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7.2.25

Financiamento coletivo de "Artemagia" junto aos "231 Portais de Iniciação"

Após muitos anos estudando e se dedicando integralmente ao tema, meus amigos Pri Martinelli e Marcelo Del Debbio estão lançando mais um financiamento coletivo de sucesso no Catarse (sim, ele mal foi lançado e já ultrapassou 100% da meta): "231 Portais de Iniciação - Os Estudos Avançados da Cabalá e dos Arcanos Maiores do Tarot".

Vocês podem ficar sabendo mais sobre a história toda lendo a própria página no site do Catarse. Mas o que interessa aqui é que eles estão lançando, juntamente com o projeto, o meu livro "Artemagia - uma reflexão sobre o Caminho", e também o excelente "Bruxaria - nascido em berço de palha", de outro grande amigo, André Correia.

Assim, é possível fazer a compra prévia de todos os livros e receber daqui a alguns meses, como em qualquer projeto de financiamento coletivo. Mas a vantagem é que, como ele foi financiado em poucas horas (literalmente), tudo indica que a versão final virá cheia de brindes extras. Não posso prometer, mas há grande chance do meu livro e o do André virem em capa dura, embora estejam no preço de capa comum.

Então não percam essa oportunidade de incentivar o mercado editorial nacional, e receber de volta um conhecimento inestimável:

catarse.me/231portais

obs.: Você pode apoiar este projeto até o dia 12/03/2025


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22.6.23

Lançamento: Artemagia

O Projeto Ars Magica chegou ao fim, e o seu título final é Artemagia: uma reflexão sobre o Caminho.

Em Artemagia, Rafael Arrais se vale da sua escrita poética e hipnotizante para nos trazer preciosas e profundas reflexões acerca do Caminho, o caminho espiritual, e tudo o que ele abarca: a Arte, a magia, a religião, a filosofia, a ciência, a espiritualidade, a chamada Verdadeira Vontade, o contato com anjos e demônios, as vias da mão direita e esquerda, o tarot etc. Se souber ler com o coração, você também será mudado para sempre por este livro.

Já disponível em e-book, na Amazon, e também na versão impressa:

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» Leia alguns trechos da obra


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24.5.23

Projeto Ars Magica (trecho 2)

10 anos após o lançamento de Ad infinitum, enfim eu voltei a escrever um livro totalmente original. De lá para cá, foram muitas traduções, edições, e compilações de poemas e artigos do meu blog; mas agora chegou a hora de algo novo. E, assim como o próprio Ad infinitum um dia foi tão somente o Projeto Ouroboros, agora também voltarei a postar trechos de meu novo livro, enquanto ele é escrito. Bem-vindos ao Projeto Ars Magica!

Ao contrário do projeto anterior, neste não darei muitos detalhes do que exatamente se trata. Mas, para resumir, será uma obra sobre a Arte e o Caminho.

Então, vamos direto ao que interessa: abaixo, segue um dos trechos já escritos do projeto.

3.1

Imagine que antes das cidades e vilarejos, antes da agricultura, antes que os homens se decidissem por habitar um só canto, existiram templos, e um deles é bem mais antigo que as pirâmides; de fato, sua idade passa dos dez mil anos:

Göbekli Tepe (“monte com barriga”, em turco) é o topo de uma colina onde foi encontrado um santuário, no ponto mais alto de um encadeamento montanhoso no sudeste da Turquia. Sua estrutura possui 15 metros de altura por 300 de diâmetro e inclui dois complexos que se acredita serem de natureza ritual, e datam do décimo ao oitavo milênio a.C. Neles foram erguidos círculos de enormes pilares de pedra em forma de T – os megalitos (monumentos de pedra) conhecidos mais antigos do mundo. O estudo dos três recintos de pedra mais antigos do santuário revelou um padrão geométrico oculto: um triângulo equilátero com 19,25 metros de lado, subjacente a todo o plano arquitetônico.

Um templo, um templo de dez mil anos! Mas o que era um templo, o que é um templo? A palavra deriva de templum, “local sagrado”, em latim. E não há dúvida que Göbekli Tepe era um deles. Mas, será que naquele tempo os caçadores-coletores, os andarilhos e xamãs se reuniam ali, na maior estrutura arquitetônica do mundo, apenas para ouvir um sermão religioso e cantarolar músicas edificantes? Ou será que aquele templo era o próprio centro de sua existência, o lugar para onde retornavam, de tempos em tempos, para preencher suas vidas de sentido, e suas almas de entusiasmo?

Seus pilares de pedra apresentam os seguintes animais esculpidos: raposas, leões, bois e vacas, javalis, burros, garças-reais, patos, escorpiões, formigas, aranhas, muitas serpentes e algumas figuras antropomórficas. É preciso lembrar que isso tudo se deu antes do registro das primeiras linguagens escritas. Ou seja, tais pilares ancestrais representam os primeiros registros da arte rupestre fora das cavernas. Mas o que exatamente os xamãs realizavam no ventre da terra, o que exatamente se fazia em Göbekli Tepe?

Para todas essas questões, seria leviano dar uma resposta categórica e definitiva. O que podemos imaginar daqui, dez mil anos depois, é que ali, no sudeste da Turquia, o ser humano começou a entrar em contato com o Mistério.


3.2

Há uma lenda bastante difundida entre as religiões ocidentais que afirma, basicamente, que o monoteísmo, a “descoberta” do Deus Único, foi uma concepção originária do judaísmo. Segundo esta lenda, existem no mundo algumas poucas religiões monoteístas, derivadas da crença hebraica, e outras tantas que creem na existência de vários deuses de origem paralela – o chamado politeísmo.

A verdade, no entanto, pode ser mais profunda: Joseph Campbell foi um estudioso de mitos e religiões em todo o globo, e em O poder do mito ele deixa muito claro o que acredita ser a principal diferença entre as grandes religiões ocidentais e orientais: enquanto a oeste do canal de Suez, a maioria das pessoas identifica Deus com a fonte do Mistério, a leste de Suez, a associação que se faz é a da divindade como o veículo desta energia transcendente.

Por isso as religiões ocidentais tendem a identificar a Deus como um Grande Senhor que, sabe-se lá de onde, mantém a fonte da vida em constante afluência, enquanto que as religiões orientais tendem a ver esta divindade por toda a parte – ela seria o próprio fluido em movimento, a habitar a essência de todos os seres e de todas as coisas.

