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18.4.18

Fé e Razão (Reflexões no YouTube)

Começo minha carreira no YouTube trazendo uma pergunta muito interessante da época do Orkut, e aproveito para falar um pouco de ceticismo, espiritualidade, médiuns, desmistificadores e, como não poderia faltar, Deus:

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!

Obs.: Até que para um vídeo inicial ficou bem razoável. Tive problemas com a definição da imagem (que só foram realmente percebidos após o envio do vídeo), mas pelo menos o áudio já ficou ok. Não liguem para a "estante torta" ao fundo; minha casa não está desnivelada, mas talvez ainda leve alguns vídeos para eu deixar tudo mais "horizontal".


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27.7.11

Livro: A pergunta de Aristóteles

Já foi lançado o livro "A pergunta de Aristóteles", pela Editora Baraúna. O livro não é meu, mas de autoria de um amigo - Abenides Afonso de Faria. No entanto, se trata de uma grandiosa compilação de uma das mais longevas e interessantes discussões online de que já participei. Abenides foi também o iniciador do tópico "A pergunta de Aristóteles", que vem sendo discutido na comunidade Física Quântica - A Revolução, do Orkut, desde 25/05/07 (e hoje conta com mais de 15 mil respostas, e contando, apesar do Orkut não ser mais o mesmo de anos atrás).

Eu fico muito feliz de poder dizer que sou um dos "personagens principais" da discussão (apesar de só aparecer inicialmente lá pela página 60); E, se lerem o livro todo, verão que muito do que foi debatido lá serviu de base para inúmeras reflexões que foram posteriormente desenvolvidas em maior profundidade no meu blog (este blog). Além disso, eu também escrevo o prefácio do livro.

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A pergunta de Aristóteles
O pensamento central do livro é a coleta de informações sobre o que pensa um grupo de pessoas que se propõe a trocar idéias sobre a polêmica aproximação entre a ciência oficial e a espiritualidade. Nos diálogos aparecem opiniões das mais variadas correntes do pensamento representadas por pessoas dos mais variados tipos psicológicos. Até aí nenhuma novidade, mas o que mais impressiona é que a troca de informações vai sendo conduzida de tal forma que se estabelece o respeito e a liberdade entre os membros da comunidade, não sem antes passar por algumas rusgas que se resolvem no decorrer dos diálogos. Observa-se também que a intenção de fazer proselitismo de uma corrente ou outra não tem lugar, pois a essência de um diálogo de alto nível intelectual não admite dogmatismo ou fanatismo.
A pergunta de Aristóteles: Como o espírito se une ao corpo? É o pano de fundo e o combustível para os debates que se traçaram entre o espiritismo, teosofia, ocultismo, ceticismo, logosofia, e até palpites desprovidos de qualquer racionalidade, mas que dão uma pitada de humor. As respostas foram apresentadas de acordo com o que até o momento pensam os representantes de cada corrente. Nenhum dos membros sustentou a imposição de suas opiniões e surgem várias respostas: o espírito se une ao corpo através da glândula pineal, do perispírito, da faculdade de sonhar, do cordão de prata, etc. Inclusive aqueles que se declararam contra qualquer idéia de dualidade. Porém, como o objetivo não é doutrinar, a resposta ficará a cargo do leitor que certamente meditará sobre o assunto. Fica no ar o vazio que surge da necessidade de se desenvolver uma mente mais capaz.

» Comprar o livro no site da Editora Baraúna

» Leia o eBook neste site

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13.2.11

Prefácio para "A pergunta de Aristóteles"

Texto escrito a convite do amigo Abenides, iniciador do tópico "A pergunta de Aristóteles", que vem sendo discutido na comunidade Física Quântica - A Revolução, do Orkut, desde 25/05/07. Este possivelmente será o prefácio de um livro organizado por ele, onde constarão algumas das primeiras centenas de respostas ao tópico (que hoje já tem mais de 14 mil).

Tudo começou com uma curta pergunta, algumas palavras em uma frase de simples entendimento, apenas alguns bits de informação; Mas a resposta – ou as inúmeras tentativas de resposta – se estendeu por centenas de posts ao longo dos anos.

E estávamos todos na crista da modernidade, em um fórum sobre física quântica e suas possíveis relações com a espiritualidade, hospedado em algum servidor na Califórnia, num site de redes sociais criado nas horas vagas por um engenheiro turco do Google.

O modo como nos comunicamos e trocamos informações pode ter mudado bastante desde que Aristóteles fez essa mesma pergunta a séculos atrás, mas nossa inquietação perante ela continua praticamente a mesma – afinal, como exatamente o espírito se une ao corpo?

Em um ambiente freqüentado por físicos e simpatizantes da ciência em geral, obviamente primeiro era preciso definir o que diabos era o espírito. Para os céticos de negação, de opinião cristalizada, era fácil zombar de quem aparentemente acreditava em coisas imateriais, não detectadas, fantasmas e assombrações... Outros, porém, de olhos mais atentos, ficaram um tanto curiosos quando alguns de nós falavam em materialidade do espírito, em partículas fluidas, não detectáveis pela luz (como os outros 96% da matéria e energia do universo), a compor corpos dentro de corpos, corpos vestindo corpos, como nós mesmos vestimos alguma roupa.

Mas ainda era necessário compreender de que forma este espírito se manifestava no mundo que conhecemos, que é afinal de contas o mundo que estamos agora, onde fomos colocados, onde bem ou mal precisamos estudar e amar como todos os outros mundos deste Cosmos infinito. Daí a física quântica parecia a princípio deslocada...

Está certo, Feynman já havia dito que ninguém havia entendido nada de física quântica, mas certamente os físicos entendiam pouco mais do que os leigos. E ainda que Hameroff e Penrose tenham um dia postulado que nosso aparente livre-arbítrio na verdade deriva de reações descritas pela mecânica quântica em minúsculos tubos constituídos de proteínas dentro de nosso cérebro, isso não era suficiente para associar a física quântica ao espírito – até mesmo porque esta teoria não dispunha de muita credibilidade no meio acadêmico, a despeito de prestígio de seus criadores.

A ciência moderna envolveu-se neste monumental paradoxo: primeiro, no campo da neurologia, foi obrigada a postular a existência da consciência, para somente então tratar de reduzi-la ao mero tilintar de neurônios no cérebro, a um fruto de reações químicas já estabelecidas, a suprema ilusão de todos os seres – que crêem que possuem efetivamente a capacidade de escolha.

Mas a neurologia não resolveu o problema difícil da consciência, não faz sequer idéia do porque tomamos decisões morais ou imorais, altruístas ou egoístas, enfim, do porque diabos um bombeiro arrisca sua vida para salvar a vida alheia em ambientes inóspitos como um prédio em chamas... Da mesma forma, não é capaz de criar máquinas que interpretem informações, que falem sobre a “vermelhidão” do vermelho, que expliquem por meio de algoritmos porque gostaram mais de uma poesia do que da outra, que determinem o exato valor com que aquela menina ama seu cachorrinho...

Máquinas jamais serão consciências. Nós não somos máquinas, e mesmo que fossemos, ainda estaríamos muito distantes da engenharia reversa – de sermos capazes de construir a nós mesmos.

Então, algo nos escapa, a natureza não nos deixa relaxar. Se fomos criados por um Deus desconhecido ou pelo acaso, pouco importa, porque não compreendemos muito bem nem um nem outro. Se a consciência é mera ilusão e se tudo é definido por uma dança neuronal aleatória, então somos obrigados a seguir tal dança, e uns crêem e outros não, e uns matam e outros não, e uns amam e outros não, simplesmente pelos desígnios da deusa Fortuna.

Mas, se existe a consciência, se existe a alma, se existe o espírito, temos que nos re-conectar a nossa essência, ao nosso inconsciente oculto, para que possamos viver esta vida do aqui e agora, mundana, de maneira mais rica, mais profunda, mais poética, mais espiritual.

Se ainda temos alguma escolha, ainda que vivamos num reino estranho onde partículas ora são onda, ora são pontos, e tem apenas uma probabilidade de estar aqui e acolá, escolhamos compreender o incompreensível, mergulhar no mar revolto da natureza – revolto, mas convidativo.

Sejamos espiritualistas, físicos, ocultistas, céticos, filósofos, ou ainda tudo isso ao mesmo tempo, esta é uma pergunta que não podemos nos dar ao luxo de ignorar.


Rafael Arrais, 13/02/2011

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» Veja mais posts sobre "A pergunta de Aristóteles"

Crédito da foto: Juliana Aloia

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9.9.10

Frases (3)

As vezes entro em breves frenesis de reflexão que geram muitos pensamentos e frases, principalmente ao retornar do cafézinho após o almoço. As vezes "capturo" algumas frases no meu twitter, achei que esse conjunto merecia um post específico:

"A filosofia é a verdadeira auto-ajuda. Só que o 'auto' não vem de 'automático' e sim de 'auto-conhecimento'. Ajudar a si mesmo, sem esperar uma 'ajuda automática', dá mais trabalho e vende menos livros... Mas no fim, é a única ajuda real."

