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6.6.24

Lançamento: O mal-estar na civilização

As Edições Textos para Reflexão publicam uma das principais obras do fundador da psicanálise.

Em O mal-estar na civilização vemos Sigmund Freud teorizando como um grande pensador da humanidade, disposto a comentar não apenas questões individuais e clínicas, mas sendo um pensador profundo, capaz de fazer uma análise da cultura e da sociedade. É uma obra importante não apenas para a psicanálise, mas também para a filosofia.

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15.12.23

Lançamento: Adquirir a sua alma na paciência

As Edições Textos para Reflexão adentram os reinados da filosofia existencialista com um de seus fundadores.

Em Adquirir a sua alma na paciência, o filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard nos oferece a chave para o encontro e a conquista do nosso "eu". Comentando uma passagem bíblica, o autor nos apresenta um conceito único de "paciência", que tem mais a ver com a teologia do que com a filosofia.

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» Leia também o nosso prefácio para esta edição: O andarilho de Copenhague.

» Caso deseje se aprofundar na obra de Kierkegaard, recomendamos seguir o perfil da Maitê Sartori (psicóloga especializada na filosofia do autor) no Instagram, ou quem sabe se increver em algum dos seus cursos sobre o tema.


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27.11.23

Lançamento: Mensagem Sufi de Liberdade Espiritual

As Edições Textos para Reflexão retornam ao sufismo com seu maior divulgador no Ocidente.

Hazrat Inayat Khan nasceu na Índia e desde o berço conviveu com a música e a poesia, eventualmente se tornando reconhecido no Ocidente tanto como músico quanto como místico sufi. Muitas de suas palestras foram compiladas por seus estudantes numa coleção de livros conhecida como A Mensagem Sufi: este é o primeiro deles.

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6.9.23

Lançamento: Fédon (ou Da Alma)

As Edições Textos para Reflexão voltam aos primódios da filosofia ocidental com o seu maior clássico.

Seja para concordar ou discordar, fato é que boa parte dos pensadores do Ocidente iniciaram sua jornada filosófica justamente por Platão. E é em Fédon (ou Da Alma) que temos ao mesmo tempo o ápice e a melhor introdução possível ao seu pensamento. Em Fédon, somos apresentados ao chamado Mundo das Ideias e ao conceito de transmigração das almas, que podem sim seguir para o além-vida, o Hades, mas que também podem retornar, para aprenderem, vida após vida, a se tornarem melhores e mais sábias.

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22.6.23

Lançamento: Artemagia

O Projeto Ars Magica chegou ao fim, e o seu título final é Artemagia: uma reflexão sobre o Caminho.

Em Artemagia, Rafael Arrais se vale da sua escrita poética e hipnotizante para nos trazer preciosas e profundas reflexões acerca do Caminho, o caminho espiritual, e tudo o que ele abarca: a Arte, a magia, a religião, a filosofia, a ciência, a espiritualidade, a chamada Verdadeira Vontade, o contato com anjos e demônios, as vias da mão direita e esquerda, o tarot etc. Se souber ler com o coração, você também será mudado para sempre por este livro.

Já disponível em e-book, na Amazon, e também na versão impressa:

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» Leia alguns trechos da obra


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25.4.23

Lançamento: Filosofar é aprender a morrer e outros ensaios de Montaigne

As Edições Textos para Reflexão retornam à filosofia com uma seleção de seis dos melhores Ensaios de Montaigne.

Ao falar de si mesmo, da filosofia e do mundo com extrema elegância, bom senso, acidez e honestidade intelectual, Montaigne não apenas fundou um novo gênero literário (o ensaio), como demonstrou que os chamados pensadores, ou filósofos, não precisam falar somente de coisas grandiosas, muito sérias e cosmogônicas. Ele trouxe as reflexões do dia a dia para o grande palco da filosofia, e na posteridade decerto fez incontáveis bons amigos: seus leitores.

Filosofar é aprender a morrer e outros ensaios é a mais nova tradução de Rafael Arrais – um ebook já disponível para o Amazon Kindle e na Google Play:

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» Leia o Prefácio desta edição


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16.1.23

Lançamento: Ad infinitum, edição comemorativa de 10 anos

Quatro personagens. Um diálogo sobre o Uno: o infinito da existência, o universo, a evolução das espécies na Terra, religião, ciência, filosofia, fé e ceticismo. Saiu a edição comemorativa de 10 anos do lançamento da obra filosófica mais relevante de Rafael Arrais.

