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8.7.13

Ad infinitum: resenha de Igor Teo

Igor Teo é criador e mantenedor do blog Artigo 19, colunista do Portal TdC, escritor e estudante de psicologia.


O infinito e por aí

O convite para escrever sobre o livro Ad infinitum é para mim honroso por dois motivos: primeiro, se tratar de uma publicação de meu amigo Rafael Arrais; segundo, creio que este livro coroa todo um trabalho que acompanho faz tempo.

Em Análise Institucional, há certos acontecimentos que chamamos de Analisadores. Permitam-me uma pequena contextualização aqui: a sociedade é composta por instituições que formam a trama social e que se mantém ou se alteram através de nossas práticas. Uma instituição é, definindo de maneira geral, tudo aquilo que um dia foi instituído e hoje tomamos como normal, usual, corriqueiro, e nelas se incluem comportamentos e pensamentos, modos de agir ou pensar. Entretanto, a sociedade não é algo fixo e imutável ao longo do tempo, mas se transforma constantemente devido a variadas questões históricas, econômicas, políticas, entre outras. Chamamos as mudanças sociais que ocorrem por variados motivos de instituintes, aquilo que visa alterar o instituído. O estudo e a prática da dinâmica instituído-instituinte é o que poderíamos chamar de Análise Institucional.

Quando há a manifestação de algo que não está em conformidade com o instituído, são estas manifestações elas mesmas reveladoras dessa dinâmica que buscamos entender. E as chamamos de Analisadores. Um analisador recente ao momento em que escrevo é a série de protestos que ocorrem no país. Não era comum faz certo tempo a população ir a rua para reivindicar seus direitos, mas aconteceu. E esta manifestação revela que há algo que não vai tão bem como a televisão mostra.

A publicação de Ad Infinitum é um Analisador de uma nova geração de autores. Com a internet, temos visto uma revolução no modo como o escritor atinge seu público. Se antes era necessário toda uma atividade editorial, Rafael Arrais nos mostrou que isso hoje não é mais tão importante assim. O próprio foi responsável por diversas etapas do processo, desde a escrita propriamente até toda a arte e diagramação do livro. Isto revela que estamos testemunhando uma grande mudança de como a informação é transmitida.

A pessoa de Rafael Arrais não está presente apenas na “cara do livro”, mas em seu conteúdo. Os quatro personagens que se encontram para debater diversas questões existenciais são manifestações de seu pensamento e suas próprias dúvidas e respostas que temos acompanhado faz tempo em seu blog Textos para Reflexão. Este livro consagra, portanto, todo um longo trabalho de discussão e reflexão.

No entanto, dizer que apenas Rafael Arrais está presente no livro por outro lado também seria não fazer justiça a obra. Escrita sobre ombros de gigantes, Ad infinitum traz diferentes discursos e pensamentos para dialogarem. Você provavelmente reconhecerá muitos deles, até porque já escutou, leu ou mesmo refletiu sobre eles.

O enredo é uma ode à amizade e à boa conversa. Parece difícil imaginar que um debate que discuta questões tão profundas e que atinge crenças diversas tão valorizadas por seus defensores possa se manter tão pacífico e amistoso como o livro nos apresenta. Mas sim, é possível. Basta pensarmos quais valores nos são mais importantes: a “verdade” a qualquer custo ou a boa convivência e o livre circular das ideias.

Por fim, é sempre importante dizer que nenhuma obra é neutra. Se Rafael Arrais compila discursos e nos apresenta ideias, ele também defende um ponto de vista. Imaginar que assim não seria é ingenuidade, pois qualquer um que tentasse fazer o mesmo, na própria seleção e escolha de argumentos já estaria enviesando um pensamento mais que outro.

Deste modo, Rafael oferece uma nova forma de pensar a espiritualidade. Não a de que um espiritualista seja um alienado, crente em uma fé cega e perdido em mistificações, como muitos podem acreditar. Mas a de que um espiritualista seja alguém como outro qualquer, com suas próprias crenças, e que também pode sustentar um pensamento racional.

Você pode até não concordar com sua lógica por ter preferência própria por outros métodos racionais, mas o que não é possível dizer é que não há lógica.


Igor Teo
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013

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» Ad infinitum se encontra à venda em versão impressa, PDF ou eBook (Kindle)

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13.4.13

Ad infinitum: resenha de Wanju Duli

Fico muito feliz em trazer ao meu blog a primeira resenha que recebi sobre o meu livro, Ad infinitum (à venda em versão impressa, PDF ou Amazon Kindle). Trata-se de uma resenha escrita por Wanju Duli, que além de ser colunista do Portal Teoria da Conspiração, é também uma jovem escritora com pleno domínio da linguagem (vocês podem conhecer ela melhor no seu blog, Ocultismo Magnífico):


Finalizei agora mesmo a leitura do livro "Ad infinitum" de Rafael Arrais. Pelas minhas primeiras impressões, posso dizer que a obra deixou-me com uma sensação muito tranquila e alegre. E digo isso porque, após megulhar num debate particularmente sagaz e envolvente, fui presenteada com uma conclusão que, de tão simples e honesta, chega a ser deliciosamente surpreendente.

