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28.9.26

Lançamento: A Ciência da Religião, de Yogananda

As Edições Textos para Reflexão voltam a publicar Yogananda!

Em A Ciência da Religião, temos a compilação da primeira palestra de Paramahansa Yogananda no Ocidente, dada em 1920 num Congresso em Boston, nos EUA.

A nova tradução de Rafael Arrais já está disponível em e-book e também na versão impressa:

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1.1.23

Lançamento: Autobiografia de um Iogue

As Edições Textos para Reflexão publicam um grande clássico espiritual do séc. XX: Autobiografia de um Iogue, por Paramahansa Yogananda, na tradução de Rafael Arrais.

Este é um livro de muitas jornadas, há nesta obra muitos livros dentro de um só. Publicado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, mas escrito ainda ao longo do terror, ele sinaliza uma nova esperança, uma nova era para a espiritualidade humana: que tenha sobrevivido ao tempo, e que seja até hoje um bestseller global, é um sopro de alívio para todos aqueles que despertaram da ilusão material.

Um ebook já disponível para o Amazon Kindle, Google Play e outras lojas; e também na versão impressa:

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» Leia o Epílogo desta edição: As aventuras de Makunda

» Leia um trecho da tradução


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6.12.22

As aventuras de Makunda

Epílogo escrito para a minha tradução de Autobiografia de um iogue, a ser lançada em livro e e-book no início de 2023 – pelas Edições Textos para Reflexão.

 

Este é um livro de muitas jornadas, há nesta obra muitos livros dentro de um só. Seu título, Autobiografia de um iogue contemporâneo (depois abreviado para Autobiografia de um iogue), abarca dentro de si muitos outros títulos possíveis: As aventuras de Makunda; Encontros com santos notáveis; Turismo espiritual na Índia; A vida de Láhiri Mahasaya; O mistério de Babaji; O Kriya Yoga; A espiritualidade no Oriente e no Ocidente etc. Que todos estes pudessem servir de título para a obra-prima de Paramahansa Yogananda diz muito sobre a sua abrangência e a sua importância espiritual. Publicada logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, mas escrita ainda ao longo do terror, ela sinaliza uma nova esperança, uma nova era para a espiritualidade humana: que tenha sobrevivido ao tempo, e que seja até hoje um bestseller global, é um sopro de alívio para todos aqueles que despertaram da ilusão material.

Yogananda é o nome monástico de Makunda, nascido numa abastada família indiana, em 1893. Quando jovem, viveu cercado de pais e irmãos mais ou menos devotos, como o indiano médio da época, mas logo cedo ficou claro para todos que o seu caminho na espiritualidade seria único. A sua vida é toda pontuada por sinais e milagres. Dizer que nasceu predestinado é pouco, é como se cada etapa de sua vida fizesse parte do capítulo de alguma epopeia lendária. A criança que, quando adulta, seria a responsável pela divulgação do yoga no Ocidente; mas que acabou levando aos ocidentais muito mais do que isso: toda a cultura da Grande Índia, da Índia ancestral, se resume em sua figura, em seu sorriso, em sua vontade de ensinar com complacência – coisa que não recebeu nem mesmo de seu próprio guru.

A própria estrutura do livro demonstra isso. Makunda vai nos seduzindo pouco a pouco. Não se gaba do que veio a conquistar em seu caminho em nenhum momento, mas principalmente no início retrata a si mesmo de maneira humilde, um jovem que sonhava conhecer o Himalaia, e que se interessava mais pelos monges e gurus do que por sânscrito ou matemática. Os milagres, grandes ou pequenos, ficam em segundo plano, tudo o que lhe interessa descrever de fato é como, desde o início, ele sempre esteve em busca de Deus – com Seus muitos nomes e nuances.

Assim, não se trata de uma obra que queira provar alguma coisa. Até mesmo Makunda só passou a acreditar em certas coisas depois de vivenciá-las. O ceticismo fazia parte de seu dia a dia, tanto que precisou ver para crer em muitos dos milagres dos santos e das santas que cruzaram o seu caminho; ou melhor, que ele tratou de ir atrás. Foi amigo tanto de cientistas quanto de gurus, circulava tanto em meio aos mais ricos quanto entre renunciantes estritos, alguns dos quais sequer usavam roupas.