Um e-book já disponível para o Amazon Kindle, e também na versão impressa:

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Já havia comprado o e-book? Veja na imagem abaixo como fazer para atualizar a versão na sua coleção digital na Amazon:

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» Conheça a simbologia do Ouroboros e da Árvore da Vida (capa do livro)

» Veja o release de lançamento original


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1.1.23

Lançamento: Autobiografia de um Iogue

As Edições Textos para Reflexão publicam um grande clássico espiritual do séc. XX: Autobiografia de um Iogue, por Paramahansa Yogananda, na tradução de Rafael Arrais.

Este é um livro de muitas jornadas, há nesta obra muitos livros dentro de um só. Publicado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, mas escrito ainda ao longo do terror, ele sinaliza uma nova esperança, uma nova era para a espiritualidade humana: que tenha sobrevivido ao tempo, e que seja até hoje um bestseller global, é um sopro de alívio para todos aqueles que despertaram da ilusão material.

Um ebook já disponível para o Amazon Kindle, Google Play e outras lojas; e também na versão impressa:

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» Leia o Epílogo desta edição: As aventuras de Makunda

» Leia um trecho da tradução


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8.7.22

Lançamento: Box George Orwell

As Edições Textos para Reflexão trazem três das principais obras de George Orwell, na tradução de Rafael Arrais. É a sua chance de conhecer alguns dos livros que mudaram a literatura política para sempre.

Orwell foi, no sentido mais profundo, alguém que buscou a arte para nos ajudar a crescer mais gentis, mais justos e mais sábios. Este box digital traz três das principais obras do autor: A Revolução dos Bichos, 1984 e O Leão e o Unicórnio: O socialismo e o gênio inglês.

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» Veja um trecho da tradução de A Revolução dos Bichos
» Veja um trecho da tradução de 1984


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10.5.22

Raph fala sobre Dogma e Ritual da Alta Magia no Bate-papo Mayhem

Fui convidado mais uma vez para falar no Bate-papo Mayhem, desta vez sobre minha edição digital de Dogma e Ritual da Alta Magia, de Éliphas Lévi. Ao longo do programa, eu e os demais integrantes falamos sobre nossa experiência de leitura deste marco da magia cerimonial. Assista abaixo:

» Você encontra minha edição digital de Dogma e Ritual da Alta Magia aqui


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15.4.22

Lançamento: Rubaiyat de Omar Khayyam

As Edições Textos para Reflexão trazem a poesia persa para o formato digital.

Hoje Nixapur é uma cidade modesta situada no nordeste do Irã, mas há cerca de mil anos ela era uma das maiores cidades do mundo, sendo um ponto importante da famosa Rota da Seda. Na época, em meio aos impérios persas, nela nasceu e morreu um cientista, astrônomo e matemático chamado Omar Khayyam. Dizem que também foi poeta, e teria nos deixado centenas de poemas compostos por quatro versos – os rubaiyat, plural de rubai (poema em quarteto). Muitos séculos depois, tais versos foram transpostos ao inglês por um poeta de ascendência irlandesa chamado Edward FitzGerald, que foi o grande responsável por tornar o Rubaiyat de Omar Khayyam célebre em todo o Ocidente.

Nessa versão, contamos com a primorosa tradução de Rafael Arrais – também tradutor de Rumi, outro grande poeta associado ao misticismo sufi, e membro da Ordem Sufi Naqshbandi. Além disso, a edição traz mais de 30 ilustrações de grandes artistas.

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18.11.21

Lançamento: O Leão e o Unicórnio: O socialismo e o gênio inglês

As Edições Textos para Reflexão retornam a George Orwell com um dos seus ensaios políticos mais importantes: O Leão e o Unicórnio: O socialismo e o gênio inglês, traduzido por Rafael Arrais.

Muito se investigou e debateu os reais posicionamentos políticos de Orwell. Afinal, como poderia um crítico tão potente e certeiro dos imensos erros do comunismo soviético ser ele próprio um socialista? O tipo de socialismo defendido por Orwell está muito bem descrito neste ensaio, escrito em plena Segunda Guerra. Neste texto relativamente desconhecido de grande parte dos seus leitores, ele defende uma espécie de “revolução socialista inglesa” como forma de proteção contra a máquina de guerra nazista.

