Pular para conteúdo
16.4.15

As maravilhas da vida

Entre os genuínos amantes da ciência e, sobretudo, da Natureza, é difícil encontrar algum que, já tendo assistido o Cosmos de Carl Sagan, não tenha se apaixonado a primeira vista...

A todos esses, a mera menção de uma frase, “o Cosmos é tudo o que é, ou foi, ou nalgum dia será”, dá um certo calafrio na alma, talvez porque seja precisamente lá, na alma, que a mensagem de Sagan nos tenha tocado da forma mais profunda.

Recentemente, Ann Druyan, viúva de Sagan e uma das redatoras do Cosmos, se juntou a National Geographic para produzir o novo Cosmos: Uma Odisseia no Espaço. No entanto, embora a série conte com o carisma de Neil deGrasse Tyson e todas as vantagens da tecnologia moderna, ainda assim não pode ser comparada ao original.

Também Morgan Freeman tem nos presenteado há alguns anos com o seu brilhante Grandes Mistérios do Universo, uma produção da Discovery Channel. Mas, mesmo tendo surpreendido a todos ao demonstrar que além de ser um ator monumental, é também um grande apresentador de divulgação científica, ainda assim, não é como Sagan...

Teria alguém, afinal, se aproximado da maestria de Sagan em 1980? Bem, eu não estaria escrevendo isso se não houvesse encontrado este cara:

Brian Cox é um inglês com pinta de Keanu Reeves. Não é para menos, apesar de parecer um cara perfeitamente normal, ele traz no seu currículo um doutorado em física de partículas, a participação, como tecladista, em ao menos duas bandas de pop rock, e o cargo de professor e pesquisador da Universidade de Manchester. Vocês devem imaginar que sujeitos com doutorado em física já não são lá tão normais, somando a isso o fato de ter iniciado a carreira como músico de uma banda de rock, bem, temos no mínimo uma mistura interessante não?

Mas o que o aproxima definitivamente de Sagan é simplesmente a sua paixão pela Natureza. Paixão essa que parece ter descoberto exatamente no Cosmos, mas que soube nos apresentar noutro formato. De fato, o professor Cox nunca pretendeu igualar Sagan, mas em suas escaladas de montanhas, em seus mergulhos no oceano, em suas explorações de cavernas e florestas tropicais, talvez tenha ido até mesmo além do mestre. É para isso que os mestres existem, afinal...

Com vocês, os 5 episódios de uma das séries que o professor Cox já apresentou para a BBC, Maravilhas da Vida [1]. O segundo episódio, em particular, é uma das conquistas mais extraordinárias da história da divulgação científica:


1. O que é a vida?
Neste episódio, Brian Cox visita o “Anel de Fogo”, no sudeste asiático. Numa região vulcânica, Brian explora a linha ténue que separa a vida da morte e coloca em xeque uma das questões mais antigas do mundo: o que é a vida? A resposta habitual remete para o sobrenatural, como é visível nas celebrações anuais do Dia dos Mortos nas terras altas das Filipinas. Brian propõe uma resposta alternativa ligada ao fluxo de energia que percorre o universo.


2. O universo em expansão
Em meio à rica história natural dos Estados Unidos, o professor Cox encontra criaturas surpreendentes que revelam como os sentidos evoluíram. Cada animal na Terra interage com o mundo de uma maneira diferente, usando um conjunto exclusivo de sentidos para detectar seu ambiente físico. A partir de organismos unicelulares para os seres sencientes, mais complexos. Brian acha que, ao longo de 3,8 bilhões anos, os sentidos têm impulsionado a vida em novas direções, nos levando a nossa própria curiosidade e inteligência.


3. Infinitas formas mais belas
O universo é quase totalmente desprovido de vida. A Terra, o planeta que chamamos de lar, parece desafiar as leis da física. Ela está repleta de vida de todas as cores, formas e tamanhos. Ninguém sabe ao certo quantas espécies diferentes estão vivas neste exato momento, o nosso melhor palpite é que seja perto de 8,7 milhões. Neste documentário, o professor Cox pergunta como, a partir de um cosmo sem vida governado pelas leis da física e da química, é possível que um planeta possa produzir tamanha maravilha.


