winston foi tomado por um ataque de histeria. Assim, foi logo escrevendo, em garranchos apressados:

me darão um tiro que isso me importa me darão um tiro na nuca não me importa abaixo o grande irmão eles sempre atiram na nuca não me importa abaixo o grande irmão...

Ele se recostou outra vez na cadeira, ligeiramente envergonhado de si mesmo, e largou a pena. Logo em seguida levou um susto imenso. Batiam na sua porta.
Já?! Ele permaneceu sentado, imóvel como um rato, esperando que a pessoa fosse embora sem insistir. Mas não, bateram outra vez. Seria ainda pior se atrasar para atender. Com seu coração batendo tal qual um tambor – mas com o rosto provavelmente sem expressão alguma, fruto do velho hábito – ele se levantou e se dirigiu à porta, pé ante pé.

(tradução de Rafael Arrais)


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[1] Infelizmente será praticamente impossível finalizar a longa e desafiadora tradução de 1984 até o início de 2021, mas espero publicá-la até a metade do ano, possivelmente ainda no primeiro trimestre. Já a minha tradução de A Revolução dos Bichos será lançada logo no início de 2021.

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