Mas a sua obra fala, em essência, de sua relação com Deus, e de como essa relação se refletiu diretamente em sua convivência com os seres humanos, os filhos de Deus, os reflexos do divino. No entanto, isso não fica tão evidente em nenhum momento do texto, não é algo que Makunda quisesse nos trazer como uma espécie de mandamento, “Ame a Deus acima de todas as coisas”, não: Makunda faz disso o seu exemplo de vida, é algo que fica subentendido nas entrelinhas, como uma fragrância perene fluindo de suas palavras. É assim que somos conquistados, é assim que esta leitura pode ser verdadeiramente transformadora.

A semente que Makunda se incumbiu de plantar no Ocidente dá frutos até hoje. Afinal, não foi por acaso que os Beatles foram parar em um retiro espiritual na Índia, nos anos 1960. Naquela altura, o yoga já era algo amplamente conhecido, principalmente entre os jovens, e embora outros iogues lhe tenham precedido na peregrinação pelo Ocidente, foi Autobiografia de um iogue a principal obra de divulgação da ciência espiritual indiana. E, mais recentemente, a importância da obra se fez evidente no funeral de um dos grandes visionários de nosso tempo: era ela que Steve Jobs quis que aqueles que foram ao seu enterro lessem, quiçá para que pudessem compreender que a sua própria morte não era o ponto final de nada.

Até hoje, espalhada pelo mundo, incluindo o Brasil, a Self-Realization Fellowship, ou Irmandade da Autorrealização, divulga os livros e os ensinamentos de Makunda. Até hoje, anualmente, milhares de devotos fazem a leitura conjunta da obra em épocas específicas do ano. Até hoje, graças ao Paramahansa, o Kriya Yoga também vive no Ocidente, e não ficou oculto sob os véus da Índia milenar.

Não foi uma tarefa simples. Makunda foi obrigado a abandonar a família e, principalmente, o seu guru, numa época em que a viagem da Índia para os Estados Unidos levava meses, e a troca de mensagens era algo bem mais problemático. No entanto, tal distanciamento foi mais físico do que espiritual, pois o Paramahansa seguia o seu propósito de vida, aquilo que literalmente nasceu, foi encarnado para fazer. Era, em suma, uma Vontade maior do que a sua própria; e ele, em sua imensa sabedoria, soube viver inteiramente alinhado a ela.

“Valeu a pena?” – perguntou a Makunda um de seus primeiros discípulos nos Estados Unidos.

“Sim, mil vezes sim! Valeu a pena; tem sido uma inspiração constante, mais do que jamais pude sonhar, ver o Ocidente e o Oriente se aproximando pelo vínculo mais duradouro, o espiritual!”

Makunda, ou Paramahansa Yogananda, foi feliz no cumprimento de sua missão. As suas aventuras neste mundo se encerraram em 1952, quando, ao final de um discurso, citou um trecho de um de seus poemas, Minha Índia, antes de deixar seu corpo tombar ao chão, para que o Espírito pudesse retornar a sua origem. Eis as suas últimas palavras:

Lá onde o Ganges, os bosques, as grutas do Himalaia e os homens sonham com Deus – eu sou abençoado, meu corpo tocou este solo.

 

Rafael Arrais

***

Crédito das imagens: Google Image Search (Yogananda; e Yogananda ensinando yoga nos EUA).

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30.8.22

Samádhi, ou traduzindo Yogananda

No primeiro dia de 2023 entra em domínio público em praticamente todo o planeta toda a obra de Paramahansa Yogananda, o yogui, ou iogue, responsável por uma das maiores obras da espiritualidade do século XX, Autobiografia de um iogue.

Se tudo correr bem, as Edições Textos para Reflexão iniciarão o ano que vem justamente com este lançamento, cuja tradução tem se provado um trabalho longo, profundo, e incrivelmente prazeroso.

O grande mérito aparente do livro é se tratar da autobiografia de um legítimo iogue da Índia, ou seja, escrita por ele mesmo, e não por algum jornalista ou pesquisador. Mas esta obra é muito maior que isso: em suas dezenas de capítulos, Yogananda teceu um intrincado passo a passo de conexão com o divino, de modo que não seria exagero dizer que a mera leitura atenciosa de suas centenas de páginas já é, ao menos de alguma forma, uma prática de yoga em si mesma.

E, para que ninguém duvide disso, trago abaixo um poema que consta no capítulo 14, onde o autor relata sua experiência com a Consciência Cósmica. O próprio título, Samádhi, remete a um estado de “meditação perfeita”, uma iluminação que, embora passageira no tempo, transforma a vida de quem a experimentou, para sempre.