O curioso é que ambas as visões são complementares, e parecem ser apenas formas diferentes de se contemplar este grande Mistério: “por que existe algo, e não nada?” Para resolver tal questão ancestral, a mente humana tem se aventurado a observar os recônditos mais distantes do Cosmos, e a mergulhar cada vez mais profundamente dentro de si mesma. Este grande conjunto de dualidades, de opostos, emanados de uma única fonte, mas que preenchem a tudo o que há, se parece mais com uma imensa roda de deuses, eternamente girando em torno de um eixo misterioso.

Como a pedra do moinho, gira a roda do céu
em torno de Allah.
Acaso segure um raio de tal roda
terá sua mão decepada!

(Rumi)

E, como veremos, nesta mesma roda há diversas maneiras de se enxergar este Mistério que nos transcende.

 

Rafael Arrais

***

Crédito das imagens: [topo] raph (com Midjourney e GFPGAN); [ao longo] Google Image Search (escavações em Göbekli Tepe).

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10.5.23

Projeto Ars Magica (trecho 1)

10 anos após o lançamento de Ad infinitum, enfim eu voltei a escrever um livro totalmente original. De lá para cá, foram muitas traduções, edições, e compilações de poemas e artigos do meu blog; mas agora chegou a hora de algo novo. E, assim como o próprio Ad infinitum um dia foi tão somente o Projeto Ouroboros, agora também voltarei a postar trechos de meu novo livro, enquanto ele é escrito. Bem-vindos ao Projeto Ars Magica!

Ao contrário do projeto anterior, neste não darei muitos detalhes do que exatamente se trata. Mas, para resumir, será uma obra sobre a Arte e o Caminho.

Então, vamos direto ao que interessa: abaixo, segue um dos trechos já escritos do projeto.

1.2

Uma bela forma de se pensar o Caminho é imaginar uma região cheia de vales e montanhas. De vez em quando, um caminhante tem a oportunidade de subir no pico de uma das montanhas, mesmo que seja a menorzinha. Então, dali ele consegue observar as terras abaixo, as florestas e as estradas, os jardins e as fazendas, as pequenas aldeias e as grandes cidades, os rios correndo rumo ao oceano, e o horizonte onde as montanhas cada vez mais altas têm seu cume coberto pelas nuvens. Há sempre grande contentamento em simplesmente descansar no cume de um monte e contemplar o mundo abaixo, sem se preocupar com nada, sem ser nada e, ao mesmo tempo, ser carregado pelas brisas, ser dissolvido em tudo. A verdade, porém, é que nenhum caminhante consegue reter tal estado por muito tempo: do contrário, já teria chegado à última estada, e não precisaria mais caminhar.

Então, todo caminhante sabe que precisará descer novamente, e se aventurar em mais uma jornada, rumo ao próximo cume de montanha. O que separa uma escalada dessas de outra? Uma prática de meditação bem feita? Um recital de poesia? Uma dança ao redor da fogueira, ao som do tambor? Uma nova vida? Tanto faz: o que importa é que, do Alto, podemos somente observar o Caminho à frente, mas é cá embaixo que se caminha. Daí que cabe ao caminhante memorizar o Caminho, quando visto do alto; e não apenas dentro da mente, mas sobretudo no interior do próprio coração, nas profundezas da alma.

Ao descer abaixo, muitos caminhantes trazem consigo mapas detalhados de cada passada, de cada estradinha, de cada curva e ponte estreita que deverão passar a fim de chegar depressa na próxima subida de montanha. Não há nada de ruim em ser precavido, mas é preciso considerar que tudo muda, que nada está parado, que ninguém atravessa o mesmo rio uma segunda vez, e que até mesmo as montanhas mudam de lugar. E, ainda mais importante que isso: é preciso considerar que isso não é uma competição, e que mais vale chegar na próxima estalagem na companhia de outros caminhantes do que se destacar, e chegar primeiro, e estar só.

Nós não fomos chamados a este Caminho para subir no “pódio dos melhores artistas da caminhada”, nós fomos chamados a caminhar juntos, e há grandes caminhantes que se abstiveram de avançar mais, apenas para poder dar conselhos aqueles que se arrastam lá atrás.

Afinal, estamos todos debaixo do mesmo Sol, e mesmo na noite mais escura, vem a Lua nos dizer: “Olhem, olhem para o Alto, contemplem a imensidão e iniciem a contagem dos sóis!”.

Tudo isso foi sempre assim, caminhantes e retardatários, sábios e ignorantes, amigos dissolvidos em tudo que há, e seres obsediados pelo próprio ego. Não sabemos onde vai dar o Caminho, mas aqueles que já se aventuraram a dar os primeiros passos já não se encontram mais perdidos.

 

Rafael Arrais

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Crédito das imagens: [topo] raph (com Midjourney e GFPGAN); [ao longo] Daniel Kordan.

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16.1.23

Lançamento: Ad infinitum, edição comemorativa de 10 anos

Quatro personagens. Um diálogo sobre o Uno: o infinito da existência, o universo, a evolução das espécies na Terra, religião, ciência, filosofia, fé e ceticismo. Saiu a edição comemorativa de 10 anos do lançamento da obra filosófica mais relevante de Rafael Arrais.

Um e-book já disponível para o Amazon Kindle, e também na versão impressa:

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Já havia comprado o e-book? Veja na imagem abaixo como fazer para atualizar a versão na sua coleção digital na Amazon:

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» Conheça a simbologia do Ouroboros e da Árvore da Vida (capa do livro)

» Veja o release de lançamento original


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3.5.22

Para falar com anjos

O texto abaixo prefaciou o livro O Arbatel da Magia: A magia dos antigos, de Robson Bélli, disponível na Amazon em e-book.


Tanto o provável autor desta obra quanto o seu tradutor têm muito mais experiência com o mar profundo da magia. Eu, enquanto criança que brinca nos bancos de areia da beirada, posso tão somente servir de apresentador. Quiçá possa escrever, naquelas placas que alertam sobre o mar revolto:

CUIDADO. Não mergulhe sem temor a Deus.

