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22.11.17

A filosofia para viver bem (parte final)

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4. Como viver bem na modernidade

É curioso como alguns locais se tornaram centros irradiadores de conhecimento, cultura e transformações para a civilização. Durante alguns séculos, condições sociais e a reunião de figuras notáveis fizeram algumas regiões serem eternas no imaginário da humanidade.

É o caso da China Antiga, que poderemos discutir num outro momento, através de suas três grandes tradições: taoismo, confucionismo e budismo.

Em nossa série, abordamos outras duas regiões. A Grécia Antiga, terra de Sócrates, Platão e Aristóteles, mas também dos epicuristas, estoicos e céticos. E a França Moderna, pátria de Montaigne, Descartes, e, finalmente, os filósofos existencialistas.

Vimos anteriormente como a ausência de Deus defendida pelos céticos – a inexistência de uma verdade absoluta que sustente o Universo para além de um Vazio por detrás das aparências – criou um mundo ausente de um sentido maior. Se nada é verdadeiro, por que viver na falsidade?

Ansiamos em nosso íntimo por um propósito maior. Os homens buscam uma verdade pela qual viver, lutar e até mesmo morrer. No mundo antigo, talvez não fosse difícil encontrar isso: as pessoas tinham a sua cultura, os seus deuses, o seu povo. No mundo moderno, no entanto, o homem se depara com o vazio que tais categorias representam.

Minha cultura é apenas uma dentre muitas, todas bastante interessantes. Meus deuses são crenças que me ensinaram a acreditar desde a infância, e não os sinto necessariamente como verdadeiros. Meu povo são apenas algumas pessoas, e posso me sentir mais conectado com um irlandês ou um chinês do que com um outro brasileiro, meu vizinho.

A modernidade – a tecnologia, a globalização, o aumento dos horizontes – bagunçou bastante nosso senso de pertencimento, que sempre fora fundamental para definir nosso sentido de vida.

Mas o niilismo que aportou em terras francesas não teve outro destino senão a sua superação.

Ao invés de apostarem numa virada conservadora, filósofos como Albert Camus e Jean-Paul Sartre disseram que a ausência de sentido, antes de ser um problema, é uma esperança. O mundo não está já definido e escrito nas pedras como pensavam os antigos, mas somos livres para descobrir o nosso próprio sentido pessoal. Escrever a nossa própria história.

A impossibilidade de nos identificarmos absolutamente com uma identidade única ou uma determinada cultura fez de nós andarilhos. Sentimo-nos estrangeiros em nosso próprio mundo, abertos a diversas influências. Não nos sentimos tão presos à terra da qual nascemos, como eram nossos pais e avós, que apenas com muita dor se tornavam imigrantes, na falta de outra opção.

Podemos sentir a nostalgia de um antigo lar perdido, mas nosso desejo errático nunca o reencontra. Afinal, nosso desejo não se identifica com nada, e ao mesmo tempo se reconhece em tudo. O único lugar que certamente sabemos habitar são as redes sociais, que para além de simples dados compartilhados numa rede virtual de computadores, é um espaço de comunhão entre interesses e pessoas, ultrapassando língua ou geografia.

Temos que pensar assim numa nova perspectiva de eudaimonia. Como viver bem na modernidade?

Não há resposta inequívoca para essa pergunta. Mas depois desta longa trajetória filosófica, podemos dizer que recolhemos algumas pistas, que colocarei sob a forma de conselhos:

A. Não se leve tão a sério
O mundo vai para além de estar certo ou errado. No medo de cometer enganos ou parecer fracassados, abrimos mão de oportunidades de aprendizado, crescimento e surpresas positivas.

Não se cobre tanto. Muito daquilo que você exige de si mesmo são coisas da qual você não tem tanta certeza ainda, ou tampouco sabe se serão definitivas.

Não se preocupe se você parecer contraditório. No fundo, somos habitados mesmo por paradoxos. Faça sua mágica com eles.

B. Aceite suas limitações
Todo corpo eventualmente adoece. A beleza e a jovialidade tem um fim. Tem coisas que estão para além do nosso controle. Lutar contra o tempo é uma batalha perdida. Portanto, poupe sua energia para desfrutar dela.

Não tenha medo de morrer, de perder algumas coisas, ou do fim. É quando as coisas são limitadas – possuem um tempo – que elas são valiosas. Já imaginou quão insuportável seria se nossos dias fossem sempre iguais? São as coisas transitórias que tornam a vida especial.

E não tente evitar o sofrimento neste processo. Ele faz parte de tudo, tanto quanto as alegrias.

C. Entenda que, às vezes, você não sabe a resposta. E está tudo bem
Curiosidade e conhecimento são fundamentais. É muito melhor viver com sabedoria.

Mas entenda que nem sempre é possível ter todas as respostas. Existem coisas que estão para além do nossa compreensão do momento.

Existe uma coisa curiosa sobre a sabedoria: quanto mais você a descobre, mais você percebe que menos a tem. Quanto mais sabemos, vemos que as coisas são mais complexas e desconhecidas.

Aprenda a conviver com sua douta ignorância.

D. Tenha um ou mais amores
Não há outro remédio para a vida senão o amor. Seja o amor romântico por uma mulher ou um homem, o amor pelo seu trabalho ou pela sua obra, pela sua família, seus amigos, ou mesmo por uma causa. Não precisa ter todos na vida (e nem sempre dá).

Possuir um sentido de vida depende de como você ama.

Quando a gente perde uma pessoa amada – digamos, porque um relacionamento terminou – é como se a nossa vida perdesse o sentido, e nos deparamos com o tal vazio. De fato, você encontrou o que os niilistas avisavam. Mas isto não quer dizer que você não encontrará outros e novos amores.