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28.10.21

"Rumi - A dança da alma" grátis para quem tem Amazon Prime

Nosso e-book "Rumi - A dança da alma", com poemas de Rumi selecionados e traduzidos por Rafael Arrais, acaba de voltar ao Prime Reading da Amazon. Pelos próximos 4 meses, ele estará gratuito para quem assina o Amazon Prime:

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13.9.21

Porque é importante conhecer a filosofia islâmica

O texto abaixo prefaciou o livro A Filosofia Islâmica: Pensadores Islâmicos de todos os tempos, de Thiago Tamosauskas, disponível na Amazon em e-book.


O italiano Cosme de Médici foi um dos homens mais importantes do Renascimento na Europa. Não foi pintor, nem escultor, nem escritor ou mesmo pensador, foi um banqueiro. Herdou do pai a fortuna, a saúde e o talento para os negócios. Além disso, governou Florença durante muitos anos, e ajudou a torná-la a capital da arte em todo o Ocidente. Isso tudo porque Cosme foi um homem rico que soube fazer bom uso de sua fortuna, quiçá o melhor uso: patrocinar as artes em geral.

Ele também amava livros, e como na sua época não existia internet, enviava diversos agentes pelo mundo afora para tentar encontrar tomos raros. Eram caçadores de cultura. Cosme estava particularmente interessado em obras gregas da Antiguidade, uma vez que mais ou menos após o advento do cristianismo, toda a Europa foi, século após século, se esquecendo do grego, e se apegando exclusivamente às obras em latim. Mas Cosme não estava numa busca às cegas, pois sabia exatamente para onde enviar seus agentes: o mundo árabe islâmico.

Ninguém questiona a importância das obras de Platão para o pensamento ocidental, mas quando Cosme cresceu, poucas eram as obras platônicas disponíveis em latim. Já ao leste, principalmente na junção com o Oriente Médio, a situação era outra. Os bizantinos que conheciam o grego podiam continuar a ler Platão no original. Dessa forma, os filósofos do mundo islâmico desfrutavam de um extraordinário grau de acesso à herança intelectual da antiguidade grega. Por exemplo, na Bagdá do século X, leitores árabes tinham o mesmo grau de acesso às obras platônicas quanto os leitores em inglês nos dias de hoje.

Isto foi graças a um movimento de tradução que se iniciou durante o califado Abássida, começando na segunda metade do século VIII. Patrocinado pelo próprio Califa, este movimento almejou importar a filosofia e a ciência grega para a cultura islâmica. O império deles tinha recursos para tal, não só financeiramente, mas culturalmente também. Desde a antiguidade tardia até a ascensão do Islã, o grego sobreviveu como língua de atividade intelectual entre cristãos, especialmente na Síria. Então, quando a aristocracia muçulmana decidiu ter a ciência e a filosofia gregas traduzidas para o árabe, foi para os cristãos que eles se voltaram. Foi um imenso desafio. Mas, já no tempo de Cosme, grandes obras de Platão, Aristóteles, Plotino, assim como o famoso Corpus Hermeticum, estavam não somente preservadas em seu original grego nos califados islâmicos, como traduzidas para o árabe e outras línguas da região.

Enquanto durante muitos séculos os europeus “se esqueceram” de tais ideias, no mundo islâmico elas eram conhecidas a fundo. Em boa medida, o chamado Renascimento foi mais uma redescoberta das ideias da antiguidade grega. Mas, se tais ideias puderam ser revisitadas, foi porque os islâmicos as salvaram da aniquilação. Quando os agentes de Cosme retornaram à Florença, ele logo deu a ordem para que todas as obras encontradas fossem traduzidas para o latim. E o resto é história: tais obras jamais voltaram a ser esquecidas pelo Ocidente.

Mas, estranho de se pensar: se foi o mundo árabe islâmico que preservou tais conhecimentos, será que também não existiram grandes pensadores do Islã? Será que eles se limitaram apenas a preservar tal conhecimento, sem terem dialogado com ele? E, se existiram grandes filósofos islâmicos, por que nós raramente ouvimos falar deles no Ocidente?