“Temor a Deus” é um termo que vem sendo mal compreendido há tempos. Assim como o surfista de ondas gigantes não deixa de ter medo enquanto desliza por edifícios de água, o temor a Deus não significa medo paralisante, pânico, mas antes uma compreensão de que estamos lidando com coisas grandiosas, coisas antigas, coisas que estão na própria estrutura da realidade. Em suma, é antes uma sensação de respeito e reverência, quem sabe uma intranquilidade ante algo que vai além da nossa compreensão, do que o medo puro e simples, que nos impede sequer de molhar os calcanhares na beirinha.

O que quero dizer é que, no campo da magia, estar face a face com Deus ou seus emissários diretos, os anjos, equivale ao mergulho em águas profundas. Ninguém deveria ir até o fundo despreparado, tampouco por motivo fútil. Ninguém deveria esperar estar frente a frente com seres ancestrais com um pedido infantil nos lábios: “Quero meu amor de volta. Quero um carro zero. Quero poderes mágicos”. Que se peça ao menos a cura de algum mal: de preferência, do mal da ignorância.

Segundo o ocultista britânico Arthur Edward Waite, o autor do Arbatel de magia veterum alega ter aprendido magia diretamente de um anjo, e o nome deste anjo seria justamente Arbatel, ou Arbotel. Mas ainda que um anjo marinho emergisse das profundezas e nos deixasse um grimório como guia para o mergulho em águas profundas, somente a sua leitura não nos levaria muito longe. Seria preciso mergulhar, seria preciso praticar. O que posso fazer, portanto, é tentar tornar tal mergulho menos apavorante aos nadadores iniciantes:

Primeiro, não existe canto do cosmos em que você possa estar realmente distante ou “fora” de Deus. Seja no conforto de sua barraca suntuosa na praia, seja nas brincadeiras no raso, seja nas jornadas ao fundo, lá também estará Aquele Que É.

Segundo, em todo caso você já está, sempre esteve e estará sobre o efeito das forças divinas. Sejam anjos ou demônios, espíritos ou entidades. Afinal, eles são como a gravidade: ela não passou a existir somente porque algum cientista observou uma maçã caindo da árvore, ela sempre esteve lá, e nós tão somente tomamos consciência dela, e tentamos descrevê-la de forma racional.

Terceiro, tudo o que se faz com a mente e a imaginação humana é magia. Alguns já a chamaram de arte, de prática religiosa, até mesmo de ciência, mas no fundo tudo isso que imaginamos sempre foi magia.

Então, se você realmente deseja falar com anjos, se em seu coração arde a saudade do contato direto com o centro da realidade, saiba que aquilo que busca também já está lhe buscando – mas não pense que não vai precisar dos melhores guias na aventura que se segue: o Arbatel é um deles.


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. (1 Coríntios 13:1)


Rafael Arrais

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Crédito da imagem: Cristian Palmer/unsplash

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15.3.22

Seria o Caibalion uma invenção moderna?

Neste vídeo vamos analisar se o "Caibalion" é uma obra que traz de fato conhecimentos da Antiguidade, ou se trata-se simplesmente de uma releitura moderna do hermetismo. Também abordaremos a história do hermetismo e tentaremos desvendar quem seriam, afinal, os Três Iniciados, os supostos autores do "Caibalion". Assista abaixo:

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9.3.22

O Caibalion é uma fraude?

Eu já não lembro mais o que exatamente me levou a adquirir o exemplar antigo do Caibalion que tenho na minha estante, mas certamente não foi pela beleza da capa, que é somente um símbolo semelhante a um meio círculo por cima de um fundo verde chapado. Poderia ser o título em si, mas duvido que soubesse do que se tratava “O Caibalion”. Quiçá fosse pelo “Três Iniciados” logo acima dele, mas acho que não: visualizando ela agora, posso apostar que foi pelo outro texto abaixo do título:

Estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia

Até então eu nunca tinha lido nada de relevante sobre o antigo Egito, mas talvez as palavras “filosofia” e “Grécia” tenham me levado a um interesse maior, pois naquela época eu certamente já havia lido Platão. Em todo caso, uma vez que se pega o Caibalion numa estante de livraria e começa a folhear, fica difícil não ser seduzido – ao menos se você, como eu, se interessa por espiritualidade e mitologia. Também ajudou, é claro, o fato da edição da editora Pensamento ser bem em conta na época.

Isso possivelmente se passou no final do século passado, e de lá para cá eu não somente reli o Caibalion algumas vezes, como cheguei eu mesmo a traduzi-lo do inglês original. E, se eu sempre soube que era uma obra de autoria anônima, com o tempo alguns outros “mitos” em torno dela foram caindo: ela não foi escrita na Antiguidade, mas em 1908; seus autores, portanto, não eram sábios milenares, mas espiritualistas anônimos (ou nem tão anônimos, como veremos a seguir); e, finalmente, até mesmo os famosos “Sete Princípios Herméticos” não necessariamente advinham todos de textos herméticos mais antigos. Assim, uma dúvida desconfortável passou a transitar em minha mente:

O Caibalion é uma fraude?

Antes de respondermos a tal pergunta, é preciso considerar que atribuir antiguidade a uma doutrina ou filosofia, particularmente as que se conectam com o campo da religião, é uma prática muito comum na história da humanidade. Se formos nos ater estritamente à pesquisa acadêmica, o próprio hermetismo não é algo tão antigo quando se imagina, ao menos não antigo ao ponto de ter se originado no antigo Egito.

Segundo Mircea Eliade, um dos grandes estudiosos do campo em questão no século XX, “sob a denominação de hermetismo compreendemos a totalidade das crenças, ideias e práticas transmitidas na literatura hermética”. Depois, ele prossegue [1]:

“Trata-se de uma coletânea de textos de desigual valor, redigidos entre o século III a.C. e o século III d.C. Distinguem-se duas categorias: os escritos pertencentes ao hermetismo popular (astrologia, magia, ciências ocultas, alquimia) e a literatura hermética erudita, em primeiro lugar os 17 tratados, em grego, do Corpus Hermeticum.”

Eliade situa o hermetismo popular como algo mais antigo do que os tratados herméticos, que vieram a se tornar definitivamente populares somente no século II d.C. Ele também dá destaque a trajetória conturbada do hermetismo ao longo dos séculos:

“A transmissão do hermetismo constitui um capítulo apaixonante na história do esoterismo: efetuou-se através das literaturas siríaca e árabe, e sobretudo graças aos sabeus de Harran, na Mesopotâmia, que sobreviveram no Islã até o século XI. [...] No entanto, o verdadeiro “renascimento” do hermetismo na Europa ocidental teve início com a tradução do Corpus Hermeticum, empreendida por Marsílio Ficino por solicitação de Cosme de Médicis, e concluída em 1463.”

