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15.4.10

Cronologia das religiões

Cronologia do nascimento das principais religiões e sábios do mundo, dos textos védicos ao movimento da nova era:

Textos védicos do hinduísmo
(a tradição oral data da antiga Índia)
c. 4500-3000 a.C.
Sabedoria cultural e xamanismo de todos os continentes -
África, Europa, Américas do Sul e do Norte, Ásia
(as tradições orais datam da pré-história)
c. 4000-3000 a.C.
O Livro dos Mortos,
obra principal da religião do antigo Egito
c. 1580-1160 a.C.
I Ching,
a mais antiga obra mística da antiga China
c. 1350-1200 a.C.
Krishna, divindade hindu c. 1500 a.C.
Textos xintoístas
(a tradição oral data do Japão pré-histórico)
c. 1500 a.C.
Judaísmo c. 1300 a.C.
Moisés c. 1300 a.C.
Rei Salomão c. 970 a.C.
Orfeu, fundador do orfismo c. 700 a.C.
Lao-Tsé, principal fundador do taoísmo c. 604-515 a.C.
Mahavira, principal fundador do jainismo 599-527 a.C.
Buda c. 573-483 a.C.
Pitágoras, fundador da escola pitagórica c. 570-497 a.C.
Confúcio 551-479 a.C.
Sócrates c. 470-399 a.C.
Platão 429-348 a.C.
Mêncius, colaborador chinês do confucionismo c. 370-290 a.C.
Ashoka, colaborador indiano do budismo 304-232 a.C.
Estoicismo c. 300 a.C.
Jesus c. 5 a.C.-30 d.C.
Paulo de Tarso c. 5-67 d.C.
O Evangelho de Tomé,
o mais profundo texto atribuído ao gnosticismo
c. 50-140 d.C.
Corpus Hermeticum,
obra que deu origem ao hermetismo
c. 100-200 d.C.
Constantino I, colaborador romano do cristianismo 272-337 d.C.
Códice Sinaítico,
a mais antiga versão da Bíblica em grego
c. 350 d.C.
Maomé 570-632 d.C.
Sufismo c. 800 d.C.
Guru Nanak, fundador do siquismo 1469-1538 d.C.
Reforma Protestante
(deu origem a inúmeras vertentes do cristianismo)
1517 d.C.
Candomblé(*)
(a tradição oral data da antiga África)
c. 1549 d.C.
Bento de Espinoza, autor da Ética 1632-1677 d.C.
Bahá'u'lláh, fundador do bahaísmo 1817-1892 d.C.
Mórmons (Santos dos Últimos Dias) 1830 d.C.
Antiteísmo (ou neo-ateísmo) c. 1833 d.C.
Espiritismo 1857 d.C.
Rabindranath Tagore, autor do Gitanjali 1861-1941 d.C.
Testemunhas de Jeová 1870 d.C.
Teosofia 1875 d.C.
Gibran Khalil Gibran, autor de O Profeta 1883-1931 d.C.
Umbanda(*) 1908 d.C.
Chico Xavier, colaborador brasileiro do espiritismo 1910-2002 d.C.
Logosofia 1930 d.C.
Richard Dawkins, colaborador britânico do antiteísmo 1941 d.C.
(ainda vivo)
Movimento da Nova Era 1960 d.C.

(*) Religiões brasileiras.

Obs: Alguns podem questionar a dispariedade de importância histórica entre algumas religiões e doutrinas citadas. Não é minha intenção igualar sua importância, o cristianismo - por exemplo - sem dúvida tem uma influência mundial bem maior do que a teosofia ou o movimento de nova era. Da mesma forma, essa não pretende ser uma lista de 99% das religiões do mundo; obviamente eu optei por adicionar a lista algumas religiões que atrairam minha simpatia ou curiosidade ao longo dos estudos...

Obs (2): Outros podem questionar a presença do antiteísmo na lista, ou mesmo achar que é uma brincadeira ou "alfinetada" nos neo-ateus. Mas não: assim como certas vertentes do budismo não fazem nenhuma referência a Deus, e continuam sendo seguidas como uma religião, o antiteísmo - com sua necessidade de "evangelização" - não difere em nada de uma religião estabelecida.

