Citações (6)

Algumas citações minhas e de outros autores. Elas geralmente já terão aparecido anteriormente na página do Textos para Reflexão no Facebook...
Existe muita confusão acerca do que foram exatamente os gnósticos, fruto também é claro da "demonização" do cristianismo. Mas o interessante é que os gnósticos chamavam a si mesmos cristãos. E mesmo Plotino, que dizem ter sido radicalmente contra os gnósticos, na verdade era contra alguma doutrina zoroastrina da época, e sua concepção de batalha eterna de um Deus contra um Adversário, coisa que se parece, ironicamente, bem mais com o que os ditos cristãos de hoje creem piamente. Mas Plotino, assim como Espinosa, assim como os estoicos, pensavam de forma bem mais parecida com os gnósticos, pelo menos se formos considerar o Evangelho de Tomé como um bom exemplo do que diabos "gnosticismo" vem a ser...
Nesse sentido, acho um tanto estranho quando dizem que o neoplatonismo foi decisivo na formação filosófica do cristianismo. Há muitas coisas nas Enéadas de Plotino que não se casam com o cristianismo, que não me parecem próprias de um doutrina do dogma, mas sim de uma doutrina de liberdade, que talvez tenha encontrado seu ápice lógico em Espinosa.
Ainda assim, há muita profundidade espiritual que "vazou" dentre os dedos afoitos do dogma, e preencheu também o misticismo cristão. Acredito que isso se deva ao legado do gnosticismo, seja ele o que for... Eu prefiro dizer: a gnose do espírito.
Rumi, o poeta sufi, rodopiando e compondo em torno de seu Sol, foi quem soube explicar melhor. Ele explicou com poesias...
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Há aqueles que criticam o aparente excesso de significado das grandes religiões. Creem que os homens criaram a deuses e céus e infernos, e até mesmo a ideias de carma, simplesmente por não terem coragem de encarar o aleatório.
Eu já não sei... Voltaire um dia disse a uma senhora aflita: "Minha senhora, acredito em uma providência geral, mas não numa providência particular que salvou o seu pássaro que estava machucado"... Isso já é fugir do aleatório?
Na verdade, para fugir do aleatório primeiramente deveríamos descobrir onde há exatamente aleatoriedade na Natureza que não, quem sabe, num jogo de dados. De fato o elétron na física quântica tem a probabilidade de estar aqui ou acolá, passando por esta ou aquela fenda, mas não há um espectro de aleatoriedade infinita aqui: apenas possibilidades dentro de um mesmo "campo".
Talvez o mais aflito seja o gato de Schrödinger, que não sabe nem se está vivo ou morto... Na verdade, as vezes o medo do inferno pode ser pior do que o medo do "sonho sem sonhos", muito embora tenhamos tido inúmeros deles durante várias noites desta vida.
Tudo passa, tudo flui, tudo muda, e nada se perde. Nunca vi, em toda a minha vida, uma única pedra chutada que tenha chutado a si própria. Há por aí, sem dúvida, algum deus brincalhão chutando pedras... Mas não aleatoriamente... Esta é a sua brincadeira, quem mais tem vontade para brincar assim?
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Muitos poetas e escritores geniais já tentaram capturar o amor pela linguagem, mas tudo o que conseguiram foi descrever uma sombra de uma nuvem, o pio de um ave que já não mais se vê voar, a casca de uma fruta que caiu do pé e já foi devorada... Tudo isso porque o amor jamais foi alcançado pelo pensamento. O amor é a presa fugidia, o animal fantástico dos mitos: há muitos caçadores que o afirmam ter pego, mas nunca nenhum deles trouxe a prova.
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Eu gosto de duas ideias acerca do pecado:
A primeira vem da etimologia da palavra, e diz simplesmente que "pecar é errar o alvo". Isso pressupõe que havia um alvo, um objetivo a ser alcançado.
A segunda vem do espiritualismo e diz que "somos ao mesmo tempo o juiz e o escravo de nossa própria causa". Isso significa que o maior tribunal e o maior julgamento já ocorrem dentro de nossa própria consciência. E não há como fugir. Quanto maior o amor, mais dolorido é pecar. Porém, aqueles que erram o alvo e não se importam, é porque ainda estão nos primeiros degraus do amor, o grande objetivo!
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Não pergunte - é perigoso saber - que fim os deuses darão a mim ou a ti.
Não brinque com os números da sorte babilônicos.
Melhor lidar apenas com o que vem à teu encontro.
Não se sabe se Júpiter lhe dará ainda muitos invernos ou se este será teu último, que agora bate nas rochas da praia como as ondas do mar.
Seja esperto, beba seu vinho no espaço breve e abandone tuas longas esperanças.
Mesmo enquanto falamos, o tempo invejoso está fugindo de nós.
Aproveite o dia, confiando pouco no futuro.
Carpe diem, de Horácio
tradução de uma amiga
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Crédito da imagem: Anônimo/GoogleImageSearch
Marcadores: frases, frases (21-30), Horácio, Plotino, religião
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