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7.8.14

Conectados, parte 1

Internet é um sistema global de redes de computadores interligadas que conectam atualmente vários bilhões de usuários no mundo inteiro. É uma rede de várias outras redes, que consiste de milhões de empresas privadas, públicas, acadêmicas e de governo, com alcance local e global.


A teia global

Em 1997 o então presidente francês, Jacques Chirac, dizia tais palavras com todo o orgulho: “Hoje um francês em Aubervilliers sabe perfeitamente como checar sua conta de banco, dentro de sua própria casa, com o seu Minitel. O mesmo poderia ser dito de um americano em sua casa em Nova York?” [1]

Podemos desculpá-lo por crer, naquela época, que o Minitel duraria para sempre. Era o seu auge, com nove milhões de aparelhos instalados gratuitamente em casas pelo país, além dos aparelhos originais ainda presentes nas agências de correios. Cerca de 25 milhões de franceses assinavam a plataforma para acessar cerca de 26 mil tipos diferentes de serviços.

Como devem imaginar, não muito tempo após, todos os franceses estariam acessando suas contas de banco online, em seus computadores pessoais, através da internet. Em 2012 o Minitel Online, que tanto orgulho havia dado aos franceses, encerrava suas atividades após 30 anos. Hoje a internet é uma rede muitíssimo mais vasta que o Minitel jamais foi, mas em 1982 ele era tecnologia de ponta!

No início da década de 1980, os franceses ficaram maravilhados com aquela pequena tela meio arredondada, conectada a um teclado, que podia ser utilizada para coisas inimagináveis até então, como checar sua conta de banco, reservar passagens aéreas, marcar encontros com outros usuários e, quando foram distribuídos nas casas, até mesmo ver pornografia online!

“O fracasso do Minitel não se deveu a tecnologia,” – afirma Benjamin Beyart, dono do primeiro provedor de internet francês, o French Data Network – “foi o modelo implementado que causou sua derrocada. Basicamente, para deixar um serviço disponível no Minitel, você tinha de pedir permissão a France Telecom, que controlava todo o sistema. Você tinha de convencer os sujeitos antigos se quisesse inovar, e eles não sabiam absolutamente nada sobre inovação. Eles acreditavam que nada de novo poderia surgir após o Minitel. Eles foram extremamente inovadores entre 1978 e 1982, e depois se mantiveram estagnados.”

Outros, porém, foram menos críticos. Valerie Schafer, coautor do livro France's Digital Childhood (A Infância Digital Francesa), o defende e diz que “é injusto chamar o Minitel de antiquado. As pessoas se esquecem que muitas das ideias que ajudaram a formar a internet foram testadas primeiramente num desses terminais. Pensem sobre a forma de pagamento das assinaturas, não tão diferente da appstore da Apple. Pensem sobre os fóruns onde as pessoas debatiam, geravam conteúdo e até marcavam encontros... O mundo online definitivamente não começou com a internet.”

Tim Barners-Lee, cientista da computação e físico britânico, chamado por alguns de “o pai da internet”, tampouco a criou a partir do zero. Na verdade a ideia genial e revolucionária de Tim foi unir a internet e o hipertexto. Com isto, ele não criou a internet, mas sim a “teia mundial” de computadores; ou, como é mais conhecida em inglês, a World Wide Web (WWW).

As origens da internet remontam a uma pesquisa encomendada pelo governo dos Estados Unidos na década de 1960 para construir uma forma de comunicação robusta e sem falhas através de redes de computadores. Embora este trabalho, juntamente com projetos no Reino Unido e na França, tenha levado a criação de redes precursoras importantes, ele não criou a internet. Não há consenso sobre a data exata em que a internet moderna surgiu, mas foi em algum momento em meados da década de 1980.

Já o hipertexto nada mais é do que o conceito de que certos termos, palavras, imagens ou outras formas de mídia podem conter links e associações para outros termos, palavras, imagens ou outras formas de mídia. Ou seja, conjuntos de informação que possuem links que nos levam a ainda outros conjuntos de informação, num processo que pode se estender quase ao infinito, ou pelo menos a muito mais informação do que um ser humano é capaz de absorver em sua vida.

Em 1990, quando trabalhava no CERN em Genebra, na Suíça, Tim criou o protótipo de um navegador para rodar em computadores da NeXT, companhia fundada em 1985 por Steve Jobs. Ele acreditava que seria possível interligar hipertextos em computadores diferentes com o uso de links globais, também chamados de hiperlinks. Ele desenvolveu um software próprio e um protocolo para recuperar hipertextos, denominado HTTP. O formato de texto que criou para o HTTP foi chamado de HTML.

O primeiro site foi construído no CERN e foi posto online em 6 de agosto de 1991. Info.cern.ch foi o endereço do primeiro site e servidor web da história, rodando em um computador NeXT no CERN. A primeira página web foi http://info.cern.ch/hypertext/WWW/TheProject.html [2], centrada em informações sobre o projeto WWW. Visitantes poderiam aprender mais sobre hipertexto, detalhes técnicos para a criação de seu próprio site e até mesmo ler uma explicação sobre como pesquisar na Web para obter informações.

Até aquele dia, a humanidade havia desenvolvido inúmeras formas de troca de informações, desde os sinais de fumaça aos primeiros pergaminhos, desde o telégrafo e o rádio as transmissões de TV via satélite; mas naquele dia estava lançada a semente da Web, um local virtual onde as pessoas poderiam não somente consumir informação, mas interagir com ela. Um local onde a informação não somente trafegava e se perdia, mas poderia ser armazenada, potencialmente, para sempre. E não somente na França, mas em todo o globo. E não somente para o benefício de uma ou outra companhia ou multinacional... Graças a generosidade de Tim, a Web havia sido criada para toda a humanidade.

» Em seguida, de Toth a Web 2.0...

***

[1] Todas as citações foram retiradas ou adaptadas do artigo Minitel: The rise and fall of the France-wide web, por Hugh Schofield para a BBC News.

[2] Sim, esta página está até hoje online.

Crédito das imagens: [topo] computerhistory.org (anúncio de um dos serviços eróticos do Minitel); [ao longo] Google Image Search (Tim Barners-Lee na época da criação da WWW)

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