Não cabe a mim responder tais perguntas neste prefácio, mas a quem ficou curioso sobre o tema, o restante desta obra será de grande valia. O seu autor, Thiago Tamosauskas, tem se revelado um investigador incansável de escolas de pensamento mundo afora. Antes de falar da filosofia islâmica, ele também já se debruçou sobre a filosofia africana e a filosofia chinesa. Sua intenção, obviamente, não é descrever em minúcias cada uma das ideias dos pensadores islâmicos, mas antes dar uma introdução geral ao assunto, e deixar que cada leitor busque se aprofundar por conta própria no pensamento dos filósofos que mais chamaram a sua atenção – de preferência, lendo-os no original.

Uma grande vantagem do texto do Tamosauskas é que, ao contrário do seu sobrenome, ele é altamente legível e explicativo, às vezes com uma pitada de humor aqui e ali. Em suma: é algo que informa e diverte. Se tudo correr bem, logo logo você estará buscando pelos outros livros desta série, se é que já não os leu.


Rafael Arrais

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Crédito da imagem: Pintura de Osman Hamdi Bey (1902).

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6.5.21

Não, esse blog não morreu

Há pouco mais de 5 anos eu fui demitido de uma empresa da área de TI na qual já estava há quase 12 anos. Na maior parte desse tempo, por conta de ter ido morar noutro estado, eu trabalhei em home-office. Muito antes da pandemia e das reuniões por videochamada, eu já tinha meu “escritório em casa”, e isso certamente explica como arranjei tempo para tocar esse blog. Tanto que, logo após a demissão, minha preocupação não era tanto ficar desempregado (um webdeveloper front end não costuma ter muita dificuldade de se realocar, mesmo na crise), mas sim de como diabos manter o blog vivo após assumir um novo emprego “tradicional”, do tipo que lhe obriga a se deslocar até outro local da cidade, perdendo justamente as horas preciosas que eu até então usava para a escrita.

Foi nesse ano de 2016, não mais que semanas após a minha demissão, que eu tive a sorte de encontrar o Léo Lousada para tomar um chope. Ele, que é de São Paulo/SP, estava visitando Campo Grande/MS por conta de uma questão de trabalho, e ficou hospedado num hotel a alguns quilômetros de onde moro. Marcamos de nos ver num bar aqui pertinho, de modo que eu fui a pé, e ele veio de uber. Para quem não sabe, o Léo é um dos criadores e apresentadores do canal Conhecimentos da Humanidade, que hoje conta com quase 400 mil inscritos no YouTube, mas que naquela época ainda tinha somente poucas dezenas de milhares. Bem, eu já conhecia o Léo dos Simpósios de Hermetismo que havia assistido em São Paulo, mas foi após a nossa interação por conta do Conhecimentos da Humanidade que nos tornamos mais próximos.

Em todo caso, o que importa é que naquela noite dois hermetistas tomavam chope amigavelmente, mas um estava empregado, e o outro (talvez por ser de Capricórnio) estava consideravelmente aflito. Uma aflição do tipo que às vezes nem o estoicismo consegue amainar. Honestamente, eu não me lembro do que o Léo me falou, mas conhecendo ele, provavelmente teve algo a ver com estar tranquilo e compreender que por vezes essa é a forma do Universo lhe encaminhar para uma outra via, mais essencial. E hoje é muito claro para mim que ele tinha razão, mas eu não conseguia entender como ser demitido estaria me ajudando a ter mais tempo para a escrita. Eu não ganho mesada de pais ricos, e ainda pago aluguel.

Ora, mas se não me lembro do que ele disse exatamente, me lembro de outra coisa: ao nos despedirmos, ele optou por voltar caminhando em plena noite para o hotel. De fato, o clima estava agradável e ele seguiria por uma avenida relativamente movimentada (e, portanto, relativamente segura), mas como andava aflito eu não pude evitar perguntar:

“Vai andar tudo isso a pé, tem certeza?”

“Tenho, quero conhecer a cidade.”

Era o único tempo que o Léo teria para conhecer a cidade. De fato, ele sempre trabalhou muito. Não faço ideia de como consegue tocar tantos projetos em paralelo com o emprego formal. Eu não conseguiria, mas cada um é cada um. O fato é que a expressão tranquila dele, naquela noitinha, ao se despedir, é a imagem que me marcou a memória: ele tinha com ele o tipo de estoicismo, o tipo de paz mental, que eu precisava naquele momento. Muitas vezes um amigo ajuda o outro pelas vias mais esquisitas, principalmente um amigo hermetista. O Léo me ajudou ao me lembrar de um estado de consciência que eu havia perdido naquele momento. E ele nem mesmo precisou se esforçar ou pensar em algo importante para dizer: bastou apenas ser ele mesmo, e dividir alguns chopes comigo naquela noite.

