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12.12.13

Por que chora agora?

Que é isso que vejo em seus olhos?
Sou eu quem regresso e não você, querida;
Sou eu quem retorno a Mansão do Amanhã,
e embora já mal me lembre de quem sou
e do que faço aqui neste leito,
sou eu quem me vou a sonhar,
e você quem vai ficar
neste mundo sem sonhos.

E, no entanto, por que chora agora?
Porque chorar por mim que vou?

Talvez, por achar que já não me lembro mais de você
ou de seu nome?
Ora, querida, seu eu pudesse me levantar
e lhe falar uma última vez, eis o que diria:
“Não sei seu nome, nunca soube;
Sei que veio do lugar para onde agora vou.
Sei que lhe amo, e amo seu olhar,
sei que este amor habita a eternidade,
e isso basta!”

E então, algo estranho acontece,
e eu me lembro de quando tinha sua idade –
de quando dei o primeiro beijo em sua mãe.

Querida, por que chora agora?
Será porque eu mesmo também choro
ante tamanha beleza?
Um beijo do passado,
que gerou vida, vida!
Um beijo eterno, eterno!

Olho para o canto da sala, e vejo um bebê engatinhar.
Seria meu neto? Não poderia ser...
Eu sou muito novo para ser avô,
e foi outro dia que andei sozinho pela primeira vez!

Qual será, afinal, a minha idade?
Qual será a idade da eternidade?
Até onde vai, e volta, todo este amor?

Não chore, não chore... Me responda:
“Quando eu retornar da Mansão de onde todos saímos,
poderei ser seu filho, e você minha mãe?
Poderemos ser irmãos ou primos?
Ou melhores amigos?
Ou será que já fomos tudo isso,
e não lembramos mais?”

Num momento, estarei já a caminho...
Quem sabe não encontro sua mãe por lá,
e a convido para nossa próxima brincadeira!

Há tanta luz, e tanta beleza,
quando percebemos a vida pelo que ela é –
assim nos damos conta de que passamos boa parte dela
com medo do fim;
e não existe fim...

Então, por que chora agora?


raph'13 (após Zambujo)

***

Crédito da foto: krausjr

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2 comentários:

Anonymous Samuel Otemi disse...


Por que chorar diante da morte? Um dia quando encontrei um passarinho que caiu do ninho me senti um gigante todo poderoso.Talvez seja isto,você sabe o que ele consegue fazer, e mesmo assim está lá frágil em suas mãos.Como no filme de superman novo, ele criança ouve todos os pensamentos do mundo, ele pira e só quem consegue colocar ele no lugar é a sua mãe adotiva.Ela diz - Ouça apenas a minha voz. Na morte tanto aquele que deixou para traz tanto aquele que se foi, se torna um gigante, e ela é como o fio de Ariadine que nos liberta do labirinto do mundo, e como uma criança frágil chegamos e saímos do mundo, mas no inicio e no fim estamos buscando o mesmo fio, este fio que acorda o gigante adormecido mesmo quando somos um passarinho na mão de um gigante.

12/12/13 23:14  
Blogger raph disse...

Gibran chamou esse gigante de "the vast man":

"The vast man in whom you are all but cells and sinews"

Eu traduzi para "o homem da vastidão" :)

Abs!
raph

13/12/13 12:18  

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