Fontes: "Unidade" de Jeffrey Moses (ed. Sextante), Wikipedia, Early Christian Writings.

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Veja também: 5 mil anos de religião (mapa animado), Os 10 melhores livros sagrados e nossa biblioteca no Scribd

Crédito da imagem: Universalistas

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6.7.09

O trilhar

O I Ching, oráculo chines, possui um hexagrama muito interessante, é o 10, "O trilhar".

Composto por 2 trigramas, tem na sua parte inferior o trigrama referente ao Lago e no superior o Céu.

Significa o caminho da mente; e a figura simbolizada na naureza é o reflexo do Céu no Lago.

O Lago é nossa mente, O Céu a espiritualidade, quanto mais o Lago estiver calmo, mais nitidamente ele vai refletir o Céu; quanto mais agitar a água do Lago, mais distorcida será a imagem nele refletida, até um ponto onde nada mais se refletirá nele, só a agitação de suas próprias águas.

Mentalizar a simbologia deste hexagrama pode ser um excelente exercício mental para práticas de meditação.

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Fonte: Aaron da comunidade Consciência com Ciência, do Orkut.

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4.3.09

Reflexões sobre o ceticismo, parte 2

continunando da parte 1...

Mecânica quântica: é o estudo dos sistemas físicos cujas dimensões são próximas ou abaixo da escala atômica, tais como moléculas, átomos, elétrons, prótons e de outras partículas subatômicas. A Mecânica Quântica é um ramo fundamental da física com vasta aplicação. Para compreender melhor este artigo é recomendado ver esta animação explicando a dualidade onda/partícula pelo experimento de fenda dupla.

Quando a quântica deixa de ser física.

Para começar nossa história, vamos trazer a informação deste artigo da Superinteressante sobre o livro mais antigo do mundo:

"Os físicos do século 20 descobriram que as partículas que compõem a matéria estão em perpétua transformação: prótons se convertem em elétrons que se convertem em nêutrons, e assim por diante. O Universo não é algo estático, mas uma massa de energia em constante transformação, uma teia de processos infinitos e dinâmicos – ou mutações. E mais: o fluxo de metamorfoses que domina o mundo subatômico e forma tudo o que existe é regido pela dança de opostos. Os elétrons de carga negativa giram em torno dos núcleos de carga positiva, formando o átomo e o Universo.

Niels Bohr, um dos pais da física quântica, ajudou a derrubar a noção de que as leis que regem o Cosmos são independentes da matéria – em vez disso, hoje se acredita que essas leis emanam da própria energia em mutação que forma o mundo. Idéia que pode ser resumida no seguinte lema: 'As leis naturais não são forças externas às coisas, mas representam a harmonia e o movimento inerente às próprias coisas'. Note bem: essa frase não saiu de um livro de física. É um trecho do I Ching."

Na história da ciência, engana-se quem imagina que encontram-se apenas gênios racionais, porém absolutamente materialistas. Como dito anteriormente, a ciência não é materialista nem espiritualista, é apenas um método racional de observação e compreensão da Natureza. Ora, Niels Bohr foi genial, um dos pais da física quântica, mas não usou apenas sua razão para chegar a criação e comprovação dos ramos científicos pelos quais é reconhecido: sem dúvida, não apenas ter lido o I Ching e pesquisado doutrinas espiritualistas, como também não ter tido receio de usar sua própria imaginação, decerto o ajudou imensamente, talvez tanto quanto o próprio estudo do cálculo em si.

Não é materialista quem crê na existência da matéria, fosse esse o caso alienado seria aquele que não fosse materialista. É materialista aquele que acredita que somente a matéria existe, e que tudo pode ser explicado através dela, incluindo a consciência... O problema não é crer especificamente que somente a matéria existe, mas crer que essa matéria se resume aquela matéria já detectada, do tipo que interage com a luz (fótons) - assim como crer que todos os mecanismos por detrás da formação e funcionamento dessa matéria já foram desvendados pela ciência (por exemplo: classificar de absurda por antemão uma teoria que afirme que "a alma" pode ser formada de "matéria desconhecida"). Se Bohr houvesse se limitado pelo que "já se sabia" sobre a matéria, teria sido materialista, teria ignorado o I Ching possivelmente, e seria um completo desconhecido na história da ciência.