Assim, chegamos a duas datas importantes acerca do hermetismo: século II d.C., quando surgiu o Corpus Hermeticum no mundo grego, e 1464, quando ele foi redescoberto na Europa latinizada. Mas, e o Caibalion?

O Caibalion foi publicado pela primeira vez em 1908 na língua inglesa pela Yogi Society, ligada a um templo maçônico de Chicago, nos EUA. A obra é anônima, assinada somente pelo codinome ou pseudônimo “Três Iniciados”. No entanto, existem indícios de que o livro esteja ligado ao Movimento Novo Pensamento, que surgiu nos Estados Unidos no final do século XIX. Esse movimento era formado por filósofos, espiritualistas, escritores e pessoas que compartilhavam crenças e participavam de estudos metafísicos associados a temas diversos da espiritualidade e da parapsicologia.

Das diversas teorias ligadas à autoria do Caibalion a mais aceita é a de que o livro foi escrito pelo espiritualista americano William Walker Atksinson (mais conhecido como Yogi Ramacharaka, e também popular por usar diversos pseudônimos em suas obras) em parceria com outros estudiosos, como o maçom Paul Foster Case ou a teosofista Mabel Collins. Por exemplo, na própria introdução do Caibalion há uma citação em destaque do trecho de um poema de Edward Carpenter, e esse mesmo trecho aparece em um dos livros (oficiais) de Atkinson. Em todo caso, a verdade é que nunca saberemos ao certo quantos foram os colaboradores da obra, e quais os seus nomes, principalmente porque, sejam quem forem, simplesmente optaram pelo anonimato.

Ora, era isso que eu pensava até pouco tempo atrás: que os autores do Caibalion optaram pelo anonimato para exaltar a obra em si, e não para aumentar sua “aura de mistério”. Afinal de contas, se é óbvio que o Caibalion se trata de um extenso comentário acerca de alguns poucos trechos de obras herméticas mais antigas, fato é que ele traz alguns princípios muito conhecidos do hermetismo, como o famoso Princípio da Correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo; o que está embaixo é como o que está em cima”. E, se ele traz pelo menos um princípio que sabemos ser de fato antigo, ou pelo menos do século II d.C., é claro que os demais também são, certo?

Mais ou menos. Pois se isso fosse inteiramente verdade, teríamos de explicar como diabos algum sábio, ou grupo de sábios, chegou à conclusão que “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra” (o Princípio da Vibração) muito antes do advento do microscópio ou da física de partículas!

Mesmo Demócrito, quando observou pequenas partículas de poeira dançando na brisa matinal em um faixo de luz solar, jamais chegou a afirmar que tudo, absolutamente tudo, vibra. Pois ele não tinha um microscópio para dizer que até mesmo um átomo, então pura construção teórica, vibra e nunca está parado. Isso só foi descoberto muito, muito tempo depois. Em 1908, quando o Caibalion foi publicado, era uma ideia da vanguarda científica.

Por muito tempo essa questão me inquietou, e por muito tempo eu considerei que ela era talvez a maior prova de que os sábios herméticos tinham de fato alcançado um conhecimento da natureza inexplicável em sua época. Talvez tivessem aprendido a alcançar estados alterados de consciência que lhes permitisse observar as menores partículas em vibração, e daí tivessem intuído que tudo, absolutamente tudo vibra, até mesmo o que parece estar parado e imóvel: uma pedra, um galho seco, a sua mão, uma igreja, uma ponte de concreto, até mesmo um continente inteiro. E, se de fato sabemos disso com certeza há cerca de 150 anos, tal conhecimento era inacessível aos sábios herméticos de outrora.

Tal questão foi resolvida recentemente, quando vi o depoimento de um amigo que já frequentou incontáveis ordens iniciáticas, desde as discretas as invisíveis, e garantiu que o chamado Princípio da Vibração foi uma invenção dos autores do Caibalion, que simplesmente nunca existiu nem no Corpus Hermeticum nem em qualquer outro texto ou tratado hermético. De fato, hoje não tenho razão alguma para duvidar dele, e sim da intenção real dos autores do Caibalion. Mas, afinal, o Caibalion é uma fraude?

Mais ou menos. É inegável que o Caibalion foi extremamente bem sucedido no que seus autores se propunham: tornar a divulgação do hermetismo algo mais simples, mais acessível ao público leigo e aos curiosos em geral. Afinal, quantos de nós não demos nossos primeiros passos no hermetismo, e até mesmo nas ciências ocultas em geral, graças ao Caibalion?

Dito isso, o fato de os autores do Caibalion terem se valido justamente de mistificações para auxiliar na divulgação de um conteúdo místico não deve ser ignorado por nenhum estudioso sério do hermetismo. Assim, podemos muito bem agradecer aos “Três Iniciados” por nos fazerem chegar ao Corpus Hermeticum e obras similares, mas jamais endeusá-los nem considerar tudo o que disseram, principalmente os seus “Sete Princípios Herméticos”, como alguma espécie de verdade absoluta. Assim somos obrigados a continuar pensando por nós mesmos, a prosseguir tateando no escuro da história oculta, sem usar atalhos perigosos para alcançar algum mítico “conhecimento superior”. Este sim seria o grande pecado do hermetista moderno.

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[1] Trechos retirados de História das crenças e ideias religiosas, volume II, XXVI, 209. Tradução de Roberto Cortes de Lacerda.

Crédito das imagens: [topo] Editora Pensamento (capa do Caibalion – edição de capa verde); [ao longo] Gravura de autoria anônima, vista primeiramente (em preto e branco) em um livro de Camille Flammarion intitulado L’atmosphère: météorologie populaire (1888).

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14.7.21

Lançamento: Rumi - Além das ideias de certo e errado

As Edições Textos para Reflexão enfim retornam à poesia!

Em Rumi - Além das ideias de certo e errado, Rafael Arrais volta a traduzir e comentar a vasta obra poética do grande expoente do sufismo, o misticismo do Islã. Dando continuidade ao que foi iniciado em outro livro, A dança da alma, o tradutor, que hoje também é praticante do sufismo, se aprofunda ainda mais nos abismos poéticos de Rumi.

