O eco de uma era distante
Ao contrário de muitos músicos e bandas que trago aqui para o blog, Pink Floyd dispensa apresentações. O que eu quero aqui, no entanto, é lhes fazer refletir sobre a magia da música, principalmente da música que se eleva, e recai, e se eleva, e nessa progressão infindável, imita a vida e as eras humanas. Nessa obra-prima da história desta arte, Echoes, a banda britânica nos leva a uma viagem inefável que parece nos tocar profundamente a alma... O fato de terem escolhido tocá-la nas ruínas de Pompéia somente enaltece a essência de tais ecos, ecos do passado distante, ecos da angústia perante o futuro, ecos do momento divino em que dois olhares se entrecruzam, e subitamente percebem que nunca deixaram de coexistir na eternidade.
Ouçam aos acordes do tempo, ouçam com atenção...
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Lá no alto, os albatrozes flutuam imóveis pelo ar
E abaixo das ondas, nos labirintos das cavernas de corais
O eco de uma era distante vem florescendo pela areia
E tudo é verde e submarino
E ninguém nos conduziu a terra
E ninguém sabe dos "comos" e "porquês"
Mas algo se espanta e experimenta
E inicia a subida em direção à luz
(...)
Estranhos passando pela rua
Por acaso dois olhares separados se encontram
E eu sou você e o que eu vejo sou eu
E eu pego em sua mão
E a conduzo através da terra
E me ajudo a compreendê-la da melhor forma
E ninguém nos incita a prosseguir
E ninguém nos obriga a fechar os olhos
E ninguém diz nada
E nada experiencia...
E ninguém voa em torno do sol
(...)
Todos os dias você cai sobre meus olhos despertos
Me convidando e incitando a subir
E através da janela eles entram, fluindo por asas de luz...
Um milhão de embaixadores da manhã
E ninguém mais me canta canções de ninar
E ninguém mais vem fechar meus olhos
E então eu escancaro as janelas abertas
E clamo por você através do céu...
(tradução da letra original em inglês, por Rafael Arrais)
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» Veja David Gilmour e Richard Wright tocando Echoes décadas depois, em Gdańsk, Polônia.
Crédito da imagem: Pink Floyd Live at Pompeii/Divulgação
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