"Somos seres que interpretam informações de acordo com nossa vontade, e não máquinas que computam informações de acordo com alguma programação."

"O casamento é uma espécie de contrato pra garantir o amor. Mas o amor não dá garantias. Eu não acredito em casamento, acredito antes em amor."

"A idade é uma espécie de código para se medir a vida. Mas a vida não tem medidas. Eu não acredito em idade, acredito antes na vida desmedida."

"A nação é uma espécie de linha para se demarcar regiões. Mas a terra não tem fronteiras. Eu não acredito em nação, acredito antes na terra."

"A alma é uma espécie de cordeiro vestido de lobo. Mas a alma não pode ser vestida. Eu não acredito em lobos, acredito antes na alma desnuda."

"Os deuses são uma espécie de massa de pão repartida em uma festa. Alguns comem apenas migalhas. Bem-aventurados os que veem Deus em migalhas..."

"Deus não é uma solução, é um problema. Quem acha que encontrou solução, criou problema. Quem tenta resolver, vive como se não existissem problemas." [1]

"There are a few words and relations I like on english language - that now and here joins for nowhere; that night rhymes with light; that sunday is the day of Lord Sun; that tough is so close to thought and trough; and finally that heart is so close to hearth!" [2]

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[1] Esta é inspirada em frase do amigo Abenides na comunidade Fé e Razão do Orkut.

[2] Não faria sentudo traduzir, pois a frase fala de relações entre palavras na língua inglesa.

Crédito da imagem: Helen King/Corbis

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6.7.09

O trilhar

O I Ching, oráculo chines, possui um hexagrama muito interessante, é o 10, "O trilhar".

Composto por 2 trigramas, tem na sua parte inferior o trigrama referente ao Lago e no superior o Céu.

Significa o caminho da mente; e a figura simbolizada na naureza é o reflexo do Céu no Lago.

O Lago é nossa mente, O Céu a espiritualidade, quanto mais o Lago estiver calmo, mais nitidamente ele vai refletir o Céu; quanto mais agitar a água do Lago, mais distorcida será a imagem nele refletida, até um ponto onde nada mais se refletirá nele, só a agitação de suas próprias águas.

Mentalizar a simbologia deste hexagrama pode ser um excelente exercício mental para práticas de meditação.

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Fonte: Aaron da comunidade Consciência com Ciência, do Orkut.

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11.5.09

10 razões para ser cristão

Os debates acerca do cristianismo geralmente são um tanto inúteis, pois se resumem a ataques contundentes baseados nos equívocos da igreja, e defesas ardorosas fundamentadas no apego da fé de cada cristão. Em um dos debates no orkut (na comunidade Fé e Razão), um amigo iniciou um tópico chamado "10 motivos para ser cristão?"... Antes que o debate "pegasse fogo", respondi com o que compreendo como as "10 razões para ser cristão", inteiramente baseadas em minhas interpretações do Novo Testamento e de alguns "apócrifos", como o Evangelho de Tomé.

Razão
Observe que preferi usar o termo "razão" ao invés de "motivo" [1]. Acostumamos a interpretar esse termo como uma analogia a racionalidade e inteligência do ser humano, porém em sua origem, no logos grego, ele significava algo a mais (retirado da Wikipedia): "significava inicialmente a palavra escrita ou falada - o Verbo. Mas a partir de filósofos gregos como Heráclito passou a ter um significado mais amplo. Logos passa a ser um conceito filosófico traduzido como razão, tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da Ordem e da Beleza". Essa interpretação do logos como "uma razão conectada ao Cosmos" atinge seu ápice na filosofia estóica, que infelizmente foi apropriada e deturpada pela igreja cristã.

Falando em igreja, é preciso novamente analisar a origem das palavras, e dissociar os termos "igreja" e "religião":

Igreja
Do gregro ekklesia, foi a palavra escolhida pelos autores da Septuaginta (a tradução grega da Bíblia Hebraica) para traduzir o termo hebraico q(e)hal Yahveh, usado entre os judeus para designar a assembleia geral do "povo do deserto", reunida ao apelo de Moisés. Pode-se também interpretá-la de forma genérica como "a comunidade dos escolhidos por Deus". Esse termo pode ter outras interpretações parecidas, mas dificilmente alguma delas irá abarcar todos os povos da Terra. A igreja é essencialmente a igreja de alguns, e não de todos (no sentido em que não se aplica a todos, mas apenas a quem se converte a ela e aceita seus preceitos e dogmas).

Religião
Do latim re-ligare, significa literalmente "religação", mas é comumente interepretada como "religação aos deuses ou ao Cosmos". Também é associada ao termo em latim religio, usado na Vulgata, que pode ser interpretado como "reverência ao Deus dos deuses", embora aqui o termo já esteja intimamente ligado a uma crença específica. Obviamente o termo original pode ter inúmeras interpretações; Nem todas serão tão parecidas, mas certamente nenhuma delas pretenderá estabelecer o religare como uma crença em específico: aqui todos podem participar do mesmo religare, cada um a sua maneira e sem o intermédio de hierarquias eclesiásticas. Seria então um caminho espiritual, por assim dizer.

Se analisarmos, por exemplo, o Evangelho de Tomé, encontraremos lá um Cristo Sábio, não necessariamente crucificado, não necessdariamente avatar divino, não necessariamente fundador de uma igreja e não necessariamente salvador da humanidade. É principalmente através desse tipo de análise religiosa, e não eclesiástica (ou baseada em alguma teologia dogmática), que cheguei as dez razões:

1- Amar a si mesmo, sem egolatria, mas compreendendo sua própria fagulha divina (logos).

2- Amar ao próximo como ama a si mesmo.

3- Amar a toda a Criação acima de todas as coisas, pois que somos apenas parte dela (amar ao Cosmos ou a Deus).

4- Compreender que nada ocorre ao acaso e que tudo é dado a cada um segundo suas próprias obras.

5- Compreender que na Criação existem muitas moradas e que percebemos apenas uma pequeníssima parte delas.

6- Compreender que somos deuses em formação e que tudo que Cristo fez, faremos também, e muito mais.

7- Compreender que ainda sabemos muito pouco mesmo das coisas terrenas, e quase nada das coisas celestes, e que porisso mesmo a mensagem do Cristo ainda esteve longe de ser completa há 2 mil anos.

8- Compreender que o Consolador prometido pelo Cristo é a Verdade derramada por todas as criaturas da Terra, sem necessidade de um profeta em especial.

9- Compreender que essa vida é apenas parte de um Vida Maior, a qual o Cristo não poderia explicar há 2 mil anos, mas que talvez hoje possamos compreender melhor através da Verdade do Consolador.

10- Seguir o caminho do Cristo, o caminho do meio, de religação a Deus, e nos tornarmos, como ele, unificados com Deus.


Para aqueles que creem em um Livro Infalível, tais conclusões podem ser absurdas. Da mesma forma, para aqueles que apenas se preocupam em atacar as contradições da fé alheia, sem se preocupar em reconhecer seus méritos, toda religião será veneno por antemão, e tais conclusões nada significarão.

Mas felizmente ainda existem os moderados. Aqueles que não creem em dogmas, e que não precisam atacar a crença ou descrença alheia como forma de reafirmação da sua própria crença ou descrença... Esses talvez reconheçam nessas dez razões um "lampejo" do que o cristianismo poderia ter sido, se não fosse apropriado pelo Reino do Padre. Ora, na verdade ainda há tempo para fazer o real cristianismo reflorecer na Terra, dependerá apenas de nós, de todos nós, pois que só entraremos no Reino de Deus de mãos dadas.

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[1] Na verdade o logos é pessoal (único), no contexto da frase "10 motivos para ser cristão" não faz muito sentido a analogia. Porém achei importante mencionar o significado de logos como parte da fundamentação lógica deste tópico.

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Crédito da imagem: Wikipedia ("símbolo do peixe", recorrente no início de iconografia cristã)

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8.5.09

Reações a João de Deus

Quando soube de João de Deus pela primeira vez confesso que não fiquei muito entusiasmado. Meu interesse não era exatamente nas suas práticas de cirurgias espirituais, mas sim na "fama" que adquiriu fora do país: conheci-o antes através da Discovery Channel do que qualquer veículo nacional de mídia... E não para por aí: BBC, National Geographic, ABC e diversos outros canais estrangeiros já produziram diversas reportagens e documentários sobre ele. Não se trata de um "apelo à multidão", pois certamente não creio que apenas por que centenas de pessoas o visitam todos os dias ele seria um grande médium, ou mesmo que suas cirurgias espirituais realmente favorecessem a cura das enfermidades dos pacientes; Mas me parecia um caso curioso que um médium brasileiro houvesse alcançado certa "fama" antes fora do páis do que dentro, considerando-se que o espiritismo é muito mais difundido aqui do que lá fora. Além disso, obviamente o fato de João de Deus tratar de forma inteiramente gratuita me fez continuar a estuda-lo de forma séria.