É fácil entender hoje o que se seguiu de lá para cá. Mas você nunca percebe como tudo se encaminha para esta ou aquela direção quando se sente perdido no meio do turbilhão da própria mente, e suas elucubrações.

Literalmente dias após ser demitido eu consegui manter um trabalho do tipo freelancer (temporário) com uma grande empresa do ramo de alimentos. A questão é que o contrato durava 3 meses. Ou seja, em 3 meses eu precisaria estar novamente empregado, e dificilmente voltaria a trabalhar em home-office. Nesses meses eu participei de um longo processo de seleção para a maior empresa de TI do estado onde moro (MS). Me lembro vividamente do último dia do processo, onde a vaga ficaria entre eu e um outro sujeito, um descendente de japoneses gente boa que havia acabado de ter um filho com a esposa, e também ficado desempregado por conta da crise econômica no país. Me lembro de como olhei para os olhos dele quanto o cumprimentei a primeira vez e tive uma intuição muito forte que dizia mais ou menos assim: “A vaga é dele, eu preciso perder essa vaga”. Então, eu simplesmente me autossabotei no restante da avaliação. Talvez ele tivesse ganhado a vaga ainda assim, mas de alguma forma eu já sabia que aquele não seria o meu futuro.

Minha intuição costuma ter razão. O contrato de 3 meses foi renovado por mais 3, depois por mais 4, eventualmente a cada 6 meses. Com isso alguns anos se passaram, e eu decidi me dedicar com mais afinco as traduções de grandes autores em domínio público, algo que eu havia iniciado em 2013. Ora, se até então as Edições Textos para Reflexão tinham servido para que eu pudesse autopublicar e-books que eram traduções de alguns dos melhores livros que li na vida, dali em diante eu decidi que teria de me dedicar também a alguns best-sellers que talvez não estivessem na minha lista de “melhores livros da história”.

Eu não imaginava que um dia poderia viver somente da venda de e-books, é claro. Primeiro porque não abriria mão de vendê-los “pelo preço de um café” (até hoje eles custam entre R$0,98 e R$5,99 na Amazon, afora os gratuitos); segundo porque ainda era um mercado um tanto pequeno e relativamente estagnado. Mesmo assim, foi mais ou menos a partir dessa época que O Príncipe de Maquiavel, A Metamorfose de Kafka e o Fausto de Goethe surgiram no catálogo. O primeiro sendo um estrondoso sucesso de vendas desde 2017; o segundo com suas idas e vindas às listas de mais vendidos; e o último, por conta da concorrência de outras editoras digitais, um retumbante fracasso. Claro que nem sempre são traduções minhas: no caso do Fausto, por exemplo, o tradutor também já havia entrado em domínio público.

Mas fato é que minhas vendas de e-books tinham se estabelecido como um consistente complemento salarial, de modo que além de eu continuar como freelancer, ainda poderia trabalhar menos horas do que anteriormente. O tempo para a escrita estava mais do que assegurado!

Então chegou 2019. Meu primeiro filho nasceu no início do ano, e em Maio eu perdia definitivamente o contrato que havia mantido como freelancer. Ocorre que Maio de 2019 não estava tão longe do dia 01/01/2021, data em que a obra de George Orwell, peso pesado da literatura do século XX, entraria em domínio público. Eu ficaria seriamente no vermelho nesses cerca de 18 meses, mas eu tinha dinheiro guardado para isso; e, além do mais, se a partir de meados de 2021 eu conseguisse viver só da venda de e-books, estaria garantindo não somente o tempo para a escrita [1], como algo até mais valioso do que isso: o tempo para estar bem perto do meu filho, para vê-lo dar os primeiros passos e falar as primeiras palavras. Era um sonho que em realidade não tinha preço.

Em meados do início de 2020, entretanto, o inimaginável aconteceu: após cerca de um século, o mundo vivia uma nova pandemia. Enquanto o país se trancava em casa, enquanto o mundo realizava conjuntamente a maior quarentena de sua história, as vendas de e-books simplesmente decolaram! Fazia todo sentido, afinal: é MUITO mais seguro comprar online, mas ao contrário de um livro impresso, um e-book chega ao seu dispositivo de leitura em questão de segundos. Assim, em Março de 2020 eu já havia alcançado a meta de renda que planejava para 2021. Mas não fazia tanto sentido comemorar uma vitória dessas enquanto as estatísticas de mortes pela Covid-19 só aumentavam.

