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8.8.17

O sangue eterno

Quantos poetas sangraram
para lhe fazer ouvir?
Quantos loucos captaram
seus versos de ventania,
e preencheram de vermelho
suas almas em branco?

Há uma marcha imemorial
por entre bosques e jardins,
que segue rios e corredeiras,
vence abismos e precipícios
e deságua em êxtase,
no oceano de corações frios
deste reino de chumbo...

Sim, ó senhor, ninguém sabe
de onde surgiu a fonte da poesia;
sabe-se apenas que jorra até hoje,
e que se olharmos com atenção
veremos: o mundo nunca esteve seco!

Como soldados que jamais se alistaram
para guerra alguma,
seguimos pé ante pé
com nossos fuzis de tintas,
de olhos e espíritos bem abertos,
sangrando de livre e sofrida vontade.

E este sangue que cai
salpica de cor rubra
mesmo aos bairros mais cinzentos da cidade:
cada gota marca para sempre um ponto
no tempo e no espaço.

Sim, ó senhor, seja em Konya,
Bsharri, Lisboa, Calcutá,
ou mesmo aqui, no Real Jardim Botânico
do Rio de Janeiro,
este sangue eterno
jamais secará.


raph'17

***

Crédito da imagem: Google Image Search

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