Então soube que o médium se considera católico (às vezes, "incorporado" ele se diz espírita, mas na maioria das vezes se diz católico) e que admitia abertamente que as cirurgias físicas, invasivas, não faziam qualquer diferença no tratamento em si, que era totalmente fluido - tratava somente da "matéria espiritual" e não envolvia cortes (apenas em casos de catarata, as "raspagens de olho" fazem parte do tratamento em si, segundo o próprio médium). Ou seja: as cirurguas físicas serviam apenas para "aumentar a fé" dos pacientes, fazendo-os crer que o tratamento espiritual, invisível aos olhos, poderia funcionar (cabe lembrar que segundo o espiritismo cirurgias físicas e "incorporações" totais são amplamente descaconselhadas e não fazem parte dos estudos originais da doutrina, com Kardec).

Ah essa altura eu estava quase convencido que se tratava de charlatanismo: me parecia uma idéia idiota arriscar a saúde das pessoas apenas para que elas "possam ter maior fé no tratamento"... Inclusive considerando que João de Deus nunca cursou medicina, operava com aparelhagem tosca (ex: faca de cozinha), sem assepsia e sem anestesia! No entanto, pesquisando um pouco mais descobri que na verdade apenas uma pequena parte de seus pacientes faziam tais cirurgias, e as faziam porque pediam, não porque o médium recomendava que fizessem. Ou seja: os que não "conseguiam crer o suficiente" no tratamento espiritual, pediam por uma espécie da "placebo físico" para aumentar sua fé no tratamento. Além disso, em décadas desse tipo de operação, nunca houve caso de infecção ou piora grave de condições de saúde dos pacientes, ainda que isso desafiasse a ciência convencional.

Menos mal, pelo menos aos meus olhos o médium deixou de ser uma espécie de "açougueiro irresponsável" e passou a ser, talvez, um "pequeno charlatão" que visava apenas aumentar a fé das pessoas no tratamento espiritual (independente de ser efeito placebo ou não, fato é que o resultado de um tratamento em que temos fé tem maiores chances de ser positivo)... Mas, novamente, eu ainda não dispunha de informação suficiente - pesquisei sobre evidências das cirurgias físicas serem ou não fraudes. Para mim surpresa, encontrei um estudo da Associação Médica Brasileira atestando que as cirurgias eram reais! Apesar de inteiramente inconclusivo acerca da eficácia do tratamento em si, a AMB provou que as cirurgias não eram fraudes.

À partir da posse dessas informações, e considerando que não nutro pessoalmente nenhuma admiração especial ou repulsa para com João de Deus, me pareceu que utilizar esse estudo da AMB em discussões no orkut seria uma excelente maneira de verificar uma amostragem de moderados, em oposição aos radicais, como céticos que negam qualquer prática espiritualista de antemão, ou evangélicos que as relegam a "obra de Satanás"... O fato do médium se dizer católico era ainda um detalhe relevante para observar a reação dos católicos a tais informações.

Não vou citar nomes porque não vem ao caso (cada pessoa analisada será chamada por uma letra: "A", "B", "C", etc.). Abaixo segue um breve resumo da reação de certas pessoas as práticas de João de Deus e ao estudo da AMB que comprovou que as cirurgias são reais:

A
Caso clássico de cético com repulsa a quelquer prática espiritualista, que considera tudo "repugnante" e "obviamente fraudulento" de antemão. Apesar de ter conhecimentos avançados em ciência e filosofia, portou-se grosseiramente, apelando sempre que possível a ataques pessoais a minha pessoa (lembrando que eu estava apenas passando às informações adiante e deixava claro que não concordava com as cirurgias invasivas). Até o final do debate, sustentou que a pesquisa da AMB era também uma fraude, e que a totalidade dos canais estrangeiros que realizaram documentários sobre João de Deus estavam sendo "subornados" por agências de turismo que planejavam trazer europeus e americanos ao Brasil (mais precisamente a uma remota cidade do interior de Goiás). Mesmo a BBC, notoriamente um canal que prima pela isenção de suas fontes, ficou no mesmo "bolo de suborno".

B
A princípio parecia um cético mais moderado, mas quando "ouviu falar" em espiritismo partiu para o ataque pessoal, me acusando de ser apenas "mais um crente espírita" (além do que disse acima para "A", aqui também deixei claro que não sou espírita, minha religião é meu pensamento). Apesar de eu ter dito inúmeras vezes que não defendia a prática de cirurgia invasiva, até o fim do debate ignorou solenemente essa informação, e parecia convencido que eu era "um ardoroso defensor de João de Deus", e que ele era "meu herói". Pesa a seu favor pelo menos a atitude moderada de reconhecer que o estudo da AMB era válido e que as cirurgias eram de fato reais.

C
Uma reação genuinamente cética: admitiu que o estudo da AMB era válido sem "espernear" nem apelar a qualquer tipo de ataque pessoal. No entanto, fez questão de ressaltar o que a própria AMB diz: que o estudo é inconclusivo acerca da eficácia do tratamento em si. Atribuiu todo tipo de cura por tratamento espiritual ao efeito placebo, porém não soube seguir adiante de forma sólida quando lhe indaguei sobre "o que era exatamente o efeito placebo?". Apesar de obviamente ser desfavorável as práticas do médium, portou-se de forma exemplar dentro de um ceticismo genuíno e responsável.

D
Católico extremamente cético (se é que isso possa fazer sentido a você), a princípio ironizou e fez chacota acerca das informações trazidas, como é de seu costume em relação a qualquer temática espírita... Porém, talvez por ter descoberto que o médium se dizia católico, procurou investigar mais (nessa época não tinha achado ainda o estudo da AMB). Mesmo antes da comprovação da AMB, admitiu que "era um caso misterioso" e que a princípio não se tratava de charlatanismo (inclusive porque o médium não cobra pelo tratamento). Alguns meses depois, após analisar o estudo da AMB, admitiu que as cirurgias são mesmo reais e que "alguma coisa desconhecida da ciência convencional" estava ocorrendo. Não apelou para ataques pessoais, mas deixou como sempre bem claro que "não acredita em espíritos desencarnados".

E
Evangélico "semi-radical", ignorou por completo as informações e videos postados e resumiu o assunto dizendo que "era apenas mais um charlatão espírita"... Interessante que não tenha aproveitado a deixa para atribuir suas práticas a influência de Satanás na Terra.

F
Espírita admirador de João de Deus, que inclusive já foi tratado por ele e costuma postar avisando de eventuais documentários na TV brasileira (como o SBT Repórter), a princípio não gostou do meu post "João de Deus: Charlatão?", afirmando que "estava muito cético" e que "não destacava o aspecto moral e o amor emanado pelo médium e seus seguidores"; Expliquei que se tratava de um post direcionado a todos, espíritas e não-espíritas, céticos e não-céticos, e então ele admitiu "que pode ajudar, mas que duvidava muito que algum cético iria admitir que João de Deus operava milagres"... Na verdade nem mesmo eu afirmo que o médium "opera milagres", o que quer que ocorra em suas operações, deve ter uma explicação física plausível, apenas ainda não compreendida devidademente pela ciência convencional.

G
Livre-pensador e admirador da Logosofia, manteve-se à parte dos debates e apenas me aconselhou a "procurar saber por mim mesmo se as práticas espirituais do médium são reais e consistentes", e não "confiar em documentários e pesquisas apenas, ainda que sejam genuinamente científicas". Trata-se sem dúvida de um conselho válido. Quero aqui deixar claro que nunca visitei João de Deus pessoalmente e que não o defendo nem o repudio, e que porisso mesmo me pareceram honestas e pertinentes as análises acima.

Conclusão
Os médicos que realizaram o estudo pela Associação Médica Brasileira provavelmente não são espíritas, mas somente seu interesse em estudar a chamada medicina alternativa com maior cuidado já aponta uma tendência clara na medicina atual, de se tornar pelo menos um pouco mais receptiva a terapias complementares como acupuntura, homeopatia, "tratamento espiritual", etc.

O fato de terem comprovado que as cirurgias são reais de forma alguma prova como eficaz ou ineficaz o tratamento espiritual oferecido por João de Deus. Porém, pelo fato de ele atender gratuitamente e as pessoas o procurarem por livre e espontânea vontade, devemos evitar ataques sem base a sua idoneidade. Vale destacar novamente o estudo da AMB: "Nem a crença entusiasmada ou a descrença renitente ajudarão os pacientes ou o desenvolvimento da medicina".

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Crédito da foto: Revista Época.

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24.4.09

O paradoxo do sábio

Isso foi escrito pelo Ray da comunidade Filosofando no Orkut. Ao que chamei de "paradoxo do sábio", pois deixando as ironias de lado, é um risco que todo aquele que pretende dar conselhos de como se viver melhor (mesmo o meu "pensar para melhor viver") corre... Talvez seja por isso que muitos sábios não escreveram absolutamente nada, ou talvez não caiba ao sábio se preocupar com julgamentos.