Já iniciei a leitura maravilhando-me com a arte da capa, envolta em elegância e mistério [1]. Estava ansiosa por conhecer as conversas que ocorreriam no sereno jardim. E os participantes do debate se apresentaram a mim, que já me sentia parte de tudo aquilo, como se eu mesma não estivesse muito longe de lá.

"Que legal! Tem uma mulher no debate!" foi um dos meus primeiros pensamentos ao ser introduzida às simpáticas figuras presentes. Simpatizei com Sofia imediatamente. Digamos que ela ocupa uma posição da mais alta importância ao longo da conversa. Gostei muito de sua personalidade e de suas observações pertinentes.

Depois da Sofia, meu segundo personagem preferido foi Petrius. Acredito que foi ele o maior responsável por algumas risadas que dei ao longo do livro, devido a seu tom ligeiramente irônico. Em poucas palavras, ele é um cara legal.

No início eu pensei que ficaria zangada com Ismael devido às suas insistentes manifestações de amor a Deus, mas não é que algumas frases dele me fizeram rir e sorrir, com simpatia pelo que ele dizia, e ele revelou-se uma pessoa bastante razoável? Acho que ele defendeu pontos muito bons.

Quanto a Otávio, também achei-o um personagem bastante divertido. Em suma, assim que fui apresentada aos personagens, que vinham de áreas diversas e possuíam algumas posições filosóficas e espirituais diferenciadas, logo pensei: "Esse debate vai pegar fogo...!"

E, se prestar atenção, realmente aconteceram momentos tensos e quentes no debate. À primeira vista, é uma conversa entre pessoas com visão bem aberta e compreensiva, mas basta tocar na ferida para constatarmos o quão difícil é ceder em certos pontos de nossas convicções.

Antigamente eu achava que quase todo debate entre pessoas de posições diferentes resultaria em uma briga, mas hoje em dia, após debates recentes que tive, constatei que é completamente natural que pessoas de visão quase oposta respeitem a opinião do outro. Dessa forma, acredito que os personagens ficaram bem realistas e os diálogos seriam possíveis de ocorrer numa conversa real semelhante a essa.

O conhecimento adquirido através da leitura desse livro é imenso. O autor entende profundamente a respeito de diversas áreas do conhecimento. A lista de livros e material que consta no final como sugestão de estudo é de dar água na boca. E o que dizer das notas explicativas ao longo da leitura? Fiz questão de ler o livro munida de dois marcadores de página (um para a página do texto e um para a página das notas) para me assegurar de que não perderia nada.

O livro é estruturado de forma extremamente organizada, inclusive ao longo dos capítulos, com as conclusões de cada debate devidamente ressaltadas. Isso permite que tanto pessoas que possuem familiaridade com os temas abordados como as que não possuem possam se beneficiar da leitura. O desenvolvimento do raciocínio é bastante claro e totalmente possível de acompanhar, o que não é tão comum de se encontrar em livros com pensamentos filosóficos. Ficou evidente que a intenção do autor era facilitar o estudo e o entendimento e não complicá-lo. Eu aprendi muito, tanto com o texto em si como através das notas explicativas.

Sinceramente, eu achei a disposição do livro e alguns diálogos especialmente semelhantes às obras de Platão, nas quais ele mostra discursos de Sócrates. A diferença é que Sócrates costumava derrotar seus adversários por intermédio de sua argumentação, enquanto a proposta no jardim de Ad infinitum é conciliar os argumentos, o que é uma grande vantagem.

Eu fui agradavelmente surpreendida em vários capítulos com as conclusões inteligentes construídas ao longo das conversas. Eu aprendi e ao mesmo tempo me diverti, comparando as deduções apresentadas com minhas próprias opiniões sobre os temas. Caso fosse essa a intenção, creio que o livro cumpriu seu propósito com sucesso. Naturalmente, o livro pode possuir os mais diferentes propósitos e exercer objetivos únicos para cada leitor. É uma leitura múltipla, com diversas possibilidades. Ad infinitum.

Recomendo a todos a leitura. É realmente bacana, dá uma sensação pacífica e gera belas reflexões.

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» Ver a resenha original no blog Ocultismo Magnífico

[1] Saiba mais sobre a simbologia da capa: O Ouroboros e a Árvore da Vida

Crédito da foto: Wanju (capa de Ad infinitum)

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