Pular para conteúdo
17.1.18

Reflexões políticas, parte 4

« continuando da parte 3 | ler do início

O avanço dos monopólios globais

Donald Trump nunca foi exatamente muito querido para além da sua base eleitoral em seu próprio país, mas não podemos ignorar que aqueles que lhe apoiam costumam defender algumas de suas ideias de forma bastante fervorosa. E não, nem todos são conservadores de direita.

Por exemplo, no Peru, a coalisão de esquerda Frente Ampla organizou várias manifestações de apoio a Trump ainda durante a eleição de 2016. E, mesmo após a sua surpreendente vitória, eles continuaram a se manifestar em seu favor e contra o então presidente, Barack Obama. O objetivo deles era muito claro: Trump havia prometido cancelar o Tratado Transpacífico (TPP) assim que tomasse posse. O que a esquerda do Peru queria era derrubar mais um grande tratado de livre-comércio que favorecia a Globalização e as grandes empresas multinacionais.

O TPP vinha sendo costurado ao longo de pelo menos 5 anos pelo governo Obama com a China e outros países que são banhados pelo Oceano Pacífico. Antes da saída dos EUA, o TPP reunia 40% da economia mundial, e um mercado de pelo menos 800 milhões de consumidores. Até mesmo o atual vice-presidente dos EUA, Mike Pence, o defendeu enquanto era governador do Estado de Indiana, em 2014: “comércio significa empregos, mas também segurança”.

E, de fato, desde o advento da bomba nuclear, o mundo civilizado se inclinou para um esforço de integração econômica, social, cultural e política entre as nações que, de uma década para outra, subitamente tinham toda a razão para não guerrearem mais abertamente pela conquista de territórios, pois com as novas armas a destruição mútua de dois países nucleares envolvidos num conflito seria praticamente garantida. A todo este movimento das três últimas décadas do século passado se convencionou dar o nome “Globalização”. Em 2000, o Fundo Monetário Internacional (FMI) identificou quatro aspectos básicos da Globalização: comércio e transações financeiras, movimentos de capital e de investimento, migração e movimento de pessoas e a disseminação de conhecimento.

Muito bem, e apenas três dias após assumir o cargo de presidente dos EUA, Trump cumpriu o prometido e se retirou do TPP. Não foi somente a esquerda peruana que aplaudiu, muitos eleitores de Bernie Sanders, que perdeu as prévias do Partido Democrata para Hillary Clinton, também se entusiasmaram. Ora, até mesmo o próprio Sanders elogiou a medida de Trump: “Agora é a hora de desenvolvermos novos tratados de comércio que beneficiem as famílias de trabalhadores, e não somente as corporações multinacionais”. Sanders, como muitos devem saber, está muito mais a esquerda dentro do partido Democrata do que a mulher de Clinton. Alguns americanos chegaram a acusá-lo de ser “socialista”. Muito radical!

Bem, nesse momento vocês já devem ter percebido a imensa estranheza da coisa toda: se Trump foi considerado um candidato de extrema-direita durante a eleição de 2016, e Sanders era basicamente o representante da extrema-esquerda (até onde é possível ser de extrema-esquerda no sistema americano, obviamente), como é possível que eles concordassem em gênero, número e grau acerca da necessidade do seu país se retirar o mais breve possível do potencial maior tratado de livre-comércio da história da humanidade? Mesmo recorrendo ao Diagrama de Nolan [1], continuamos confusos: era para a esquerda combater o comércio desregulado e as grandes multinacionais, era para a esquerda, e somente a esquerda, ter tamanho asco da Globalização. Então, onde diabos Trump está situado, seria ele de esquerda?

Para resolver tal enigma eu confesso que tive de recorrer aos meus amigos da direita econômica. Devo dizer que, obviamente, a maior parte não é nenhum fã de Trump, mas foi de nossas conversas que pude entender um pouco melhor como foi que, afinal de contas, parte da direita passou a se contrapor a grandes acordos como o TPP. Eles dizem que o ódio deles é diferente do ódio da esquerda, pois eles odeiam na realidade o Globalismo, e não a Globalização... Pois é, agora teremos de tentar entender o que é esse tal de Globalismo.

Em minhas pesquisas pelas “mídias alternativas”, eu encontrei o depoimento mais sensato acerca do que seria o Globalismo na voz de Rodrigo Constantino, uma espécie de “herói nerd” da direita, isto é, do chamado liberalismo econômico. Me baseando no vídeo do Constantino no YouTube, eu consegui traçar mais ou menos as diferenças entre Globalização e Globalismo:

Características da Globalização
(a) Defesa da implementação de acordos de livre-comércio simples para a redução efetiva das barreiras comerciais e/ou do protecionismo.

(b) Tende a favorecer a maior integração entre os povos e culturas, diminuindo as chances de guerras (sobretudo nucleares).