- O que aquele homem está fazendo?
- Está escrevendo.
- Sobre o quê?
- Sobre como os outros devem viver.
- Mas... Por quê?
- Porque ele acha que todos vivem errado... Menos ele...
- E como ele vive?
- Escrevendo sobre como os outros devem viver.

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11.2.09

Crítica aos espíritas (3)

3. Do entendimento da Lei de Causa e Efeito

Muitos espíritas não entendem corretamente a Lei de Causa e Efeito (não é o mesmo que o Karma de doutrinas orientais).
Alguns associam essa lei ao dogma cristão de Céu/Inferno eternos, que é claramente refutado ponto a ponto em O Céu e o Inferno, de Kardec, e por qualquer pessoa com um mínimo de pensamento lógico.
Infalizmente esse dogma da pena eterna está tão incrustado na nossa sociedade ocidental, que por ignorância ou preguiça, muitos espíritas apenas substituem a Punição do Inferno Eterno pela Punição das Reencarnações Sucessivas em Sofrimento.

Ora, lógico que a idéia de reencarnarmos para expiar faltas passadas, por mais sofrida que seja e encarnação, ainda é bem mais lógica e justa do que a doutrina absurda do Inferno Eterno... no entanto, ainda esbarramos numa palavra que não tem razão de ser:

PU-NI-ÇÃO.

Ora, punição não existe... Ao longo da doutrina de Kardec, quantas vezes ouvimos que devemos antes agradecer por nossas adversidades, pois que é através delas que estamos realmente evoluindo moralmente, que ao longo da eternidade, é o que importa!
Mas quão difícil é para alguns espíritas compreenderem isso direito.
Pensemos na idade da Terra, 4 bilhões de anos, no tempo que o homem está aqui, milhões de anos, no tempo desde que Jesus esteve na Terra, 2 mil anos... E veremos que encarnações de 100 anos são como gotas no oceano do tempo eterno de Deus.

A Lei da Causa e Efeito não fala de punições, e sim de remédios e testes.
A todo doente devemos remediar a doença, e alguns remédios são amargos, mas curam mesmo assim!
A todo estudante devemos aplicar testes, para que demonstre a seus professores e confirme a si próprio que está em condições plenas de conhecimento sobre o que estudou. De que adiantaria uma escola que deixasse todos os seus alunos passar de ano sem testes? De que adiantaria uma outra que os expulsa sumariamente a qualquer erro de conduta ou falha, mesmo que grave?

Devemos sim nos dedicar para nos graduarmos o mais rapidamente possível, e não pensar em punições que existem só em nossa ignorância.

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Sobre a pena do Talião
Há um ponto que sempre me incomodou no espiritismo, a lei do Talião: olho por olho e dente por dente.

Eu defendo Gandhi quando ele diz:
"Olho por olho, e logo estaremos todos cegos."

Em O Céu e o Inferno temos casos de homens justos que morreram queimados em acidente, ou enterrados vivos (epilepsia de dias deixou-o como um cadáver), e etc. -- Depois ao se contatarem os espíritos eles diziam que fizeram isso para pagar na mesma moeda o que haviam praticado em vidas anteriores (mandar pessoas a fogueira no primeiro caso, no segundo jogar um criança num fosso e deixa-la para morte).

No entanto, em analisando os textos, mesmo se considerando que são meramente a visão dos espíritos que passaram por isso, é muito difícil qualquer um dizer que foi Deus quem impôs essas penas... Ou seja, o espiritismo pode evoluir, e já se passaram 150 anos. Hoje eu acredito que:

Esses espíritos não conheciam outra forma de justiça, e terminaram por aplicar a si próprios a pena do Talião.
Obviamente que na lei dos homens a pena do Talião é válida, então para apaziguar seu remorso e imensa dor moral após o desencarne (muito pior que a dor física de um possível Inferno), eles optaram por se sacrificarem dessa forma.

No entanto lembremos que Jesus disse: "Quero misericórdia, não sacrifício".
Portanto, acredito que espíritos mais evoluídos em sua moral escolhem sempre a CARIDADE para pagarem penas passadas, e não essas adversidades fatais. O maior exemplo disso é Chico Xavier: foi doente toda a vida, mas nenhuma dor física proveniente de suas doenças pôde impedi-lo de fazer caridade toda a vida... Portanto acredito que um espírito evoluído jamais escolha o sacrifício próprio acima da caridade com o próximo.

Vale lembrar que para um espírito fraco, escolher o sacrifício é mais fácil do que a caridade.
A caridade exige força de vontade, o sacrifício não, pois é escolhido antes do nascimento e quando o espírito não tem vínculos emocionais com a vida futura.
A caridade é uma obra em andamento, o sacrifício é um grito desesperado por reparação.
Ou seja, evolue-se pela dor ou pelo amor. Mas evolue-se sempre.

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6.2.09

A história de um tópico

Vai fazer um ano que o tópico "A Pergunta de Aristóteles" vem sendo discutido na comunidade Física Quântica - A Revolução, do Orkut. Como havia postado anteriormente, o tópico trata de possível existência do espírito, e de como este se ligaria ao corpo. Nesse interim, o tópico obteve mais de 5 mil respostas, e formou algumas amizades... nem todas apenas entre espiritualistas.

A comunidade em questão trata de física quântica e sua possível, e polêmica, relação com a consciência humana. Isso dá margem para algumas discussões sérias sobre os paralelos entre ciência e espiritualidade, algumas discussões extritamente científicas e, como era de se esperar, um monte de "baboseira quântica" que, na maior parte das vezes, não é nem científica nem espiritualista - "florais quânticos", "bissexualidade quântica", dentre outros... Com o tempo, e o acúmulo de tópicos fora da proposta da comunidade, os moderadores decidiram deletar os novos tópicos que não tivessem nenhuma relação com a quântica, mas este de que falo felizmente foi respeitado e mantido "vivo".

Minha reflexão não é sobre nada do que é discutido no tópico em si, mas sobre sua relação com o restante da comunidade, ou seja, com os céticos que lá frequentam. Por vezes, me peguei a imaginar o que será que pensavam sobre o tópico, pois sei que muitos as vezes davam uma olhadela - "O que será que esses malucos devem estar falando agora?" - deveriam pensar... Mas não é interessante que tenham aprendido a conviver com isso? Que, ao contrário de alguns "céticos evangelizadores", não tenham julgado-nos imbecis de antemão, ou completos ignorantes em ciência e física quântica? Talvez o fato de um dos que respondiam frequentemente ser um físico-ocultista tenha ajudado, mas não acho que tenha sido essencial. O fato é que os céticos aprenderam a conviver com os espiritualistas "ali na sala estranha da comunidade".

Acredito que nós (espiritualistas confessos) aprendemos também que nem todos os céticos são "evangelizadores" - "Vocês não podem acreditar em X e Y, essas teorias não são científicas e os farão cada vez mais estúpidos, vocês devem acreditar em W e Z, que são de acordo com a ciência!" - e que mesmo alguns operam quase numa relação de curiosidade descompromissada em relação a espiritualidade, como Bohr fez com o I Ching, como decerto muitos cientistas da história tenham feito, e tirado alguma inspiração daqui e dali.

No meio do caminho, também apareceram os "crentes", do tipo que acredita que já encontrou a Verdade Absoluta em um livro. E eles, a semelhança dos "evangelizadores" do parágrafo acima, também falaram - falaram - falaram - e não ouviram absolutamente nada - e se retiraram.

Que possamos, céticos e espiritualistas, tirar alguma lição desse tópico - que é possível que o outro, mesmo tendo uma crença (ou descrença) aparentemente absurda para nós, nos ensine algo, ou mesmo muitos "algos" - melhor falar sobre o que acreditamos ser nossa verdade atual, mas manter os ouvidos "destravados" para também ouvir, afinal aquele que diz "cheguei a Verdade Absoluta" é possivelmente o maior ignorante.

***

Completo com a reflexão do amigo Abenides, que deu origem ao tópico em questão:

Este tópico sobreviveu por vários motivos.
Pela liberdade de manifestar o pensamento;
Pelo treinamento do respeito às idéias alheias;
Pelo combate ao fanatismo;
Pelas idéias coerentes, embora contrárias ao nosso pensar;
e também pela qualidade dos participantes, por que não?

Aqui as pedras se batem para polir e não para soltar faiscas.

***

Crédito da imagem: TheAlieness GiselaGiardino (clicando na imagem ela abre em tamanho maior - trata-se da relação entre o I Ching e o Genoma)

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16.12.08

O pensamento mais puro

"Qual é o seu pensamento mais puro? No qual você deposita confiança incodicional?"

De que a vida tem um Sentido, de que é um efeito inteligente de uma causa igualmente inteligente. De que em qualquer parte que vá no Universo externo ou interno, não estarei nunca, nem por um segundo, desconectado desse Sentido.

***

Obrigado pela pergunta do amigo Abenides, do Orkut.