Um ebook já disponível para o Amazon Kindle; e na versão impressa, tanto na Amazon quanto no Clube de Autores:

Comprar e-book (Kindle) Comprar livro (Amazon) Comprar livro (Clube de Autores)

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Alguns poemas de Jalal ud-Din Rumi, Shams de Tabriz e Rabia Basri que estão no livro já foram postados aqui no blog, vejam:

» Poemas de Rumi
» Poemas de Shams de Tabriz
» Poemas de Rabia Basri

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Leiam também Rumi - A dança da alma:

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6.11.19

Indicações de livros

Quando comecei este blog, há mais de uma década, jamais imaginei que ele poderia durar tanto, e que eu pudesse escrever tanto nele. Nesses anos todos os leitores assíduos, assim como os ocasionais, puderam ver como o meu caminho através da espiritualidade, da filosofia e da ciência foi se tornando mais e mais aprofundado. Isso, obviamente, não caiu do céu.

Não me entendam mal: como poeta, eu sei muito bem do valor da intuição e das ideias voadoras que volta e meia são capturadas em sua rede. Para isto, de fato, os livros não ajudam tanto. Mas, para todo o resto, os livros são o que há de mais precioso no auxílio do nosso caminho. Por isso eu resolvi, finalmente, trazer a vocês uma lista extensa e definitiva dos livros, sejam físicos ou digitais, que formam os alicerces do Textos para Reflexão.

Todas as listas se encontram hospedadas no site da Amazon. De lá vocês podem comprar e-books e ler através do app gratuito Kindle, ou comprar os livros impressos – muitos deles com frete grátis para quem tem o Amazon Prime (que pode ser assinado gratuitamente por 30 dias).

Mas não para por aí: se vocês comprarem qualquer um deles através dos links desta página (e somente dos links desta página), eu receberei uma parte da sua compra, e isso ajudará muito o blog, o canal e as Edições Textos para Reflexão.

Assim sendo, aqui vão os links para as listas com as minhas indicações de livros, tarots e e-books, separadas em categorias específicas para facilitar a navegação:

» Filosofia
De Platão a Byung-Chul Han, os livros de filosofia e da história da filosofia que foram essenciais em meu caminho.

» Literatura
De Tolkien a Alan Moore, as histórias e os quadrinhos que foram essenciais em meu caminho.

» Poesia
De Safo a Gibran, os poemas que foram essenciais em meu caminho.

» Espiritualidade, Mitologia e Magia
De Lao Tse a Joseph Campbell, os livros sagrados, ou nem tão sagrados, que foram essenciais em meu caminho.

» Baralhos de Tarot
Os melhores decks de tarot disponíveis.

» Ciência
De Darwin a Carl Sagan, os livros de ciência e divulgação científica que foram essenciais em meu caminho.

» Economia, História e Política
De Huizinga a Yuval Harari, os livros que me ajudaram a entender nossa história, e foram igualmente essenciais em meu caminho.

***

Obs (1).: Vale lembrar que eu receberei uma parcela de qualquer compra que fizerem na Amazon se vocês a acessarem usando qualquer um dos links desta página, mesmo que seja um smartphone, uma camiseta ou um produto de limpeza :)

Obs (2).: Se preferirem, podem deixar esta URL salva nos seus favoritos para acessarem mais tarde, sempre que forem fazer uma nova compra na Amazon (ela contém os mesmos links acima):

raph.com.br/tpr/amazon


Boa Leitura e Bom Caminho!
raph


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19.8.19

Como eu virei uma editora

Neste vídeo eu partilho com vocês a sequência inusitada de eventos que me transformou numa editora. Não, eu não abri uma empresa, nem fui contratado por uma, eu me tornei, eu mesmo, uma editora, e a grande maioria dos meus livros sequer é físico. Estranho né? Eu explico melhor no vídeo.

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11.7.18

Os 10 melhores livros sagrados (Reflexões no YouTube)

Para comemorar o décimo episódio de REFLEXÕES, trago minha singela lista com os dez maiores, melhores e mais importantes livros sagrados da história da humanidade até aqui (na minha humilde opinião é claro). Desde o "Cosmos" de Sagan ao "Bhagavad Gita", iremos transitar por filosofia, religião, espiritualidade e ciência, sempre em busca da experiência com o Sagrado, ou Natureza, ou Substância, ou Tao... bem, você entendeu!

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2.9.15

Sapiens

Nesta contundente palestra para o TED Talks, Yuval Noah Harari, um proeminente professor de história israelense, tenta responder a pergunta: “Como nos transformamos de primatas insignificantes, que cuidavam de sua vidinha em algum canto da África, em soberanos do planeta Terra?”.

Antes de assistirem o vídeo abaixo, no entanto, é preciso tentar compreender como um historiador jovem (39 anos) conseguiu escrever um dos melhores livros do século 21, Sapiens, no qual se baseia sua palestra.

Ora, para início de conversa, já é revelador o fato de Harari começar a explicar a história humana, o mote de seu livro do início ao fim, pela parte em que ela sequer era registrada, isto é, antes do advento da escrita. Harari é afinal um pensador que se interessa pelas “grandes questões” do pensamento humano, e “como conquistamos o planeta?” é somente uma delas...

Dentre algumas outras, poderíamos citar: “Por que nossos ancestrais se reuniram para criar cidades, reinos e impérios?”; “Como passamos a acreditar em deuses, nações e direitos humanos?”; “Como aprendemos a confiar no dinheiro, em livros e em leis?”; ou ainda, “Como fomos escravizados pela burocracia, pelo consumismo e pela incessante busca da felicidade?”.

É tentando responder a tais questões que Harari vai muito além do âmbito “ortodoxo” do estudo histórico, e trata de biologia, psicologia, filosofia, mitologia, economia, política e sociologia com a mesma naturalidade com a qual o seu antigo professor falava de Revolução Francesa.

Além de ser extraordinariamente bem escrito, Sapiens não se limita apenas a descrever a história, como nos leva a refletir sobre o que ocorreu no passado, sobre como isso influencia o presente e o futuro e, sobretudo, sobre como as “narrativas tradicionais” muitas vezes são falhas, ou por contarem somente “a história dos vencedores”, ou pelo fato de ignorarem solenemente o nosso mundo interno, subjetivo, e a enorme importância que a linguagem e as ficções humanas exercem e exerceram sobre os eventos históricos.