Porém, não foi através do I Ching que Bohr compôs suas equações. O I Ching, a exemplo do que falamos sobre o ceticismo em si anteriormente, foi uma ferramenta e não um meio em si próprio: nesse caso, a espiritualidade e imaginação de Bohr o auxiliaram em suas descobertas científicas - porém, o que ele alcançou dentro da ciência, foi somente através do método científico. O problema está, obviamente, em se misturar os conceitos e os métodos.

Ultimamente a física quântica tem sido vítima dessa confusão. São livros, documentários e outras mídias que afirmam que "somente a consciência causa o colapso de onda, então a realidade física só existe porque a observamos", e que não param por aí, dizem mais adiante que "se podemos causar o colapso de onda, podemos moldar nossa própria realidade". Em suma, uma extrapolação não apenas da ciência, mas também de diversas noções espiritualistas, extrapolação esta que afirma que em última instância "as coisas a nossa volta ocorrem porque pensamos nelas, ou as desejamos."

Segundo a teoria da Redução Objetiva Orquestrada, dos cientistas Stuart Hammeroff e Roger Penrose, a consciência é fruto de processos quânticos no cérebro, e nossas decisões nada mais são do que "colapsos de onda de estados cerebrais" - essa teoria de que pensamentos e decisões podem ser explicados pela Mecância Quântica é não apenas de uma lógica elegante, como também resolve o problema da ausência de livre-arbítrio nas teorias que afirmam que absolutamente tudo, mesmo nossas decisões morais e sentimentos, são fruto de reações químicas do cérebro, que são por si mesmas já determinadas.

Muitos cientistas e espiritualistas viram essa teoria como uma forma de ligação entre o que diz a ciência e o que diz a espiritualidade. Amit Goswami é um físico polêmico que, à partir dessa teoria, chegou a inúmeras conclusões das quais infelizmente uma análise cética nos traz muitos poucos resultados, ou mesmo nenhum, que possam ser considerados à luz da ciência. Mas pelo menos Goswami partiu de uma teoria científica, infelizmente não precisamos nem de muito ceticismo para perceber que muitas outras teorias pseudocientíficas acerca da Mecânica Quântica e da consciência não passam de uma espécie de mistificação da espiritualidade, também sem nada de realmente científico.

Analisemos a teoria mais comum em muitos desses livros, que diz que "qurendo muito podemos modificar a realidade a nossa volta": imaginemos duas ruas transversais, um cruzamento com um sinal para cada uma, e um motorista em cada uma delas, dirigindo seus respectivos carros em direção ao cruzamento, ainda um pouco distante. O motorista A, usando dessa teoria, pode imaginar que o sinal deve ficar verde enquanto ele está cruzando. O motorista B fará o mesmo. Então, o que diabos ocorrerá? Será que a Natureza irá "medir" quem está "desejando mais forte" que o final fique verde, e julga-lo o ganhador? Ou pior, será que a Natureza não fará absolutamente nada e ambos se encontrarão em um acidente estúpido? Ou um dos motoristas, reconhecendo "sua falta de fé", irá freiar o carro bem a tempo? Qual o "segredo" nessa teoria? O "segredo" é que ela é ilógica, injusta, e portanto não serve nem para a ciência nem para a espiritualidade (tudo bem, muitos espiritualistas até tem uma visão utópica de que "pela fé tudo conseguimos", mas se isso significa prejudicar o direito do próximo, de que vale uma "fé que favorece a injustiça"?).

Nesse sentido verificamos que o ceticismo é uma poderosa ferramenta para que julguemos de forma responsável e justa teorias científicas e espiritualistas. Pode ser que o ceticismo as vezes nos leve a lugares sombrios, mas enquanto estiver baseado na lógica, na ponderação e coerência de pensamento, ainda assim será um poderoso aliado nessa jornada pela selva dos mistérios da Natureza. Nosso facão para cortar as matas da ilusão, mas também para formar uma trilha coesa em direção as maravilhas que a Natureza ainda nos esconde.