Foi quando a curva de mortes caiu com certa consistência, mais para o fim de 2020, que eu me permiti comemorar o sonho. Vale lembrar que eu não sabia exatamente o que era um e-book até o fim de 2012 (se me perguntasse, diria que é um PDF, mas um e-book é muito mais que isso), e cerca de 8 anos depois eu estava vivendo inteiramente da venda deles. Por isso o caminho para a chamada Verdadeira Vontade é algo tão imprevisível: por mais que você possa ser um artista, alguém criativo, quiçá intuitivo, o Universo sempre será infinitamente mais criativo do que você. Por isso também que nesse caminho o amor pelo que realizamos sempre contará MUITO mais do que quaisquer expectativas de resultado.

Tudo isso para finalmente explicar porque esse blog não morreu:

Sim, eu estou há meses sem escrever por aqui, e isso teve uma boa razão: George Orwell. Desde a metade de 2020 eu tenho me dedicado à tradução de suas principais obras: A Revolução dos Bichos e 1984. Hoje, ambas já foram lançadas. A primeira, lançada pontualmente em 01/01/2021, é o maior sucesso das Edições Textos para Reflexão, tendo alcançado o #1 geral na Loja Kindle da Amazon, e estacionado entre os 50 mais vendidos desde então. A segunda, que levou quase 8 meses e, por isso, só pôde ser lançada no final de Abril, está brigando com a concorrência para também alcançar os 50 mais vendidos, quiçá estacionando um bom tempo por lá. Esse trabalho de tradução (particularmente no caso de 1984) me tomou absolutamente todo o tempo livre, foi algo dificílimo, mas acabou. Um dia, quando voltar a abordar Orwell aqui no blog, falarei mais sobre isso.

Não, esse blog não morreu. Para falar a verdade, está mais vivo do que nunca. E tudo indica que continuará assim. Mesmo sem projeto de financiamento coletivo, tenho a sorte de ter alcançado a condição financeira necessária para “viver da escrita”. Para alguém como eu, é como a sensação de ser milionário, só que melhor.

E, se ainda não comemoro mais, é pelos mais de 400 mil cadáveres do lado de fora...

***

[1] Nesse meio tempo eu também cheguei a criar um canal no YouTube, homônimo ao blog. Ao contrário da escrita, no entanto, a criação de vídeos não é exatamente o meu “habitat natural”, e eu não tenho certeza se algum dia voltarei a produzir vídeos com regularidade. Nada me impedirá, por outro lado, de criar vídeos pontuais (quando der na telha).

Crédito das imagens: [topo] Mike Tinnion/unsplash; [ao longo] Garçom anônimo (meu encontro com o Léo Lousada; estou na esquerda da imagem).

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30.4.21

Lançamento: 1984

As Edições Textos para Reflexão retornam a George Orwell com uma das obras literárias mais importantes e lidas do século XX: 1984, traduzida por Rafael Arrais.

Em 1984, George Orwell reinventou o romance de ficção científica. Na sua obra, a sociedade está repleta de novas máquinas intrigantes: telas onipresentes que viciam e, ao mesmo tempo, vigiam constantemente seus cidadãos. As pessoas, no entanto, não sentem que são escravizadas. Como Orwell entendia tão bem, os regimes realmente inteligentes e assustadores do mundo moderno não são aqueles obviamente ditatoriais: eles são democráticos na aparência, mas, na realidade, cegam os seus cidadãos com distrações constantes.

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» Veja também um trecho da tradução aqui.


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11.2.21

Lançamento: Mulheres que inspiram

As Edições Textos para Reflexão publicam mais um livro gratuito, novamente unindo um grupo de amigas... e um amigo.

A história foi injusta com as mulheres. Dentro da cultura patriarcal, quantas delas tiveram suas trajetórias ocultadas pela narrativa dominante? Filósofas, poetisas, cientistas, artistas... enfim, mulheres. O livro Mulheres que inspiram pode ser visto como uma tentativa de recuperar essas histórias.