A única fronteira que Harari se recusa a ultrapassar é o limite da ortodoxia acadêmica em relação às crenças. Apesar de elogiar o budismo, a sua postura para com as religiões é por vezes excessivamente ácida e superficial, pois apesar de ele basear boa parte de sua tese sobre a evolução humana em torno das mitologias da mente, em nenhum momento ele chega a tentar analisar o tema do ponto de vista místico. Mas se além de tudo o que já sabe, Harari ainda fosse um místico, seria talvez pedir demais para uma única mente.

Felizmente, existem outras mentes que podem complementar as reflexões de Sapiens; mas tal livro se encontra num patamar tão elevado que só me vem à cabeça gente como Joseph Campbell, Mircea Eliade e Alan Moore...

Compre Sapiens na Amazon, através do link abaixo, e contribua com este blog:

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Crédito da imagem: Google Image Search/Divulgação (Y. N. Harari)

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6.4.15

Lançamento: A espiritualidade do dia a dia

As Edições Textos para Reflexão retornam com nosso primeiro livro em coautoria.

Em A espiritualidade do dia a dia, Marco Marcon, teólogo e ex-participante do BBB15, convida Rafael Arrais, autor deste blog, para um diálogo acerca de Deus, do sentido da vida, da fé, da espiritualidade e do sacrifício.

Um livro já disponível nas versões digital (Amazon Kindle) e impressa (Clube de Autores):

Comprar o eBook (Kindle) Comprar a versão impressa*

(*) Obs.: Recomendamos que realizem a compra no Clube de Autores através de um Laptop ou PC, pois o site tem problemas com a versão para celulares e tablets. Podemos garantir que a compra é segura.

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A seguir, um trecho da Introdução da obra:

Por muitos anos eu assisti o Big Brother Brasil, da Rede Globo, esperançoso que em meio às intrigas e fofocas, e a despeito de ser um jogo social, alguns participantes mais esclarecidos pudessem levantar temas importantes para o debate nacional, ou que falassem de arte, filosofia, religião etc.

Quando meu amigo, Marco Marcon, foi chamado para o programa deste ano de 2015, achei que minha esperança finalmente se concretizaria. Afinal, eu já havia conversado com ele sobre a mística católica [1] e diversos outros assuntos espirituais, filosóficos e até mesmo políticos, e eu sabia que ali estava, enfim, “um sujeito esclarecido no BBB”.

Mas me decepcionei de início. Percebi que seria praticamente impossível que algum assunto mais profundo pudesse ser discutido após os participantes passarem a madrugada enfurnados num carro. Então, num belo dia (na verdade, numa noite) eu sintonizei no canal Multishow da minha TV a cabo e, durante cerca de 15 minutos de transmissão ao vivo da casa, pude apreciar um belo diálogo sobre a arte sacra no país, entre Marco, seu amigo poeta, Adrilles, e o casal Fernando e Aline.

A conversa, que falava sobre como a experiência da contemplação da arte, particularmente a arte sagrada, não poderia ser “normatizada” pela razão, nem tampouco ser descrita em palavras, mas tão somente vivenciada, não devia em nada a documentários sobre o tema, ou mesmo a entrevistas com especialistas. Finalmente, um assunto realmente profundo dentro do BBB...

Mas nenhum segundo desses 15 minutos jamais entrou na edição do programa para a TV aberta. Ali de fato percebi que o BBB não era exatamente o habitat natural de alguém como meu amigo Marco: ele havia entrado ali para plantar uma semente.

Eu me chamo Rafael Arrais e, assim como Marco, tenho tentado plantar sementes. Sei bem que não podemos obrigar as pessoas a gostarem de filosofia, muito menos as evangelizar forçadamente a alguma doutrina religiosa. Tais gestos brutos podem até mesmo reproduzir um exército de clones, ou seja, pessoas que pensam aquilo que lhes mandaram pensar. A nossa missão é um tanto mais complexa: precisamos plantar sementes para que as pessoas aprendam a pensar e sentir por si mesmas. É uma tarefa árdua, que exige muitos sacrifícios de ambas as partes envolvidas. De fato, a espiritualidade genuína necessita ser plantada e regada, constantemente praticada, dia após dia, mas é a única arte verdadeiramente recompensadora...

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[1] Eu e Marco já participamos do Hangout Gnóstico sobre o misticismo católico e o Papa Francisco.


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2.2.15

Um Café, Um Livro

Oi pessoal, estou viajando a trabalho e sem muito tempo para atualizar o blog, mas recentemente descobri que um de nossos leitores criou uma lista de e-mail onde são divulgados "uma variedade de eBooks custando menos que um cafezinho na padoca da esquina"... Como vocês devem ter imaginado, muitas das nossas Edições Textos para Reflexão vêm sendo divulgadas por lá também.

Dessa forma, para quem tiver interesse em participar, basta acessar o site Um Café, Um Livro (umcafeumlivro.com), digitar seu e-mail no campo e clicar no botão "eu quero!".

Boa leitura!


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2.1.15

Lançamento: O Pequeno Príncipe

As Edições Textos para Reflexão trazem em 2015 o seu livro digital mais elaborado, com mais de 40 ilustrações de tela cheia (ver galeria) e uma cuidadosa tradução de um dos maiores clássicos do século XX – O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry:

"Saint-Exupéry escreveu e ilustrou o nosso mundo interior. Ao saber deste pequeno milagre ocorrido em meio a um mundo em plena guerra, temos a esperança renovada de que lá dentro, em nosso planetinha mais íntimo, ainda brinca e ri com doçura a nossa criança mais frágil e preciosa... É difícil não se deixar corromper pelo peso do mundo das pessoas grandes. Mas, sempre que se sentir oprimido por ele, saiba que ainda terá este livrinho a sua inteira disposição."

Um ebook já disponível para o Amazon Kindle e também na Saraiva Digital:

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Abaixo, segue talvez o principal capítulo do livro, onde o viajante pequenino encontra a raposa (clique nas ilustrações para vê-las em tamanho maior):


E foi aí que apareceu a raposa...

“Bom dia”, disse a raposa.

“Bom dia”, respondeu educadamente o pequeno príncipe, apesar de que não a viu em canto nenhum quando se virou.

“Estou aqui, ao lado da macieira.”

