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15.6.12

Apresentação: O passado e o futuro

Há algum tempo escrevi este texto em homenagem ao grande poeta Gibran Kahlil Gibran, e agora criei para ele uma apresentação especial...

Veja abaixo a apresentação. Basta ir clicando nas setinhas para avançar ou retornar, você também pode usar a roldana do seu mouse para um efeito surpreendente... Recomendo ver em tela cheia (more > full screen):

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10.8.11

A religião

Texto de Rafael Arrais, em homenagem ao grande poeta Gibran Kahlil Gibran.

Então Almitra [1] disse: fala-nos da religião.

E ele respondeu:

Não precisareis ir muito longe para encontrar sua religião, assim como o camponês não precisa caminhar distâncias para encontrar água – ele edificou sua casa perto dos rios e dos oceanos.

E, quando o rio seca, ele cava um poço bem profundo.

E, quando o oceano destrói sua casa com suas ondas, ele entende que ainda não pode morar tão próximo das marés.

Ai daquele, no entanto, que construiu sua casa em terra seca e pedregosa, ou que destruiu a própria floresta e mudou o curso dos rios, pois que para esse nada restará além de cavar dentro de si mesmo, sangrando ao arrancar pedaços da própria pele.

Por isso, povo de Orfalés, não deem ouvidos aqueles que os chamam para orar em seus templos desolados.

E bradam em voz alta o que deve e o que não deve ser feito para agraciar a seus deuses.

Que se construíram sua igreja em terreno infértil, foi porque não souberam encontrar as sementes que o bem-amado arremessou a nossa terra...

E não as tendo encontrado, não as plantaram.

E não as tendo plantado, tampouco floresceram.

E não tendo florescido, sua fragância lhes é desconhecida, e por isso vivem a reclamar do fedor alheio.

Pois quem vive em meio ao mau-cheiro, acha que só existe mau-cheiro no mundo.

E, acostumando-se ao próprio mau-cheiro, crê piamente que a sua fragância é a única capaz de agradar aos deuses.

Só que não existem os deuses, apenas os emissários do bem-amado.

Que semearam a terra desde épocas remotas, desde eras em que éramos apenas sementes, e não homens e mulheres...

E, tendo compreendido tal mistério, o camponês soube que o melhor lugar para edificar sua casa era em seu próprio coração.

Que a água dos rios e oceanos flui por todos os lugares, e de tempos em tempos faz sua viagem pelos céus.

E as chuvas que alagam sua plantação são as mesmas que dão vida a tudo o que há.

E a fragância do bem-amado penetra a tudo e a todos.

E não é necessário convencer a ninguém disso – um dia, saberão.

Da mesma forma que sabem que toda semente um dia vira árvore.

Contanto que a cuidemos com o mesmo amor que temos sido cuidados por todas essas eras...

***

[1] Almitra é o personagem que faz a maior parte das perguntas para Almustafa, o escolhido e bem amado, personagem principal que dá voz aos ensinamentos de Gibran em sua obra-prima, “O Profeta”. Este texto, entretanto, é apenas uma homenagem ao grande poeta.

***

» Parte da série "Após Gibran"

Crédito da imagem: John Smith/Corbis

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6.5.10

A busca pela verdade

Texto de Rafael Arrais, em homenagem ao grande poeta Gibran Kahlil Gibran.

Então Almitra [1] disse: fala-nos da busca pela verdade.

E ele respondeu:

Buscai a verdade como quem busca o horizonte.

Pois vós sabeis: o horizonte está sempre à frente. Não adianta se virar para outra direção nem pegar um atalho. O horizonte está além de qualquer atalho, e seu reino jaz no fim de todos os caminhos.

Mas não vos inquieteis com a imensidão do céu nem com a distância que vos separa da verdade. O infinito é dividido em eras, as eras são divididas em dias dos homens, e tais dias são divididos em momentos...

A cada momento a sua preocupação, e a sua verdade. Não acheis que algum momento trará “a verdade”, mas ficais satisfeitos se encontrardes “uma verdade”.

Povo de Orfalés, não busquem a verdade como quem busca um vagalume pela noite. Não confundais vagalumes com estrelas, nem pretendeis que ao agarrardes um com as mãos, que tenhais dominado uma verdade.

