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6.2.09

A história de um tópico

Vai fazer um ano que o tópico "A Pergunta de Aristóteles" vem sendo discutido na comunidade Física Quântica - A Revolução, do Orkut. Como havia postado anteriormente, o tópico trata de possível existência do espírito, e de como este se ligaria ao corpo. Nesse interim, o tópico obteve mais de 5 mil respostas, e formou algumas amizades... nem todas apenas entre espiritualistas.

A comunidade em questão trata de física quântica e sua possível, e polêmica, relação com a consciência humana. Isso dá margem para algumas discussões sérias sobre os paralelos entre ciência e espiritualidade, algumas discussões extritamente científicas e, como era de se esperar, um monte de "baboseira quântica" que, na maior parte das vezes, não é nem científica nem espiritualista - "florais quânticos", "bissexualidade quântica", dentre outros... Com o tempo, e o acúmulo de tópicos fora da proposta da comunidade, os moderadores decidiram deletar os novos tópicos que não tivessem nenhuma relação com a quântica, mas este de que falo felizmente foi respeitado e mantido "vivo".

Minha reflexão não é sobre nada do que é discutido no tópico em si, mas sobre sua relação com o restante da comunidade, ou seja, com os céticos que lá frequentam. Por vezes, me peguei a imaginar o que será que pensavam sobre o tópico, pois sei que muitos as vezes davam uma olhadela - "O que será que esses malucos devem estar falando agora?" - deveriam pensar... Mas não é interessante que tenham aprendido a conviver com isso? Que, ao contrário de alguns "céticos evangelizadores", não tenham julgado-nos imbecis de antemão, ou completos ignorantes em ciência e física quântica? Talvez o fato de um dos que respondiam frequentemente ser um físico-ocultista tenha ajudado, mas não acho que tenha sido essencial. O fato é que os céticos aprenderam a conviver com os espiritualistas "ali na sala estranha da comunidade".

Acredito que nós (espiritualistas confessos) aprendemos também que nem todos os céticos são "evangelizadores" - "Vocês não podem acreditar em X e Y, essas teorias não são científicas e os farão cada vez mais estúpidos, vocês devem acreditar em W e Z, que são de acordo com a ciência!" - e que mesmo alguns operam quase numa relação de curiosidade descompromissada em relação a espiritualidade, como Bohr fez com o I Ching, como decerto muitos cientistas da história tenham feito, e tirado alguma inspiração daqui e dali.

No meio do caminho, também apareceram os "crentes", do tipo que acredita que já encontrou a Verdade Absoluta em um livro. E eles, a semelhança dos "evangelizadores" do parágrafo acima, também falaram - falaram - falaram - e não ouviram absolutamente nada - e se retiraram.

Que possamos, céticos e espiritualistas, tirar alguma lição desse tópico - que é possível que o outro, mesmo tendo uma crença (ou descrença) aparentemente absurda para nós, nos ensine algo, ou mesmo muitos "algos" - melhor falar sobre o que acreditamos ser nossa verdade atual, mas manter os ouvidos "destravados" para também ouvir, afinal aquele que diz "cheguei a Verdade Absoluta" é possivelmente o maior ignorante.

***

Completo com a reflexão do amigo Abenides, que deu origem ao tópico em questão:

Este tópico sobreviveu por vários motivos.
Pela liberdade de manifestar o pensamento;
Pelo treinamento do respeito às idéias alheias;
Pelo combate ao fanatismo;
Pelas idéias coerentes, embora contrárias ao nosso pensar;
e também pela qualidade dos participantes, por que não?

Aqui as pedras se batem para polir e não para soltar faiscas.

***

Crédito da imagem: TheAlieness GiselaGiardino (clicando na imagem ela abre em tamanho maior - trata-se da relação entre o I Ching e o Genoma)

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