(c) Empregos locais são afetados (são transferidos para países onde a mão de obra é mais barata, muitas vezes por poder ser explorada livremente em regimes ditatoriais), mas há benefícios à economia do país como um todo, gerando crescimento e novas oportunidades (sobretudo nas áreas tecnológicas).

(d) Tende a gerar menos burocracia e mais livre-comércio (em teoria).

Características do Globalismo
(e) Tende a favorecer os grandes acordos comerciais validados por “superburocratas sem rosto”, não eleitos diretamente pelo povo; como, por exemplo, os burocratas de Bruxelas (Suíça), que determinam os rumos econômicos da União Europeia.

(f) Na verdade a complexidade burocrática tende a aumentar em acordos econômicos “esotéricos”, cheios de cláusulas que em realidade favorecem mais a manutenção do monopólio global das multinacionais do que propriamente um livre-comércio genuíno.

(g) Assim, os empregos locais continuam sendo afetados, mas não está tão claro se o domínio dos mercados globais por multinacionais de fato melhora a economia geral dos países (isto é: o que melhora de fato a economia global é o livre-comércio, algo que não está garantido aqui).

(h) Ao invés de uma real integração de culturas, há uma tendência de imposição cultural por parte de multinacionais de mídia, como a Disney ou Hollywood como um todo (algo não necessariamente tão ruim, os nerds adoram!).

(i) Mais burocracia nos grandes acordos de comércio mundial garante o avanço dos monopólios globais, e não o livre-comércio. Tudo se torna como “um jogo de cartas marcadas”, onde só sobrevivem os “amigos do Rei”.

***

Ou seja, o que a gente que fala em Globalismo quer dizer é que o sonho do livre-comércio mundial, da grande integração de culturas sem a supressão de umas pelas outras, da ideia da garantia da paz através da maior integração econômica num mundo genuinamente livre e democrático, isto é, as grandes promessas da Globalização, que tudo isso está colocado em xeque pelo avanço dos “superburocratas sem rosto” que desejam tão somente implementar uma agenda de comércio global que favoreça somente as grandes multinacionais. Isto é, aqueles conglomerados empresariais que, no frigir dos ovos, são exatamente os que financiam os “superburocratas” e os mantém, como fantoches, onde estão.

Mas, se eu entendi bem, o que o Constantino fez foi justamente listar, um por um, todos os pontos negativos da Globalização. Afinal, não é nem preciso ser hermetista para saber que sim: obviamente a Globalização não ocorreria sem que os grandes grupos de poder tentassem ditar o seu rumo de maneira a se manterem exatamente onde estão – no topo do mundo.

Talvez seja por isso que desde que o processo de Globalização se acentuou o número de bancos nos EUA tenha se reduzido drasticamente, o que foi impulsionado pela crise de 2008. Ora, seja porque eles vêm sendo comprados por bancos maiores, seja porque simplesmente não conseguem mais “competir” com os “amigos do Rei” e entram em falência, o resultado é o mesmo: maior concentração de mercado, maior monopólio, maior poder a uma elite cada vez menor do sistema financeiro. Aonde está o sonho do livre-mercado, afinal? Talvez ele tenha sido uma espécie de mito estranho, que já existiu, e não existe mais.

Também poderíamos levantar algumas questões. Uma delas: se a maior potência econômica democrática do planeta terceiriza boa parte de seus empregos do setor industrial para outra potência ascendente, porém ditatorial e supostamente comunista, ela está defendendo propriamente o livre-mercado ou o chamado “capitalismo de Estado”? Outra: se a democracia supostamente mais bem sucedida do globo é a maior aliada de um Estado teocrático onde surgiram as ideias fundadoras do maior grupo terrorista de nosso tempo, ela está defendendo propriamente a liberdade de crenças ou os seus próprios interesses? Diga-me com quem andas que eu te direi quem és – isso também é válido nas relações comerciais?

Enfim, eu poderia falar muito mais sobre a doença do capitalismo, mas isso já foi tratado em nossa série Entre a esquerda e a direita [2], portanto me perdoem, mas vou voltar ao tema anterior para podermos encerrar...

Voltemos aos manifestantes da esquerda peruana, que gritavam e brandiam seus cartazes contra o TPP. Diga-me, com sinceridade: você acha mesmo que eles estavam lá para defender o ideário dos “superburocratas sem rosto” de Bruxelas, ou estavam tão somente tentando defender a manutenção dos seus próprios empregos? Ora, e o mesmo foi feito por boa parte dos eleitores que deram a vitória a Trump em estados americanos onde historicamente venciam os democratas. Eles estavam pensando em si mesmos, na manutenção e/ou melhora das suas condições de vida, e não em favorecer o avanço de multinacionais sobre os países alheios, ainda que muitos desses conglomerados empresariais sejam fruto do próprio sistema americano. Eles não querem saber o quanto uma multinacional de petróleo lucrou com a invasão do Iraque, eles querem um emprego com salário digno e, se possível, paz. Somente isso.