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2.1.21

Lançamento: A Revolução dos Bichos

As Edições Textos para Reflexão adentram 2021 com uma das obras literárias mais importantes e lidas do século XX: A Revolução dos Bichos de George Orwell, traduzida por Rafael Arrais.

Trata-se de um ensaio político sobre como as revoluções podem ser vítimas de contrarrevoluções, virando as costas para suas próprias ideias originais. Para tal, Orwell seguiu os passos de Walt Disney e La Fontaine, que consistia em contar uma história sobre seres humanos através de animais. Esta é precisamente a genialidade da fábula de Orwell: ao cortar todas as referências humanas contemporâneas, o autor encontrou uma maneira de nos contar sobre nós mesmos em todo e qualquer tempo, inclusive no futuro. Esta obra é, portanto, um clássico eterno.

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11.5.20

Lançamento: Karanblade Livro 1: O Urso

As Edições Textos para Reflexão voltam a publicar um livro do seu editor, Rafael Arrais.

Karanblade é a lendária campanha para Dungeons & Dragons (RPG de fantasia medieval) que surgiu no final dos anos 1990 e deixou muita saudade. Hoje ela retorna através de uma série de literatura fantástica ambientada em seu mundo, a Terra Próxima. O primeiro livro se chama O Urso.

Um ebook exclusivo para Amazon Kindle:

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Abaixo, segue uma amostra com o primeiro capítulo da obra:


1.


Ao sul da Terra Próxima, além de cidade murada de Bak e do reino dos anões, próximo às últimas árvores que se erguem e formam a gigantesca Floresta do Sul e, finalmente, a oeste da não menos gigantesca cordilheira conhecida por Montanhas Rotun, existe uma terra de planícies ensolaradas, vento fresco, e também de caças e caçadores. Os bárbaros que sempre viveram próximo às montanhas, por isso também chamados de rotunianos, há muito elegeram tais planícies como terras de caça e conflito. Tribos vindas tanto do sopé das montanhas quanto do interior da floresta procuram pelos bisões e javalis, enquanto tentam se desviar de outras feras que não podem caçar, como os leões e gatopardos; elas também precisam lidar com as tribos rivais das Ilhas da Chuva, sempre dispostas a invadir o continente e ditar suas leis a ferro e fogo, ou com os detestáveis orcs, que nunca deveriam ter saído de sua casa, nos fundos túneis do Grande Subterrâneo, muito ao norte daquela terra.
Foi exatamente ali, no Caminho dos Caçadores, que um jovem rotuniano lutou sua primeira e decisiva batalha. Ali que o inexperiente e destemido Oldar se tornou o grande guerreiro da Floresta, passando a ser conhecido como Oldalin, o Grande Urso.

Tudo aconteceu numa manhã de primavera, quando os bárbaros da tribo de Terralta, chefiados por Gunther, o de Longa Visão, se aproximavam de um pequeno vale onde sabiam haver muitos bisões pastando com o alvorecer. Era a primeira vez que Oldar, o jovial e atlético filho dos bárbaros de Terralta, participava de uma caçada tão longe de sua tribo. Antes se aventurara com coelhos, pequenos javalis e coiotes, mas agora teria de provar ser um bom caçador, no alto de seus quinze anos de vida.
A equipe era formada por dois batedores, que espreitavam sorrateiramente e enviavam assobios peculiares para Gunther e os outros oito caçadores, dentre eles Oldar. Os batedores armavam-se apenas de facas de aço enferrujado, já que a função de abater os animais era dos caçadores, que se muniam de lanças e arcos, além dos famosos machados bárbaros. Apenas Gunther, o líder, portava uma cota de malha, coisa rara entre os bárbaros daquela região.
Aproximavam-se da última colina que escondia o vale, e Gunther ordenou: “Allin, Uldom, vão pela descida à direita. Os batedores vão com os outros pela esquerda e depois à frente em direção à caça. Eu fico aqui com o jovem Oldar, ele verá como se caça como adulto, e nunca irá esquecer!”.
De fato, Oldar sentiu um misto de alívio e vergonha por permanecer com Gunther longe da ação, já que carregava consigo a estranha sensação de que realmente nunca iria esquecer aquele dia.

