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2.9.15

Sapiens

Nesta contundente palestra para o TED Talks, Yuval Noah Harari, um proeminente professor de história israelense, tenta responder a pergunta: “Como nos transformamos de primatas insignificantes, que cuidavam de sua vidinha em algum canto da África, em soberanos do planeta Terra?”.

Antes de assistirem o vídeo abaixo, no entanto, é preciso tentar compreender como um historiador jovem (39 anos) conseguiu escrever um dos melhores livros do século 21, Sapiens, no qual se baseia sua palestra.

Ora, para início de conversa, já é revelador o fato de Harari começar a explicar a história humana, o mote de seu livro do início ao fim, pela parte em que ela sequer era registrada, isto é, antes do advento da escrita. Harari é afinal um pensador que se interessa pelas “grandes questões” do pensamento humano, e “como conquistamos o planeta?” é somente uma delas...

Dentre algumas outras, poderíamos citar: “Por que nossos ancestrais se reuniram para criar cidades, reinos e impérios?”; “Como passamos a acreditar em deuses, nações e direitos humanos?”; “Como aprendemos a confiar no dinheiro, em livros e em leis?”; ou ainda, “Como fomos escravizados pela burocracia, pelo consumismo e pela incessante busca da felicidade?”.

É tentando responder a tais questões que Harari vai muito além do âmbito “ortodoxo” do estudo histórico, e trata de biologia, psicologia, filosofia, mitologia, economia, política e sociologia com a mesma naturalidade com a qual o seu antigo professor falava de Revolução Francesa.

Além de ser extraordinariamente bem escrito, Sapiens não se limita apenas a descrever a história, como nos leva a refletir sobre o que ocorreu no passado, sobre como isso influencia o presente e o futuro e, sobretudo, sobre como as “narrativas tradicionais” muitas vezes são falhas, ou por contarem somente “a história dos vencedores”, ou pelo fato de ignorarem solenemente o nosso mundo interno, subjetivo, e a enorme importância que a linguagem e as ficções humanas exercem e exerceram sobre os eventos históricos.

A única fronteira que Harari se recusa a ultrapassar é o limite da ortodoxia acadêmica em relação às crenças. Apesar de elogiar o budismo, a sua postura para com as religiões é por vezes excessivamente ácida e superficial, pois apesar de ele basear boa parte de sua tese sobre a evolução humana em torno das mitologias da mente, em nenhum momento ele chega a tentar analisar o tema do ponto de vista místico. Mas se além de tudo o que já sabe, Harari ainda fosse um místico, seria talvez pedir demais para uma única mente.

Felizmente, existem outras mentes que podem complementar as reflexões de Sapiens; mas tal livro se encontra num patamar tão elevado que só me vem à cabeça gente como Joseph Campbell, Mircea Eliade e Alan Moore...

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Crédito da imagem: Google Image Search/Divulgação (Y. N. Harari)

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