E, se os que chamam os aspectos nefastos da Globalização de Globalismo são simplesmente incapazes de dividir o mesmo espaço na rua com aqueles que sempre enxergaram o que havia de intrinsecamente errado no processo de Globalização conforme orquestrado por algumas multinacionais e um punhado de “superburocratas sem rosto”, quem vocês acham que sai ganhando nessa história?


» Na sequência, encerramos a série: o Diagrama de Nolan já foi pro saco, agora precisaremos de alguns eixos a mais...

***

[1] Se não sabe do que se trata o Diagrama de Nolan, recomendamos muitíssimo que leia esta série desde o seu início.

[2] Em Entre a esquerda e a direita eu convidei dois amigos de espectros opostos das ideologias políticas para debatermos sobre política, economia e os rumos da nossa sociedade. Você pode ler sobre o tema específico da “doença do capitalismo” aqui, com meus comentários aqui.

Crédito das imagens: [topo] AP (peruanos protestam contra o TPP em Lima); [ao longo] Google Image Search (uma ilustração alegórica dos “superburocratas sem rosto”).

Marcadores: , , , , , , , , , ,

11 comentários:

Blogger Alfredo Carvalho disse...

Raph, você chegou a ler o debate entre Olavo de Carvalho e Alexander Dugin? É muito bom para compreender a perspectiva conservadora sobre o Globalismo.

17/1/18 20:43  
Blogger raph disse...

Oi Alfredo, não vi não. Mas devo dizer que tendo a ver a ideia de um "governo global" mais como teoria da conspiração mesmo. O próprio termo "Globalismo" ao meu ver mais atrapalha do que ajuda, seria mais produtivo simplesmente reconhecer os aspectos negativos da Globalização.

Assim talvez fosse mais fácil haver um diálogo maior entre direita e esquerda (e há espaço para isso, tanto que o Bernie Sanders elogiou a canetada do Trump que encerrou a participação dos EUA no TPP). Mas, enfim, seja Globalização ou Globalismo, fato é que o livre-mercado vem sendo engolido por grandes monopólios globais e seus burocratas-fantoches, e a "ideologia" deles é o dinheiro.

Abs
raph

18/1/18 01:18  
Blogger raph disse...

Trazendo um comentário que fiz em redes sociais para cá (não se refere ao comentário do Alfredo, acima):

No hermetismo aprendemos que os opostos tratam da mesma coisa: quente e frio, claro e escuro etc.

Portanto, há só uma coisa: a Globalização; e ela tem aspectos positivos e negativos, como tudo o mais. Você pode chamar "Globalismo" o polo negativo da Globalização, mas não deixa de estar tratando do mesmo tema.

Crer que a Globalização iria ocorrer sem o Globalismo é como crer em utopias mil, como aquela onde se diz que "o Mercado regula a si mesmo", ou aquela outra que diz que "trazendo o povo ao poder não teremos mais elites" etc.

18/1/18 17:09  
Blogger Alfredo Carvalho disse...

Sim, eu percebi que você acha que Globalismo é teoria da conspiração. A retórica das mídias sociais e das mídias alternativas dá ao tema um formato caricato de teoria da conspiração mesmo. Mas foi justamente por isso que recomendei o debate do Olavo com o Dugin. Lá o assunto está desenvolvido de um modo que faz justiça à complexidade do tema.

19/1/18 08:45  
Blogger Alfredo Carvalho disse...

Caso se interesse. O texto original do debate, em inglês, está aqui.
http://debateolavodugin.blogspot.com.br/2011/04/index-english.html

Aqui uma versão traduzida e editada em ebook.
https://www.amazon.com.br/Eua-Nova-Ordem-Mundial-Alexandre-ebook/dp/B00GTQ49GU

19/1/18 08:55  
Blogger raph disse...

Oi Alfredo,

Eu não acho que o chamado Globalismo é uma teoria da conspiração, muito pelo contrário, ele é simplesmente um termo que foi criado basicamente para reconhecer os aspectos nefastos da Globalização, que parte da esquerda já alertava lá trás, ainda nos anos 1980 e principalmente 1990, antes de ser "cool" criticar o processo. Portanto, o que estou dizendo basicamente é que não há necessidade do termo "Globalismo", basta reconhecer que a Globalização tem seus aspectos positivos e negativos, e debatê-los como uma coisa só, como de fato é.