“Quem é você? Nossa, você é muito bonita.”

“Eu sou uma raposa”, disse a raposa.

“Venha brincar comigo”, convidou o pequeno príncipe. “Estou um tanto infeliz...”

“Eu não posso brincar contigo, ainda não fui cativada.”

“Ah! Me desculpe.”, disse o pequeno príncipe.

Mas, após pensar um tantinho, perguntou:

“O que isto significa, ‘cativar’?”

“Você não é daqui”, disse a raposa. “O que é que veio buscar nessas redondezas?”

“Eu busco por pessoas”, disse o pequeno príncipe. “O que significa ‘cativar’?”

“As pessoas têm armas, e nos caçam. É algo muito perturbador. Elas também costumam criar galinhas. Bem, estes são os seus únicos interesses... Você procura por galinhas?”

“Não”, disse o pequeno príncipe, “eu procuro por amigos. O que significa ‘cativar’?”

“É algo muito esquecido hoje em dia”, disse a raposa. “Significa estabelecer laços.”

“Estabelecer laços?”

“Isso. Para mim, por exemplo, você ainda não passa de um garotinho, igual a cem mil outros garotinhos. E eu não tenho necessidade alguma de estar em sua presença, assim como você não tem necessidade de estar na minha.
Afinal, para você eu não passo de uma raposa, igualzinha a cem mil outras raposas que existem por aí... Se você me cativar, no entanto, nós passaremos a ter a necessidade de estarmos juntos. Para mim, você será um garotinho único em todo o mundo. E para você, eu serei uma raposa como nenhuma outra na Terra...”

“Estou começando a entender”, disse o pequeno príncipe. “Há uma flor... Eu acho que ela me cativou...”

“É possível. Aqui na Terra vê-se de tudo.”

“Oh, mas não foi na Terra!”

A raposa ficou intrigada, e um tanto curiosa:

“Foi noutro planeta?”

“Sim.”

“E há caçadores nesse planeta?”

“Não.”

“Ah, que interessante! E há galinhas por lá?”

“Não.”

“Nada é perfeito”, suspirou a raposa...

Mas logo ela retomou a conversa:

“Minha vida é um tanto monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me caçam. Todas as galinhas são iguaizinhas, assim como todas as pessoas. Dessa forma, eu fico um pouco entediada...
Mas se você me cativar, será como se o sol viesse para iluminar a minha vida. Eu saberei do som de passos que serão diferentes do som de quaisquer outros passos.
Outros passos me fazem correr de volta para minha toca debaixo da terra, mas os seus me chamarão, como música, para sair do meu esconderijo.
E olhe: vê os campos de trigo lá no sopé da colina? Bem, eu não como trigo, então os campos de trigo nada têm a me dizer, e isto é triste... Mas você, você tem cabelos dourados. Pense como será maravilhoso quando houver me cativado!
O trigo, que também é dourado, me trará lembranças de você, e eu passarei a amar ficar contemplando os campos de trigo, e ouvindo o barulho do vento passando por eles...”

A raposa ficou olhando para o pequeno príncipe por um bom tempo, e depois lhe pediu:

“Por favor, me cative!”

“Eu gostaria muito”, respondeu o pequeno príncipe. “Mas eu não tenho tanto tempo. Eu tenho amigos por descobrir, e muitas coisas ainda por compreender.”

“Alguém só consegue compreender aquilo que cativa. As pessoas já não têm tempo para compreender coisa alguma. Elas compram tudo pronto nos seus mercados, mas não há loja alguma onde a amizade possa ser comprada, e assim as pessoas não têm mais amigos.
Se você realmente quer um amigo, me cative...”

“O que eu preciso fazer para lhe cativar?”, perguntou o pequeno príncipe.

“Bem, você precisa ser muito paciente. Primeiro, você vai se sentar a uma certa distância de mim – desse jeito – na grama. Então eu olharei para você de canto de olho, e você não deverá dizer nada. Palavras são uma fonte de mal entendidos. A cada dia, no entanto, você irá se sentar um pouquinho mais perto de mim...”

No outro dia o pequeno príncipe retornou ao mesmo local...

“Teria sido melhor que viesse no mesmo horário”, disse a raposa. “Se, por exemplo, você vier às quatro da tarde, então desde as três da tarde eu já começarei a ficar feliz. Daí eu ficarei cada vez mais feliz na medida em que as horas forem passando. Às quatro horas, eu já estarei inquieta e preocupada, mas lhe mostrarei o quão feliz fiquei em lhe ver!
Mas se você vier a qualquer hora, eu nunca saberei em qual hora meu coração deverá se preparar para recebê-lo... É preciso que obedeçamos a certos ritos...”

“O que é um rito?”, perguntou o pequeno príncipe.

“São coisas que também foram esquecidas nos dias de hoje”, disse a raposa. “Os ritos são o que faz um dia ser diferente do outro, e uma hora diferente da outra. Há, por exemplo, um rito entre os homens que me caçam: toda quinta-feira eles vão dançar com as garotas do vilarejo. Daí a quinta-feira é um dia maravilhoso para mim!
Nesse dia eu posso passear até bem longe, posso ir até as vinhas... Mas, se os caçadores fossem dançar a qualquer dia, então todo dia seria para mim como qualquer outro, e eu não teria a quinta-feira para descansar.”

Assim, o pequeno príncipe cativou a raposa.
E, quando a hora da sua despedida se aproximou, a raposa lhe disse:

“Ah, eu vou chorar.”

“Mas isto é sua culpa”, disse o pequeno príncipe. “Eu nunca lhe quis nenhum mal; mas você insistiu para que eu a cativasse...”

“Sim, é verdade”, disse a raposa.

“Mas agora você vai chorar!”

“Sim, é verdade.”

“Então isto não lhe trouxe nada de bom! Você não sai ganhando em nada...”

“Ganho sim”, disse a raposa, “por causa da cor dos campos de trigo.”

E então ela ainda acrescentou:

“Vá observar novamente as rosas. Agora você deverá compreender que a sua rosa é única em todo o mundo. Daí, venha me dizer adeus, e eu lhe darei de presente um segredo.”