Com vocês, Paramahansa Yogananda:


Desvanecidos os véus de luz e sombra,
Evaporada toda bruma de tristeza,
Naveguei além de todas as manhãs de alegria fugaz,
Até que a miragem dos sentidos ficou para trás.
Amor e ódio, saúde e doença, vida e morte:
Todas estas sombras falsas pereceram na tela da dualidade.
Ondas de riso e sarcasmo, redemoinhos de melancolia,
Tudo se dissolveu na vastidão oceânica do êxtase.

A tempestade de maya aplainou
Pela varinha mágica da intuição profunda.
O universo e os sonhos esquecidos espreitavam no subconsciente,
Prontos para invadir minha memória divina, recém-desperta.
Então eu vi: eu vivo sem a sombra cósmica,
Mas ela não vive sem mim;
Tal qual o mar perdura mesmo sem ondas,
Embora elas precisem dele para existir.

Sonhos e despertares, estados de sono profundo,
Presente, passado e futuro nada mais significam para mim;
Eu estou em cada momento, sempre a fluir, sempre em tudo:
Nos planetas, nas estrelas, na poeira que cintila na terra,
Nas erupções vulcânicas dos grandes cataclismas,
Nos fornos que moldam a matéria, nas geleiras silenciosas
De raios-x, nas inundações de elétrons ardentes,
No pensamento de todos os homens, de antes, agora e depois,
Em cada lâmina verde do prado, eu e a humanidade inteira
Somos cada átomo da poeira sideral;
Desejo e raiva, bem e mal, salvação e luxúria:
Eu engoli a todos, e os transmutei num vasto oceano
Que forma o sangue de meu próprio Ser!

A labareda do êxtase, tantas vezes acalentada pela meditação,
Cegou meus olhos úmidos, cresceu em fogaréu,
Tornou-se um baile imortal de fogo e contentamento,
Até consumir minhas lágrimas, minha forma, tudo o que eu era.

Você sou Eu, Eu sou Você;
O Conhecer, O Conhecido e Aquele Que Conhece: somos Um!
Sereno, inabalável, eternamente vivo, numa paz que sempre se renova!
Aqui experimentamos tal regozijo:
Uma alegria além de qualquer possibilidade imaginada, o êxtase do samádhi!
Todavia, não um estado sem consciência,
Tampouco um clorofórmio mental anestesiando a vontade.
O samádhi tão somente expande as fronteiras do reino consciente
Além dos limites mundanos,
Até as distâncias mais longínquas da eternidade,
Onde Eu, o Oceano Cósmico,
Contemplo o ego, pequenino, a flutuar.

A queda de um pardal, cada grão de areia soprado pelo vento,
Nada acontece que esteja além da minha visão.
Eu sou o espaço colossal que abarca tudo o que é, foi e será.
E através da meditação profunda, dedicada, que anseia por Mim,
Chega um dia este samádhi celestial.

O murmúrio do baile atômico pode ser ouvido;
E, veja: as montanhas e os vales dançando com a lava,
Esculpindo novas paisagens e territórios!
Mares fluem pelo cosmo, agora são vapores de nebulosas!
AUM [Palavra Criadora] os sopra, rompendo seus véus;
E, veja: eles se espalham pelas galáxias, que maravilha!
Elétrons cintilam em tudo, como pérolas no mar,
E tudo está em paz...
Até que, ao toque do tambor cósmico,
Desvanecem os aglomerados em radiação eterna;
Um êxtase além das palavras, além dos limites,
Preenche tudo que há.

Do êxtase eu vim, pelo êxtase eu vivo, no sagrado êxtase eu sou diluído.
Como uma mente oceânica, eu bebo as ondas da criação.
Quatro véus se estendem pelo cosmo:
Sólido, líquido, gasoso e luminífero.
Eu, estando em tudo, adentro o Grande Eu.
Sombras vacilantes e tênues da memória mortal
Parecem ter se aniquilado para sempre.
No grande céu mental, já não estou aqui ou acolá,
Nem muito acima nem abaixo, nem perto nem distante:
Eu e a eternidade, um único facho singrando o vazio...

Então, uma pequena bolha de riso se forma,
E eu me torno o próprio Oceano da Alegria.


(tradução por Rafael Arrais)

***

Abaixo, segue uma prévia (de parte) da capa de nossa edição. Ela será vendida como e-book na Amazon, Google Play e demais lojas (pelo preço de um café!). E possivelmente teremos ainda uma versão impressa à venda em alguns sites internacionais da Amazon (como de costume, não temos a intenção de competir no mercado impresso nacional, que já conta com uma tradução em português).

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