O que eu acho que é uma teoria da conspiração é o tal do "governo global". Não que ele não esteja descrito em livros, mas muitas utopias e distopias estão descritas em livros, e ainda que tenham seus entusiastas muitas vezes, ainda que tenham até mesmo instituições organizadas para seu fomento, isto por si só não quer dizer que o processo todo seja factível. De certa forma, no mundo atual, crer que um "governo global" possa se formar com uma teoria política única e uma cultura única não é lá muito distante de crer que o Comunismo poderia dar certo em boa parte do mundo. Ou seja: sabemos que o Comunismo existe, sabemos que chegou a ser implementado com sucesso relativo em alguns cantos do planeta, mas isto não significa que ele nalgum dia teve sequer uma chance de ser um "governo global".

Neste sentido que sim, o "governo lobal" é teoria da conspiração; não tanto por uma análise política, muito mais por uma análise lógica.

Dito isso, reconheço que os grandes conglomerados empresariais monopolistas do mundo são o mais próximo de um "governo global" que já existiu desde Gengis Khan. A diferença é que eles compram Congressos, e não precisam "ser um Estado" nem ter de se envolver com o lado estatal que não lhes interessa. Eles são, em geral, um algoritmo de lucro, e não pessoas reais.

Abs
raph

19/1/18 09:49  
Blogger raph disse...

Já sobre Dugin, que não conhecia, cheguei a dar uma olhada e achei um sujeito de ideias bem radicais e curiosas. Tem até um movimento inspirado em suas ideias com seguidores no Brasil, a Nova Resistência:

http://novaresistencia.org/2018/01/11/dugin-a-luta-contra-o-liberalismo-possui-um-aspecto-antropologico/

Abs
raph

19/1/18 09:56  
Blogger raph disse...

"Aqui uma versão traduzida e editada em ebook.
https://www.amazon.com.br/Eua-Nova-Ordem-Mundial-Alexandre-ebook/dp/B00GTQ49GU"

Obrigado, adicionei ao meu Wish List porque é o tipo de coisa que é melhor ler em livro com mais calma.

E qualquer debate político que parte de visões opostas me interessa heh

19/1/18 10:02  
Blogger raph disse...

Finalmente, para não dizer que não falei do Olavo: eu discordo de boa parte das visões políticas dele, mas não acho válido para o debate simplesmente ignorá-lo ou pior, demonizá-lo; até mesmo porque, ao contrário de um Constantino da vida, que está mais para "comentarista nerd de economia", o Olavo tem de fato um background filosófico incrível - digo, ele é de fato um intelectual, isso não se pode negar.

E, pois então, ao contrário de muita gente da chamada "mídia alternativa", ele fala em "megaempresa global", e não em "governo global". Neste ponto demonstra uma grande lucidez, e acredito que deva compreender que não existe corrupto sem corruptor, e que não existe Tecnocracia sem Congressos comprados. Só tenho curiosidade de saber a opinião dele sobre o lobby empresarial ser legal nos EUA :)

https://youtu.be/ggM4rAL5NWA

21/1/18 01:14  
Blogger Gustavo Macedo disse...

Pois é Raph, o Olavo fala justamente dessa impossibilidade de criar um governo global, embora exista pessoas e livros que acreditem nisso, e também embora, só porque há uma impossibilidade para a criação de um governo global real, não quer dizer que seus efeitos negativos não possam ser sentidos pelas ações daqueles que acreditam nisso. Ele usa o exemplo do comunismo.

Há um outro debate entre Olavo e Paulo Almeida em que eles tratam justamente desse tema.
https://www.youtube.com/watch?v=CkgQhnApLow

Abraço

24/1/18 02:27  
Blogger raph disse...

Sim, mas no debate o Olavo fala claramente em "uma imposição do poder econômico sobre as culturas e tradições locais". Diz que a "esquerda elitista" acaba seguindo a agenda "globalista" ao defender a abertura de fronteiras e imigração, mesmo que não saiba, e que é somente a "direita populista", junto com os nacionalistas conservadores, que de fato se coloca contra a "agenda econômica globalista". Ele não quis dizer ali, mas claramente coloca os liberais não conservadores e libertários mais na conta dos que "contribuem para o globalismo sem querer", o que provavelmente seria o caso do Paulo Almeida, com quem ele debatia ali.

Normal: cada um defende o seu lado com a honestidade ou desonestidade intelectual que lhe compete. No entanto, o diagnóstico dele sobre o "globalismo" estar a serviço do poder econômico, antes do poder estatal, este sim me parece extremamente lúcido.

No fim das contas, algoritmos de lucro não estão mesmo interessados em culturas e tradições locais, eles seguem somente o protocolo básico: conquistar monopólios, comprar Congressos, desregular no sentido de facilitar a conquista de mais monopólios, comprar mais Congressos etc. Isso roda até englobar o planeta, e não tem nenhuma necessidade de haver "governo global" aí, isso eles deixam pros tecnocratas na sua folha de pagamento.

Abs
raph

24/1/18 14:38  

Postar um comentário

Toda reflexão é bem-vinda:

‹ Voltar a Home

Related Posts with Thumbnails