Na última parte, a energia na ciência e a energia na espiritualidade...

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Crédito da foto: Mark Miller e The Virgo Consortium

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6.2.09

A história de um tópico

Vai fazer um ano que o tópico "A Pergunta de Aristóteles" vem sendo discutido na comunidade Física Quântica - A Revolução, do Orkut. Como havia postado anteriormente, o tópico trata de possível existência do espírito, e de como este se ligaria ao corpo. Nesse interim, o tópico obteve mais de 5 mil respostas, e formou algumas amizades... nem todas apenas entre espiritualistas.

A comunidade em questão trata de física quântica e sua possível, e polêmica, relação com a consciência humana. Isso dá margem para algumas discussões sérias sobre os paralelos entre ciência e espiritualidade, algumas discussões extritamente científicas e, como era de se esperar, um monte de "baboseira quântica" que, na maior parte das vezes, não é nem científica nem espiritualista - "florais quânticos", "bissexualidade quântica", dentre outros... Com o tempo, e o acúmulo de tópicos fora da proposta da comunidade, os moderadores decidiram deletar os novos tópicos que não tivessem nenhuma relação com a quântica, mas este de que falo felizmente foi respeitado e mantido "vivo".

Minha reflexão não é sobre nada do que é discutido no tópico em si, mas sobre sua relação com o restante da comunidade, ou seja, com os céticos que lá frequentam. Por vezes, me peguei a imaginar o que será que pensavam sobre o tópico, pois sei que muitos as vezes davam uma olhadela - "O que será que esses malucos devem estar falando agora?" - deveriam pensar... Mas não é interessante que tenham aprendido a conviver com isso? Que, ao contrário de alguns "céticos evangelizadores", não tenham julgado-nos imbecis de antemão, ou completos ignorantes em ciência e física quântica? Talvez o fato de um dos que respondiam frequentemente ser um físico-ocultista tenha ajudado, mas não acho que tenha sido essencial. O fato é que os céticos aprenderam a conviver com os espiritualistas "ali na sala estranha da comunidade".

Acredito que nós (espiritualistas confessos) aprendemos também que nem todos os céticos são "evangelizadores" - "Vocês não podem acreditar em X e Y, essas teorias não são científicas e os farão cada vez mais estúpidos, vocês devem acreditar em W e Z, que são de acordo com a ciência!" - e que mesmo alguns operam quase numa relação de curiosidade descompromissada em relação a espiritualidade, como Bohr fez com o I Ching, como decerto muitos cientistas da história tenham feito, e tirado alguma inspiração daqui e dali.

No meio do caminho, também apareceram os "crentes", do tipo que acredita que já encontrou a Verdade Absoluta em um livro. E eles, a semelhança dos "evangelizadores" do parágrafo acima, também falaram - falaram - falaram - e não ouviram absolutamente nada - e se retiraram.

Que possamos, céticos e espiritualistas, tirar alguma lição desse tópico - que é possível que o outro, mesmo tendo uma crença (ou descrença) aparentemente absurda para nós, nos ensine algo, ou mesmo muitos "algos" - melhor falar sobre o que acreditamos ser nossa verdade atual, mas manter os ouvidos "destravados" para também ouvir, afinal aquele que diz "cheguei a Verdade Absoluta" é possivelmente o maior ignorante.

***

Completo com a reflexão do amigo Abenides, que deu origem ao tópico em questão:

Este tópico sobreviveu por vários motivos.
Pela liberdade de manifestar o pensamento;
Pelo treinamento do respeito às idéias alheias;
Pelo combate ao fanatismo;
Pelas idéias coerentes, embora contrárias ao nosso pensar;
e também pela qualidade dos participantes, por que não?

Aqui as pedras se batem para polir e não para soltar faiscas.

***

Crédito da imagem: TheAlieness GiselaGiardino (clicando na imagem ela abre em tamanho maior - trata-se da relação entre o I Ching e o Genoma)

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