O pequeno príncipe se foi para ver as rosas novamente:

“Vocês não são nem um pouco parecidas com a minha rosa”, ele as disse. “No momento vocês ainda são como nada. Ninguém as cativou, e vocês ainda não cativaram ninguém. Vocês são como a minha raposa quando a vi pela primeira vez. Ela era somente uma raposa como cem mil outras raposas. Mas hoje nós somos amigos, e ela é para mim uma raposa única em todo o mundo.”

E as rosas ficaram muito desapontadas...

“Vocês são belas, mas são vazias”, ele prosseguiu. “Ninguém iria morrer por vocês. De fato, um transeunte qualquer poderia pensar que a minha rosa se parece muito com vocês... Mas ela, apenas ela, é mais importante do que todas vocês, pois foi somente ela a rosa que eu reguei; foi somente ela a rosa que eu coloquei sob a redoma de vidro; foi somente ela que eu protegi com o pára-vento; foi somente por ela que eu matei as larvas (exceto as duas ou três que salvei para que se tornassem borboletas).
E foi somente ela que eu tive paciência de escutar, enquanto se queixava ou se gabava, ou mesmo quando não dizia absolutamente nada. Pois ela é a minha rosa.”

E assim, ele retornou para se despedir da raposa:

“Adeus”, ele disse.

“Adeus”, disse a raposa. “E agora, como prometido, aqui vai o meu segredo. De fato, é um segredo bem simples: é somente com o coração que podemos ver corretamente; o essencial é invisível aos olhos.”

“O essencial é invisível aos olhos”, repetiu o pequeno príncipe, para que tivesse certeza de que iria se lembrar.

“Foi o tempo que perdeu com a sua rosa o que fez dela uma rosa tão importante.”

“Foi o tempo que perdi com a minha rosa...”, repetiu o pequeno príncipe, para que tivesse certeza de que iria se lembrar.

“As pessoas esqueceram esta verdade”, disse a raposa. “Mas você não deve esquecer. Você se torna eternamente responsável pelo que cativou. Você é responsável por sua rosa...”

“Eu sou responsável por minha rosa”, repetiu o pequeno príncipe, para que tivesse certeza de que iria se lembrar.


(tradução de Rafael Arrais)


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27.11.14

O Livro da Reflexão

Segue abaixo o Prefácio para uma edição muito especial das Edições Textos para Reflexão, cujo lançamento será em meados de 2015...


Lá se vão oito anos desde que publiquei o primeiro dos Textos para Reflexão. Mas o que é o tempo não é mesmo? Disse Manoel de Barros que “o ser biológico é sujeito à variação do tempo, o poeta não”. Sinto que a poesia me faz viver um pouco deslocado do tempo, ao menos do tempo do mundo. Não me entenda mal, eu sei bem que a Disney lançará mais filmes do Star Wars, que o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha em casa, e que há uma grave crise econômica na Europa, mas perto de alguns poemas de Fernando Pessoa, ou de alguns diálogos de Sócrates com seus jovens amigos, nada disso me comove como deveria... Eu simplesmente me esqueço de trocar meu smartphone no fim do ano, devo ser um desleixado.

Na verdade quase tudo o que sou devo ao que consegui desvelar da poesia. Foi assim que conheci a mulher que amo, que aprendi a fazer design para a web e, enfim, que encontrei a poetisa que me fez iniciar este blog – a história não é tão bonita quanto parece (ou, quem sabe, seja de uma beleza triste), mas ela também vem descrita nesta edição...

Com o passar dos anos, de tanto escrever, acabei chegando a alguns textos relativamente relevantes que me deram a honra de alcançar mais de 6 mil seguidores no Facebook e, o que é mais importante, uma boa dúzia de amigos e fiéis leitores do blog. Volta e meia eu me refiro “aos autores” do meu blog no plural, mas isto não quer dizer bem que faço psicografias (embora todo poeta seja um fingidor...), quer dizer somente que creio que as pessoas dão mais relevância a blogs com vários autores, e penso eu que até a pessoa descobrir que se trata de um blog de um autor só, talvez ela já tenha sido fisgada por alguma luz que refletiu por lá.

Mas fato é que o Textos para Reflexão é um blog pessoal, bem mais pessoal do que eu gostaria. Talvez fosse inevitável, afinal todo escritor que se preze escreve primeiro para si mesmo. É bom contar com mais de uma dezena de comentários em alguns posts, mas a verdade é que eu sempre escrevi antes para organizar minhas próprias ideias, e muito do que eu escrevi, escreveria de qualquer jeito (o mesmo fez Montaigne, e para o bem ou para o mal não existiam blogs na sua época)...

A grande questão é que tenho a sorte de trabalhar em home office, e desde que parei de jogar World of Warcraft tenho escrito bastante, bastante coisa mesmo. Talvez seja impossível acompanhar tudo (eu mesmo me esqueço de muito do que já postei), e daí que pensei que seria interessante poder editar os melhores contos e artigos desses anos todos, catalogados por temas específicos. Dessa forma, cheguei a este primeiro volume do Livro da Reflexão, onde pretendo abordar o amor, a morte e a existência, todos eles temas recorrentes do blog.

Nesta edição, cada capítulo tratará de um tema, mas é bem possível que eles também estejam espalhados por entre tantos textos. Espero que a presente organização sirva como uma espécie de guia de leitura minimamente agradável.

Acho que era só isso o que eu tinha para dizer neste prefácio... Ah, sim, e se você por acaso nunca ouviu falar do meu blog, segue um breve resumo do que ele pretende tratar:

Textos para Reflexão é um blog que fala sobre filosofia, ciência e espiritualidade. Onde se busca a sabedoria tanto no Evangelho de Tomé quanto no Cosmos de Carl Sagan. Onde as palavras nada mais são do que cascas de sentimentos, embora a poesia ainda assim possa nos levar a um outro mundo. Onde toda religião se pratica no pensamento, e onde Deus é nosso amor...


Rafael Arrais
27.11.2014

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E, como é de costume, já temos a capa prontinha (a imagem é baseada em arte de Banksy):

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Obs. (1): O Livro da Reflexão, volume 1: Amar e perder será inteiramente gratuito na versão digital!
Obs. (2): Também estamos recolhendo depoimentos dos leitores do blog para constarem no livro. Se você tem alguma coisa a dizer sobre o Textos para Reflexão – algo curtinho mesmo, com cerca de 1 a 3 parágrafos –, por favor nos envie uma mensagem por nossa página no Facebook ou, se preferirem, por e-mail: rarrais@yahoo.com

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