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1.4.15

O amor de Florence

Ainda precisava falar mais sobre Florence + the Machine.

Nesta linda canção, Cosmic Love, composta juntamente com sua parceira Isabella Summers, Florence Welch parece ter atingido uma região muito mais profunda do que imaginava...

Segundo a Wikipedia, Florence estava completamente de ressaca quando se dirigiu ao estúdio de gravação de Isabella após sair de uma festa e, provavelmente ainda pela madrugada, elas tentaram compor "uma música". Mesmo com forte vontade de vomitar, já quase desistindo, Florence "achou a nota correta no piano", e em cerca de 10 minutos a música estava pronta.

Como ocorre muitas vezes com a intuição dos grandes artistas, ela parece escolher momentos estranhos para aparecer. O resultado foi uma música que, na superfície, parece tratar de alguma forma esquisita de relacionamento amoroso, mas que nas profundezas, na escuridão, trata de algo maior, muito maior!

Mesmo o seu título, "Amor Cósmico", que segundo Florence era uma brincadeira, acabou fazendo todo o sentido. Talvez nem mesmo Florence tenha compreendido [1], mas quando nos tornamos cegos para o mundo exterior, e elaboramos um "mapa para encontrar nosso caminho de volta" com "as estrelas de nossos olhos", quando descobrimos que na escuridão interior bate o coração do mundo, e decidimos permanecer ali, quietinhos, junto dele, estamos já muito mais próximos de um amor genuinamente cósmico do que nossa racionalidade poderia afirmar...

O som da harpa é apenas a cereja no bolo:

Tradução da letra original, por Rafael Arrais:

Uma estrela cadente partiu de seu coração
E aterrisou em meus olhos
Eu gritei alto, enquanto ela os destruiu
E agora fui deixada aqui, cega

As estrelas, a lua
Todas elas desvaneceram
Você me deixou no escuro
Sem manhã, nem dia
Eu permaneço neste crepúsculo
Na sombra do seu coração

E aqui, no escuro
Eu posso ouvir suas batidas
Eu tentei encontrar a origem do som
Mas subitamente, ele parou
E eu estava na escuridão
Então me tornei escuridão

As estrelas, a lua
Todas elas desvaneceram
Você me deixou no escuro
Sem manhã, nem dia
Eu permaneço neste crepúsculo
Na sombra do seu coração

Eu retirei as estrelas dos meus olhos
E com elas fiz um mapa
E sabia que, de alguma forma
Eu poderia encontrar meu caminho de volta
Então eu ouvi seu coração batendo
Você também estava na escuridão
E eu fiquei na escuridão, contigo

As estrelas, a lua
Todas elas desvaneceram
Você me deixou no escuro
Sem manhã, nem dia
Eu permaneço neste crepúsculo
Na sombra do seu coração [x2]

***

[1] Ou não, basta ver o final do videoclipe da música.

» Ver também uma versão acústica de Cosmic Love.

Crédito da imagem: Florence + The Machine/Divulgação

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6.10.13

Florence

Alguns de vocês devem ter percebido, acompanhando os posts sobre música, cantores, cantoras e bandas musicais deste blog, que meu gosto musical está espalhado entre o rock da década de 70, a world music e algumas raras bandas atuais, quase todas do chamado "meio alternativo". Por isso já desisti de continuar acompanhando o cenário "main stream" da música atual, e também por isso fiquei boquiaberto ao ver o show de Florence + The Machine no Rock in Rio deste ano (2013): não somente pela qualidade dos vocais de Florence Welch, mas sobretudo pela "atmosfera mágica" da sua música.

Já tinha ouvido falar que ela era "somente uma cópia da Enya", ou "uma banda doida que toca com harpa no palco", ou ainda "uma banda psicodélica que parou na década de 70"... Ainda que ela fosse parte de tais alcunhas, já seria motivo para eu me interessar pela sua música. Mas ela é mais, muito mais do que isso tudo junto!

Abaixo trago sua apresentação de Shake it out em seu show Unplugged, gravado, aparentemente, dentro de um igreja... Seja pelo ambiente, seja pela iluminação, seja pela letra da música, seja - principalmente - pela voz celestial de Florence, invejo aos que estavam presentes. Foi basicamente uma "sessão de descarrego", só que sem (quase) ninguém haver percebido:

Abaixo, a tradução de uma parte da letra:

Remorsos se acumulam como velhos amigos;
estão aqui para reviver seus momentos mais sombrios.
Não posso ver uma saída, não posso ver uma saída:
Todos os vampiros saíram para brincar.

Cada demônio quer o seu pedaço de carne.
Mas eu gosto de manter algumas coisas comigo,
manter minhas questões só para mim.
É sempre mais escuro antes da madrugada.

E eu fui ingênua e estive cega;
Nunca posso deixar o passado para trás.
Não posso ver uma saída, não posso ver uma saída:
Estou sempre carregando esse peso nos ombros

E o nosso amor gerou um ruído de sofrimento;
Essa noite eu vou enterrar esses pesos na terra.
Eu gosto de manter minhas questões só para mim,
mas é sempre mais escuro antes da madrugada

Livre-se, livre-se, livre-se, esqueça disso!
Livre-se, livre-se, livre-se, esqueça disso!
É difícil dançar com o diabo nas costas,
então livre-se dele!

[...]

É difícil dançar com o diabo nas costas (livre-se!).
Se eu tivesse metade da chance, eu faria tudo de novo (livre-se!).
É um bom romance, mas me deixou tão incompleta (livre-se!).
É sempre mais escuro antes da madrugada.

Estarei perdida se me livrar, estarei perdida se não me livrar.
Um brinde às bebidas na escuridão pelo fim da minha estrada.
Estou pronta para sofrer e pronta para ter esperança.

É um tiro no escuro e bem na minha garganta;
pois procurando o paraíso, encontrei o diabo em mim;
procurando o paraíso, encontrei o diabo em mim...

Que inferno, deixarei acontecer!

Livre-se, livre-se, livre-se, esqueça disso!
Livre-se, livre-se, livre-se, esqueça disso!
É difícil dançar com o diabo nas costas,
então livre-se dele!

***

» Mais Florence + The Machine ao vivo (Radio 1 Live Lounge Special)

Crédito da foto: Divulgação (Florence Welch)

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