Assim foi feito, e após alguns minutos ouviram-se os assobios dos batedores; então, os dois que desceram pela direita correram com as lanças em riste, bradando as canções de caça e afugentando uma parte da extensa manada de bisões para o lado dos cinco guerreiros que se escondiam detrás de algumas rochas. Oldar estava eufórico com a eficiência e coragem de seus irmãos. Puseram-se quase que no meio da passagem dos bisões, matando dois que vinham na frente com suas lanças fincadas ao solo, como uma murada de espetos mortais. Os outros três atacaram esses com suas lanças, enquanto tentavam não ser alvo do estouro da manada.
Gunther gesticulava para que os batedores voltassem pelo caminho à direita, longe dos bisões que fugiam em marcha rápida. Não era necessária mais nenhuma ordem, haviam abatido dois grandes bisões em poucos minutos, mais do que suficiente para um desfecho de sucesso para aquele dia de caça. Infelizmente, no entanto, em poucos segundos todos iriam deixar de ser caçadores e passar a ser a caça.

O primeiro grito veio da passagem à direita, por onde desceram Allin e Uldom, e voltavam os batedores. Gunther sentia o cheiro do medo, sabia que seus irmãos estavam em grande perigo. Prontamente retirou seu grande machado das costas e gritou para um agora assustado Oldar: “Fique aqui garoto! Se eu não voltar, corra de volta para a aldeia e avise ao curandeiro que Gunther e seus guerreiros tombaram ante a maitranda!”.
Maitranda! Oldar sempre detestou essa palavra, que significava muitas coisas em rotuniano: revolta da natureza, desejo de fazer o mal, magia negra... Oldar sabia que Gunther podia sentir tais forças, mas nunca imaginou que seria alvo delas logo em sua primeira caçada de adulto!
Gritos seguiram a mais gritos, e eles eram cada vez mais assustadores e desesperados, tirando os estranhos grunhidos que ora surgiam entre eles. Oldar sabia que deveria esperar ou, no mínimo, fugir. Era apenas um jovem bárbaro pego no meio de algo que não estava preparado para lidar... Ora, mas é exatamente nessa hora que surgem os heróis: aqueles que fazem o impensável em prol de seus irmãos. Que arriscam a vida se preciso, para vencer o inimigo, mesmo que seja um inimigo tão assustador. Naquele dia, Oldar provou ser um deles: agarrou o cabo do machado de seu pai com força, fechou os olhos brevemente e, quando os abriu, percebeu que não era mais necessário correr.

Seja o que for que estava a sua frente, era algo que para o jovem bárbaro significava apenas a morte. Não seria possível fugir daquela criatura enorme, semelhante a um grande urso negro da Floresta do Sul, mas com um estranho brilho vermelho no olhar, enormes buracos de lança e cortes de machado no corpo, suficientes para o fim de dez ursos daquele porte, e carregando o corpo sem vida de Gunther entre as mandíbulas. No que se seguiu, a criatura apenas cuspiu aquele que fora sempre um modelo de guerreiro para Oldar, e moveu-se com inigualável velocidade ao encontro do jovem. Seus grunhidos eram ensurdecedores.
Oldar nunca iria se lembrar como, mas o fato é que no primeiro avanço da bestial criatura, conseguiu não apenas se manter lúcido, como desviar com maestria de sua bocarra mortal, assim como de suas garras dianteiras, que insistiam em tentar lhe fatiar como um coelho indefeso. Oldar matara coelhos, tantos que aprendeu que um coelho jamais teria chances contra um bárbaro... Ele era esse coelho agora, o que poderia fazer?
Nas cenas que se sucederam, tentou em vão acertar a pata traseira do urso negro, mas ele se movia quase como um felino, tamanha a velocidade e agilidade. Percebeu que ganhara um extenso corte nas costas, e rolou pelo chão para escapar de um abraço mortal... Estava próximo do fim. A criatura o agarrou com as patas dianteiras, e preparava o bote final. Mas o destino não quis que a maitranda triunfasse nesse dia: num último esforço, Oldar conseguiu desprender seu braço direito da pata colossal e colocou seu machado entre sua face e a enorme bocarra... O urso engoliu aço e sangue; era o derradeiro suspiro da criatura, que tombou em cima de seu algoz.

Para o jovem Oldar, o mundo ficara escuro...


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14.4.20

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Questões para a Vida e a Morte nasceu da necessidade de quatro amigos de falarem sobre Deus, o sentido da vida, a morte, o amor, o sexo e outras questões universais. Saído das mentes de Taoana Padilha, Caio Ribeiro Chagas, Igor Teo e Rafael Arrais.

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