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21.10.14

Da convivência

"Se vivemos em sociedade, temos de aprender a conviver com todo o tipo de gente... Temos mesmo?"

Conviver sim, mas não necessariamente converter ou ser convertido.

O sábio não nega o mundo, não se torna ermitão, mas também compreende que certas pessoas têm a capacidade de compreender certas coisas, e outras não têm (incluindo o próprio sábio).

Se as igrejas não fossem baseadas em dogmas, hierarquias e evangelizações, o mundo racional teria uma relação mais cordial com elas. Mas igrejas continuam sendo comunidades de pessoas, e só entraremos no céu de mãos dadas (doa a quem doer).

Se todos pensassem da mesma forma, a política seria absolutamente desnecessária, e teríamos um só partido agregando a todos. Seria, de fato, uma utopia a ser buscada, no entanto precisamos tomar muito cuidado com ideias falsas de "concordância geral". Afinal, é preferível termos o embate de ideias, e as tentativas de acordos, ainda que mal sucedidos, do que a ilusão de que todos concordam em tudo, construída por um sistema ditatorial.

O sábio não menospreza as ideias divergentes, pois sabe que é graças a elas que pode elaborar as suas próprias. Afinal, como ele poderia discursar sobre o calor, se o frio não existisse?

De fato, aqui estamos todos a buscar a sabedoria... Assim como a gravidade deste planetinha é a mesma de galáxias tão distantes que escapam do nosso horizonte cósmico, as leis naturais não distinguem sábios de ignorantes, e essa é precisamente a promessa divina: a de que todo ignorante um dia também será sábio.

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Crédito da imagem: Google Image Search

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