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11.4.08

Crítica aos espíritas (2)

2. Da autoridade dos espíritos

É muito comum entre os espíritas dar valor elevado a qualquer declaração vindo de um espírito desencarnado... Dirão esses que "eles que estão desencarnados e se comunicam são espíritos de luz e sabem muito mais do que nós."
Ora, nos próprios livros de Kardec se fala claramente que cada espírito, desncarnado ou encarnado, só pode falar sobre o que sabe, nada mais e nada menos.

Acaso se nos comunicassemos com Einstein desencarnado, esperariamos ouvir conhecimentos sobre a física das esferas, ou conhecimentos sobre poesia? Ao nos comunicar com Tolstói esperariamos ouvir grandes falas poéticas ou detalhes sobre a biologia dos seres do astral?
E o que dizer de um ex-assassino que vaga sem rumo pela Terra, preso pelo próprio peso de seu coração, estaria ele com alguma autoridade para nos falar de QUALQUER noção de moral?

No próprio Evangelho Segundo o Espiritismo, ao final, temos diversas cartas de espíritos zombeteiros tentando se passar por Jesus e outros santos... Não eram demônios, não eram de todo mal, queriam só um pouco de atenção dos encarnados, mas suas "brincadeiras" em nada edificariam a doutrina de Kardec.
Doutrina essa que foi codificada por um educador, homem antes cético e de ciências, e que só confiou nos espíritos após meticulosa análise de sua moral e da forma como se comunicavam.

O que dizer das centenas de romances "espíritas" que circulam pelas listas de mais vendidos? Serão todos esses espíritos de luz? Será que em cada esquina encontra-se um Sto. Agostinho, um Emmanuel, um São Luís, a espera de poder se comunicar?
Pudéssemos ter um livro de cosmologia das esferas psicografado por Carl Sagan ou outro gênio da ciência, poderíamos dar o devido valor...

Agora, acreditar que qualquer espírito sabe muito só porque está no outro brana, é querer acreditar em fantasias vãs.

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A pergunta de Aristóteles

Esse tópico resultou em uma discussão bem interessante na comunidade Física Quântica, a Revolução, do Orkut.

*

Abenides
Faz mais de 2.500 anos que Aristóteles perguntou: Como o espírito se une ao corpo? Esta pergunta já foi respondida?

Ivan
Essas ainda nao me responderam: Espiritos existem? Como EXATAMENTE eles sao?

Abenides
MENTE EXISTE? Como exatamente ela é?

Ivan
Mente eh o nome que damos a nossa capacidade de sabermos que existimos e de perceber o nosso meio. Mas realmente nao sabemos ainda como ela funciona (mas a neurociencia ja esta chegando a bons resultados).
Quanto a espiritos, cabe a voce mostrar que eles existem (o onus da prova eh de quem afirma e nao de quem nega).

Abenides
Eu busco saber como a mente funciona. Veja o meu raciocínio: O homem para conhecer o seu corpo físico, dissecou-o e descobriu que tinha vários sistemas funcionando tais como: sistema circulatório, sistema disgestivo, etc. Para conhecer a composição psicoespiritual necessita-se dissecar a mente, a sensibilidade para descobrir os sistemas que faz com que ela funcione.
Quando eu falo de espírito eu não estou me referindo ao espírito do espiritismo. Me refiro ao prolongamento da mente, onde ainda não chegamos para conhecer. Ou você acha que o limite da mente humana é o conhecimento onde se chegou? A mente vai além daquilo que conhecemos atualmente, entra pelo lado da consciência, e vai além. Eu estudo uma mente que pode ir além. Como não tenho outra palavra melhor me utilizo da palavra espírito, mas poderemos batizá-la como um nome mais apropriado quando descobrirmos mais da sua essência. Me entende?

Ivan
Mas pode nao ser. Um dia tudo ja teve uma explicaçao mistica, mas aos poucos foi se mostrando que a natureza eh simples e tem um funcionamento preciso independente de existirmos ou nao. A mente ainda eh algo pouco explorado porque o sistema neurologico eh extremamente complexo e dificil de estudar. Eh muito consideravel que sejamos produto das leis naturais e nossa mente uma consequencia da evoluçao da nossa especie (no sentido biologico).
Nao vejo logica em uma mente sem corpo. Primeiro porque ja foi mostrado que os fenomenos cerebrais estao diretamente ligados a reaçoes quimicas e sinapses. Depois porque nao vejo como algo possa ter alguma influencia material se esse algo nem sequer eh regido pelas leis naturais (alias, outra pergunta: quais leis naturais regem os expiritos?).

Otávio
Quanto à questão da mente ser produzida pelo cérebro e o cérebro ser composto de matéria, a questão é saber se a matéria não está sujeita à interferência e isso vai depender da relação entre matéria e campo, se uma partícula gerar um campo, então encerramos o assunto e a mente está sujeita à matéria, se uma partícula for gerada pelo campo, então uma intervenção no campo modifica o funcionamento da matéria e o intelecto pode estar subordinada a alguma outra propriedade mais básica...

raph
Eu acredito que, em se falando de espíritos ou consciência dentro da ciência, e essa é uma comunidade científica porisso estou falando, é necessário sim falar em lógica científica, pois senão é como tentar explicar para um evangélico da impossibilidade de se colocarem todos as espécies animais do mundo em uma Arca.
Acredito eu que a Física Quântica bateu na ponta do iceberg ao comprovar que certos experimentos, ainda que básicos, dependem da participação de uma consciência para se desenrolarem. Ora, o chamado Observador, ninguém ainda sabe onde se encontra, no cérebro, ou onde quer que seja dentro do corpo humano.
O problema atual da neurociência e do materialismo é que eles pretendem explicar não apenas isso, mas como se formam as consciência e as emoções complexas (como amor e coragem) através de reações químicas e memórias registradas no hipocampo, além de um pouco de genética.
Ora, genes formam proteínas, eles podem determinar se a cor do meu olho e verde ou azul, se vou ser um bom atleta, se vou ter maior ou menos disposição a contrair câncer do estômago, etc... Os genes não explicam porque dentre dois irmãos gêmeos um se torna matemático e outro ator de teatro, um se droga e outro bebe socialmente, um está sempre a beira de depressão e outro está sempre feliz, um é homossexual e o outro padre, etc. -- Da mesma forma não precisamos nem falar em irmãos gêmeos, os genes não explicam porque gênios surgem esporádicamente na humanidade, e porque seus filhos não são tão geniais.
Além do mais, se o amor é fruto de reações químicas, todo mundo deveria tomar ecstasy de manhã, o mundo seria um paraíso! :)
Portanto, ao contrário da ciência tradicional, existem ciências alternativas como a Transcomunicação e outras ciências que consideram que a consciência e as emoções não se explicam apenas com recombinações de elementos químicos.
O ônus da prova cabe a eles sim, mas os estudiosos sérios dessa área sabem que ainda não podem provar nada sem exposição subjetiva, e continuam pesquisando o que muitos não enxergam.

Daniel
E você, me explica emoções como? De maneira Filosófica? Através de Pseudo-ciência?
Essa seria uma questão mais complexa, depende muito da convivência do individuo a sociologia explica parte. O Projeto Genoma e o estudo do código Genético ainda é um assunto pouco explorado. A maioria dos argumentos a favor dessas idéias míticas, é mostrar os assuntos ainda não explicados por ela e dar a elas explicações místicas que favorecem sua concepção. Sou defensor do padrão científico e não sou a favor desses argumentos anti-científicos.
O que mais tenho visto atualmente é pessoas usando a linguagem cientifica para dar maior ênfase a seu dogma. Direto vem pastores aqui na minha cidade da Igreja Assembléia de Deus falar de Fisica e Criacionismo pros otarios, sinceramente eu fico triste em saber que a ciência está sendo modificada pra se encaixar com fatos religiosos.....
O que mais vejo ultimamente é a deturpação da linguagem cientifica, acho que as pessoas finalmente andam dando mais importância a Ciência ultimamente e as religiões e dogmas em geral não podem ficar pra trás...

raph
Eu acredito que tudo seja matéria, porém matéria mais fluída, diagmos, na falta de um termo melhor... Ou seja, acrdito que o que anima o corpo e forma a consciência, o que Aristóteles também chamada de "espírito", nada mais é do que um outro "corpo", formado de matéria menos densa, e que vive num brana paralelo ao nosso.
Nesse aspecto posso dizer que a Teoria das Cordas tem uma analogia a isso, deveras interessante, a de que de acordo com a vibração das cordas, produzem-se partículas de maior ou menos massa, mais ou menos densas.
Muitos místicos falam de planos vibratórios e "estados de consciência"... Ora, quando o espírito sai do corpo, ele nada mais faz do que habiar outro plano ou brana vibratório, o qual só pode perceber quando alinha sua vibração a vibração do plano. Sair do corpo durante o sonho ou meditação, e sair do corpo após a morte, nesse sentido, seria exatamente o mesmo fenômeno.
Existem teorias que afirmam que o Universo é um holograma, que nada é real. Existem outras, sobre Matéria Escura, que afirmam que a energia do Universo é representada somente em 4% pela matéria visível, o resto vem da matéria e energia escura, que não interajem com a luz (isso poderia explicar pq as galáxias se afastam umas das outras).
Enfim, não digo que sei provar cientificamente nada disso, estou apenas tentando situar para você em que áreas tenho estudado fenômenos que acredito serem reais, pois assim com o Otávio, já os experimentei pessoalmente.
Não sou louco de dizer que essa é a verdade, longe disso, mas o fato é que a ciência não explica muito do que eu estudo, se um dia explicar, o próprio espiritismo manda: conforme-se com a ciência!