4. O tamanho importa
Neste episódio, Brian viaja ao redor da Austrália para explorar a física do tamanho da vida. Começando com os maiores organismos do nosso planeta, de florestas de árvores gigantes de eucalipto, para os mares, nos levando até o gigante do oceano – o grande tubarão branco. A partir da segurança de uma gaiola de aço, Brian explica como os distintos contornos simplificados do grande tubarão branco foram moldadas pela física da água.


5. Nosso lar
Até onde sabemos, existe apenas um lugar no universo em que a vida conseguiu se originar: a Terra. Mas por quanto tempo esta resposta vai permanecer insatisfatoriamente conclusiva? Os astrônomos estão à beira de encontrar outros mundos semelhantes à Terra. O professor Cox pergunta o que é necessário para transformar um pequeno pedaço de rocha no espaço em um ambiente com vida.

***

[1] Outras séries do mesmo apresentador que merecem menção: Maravilhas do Sistema Solar, Maravilhas do Universo e Universo Humano.

Crédito da imagem: Google Image Search/BBC/Divulgação (Brian Cox)

Marcadores: , , , , , , , ,

5 comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Olá pessoal! É uma pena que não haja nenhum comentário sobre os vídeos, pois o primeiro vídeo, ao mesmo tempo que fascina intriga muito. Como conciliar a existência da espiritualidade com a explicação puramente material, porém justamente por isso, passível de mais credibilidade perante aos leigos em ambos os aspectos ? Creio que deva haver um ponto de interconexão aí, mas onde estaria ? Se alguém puder efetuar mais comentários agradeço! Parabéns pelo conteúdo. Acompanho sempre, faz alguns anos.

21/4/15 18:32  
Blogger raph disse...

Olá,

Bem, é exatamente esta interconexão que buscamos trazer aqui no blog.

Abaixo listo alguns artigos sobre o tema:

As lições da ciência

As lições da evolução

E não pisquem os olhos!

Abs!
raph

22/4/15 10:12  
Anonymous Anônimo disse...

Obrigado, vou dar uma lida nos artigos!

Luciano.

23/4/15 19:09  
Blogger Donilo von Nil disse...

Eu também ficava com essa dúvida com relação à ciência vs espiritualidade. Hoje creio que uma completa a outra, embora não pareça.

Pense: meu pé tem uma função, uma forma, um tamanho; minha cabeça também tem uma função, uma forma e um formato. O pé e a cabeça são claramente coisas diferentes, que servem pra coisas diferentes, mas tanto meu pé quanto minha cabeça estão unidos formando meu corpo.
O oceano pacífico é diferente do atlântico em vários aspectos, mas ambos estão ligados entre si por correntes marítimas - e ambos fazem parte do mundo.

Onde quero chegar?
Espiritualidade e ciência são diferentes porque precisam ser, pra cumprir seu "papel", mas ambas estão perfeitamente ligadas.
O plano astral e o plano físico são uma coisa só, mas o astral está com uma densidade (e uma linguagem) inacessível por meios normais - ou pelo menos para a maioria de nós, humanos.
Da mesma forma que alguns animais conseguem literalmente "ver" as vibrações e raios infravermelhos, alguns outros animais também conseguem ver energias do astral - gatos!

Creio que a chave para o astral é a energia, aquela parte de nós que liga o corpo físico com o astral: o "corpo" etéreo; onde fica os chakras, aura e a nossa energia.
Nenhum de nossos sentidos físicos são capazes de experimentar essa camada, mas esse "sentido" etéreo é. O problema é tentar colocar isso no modelo científico. É uma coisa ainda muito abstrata para nossa ciência muito analítica.

24/4/15 17:38  
Anonymous Anônimo disse...

É isso aí Donilo. Aguardo com ansiedade o dia que a ciência possa de alguma forma interpretar ou ao menos indicar a existência do plano espiritual, como ela faz por exemplo com a energia escura (quem sabe a energia escura não tenha algo a ver com isso, hã?). Mas creio que chegaremos lá, e nesse dia, nosso planeta estará em outro patamar.
ps. Adoro gatos. Tenho 2 e são seres incríveis!

Luciano

25/4/15 19:29  

Postar um comentário

Toda reflexão é bem-vinda:

‹ Voltar a Home

Related Posts with Thumbnails