Superar o niilismo é encontrar e mergulhar na sua paixão.

E. Seja simples
Simplicidade não significa abrir mão das coisas para ser como um eremita. Talvez algumas delas sejam muito importantes para você. Simplicidade é descobrir o que é fundamental para você, e aprender a viver com isso.

Uma tarde com os amigos na praia ou nas montanhas pode ser mais recompensante que aquela sonhada fortuna. Ver o seu trabalho ajudando outras pessoas é mais interessante do que causar inveja nos seus competidores. Ter uma casa tranquila e modesta para repousar em paz é mais fácil e econômico, além de menos estressante, do que sustentar uma mansão na região mais cara da cidade.

Quanto mais você precisa para se satisfazer, mais trabalho você terá para conquistar e manter a sua posição. O que pode se revelar bem estressante. Se você deseja uma vida mais tranquila – praticando a ataraxia – os filósofos sempre recomendaram encontrar a alegria na simplicidade.

Igor Teo é psicanalista e escritor. Para saber mais acesse o seu site pessoal.

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Crédito da imagem: Andrew Neel/unsplash

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17.11.17

Rumi e o misticismo islâmico

Após ter acompanhado seu nascimento e crescimento desde o início, é com muita honra que hoje prosseguimos com a parceria deste blog com o canal Conhecimentos da Humanidade no YouTube, apresentado por Bruno Lanaro e Leo Lousada.

Neste segundo roteiro, me vali da minha experiência com o estudo e a tradução dos poemas de Rumi para traçar uma espécie de apresentação poética da sua vida e obra. Não é de forma alguma um mergulho profundo na sua poesia oceânica, mas antes um breve passeio de barco por um riacho que, para aqueles que se sentirem tocados no coração, pode de fato levar até o mar da Alma:

» Veja também nosso livro com traduções dos seus poemas: Rumi – A dança da alma

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8.11.17

Carol Moreira e a Jornada do Herói

Desde que comecei a acompanhar com mais atenção aos youtubbers em geral, após a rápida ascensão de inscritos no canal Conhecimentos da Humanidade, de dois amigos meus, tenho percebido que o futuro da comunicação mainstream certamente passará por lá (ou já passa). Muitas residências brasileiras hoje mal sintonizam a TV Aberta, e algumas delas não têm nem TV a Cabo, ou seja: tudo se resume aos serviços de streamming de mídia, e dentre eles o YouTube é não somente o maior, como o mais promissor.

Apesar da maior parte dos youtubbers de maior audiência viverem de humor (muitas vezes, bem duvidoso), há sem dúvida muitas pérolas nas nuvens, e algumas delas serão eventualmente divulgadas por aqui. Além do próprio Conhecimentos da Humanidade, do qual já falei, o primeiro canal que queria trazer é o da Carol Moreira, formada em cinema e nerd de carteirinha. Ela é mais conhecida hoje, provavelmente, pelos excelentes comentários acerca da série Game of Thrones, da HBO, junto com sua amiga Mikannn, mas o seu canal vai muito além disso.

Um bom exemplo é este breve resumo que ela faz, com relativa propriedade, da Jornada do Herói (ou Monomito), uma teoria elaborada pelo grande Joseph Campbell. Dá gosto ver que, em meio ao mar de informações irrelevantes ou superficiais nos grandes canais de mídia, hoje temos a chance de, aqui e ali, pescar coisas tão belas e preciosas quanto a Carol:

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Crédito da foto: Carol Moreira/Divulgação

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3.11.17

O Gato da Bruxa

Guardiões .:.

"Adorados como encarnações dos deuses ou odiados como seres demoníacos, os gatos tem experienciado todos os graus da nobreza, maldade, afeto, neuroses e loucuras humanas. A milenar história entre nós e eles é tão antiga quanto controversa, cheia de altos e baixos, repleta de eventos insignes e também vergonhosos!

Por decreto faraônico, qualquer um que matasse ou maltratasse um gato poderia ser condenado a pena de morte no Egito antigo. Para os povos pagãos da Europa ele estava associado as deusas da magia e do submundo. Na idade-média, foi associado a figura da bruxa e catalogado como ente diabólico enquanto n'época das navegações era amigável companhia no extermínio de roedores, e a 'high society' vitoriana o marcou como símbolo de refinamento e arte.

Os pormenores deste convívio poderiam se multiplicar por mil; o fato inconteste é que a relação homem/gato nada teve de maçante, morno ou monótono.

Dada sua alta sensibilidade, o gato está legitimamente associado a magia. Ele é não apenas capaz de perceber como também reproduzir em si e até absorver disfunções circundantes.

Em seu aspecto oculto, o gato tende a criar um forte elo de ligação com seu dono, pressentindo seu estado emocional e fazendo-se, naturalmente, uma espécie de catalizador que 'capta', 'digere' e 'transmuta' energias dissonantes!

Esotericamente, o gato (de qualquer cor ou espécie) é um guardião, não da casa ou contra estranhos como o cachorro, mas do invisível.

Quem manifesta acentuada aversão ou medo de gatos, n'alguns casos, possui dificuldades em enfrentar sua própria natureza lunar e inconsciente.

O gato é sempre um símbolo esfíngico de sorte, conexão, mistério, instinto e intuição.

Digno de toda admiração, respeito e amor como todo animal, o gato doméstico retrata significativa parte do nosso passado, nossa essência e nosso futuro."

Caciano Camilo Compostela, Monge Rosacruz – Contato: facebook.com/mongerosacruzcacianocompostela

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Crédito da imagem: Marko Blažević/unspalsh

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