Daniel
O que você me disse é teoricamente lógico, mas nem mesmo a Teoria das cordas é algo que podemos dizer que está certo. Mas a explicação foi plausível.
Mas vejamos: A Própria Teoria das cordas é materialista, segundo ela tudo é matéria e campo.
Segundo a IMM não podemos interagir com universos paralelos, mas mesmo que pudéssemos isso não explicaria vida após a morte, ja que universos paralelos nada mais é do que todas possibilidades acontecendo simultaneamente.

raph
Bem na Teoria-M com as 11 dimensões e o BigBang originado por mero choque de universos-brana, acredita-se que a gravidade "vaza" de uma dimensão para a outra, portanto há como se perceber indiretamente no futuro essas dimensões, na teoria claro.
Mas nem penso em universos paralelos que não interagem entre si, e sim partículas que não interagem com a luz, e portanto sequer as vemos, e podem ser percebidas apenas por medições indiretas, como é o caso na teoria da Matéria Escura.
Ora, se somos formados de partículas, um homem que tenha partículas que não interagem com a luz será totalmente invisível, se forem como os neutrinos tb, por exemplo, será aparentemente tb "imaterial"... Ele pode estar passando através de vc nesse momento, e vc não percebe.
Ele pode viver numa cidade flutuando pouco acima da sua, e ninguém percebe... Sem no entanto estar num universo paralelo.
É nesse sentido que eu tento unir esses dois mundos... da ciência e espiritualidade... mas no meu caso é somente uma coisa subjetiva mesmo, nem posso dizer que tenho certeza de nada disso, pelo menos a nível de funcionamento físico... o que eu acredito é que a consciência pode perfeitamente permanecer funcional após a morte, nesse sentido talvez a ciência esteja mais próxima de explicar através do estudo das EQMs (experiência de quase morte).
E lógico, estudar neurologia tb é minha meta... Quero ler em breve um livro bem interessante: UM ANTROPÓLOGO EM MARTE
Para todos os casos, eu dou enorme valor a ciência, por exemplo "O Tecido do Cosmo" de Brian Greene, a meu ver, tem teorias até mais fantásticas que essas, como a de que o Universo pode ser um holograma, e está e acordo com a ciência.
Acredito que entrando pela Neurologia veja coisas bem interessantes tb... O que não admito é que tudo que é paranormal possa ser explicado pelo "Inconsciente Coletivo"... Para mim, isso é mais místico do que Deus hehe.

Para mim o Inconsciente Coletivo não explica isso:
Psicopictografia (Gasparetto)
Psicopictografia (Florencio Anton)
Lembrando que essas pessoas quando fora de transe mediunico não sabem pintar, e sequer o sabe quem assiste... O fato de essa habilidade (pintura) poder ser "pescada" do insconciente coletivo não me convence, é a meu ver até muita inocência acreditar nisso, é para todos os casos uma explicação "mística": não explica nada, apenas transfere o problema pro entendimento de algo ainda mais nebuloso e menos paupável :)

Abenides
Poderíamos caracterizar a alma como sendo a energia que mantém a vida física. Quando a vida física se vai, a alma também morre.
Qual a diferença de uma pessoa viva e outra morta? Uma está com a alma funcionando e a outra não.

raph
Pois é, mas parece que em linguagem científica não é correto falar em energia, a energia não é material, ela é uma potencialidade da matéria. E, em a alma existindo nesse conceito que postei acima, ironicamente mesmo ela seria material, apenas formada de matéria "fluídica" como defendem tantos projeciologistas e espíritas.
A questão é a confusão de nomenclatura que se faz... Quando vc chega para um cientista cético e fala em um "fantasma imaterial" que habita o nosso corpo, para ele é uma coisa totalmente ilógica.
Adequando a nomenclatura para a linguagem científica podemos "falar a mesma língua". Lembrando que não se trata de impor a crença aos outros, apenas explicar o que exatamente estamos querendo dizer.
A meu ver, a própria identificação dos neutrinos é um avanço muito grande em relação a exploração do que chamamos de "mundo imaterial"... É que na verdade é tudo matéria mesmo, mas existem muitos tipos de matéria, e quase todas estão muito distante do que consideramos e percebemos como "sólido".

Eu acho mais correto dizer:
Qual a diferença de uma pessoa viva e outra morta? Uma está com o corpo funcionando e a outra não.
A alma funcionando independente do corpo, não tem nada a ver com isso... Essencialmente a alma nunca morre, é isso.

Para quem não leva isso tudo muito a sério, tb vale lembrar da máxima "no Universo nada se perde, apenas se transforma".
Pense nos bilhões de bits de informação guardados no hipocampo, no potencial elétrico do cerebro, e ai tem de se imaginar: isso se transforma em que? em pó? mas como se isso não era exatamente material orgânico?
Ou seja, se não sabemos onde está a consciência no cerebro, não podemos a primeira vista sequer afirmar que ela tb se "decompõe" na morte... e se ela não se perde, resta saber se mantem-se consciente e individualizada, seja onde for.

*

Acredito que quando digo que o espírito pode ser material, muitos religiosos não gostem da idéia.
É que para muitos deles, o melhor é não explicar isso tudo, o melhor é dizer que é tudo "mistério de Deus". Eles tem medo de ter sua fé ainda mais abalada pelas descobertas científicas, pelos fatos contra os quais nada podem fazer senão ignorar.
Mas é interessante que a idéia de espírito material, porém formado de partículas que interagem quase nada, ou simplesmente não interagem, com a luz e com o que conhecemos por "material", em nada impossibilitaria que o espírito possa existir.
No entanto, possibilita que ele possa ser contatado, que possa passar sua própria versão da história, se permitido lhe for: e isso os que vivem de dogmas tem medo. Dizem que é "coisa do demônio"...
Ora, existem os cientistas que não aceitam nada de novo, e ficam presos as teorias já comprovadas: esses nunca irão inovar.
E existem também os religiosos dogmáticos, que preferem permanecer parados no tempo a ter de renovar e reformar sua fé: esses tampouco nunca irão encontrar a verdade.

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13.3.08

Crítica aos espíritas

Retirado do tópico homônimo da comunidade Fé e Razão, no Orkut.

Muitos sabem que defendo consistentemente muitas idéias da doutrina espírita nessa comunidade, no entanto sou da opinião que toda doutrina tem seus pontos falhos ainda, embora seja em muito superior a doutrinas mais antigas as quais se apresenta como uma evolução racional lógica, o espiritsimo e a crença nele tem muitos defeitos ainda, principalmente no Brasil, aqui vou listar alguns.

*

1. Do fascínio pelo "mundo astral"

É muito comum vermos espíritas que estão antes fascinados pelas suas explicações fantástica de como seria o brana chamado "mundo astral" do que propriamente em seguir no seu auto-conhecimento e no caminho do amor que o espiritismo defende ("Fora da caridade não há salvação").

Ora, nesse ponto se assemelham aos cristãos que estão mais preocupados com os milagres bíblicos, se Jesus levitou ou ressucitou pessoas, do que propriamente com sua própria evolução moral através do estudo dessas doutrinas. Se pegarmos o mercado editorial brasileiro, veremos hoje que os livros espíritas superam EM MUITO as vendas de livros de qualquer outra religião, ao ponto que mesmo umbandistas e místicos em geral procuram "associar" seus livros aos espiritismo de Kardec, o que geralmente não vai muito além de mensagem na capa :)

Ora, o espiritismo não defende o benefício material de forma alguma, nada de dízimos ou terrenos da "igreja" nem tampouco um "papa" para comandar todas as riquezas materiais da doutrina, que na verdade não são nenhuma... No entanto, o espiritismo existe no Brasil até hoje graças a Chico Xavier, que doou CADA CENTAVO dos milhões que vendeu para a Federação Espírita Brasileira.

A FEB usa todos esses centavos, e sempre usou, para caridade e divulgação da doutrina... Infelizmente não podemos dizer o mesmo desses tantos "autores de romances espíritas". A grande maioria se aproveita do fascínio ignorante da população por essas histórias fantásticas, falando de como é a vida no plano espiritual e muitas vezes focando SOMENTE nesse lado das coisas.

Ora, ainda estamos aqui encarnados, não podemos fazer caridade nem amar em outro brana, por mais que gostaríamos de poder lá estar com os espíritos de luz, estamos aqui por uma razão MUITO CLARA: A Lei de Causa e Efeito. E, se estamos ainda aqui, devemos focar NESSA VIDA e NESSE MUNDO. Usando o conhecimento da doutrina para evoluirmos aqui, agora, e não para deixar para depois do desencarne.