Que a luz não se detém nem com as mãos nem com a razão. Ela escapa, flui por entre caminhos invisíveis, e só se revela nos sonhos de vossas almas.

E as estrelas da noite, essas estão muito além do horizonte.

Cabe ao homem buscar a verdade neste mundo, para somente após se arremessar rumo às estrelas.

Que todos os dias dos homens são como um piscar de olhos da eternidade. E não há verdade que fuja dela. Toda a luz do mundo irradia da essência que está fora do tempo, além de vossos horizontes, no momento que é para sempre o mesmo...

Mas não nos demoreis muito em tais pensamentos, nem pretendais serem desbravadores de novas eras. Que todas as eras já foram desbravadas, e todas as verdades já foram descobertas.

Contentai-vos, portanto, em viver com alegria. Em buscar o horizonte não como quem quer salvar-se do mundo, mas como quem quer abraçar o céu inteiro, e dançar com as estrelas pela noite adentro...

***

[1] Almitra é o personagem que faz a maior parte das perguntas para Almustafa, o escolhido e bem amado, personagem principal que dá voz aos ensinamentos de Gibran em sua obra-prima, “O Profeta”. Este texto, entretanto, é apenas uma homenagem ao grande poeta.

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» Parte da série "Após Gibran"

Crédito da foto: Larissa Januzzi

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3.1.10

O passado e o futuro

Texto de Rafael Arrais, em homenagem ao grande poeta Gibran Kahlil Gibran.

Então Almitra [1] disse: fala-nos do passado e do futuro.

E ele respondeu:

O passado e o futuro estão dentro de vós, e não fora de vós.

O passado é como uma trilha de migalhas de pão que delimita o caminho que percorremos na floresta, e os degraus que subimos na montanha.

Ele também nos aponta as armadilhas e os trechos sem saída. Ele nos traz a história de todos os nossos irmãos, que seguiram por este mesmo caminho, em eras de outrora.

Porém, não se admirem demasiadamente com o passado.
Não queiram viver uma vida que já não existe mais; não queiram seguir a trilha reversa, atrás de migalhas que não estão mais lá.

Que a natureza não se detém em tempo algum. Os rios fluem sem cessar, e toda represa um dia encontra um caminho para vencer o concreto e seguir em frente.

Povo de Orfalés, não sejam represas, sejam rios!
Que a vida segue apenas em uma única direção: adiante.
E todos aqueles que ignoram tal verdade, se tornam mortos enquanto vivos, cheios de lágrimas represadas.

E o futuro, este é o hóspede que ainda não chegou.
Portanto, não se preocupem em arrumar a casa para ele, pois que ele tampouco avisou quando irá chegar.

Talvez, sejamos nós que tenhamos de chegar a sua casa.
Talvez ele more no cume da montanha, e seu convite seja como um chamamento, para que prossigamos a subir, sem mourejar.

E quando chegarmos lá no alto, veremos que de nada adiantou toda essa preocupação com sua visita...
Todos os jantares e todas as mesas postas, tudo em vão.

Foi no café da manhã que chegamos em sua morada, e lá do alto víamos o vale ensolarado e toda a extensão de nossas vidas na floresta.
E soubemos que a mesa estava posta para nós, e não para o hóspede.

Que o hóspede era na verdade o anfitrião.
Que a vida não atende aos nossos compromissos: ela tem os seus próprios.
E da sua agenda, a vida mesmo cuida.
Que nada foi gravado em pedra.
E todas as coisas fluem, como as estações do ano.
E todas as histórias se encerram em um único momento.

Este é o momento que realmente nos importa, meus irmãos: a vida se vive neste farfalhar de grama, nesta brisa incessante, neste aroma eterno de primavera...

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[1] Almitra é o personagem que faz a maior parte das perguntas para Almustafa, o escolhido e bem amado, personagem principal que dá voz aos ensinamentos de Gibran em sua obra-prima, “O Profeta”. Este texto, entretanto, é apenas uma homenagem ao grande poeta.

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» Parte da série "Após Gibran"

Crédito da foto: Billtam

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