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24.1.08

Fé e Razão

Retirado da comunidade Fé e Razão, do Orkut.

***

fantasma
defina FE.
e defina Razao.

Flavio
Fé= pensamento magico
baseado no abstrato no empirico, na esperança, na incerteza ...
razão= pensamento racional
baseado no concreto, nos sentidos fisicos, na "certeza"

fantasma
penso ,que vivemos
na sub-razao , o por ela exclui possibilidades.
quanto que razao, no total esta aberta ao campo das possibilidades.
Razao tem que se agregar a Fe.
pois o racional, sem esperança e Fe, e limitado.
veja as grandes invençoes, tiveram um pitada de fantastico e de superaçao, da visao simples e comum, alias algumas eram tidas como loucura .
tipo o homem voar, ( tivesemos ficado so na razao , sera que estariamos voando?)

Mahtma
fé- a realidade, o absoluto, a certeza, o imutável....esperança, e é sempre a última a morrer
razão = relativa demais..pra me ser considerada....mas mesmo sendo relativa é fantástica, é linda, produz coisas incriveis, apesar de passageiras mais incriveis

Manuel
fé=razão.
eu consigo explicar deus racionalmente.
eu tenho duvidas que,
a razão de um ser menor como o homem,
seja alguma vez razoável.

Felipe
Fé = É a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.
Razão = Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrificio vivo, santo e agradavel a Deus, que é o vosso culto racional.
Logo a fé e a razão estão ligadas pois para por a fé em pratica é necessario utilizar a razão, pois ainda que a fé sustente fatos que não se vêem porém temos de uzar coerencia e inteligencia.
Assim como a ciencia afirma o Big Bang, sem ter visto e sem ter provas reais para 100% da teoria à uma razão nesta fé cientifica.
Em suma a ciencia e a fé são uma coisa só acontece que uma busca a fé pela a razão e a outra o contrario... Mas fé e razão são unicas pois estão em Deus que é um...
GRAÇA E PAZ!!!!!!!!!!!!!

Raph (esse sou eu)
temos duas lentes para ver a verdade, uma é a fé e outra a razão, e só podemos ver com clareza com ambas as lentes sobrepostas... com apenas uma delas, veremos sempre apenas "metade" da verdade.
hoje vemos em parte, mas então veremos face a face.

macau
Raph,
" que "tradição doutrinária"?
eu não sou católico nem evangélico...
"
Pois é... e daí? Sendo espírita, vc tbm segue a 'tradição doutrinária'... de Kardec!
Tanto pior a meu ver (ñ encare como ofensa, pois minha mãe era e minha irmã é espírita), porq a 'teoria tradicional doutrinária' da reencarnação é um acinte ao sacrifício e morte de Jesus!
Claro, se eu 'apronto'-morro-reencarno e 'apronto'-morro-reencarno e 'apronto'-morro-reencarno... até a perfeição... ... ...Jesus foi um idiota, pois posso me salvar por mim mesma, morrendo e reencarnando, morrendo e reencarnando, morrendo e reencarnando!!!

Hennet
Se não existe pecado, pra quê se aperfeiçoar?
Ô se fosse assim seria tão bom!!!!!

Raph
Diga isso para quem aprontou tanto que reencarnou em estado vegetal, cego, sudo, mudo e sem praticamente movimento no corpo.
A perfeição se chega muito mais rápido pelo amor do que pela dor. O caminho da dor é a última instância dos ignorantes, e ao passar por ele um dia todos finalmente descobrem que o único Diabo que existe está dentro de nós mesmos.
Eu não sigo doutrinas, se perguntam qual a minha religião eu respondo:
Minha religião é meu pensamento.

Guilherme
Se não segue, porque justifica a doutrina induísta de reencarnação?
Aliás, se seu pensamento é sua religião, mostre uma argumentação racional - que não seja essencialmente metafísica - favorável à reencarnação.
Digo isso porque é fácil falar que não tem religião ou que a religião pode ser o pensamento. Isso tem servido de defesa à muita gente que se julga cético e, temendo confrontar o próprio ceticismo, aliena-se no próprio dogmatismo.
Você está mais para um espírita do que para um racionalista.

Raph
eu não nego que concordo com muita coisa no espiritismo, sem dúvida se eu tivesse que escolher uma religião atualmente seria ela, e é exatamente porisso que eu defendo o espiritismo, não tenho "medo" de me comprometer por conta disso ou coisa assim...
dentre outras coisas, devido a eu acreditar REALMENTE em reencarnação, não acredito em muitas coisas como:
nacionalidade
casamento
idade
salvação (com relação a pecados)
céu/inferno
etc... enfim, muita coisa restrita a apenas essa vida eu não acredito, apenas finjo acreditar :)
ocorre que minha religião real ainda é meu pensamento, não no sentido da racionalidade, mas em um muito mais profundo, entenda quem entender:
minha religião é meu pensamento
minha vida é minha bíblia
minha igreja é meu coração
Deus é meu amor

Lady Overkill
Parabéns, Raph.
Hoje vc estava inspirado...
Se não tem razão perfeita em tudo (quem tem?), está no caminho de descobrir a verdade. Acredita que o amor é a lei, procura ter olhos para ver, não crê apenas no homem (que escreveu a Bíblia) mas em si mesmo e nas coisas que sente e percebe. A Bíblia, inclusive, ratifica essa forma de visão, assim como todas as filosofias sensatas do mundo.

Veja o tópico aqui

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11.12.07

Jesus precisava morrer?

Retirado da comunidade Fé e Razão, do Orkut.

***

Flavio
Jesus precisava morrer? pq? Jesus morreu pq?
salvar a humanidade de um pecado? do pecado? de um ato? de um estado?
a reconciliação de Deus com os homens, so viria com o SANGUE? PQ?
isto nao parece cruel? se Deus é Deus, pq Ele escolheu uma maneira tao forte e sofrida pra acontecer?
se Jesus precisava morrer, pq ele disse:" Pai, perdoe-os, eles nao sabem o q fazem!!"
Eles nao estavam fazendo algo q Deus queria? precisavam ser perdoados pq?
Se ate Jesus pediu para ser "afastado este calice", ...mostra q mesmo Jesus nao entendia... Deus so se aproximaria com o sangue e sofrimento? pq?
Jesus morreu pq Deus quis, ou pq Deus sabia q iriam matar seu filho (nao sendo sua vontade essencial e sim uma previsão)?

Evan
A expiação e morte de Cristo já estava prevista desde antes da fundação do mundo.
Observem que Cristo tomou os pecados da humanidade no Jardim do Getsemani e não na cruz! A crucificação foi o ato que levou a sua morte. Mas o sofrimento maior de Jesus Cristo foi no jardim do Getsemani.
Enquanto Pedro, Tiago e João dormiam ele orou a seu Pai e pediu se possivel passe de mim este calice.
Esta foi sua hora de agonia. A cruz foi cruel também, mas não se compara ao sofrimento no Jardim do Getsemani.
Veja o que Lucas registrou no Jardim do Getsemani “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.”
Esta foi a hora da verdadeira expiação de Jesus Cristo!

A vida no mundo mortal é uma vida cheia de pecados, por mais que nos esfocemos em ser bons e fazer o bem, estamos constantemente pecando. Não existe nenhum ser humano perfeito (puro e sem pecados), o único ser perfeito que poderia pagar esta dívida foi Jesus Cristo.
Em outras palavra ele pagou o preço exigido pela justiça (tão alto que era infinito) para trazer a humanidade diante do trono de Deus. A mortalidade é o caminho que poderá proporcionar uma alegria infinita em nossos corações.
Agora que Cristo pagou o preço então agora pertencemos a Ele. Por isto Ele é nosso advogado diante do Pai. Ele so exige que guardemos seus mandamentos e o sigamos. O preço agora é mais baixo para nós e temos condições de pagar.
Nenhum lugar no universo proporciona maior crescimento ao homem do que a mortalidade. Ela é difícil, mas o prêmio e a recompensa não se pode nem mesmo imaginar.

Marcia
Os religiosos quando se pergunta alguma coisa racional referente a bíblia, eles dizem que, quem somos nós para questionar a palavra de Deus, são mistérios de Deus etc, e com isso, quem embarcar nessa fica totalmente alienado, ignorante. Não sai da infância da humanidade.

FANTASMA
Dizem que ELE precisava morrer para pagar os nossos pecados,o meu o seu,.....aí há uma questão que faço......Como pagar pecados de pessoas que ainda nem haviam nascido?....O pecado que Adão e Eva cometeram?...Poxa,por que todos devem pagar pelo erro de duas pessoas lá dos primórdios?...Ou seriam dívidas de vidas passadas?...Estranho,tudo é estranho!

Jose Davino
Quando Adão e Eva pecaram, o estrago provocado por esse ato, foi pior do que o potencial de "N" ogivas nucleares com consequencias e dimensões desmedidas. E seu efeito é como a chuva quando vem, vem pra bons e maus.

Felipe
outra coisa, o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas s coisas.
Se Deus enquanto homem (Jesus) rendesse glórias a sua pessoa ele estaria colocando um homem acima de Deus. E assim qualquer homem que conquistasse um status de santo poderia se endeusar, rejeitando a verdadeira divindade.
Jesus era Deus e todos nós eleitos somos também, agora somos deuses na condição de filhos (que etimológicamente quer dizer pedaço).
Então porque Jesus deve e recebe nossa reverencia ???????
Pois ele era um filho que tinha pleno acesso a mente da divindade,devido ao seu nascimento não carnal, que o livrava do pecado original garantido a ele um corpo, alma e espírito, santos.

Flavio
Nossa reverencia foi mata-lo? rs

Raph (esse sou eu)
meu Deus pare e pense na idéia do pecado original, será justo que antes de Jesus nascer todos os seres humanos estivessem ainda "pagando" por ele? Será justo que Jesus devesse ser CRUCIFICADO para "pagar esse tal pegado original"?
Jesus era homem, de carne e osso, não levitou, não soltou raios lasers, não tinha super força ou super resistência... e ainda assim nos amou até o último prego martelado em sua carne, até o último suspiro nos perdoou, e ESSE É O MILAGRE.
mas não precisava morrer, e pior do que temos matado-o, pior é justificar isso com essa historinha de pecado original, ou qualquer outra história ridícula que o homem tenha inventado para justificar sua morte... não foi Deus quem mandou Jesus pra cruz, FOI O HOMEM.

Veja o tópico aqui

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27.9.07

Deus precisa do seu dinheiro?

Essa é a primeira de uma série de postagens que compila discussões interessantes que achei em comunidades do Orkut, as comunidades são Fé e Razão e Grande Mistério da Humanidade. Colocarei apenas o primeiro nome das pessoas que responderam como forma de preservar as identidades. Note que nem todas as respostas serão compiladas, apenas as que eu achar mais interessante. Sempre ao final colocarei um link para o tópico em questão, que provavelmente ainda estará sendo discutido dentro da comunidade.

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Flavio
Deus precisa do seu dinheiro?
Deus quer o seu dinheiro?
vc é OBRIGADO a dar dinheiro pra Deus?
Deus sentiria-se mais feliz se vc desse o dizimo de seu salario para pobres q passam fome ou para uma igreja?

Tarcon
O dogma do Purgatório, ensinado pela Igreja Católica (IC), é conhecido como a sua "galinha dos ovos de ouro". Ensinam os católicos que existem quatro lugares no outro mundo:
Céu, Inferno, Purgatório e Limbo.
Para o Limbo vão as crianças que morrem sem batismo.
E um lugar de sombras, sem penas, sem sofrimento, mas também sem alegria alguma.
Porém, a Bíblia nada diz sobre o Limbo, sendo que o próprio Jesus declarou:
Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o relho dos céus. (Mt 19.14)
Para Jesus, os meninos são do reino dos céus, mesmo sem batismo; mas a IC os manda para o Limbo.
Sobre o Purgatório ensinam que:
As almas do purgatório padecem um tormento muito semelhante ao das almas do inferno, com a única diferença de que as últimas nunca poderão sair do inferno, enquanto que, as do purgatório hão de sair de lá.
shalom

Demetrius
Hare Krishna!
Olá pessoal, todas as glórias aos devotos (de todas as religiões) reunidos!
Essa é minha primeira postagem e vou tentar responder de acordo com o conhecimento que obti estudando o Bhagavad Gita - Como ele é.
O nosso corpo físico possui 5 sentidos para perceber coisas materiais. Nesse corpo físico está condicionado um ser espiritual eterno que possui uma forma original esquecida devido ao desejo de gozar esses objetos materiais. Eterno significa sempre existente, tanto para o passado como para o futuro. Enquanto que o corpo físico nasce e morre o espírito nao nasce e portanto nunca morre e as coisas que são infligidas ao corpo físico, como cortes, feridas, doenças, velhice, etc, não se aplicam ao espírito.
Enquanto não aprendermos que esses objetos são perecíveis e nao dignos de apego e nos apegarmos à causa primordial através do serviço devocional (bhakti - yoga) não conseguiremos deixar esse ciclo de nascimentos e mortes que muitos conhecem por Samsara ou Reencarnação.
Tudo o que pode nos ser tirado na verdade nunca nos pertenceu então o apego às coisas materiais causa sofrimento. o Gita diz que devemos aceitar somente o necessário e nada mais, sabendo que tudo o que existe pertence à Deus. O aceitar e se apossar de coisas em excesso é considerado roubo.
Para isso devemos questionar uma passagem bíblica (pra quem é cristão fica mais fácil vizualizar, não se trata de cutucar não ok??) que fala do rico e o camelo no buraco da agulha: o que é ser rico? Quanto precisa ter pra ser rico?
Essa parábola fala justamente do apego. Não se trata de dar ou não uma contribuição para as associações religiosas ou obras de caridade, trata-se de quanto somos apegados àquilo que temos.
Isso é muito bem respondida pela parábola da viuva que deu como oferta no templo as unicas moedas que tinha. Ela era desapegada. Enquanto formos apegados às coisas materiais, não seresmos capazes de nos apegar a Deus.
Haribol!

Luis
puxa flávio dar pra entender que toda aprocupaçao da sua vida é com o teu dinheiro!! seé que vc tem !! porque com o meu salário eu faço dele o que eu quiser, é claro que deus nao preicisa de dinhiro, só uma cabeça oca pra pensar em tamanha tolice, mas a igreja precisa, se vc nao tem boa vontade em dar oferta, ou dízimo é um direito seu, mas tbm tenho o direito de usar meu dinhiro do geito que eu quiser!!!!
engraçado é que muita gente vai prus boteco enche a cara, usa droga , e ninguem reclama até parece que é bonito, mas se preocupam com o dinheiro dos evangelicos?????? axo que tenho o direito de gastar meu dinheiro sem ter que dar satisfaçao a ninguem!!

Fabio
Minha opinião sobre o assunto:
Eu creio, no mais íntimo da minha conciência, que o ato de dar algo a alguém que se ama é um instindo que (acredito eu) Deus colocou em nossos corações. Quando amamos alguém, damos presente a este, e o presente é como você dissesse a esta pessoa: "eu me esforcei para ganhar dinheiro, mas eu gosto tanto de você, que, em vez de usar o meu dinheiro para meu benefício, eu comprei um presente para o seu benefício." Creio que este ato é um gesto de amor, de demonstração dele.
Julgo eu, uma prova empírica disto, os primeiros atos de oferta a Deus. Caim, Abel, Abraão, etc... não haviam regras acerca disto e nem Deus lhes pediu nada. Creio que o gesto deles não foi motivado por um regulamento ou um pedido e sim pelo instinto humano de ofertar a quem se ama. Outro gesto pode ser observado no costume de presentear as pessoas amadas nas mais diversas culturas, acho eu, em todas.
Sabemos que Deus regulamentou tudo isso no decorrer da organização da sociedade de Israel, porém, muitas coisas que não eram regulamentadas já eram praticadas como a questão da morte, a questão dos dízimos e ofertas, etc... E, quando Jesus Cristo deu fim à antiga aliança, foram-se aquelas regulamentações, porém ficou o que já era praticado antes das leis do antigo pacto.
O fato de matar alguém ser errado, de cultuar somente a Deus, de presentear a quem se ama e uma série de outros atos continuaram, pois não surgiram com as leis, mas sim, eram instintos gravados no coração do ser humano. E, por essa razão, o dízimo e as ofertas não devem ser obrigados ou estipulados, pois devem ser gestos voluntários de quem ama a Deus e quer demonstar o seu amor.
Creio sim, que, quem acredita na comissão da igreja, trazer os dízimos e ofertas (voluntários) à casa de Deus, trará sustento a ela, e assim ela poderá prosseguir com a sua missão. Logo, é uma prova de amor a Deus.
Penso isto.
Espero ter contribuido.

Raph (esse sou eu)
O dinheiro é uma forma de poder, o uso que você faz dele, como ganha e como gasta, é que pode ser bom ou mal.
No caso de quem é levado a pegar dízimo pelas "lavagens cerebrais" comuns de certas igrejas na verdade o faz de coração, e acredita de certa forma que Deus precise de dinheiro, a responsabilidade recai sobre quem cobra, que ganha dinheiro de forma injusta, um dinheiro que servirá muito mais para obras suntuosas e viagens para miami do que para qualquer tipo de caridade.
Agora, se você quer doar dinheiro para instituições de caridade, de preferência verificando e policiando se ele será bem usado, você estará de certa forma dando dinheiro a Deus, pois Deus só poderia precisa de dinheiro no sentido de ser uma ajuda para os necessitados.
Mas é claro que, Deus enquanto ser onipotente e criador de tudo (inclusive de seres que um dia inventariam o dinheiro), não precisa de dinheiro nem nunca vai precisar :)

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