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16.7.13

De Tuvalu a Lalibela

Não Conta Lá em Casa é um dos programas mais originais, corajosos e reflexivos da TV paga [1]. Recentemente André Fran, um dos integrantes do quarteto que viaja pelas áreas em conflito do mundo, lançou um livro homônimo (pela Editora Record) em que descreve com maior profundidade o dia a dia de suas aventuras. Esta é uma entrevista com o autor do livro [2]:

1 – Em qual momento da série você decidiu escrever o livro?
Eu sou responsável pelo texto do programa, também escrevia o blog e escrevia eventuais matérias sobre as viagens para outros veículos. E, mesmo assim, isso não dava vazão pra enorme quantidade de anotações em guardanapos surrados, notes no iPhone que iam se acumulando a cada viagem. Percebi então que poderia unir e desenvolver vários textos que já havia escrito que daria um volume legal para um livro. A Record gostou da ideia e voilá!

2 – Como é a estrutura do livro? Funciona como um guia para quem  está disposto a correr algum risco? Ou você não aconselha ninguém a refazer os roteiros?
O livro é um relato pessoal das viagens pelos destinos mais polêmicos do mundo que realizei com o "Não Conta lá em Casa".  Revelo também alguns detalhes divertidos e inusitados dos bastidores das viagens e aproveito para dar umas dicas para quem se aventurar a traçar roteiros tão insólitos como esses. Eu retornaria a cada um deles no momento certo! Todos tem paisagens incríveis, histórias sensacionais e culturas interessantíssimas. 

3 – O que o livro tem de diferente do programa na TV? O que você poder escrever que não teria o mesmo resultado no vídeo?
Como é uma obra autoral, acrescentei algumas conclusões pessoais e "filosofadas" a respeito das situações, causas e dramas que conheci. Quando retornamos dessas nossas "missões" é que, longe do calor dos acontecimentos, a ficha cai e dá pra analisar com mais calma o que passei e assim relativizar e analisar mais profundamente.

4 – O que é o Manual do Nerd na Estrada?
Todos os membros da equipe, cada um a sua maneira, são um pouco nerds. Estamos sempre conectados ou a procura de um sinal de internet. Claro que, devido ao perfil dos destinos que percorremos, nem sempre achar o bendito sinal era fácil. Por isso, eu e Leondre (Leonardo Campos) começamos a compilar algumas dicas de como se virar nos momentos de maior dificuldade para aliviar as crises de abstinência "internética".

5 – Como vocês definem os destinos a serem desbravados? Já houve algum lugar vetado?
Decidimos tudo em conjunto. Às vezes uns tem que convencer mais aos outros, mas geralmente chegamos a um consenso com tranqüilidade. Os casos de veto partiram de vistos negados por parte de países que descobriram nossas intenções e não se sentiram confortáveis em serem retratados pelo programa.

6 – O Japão não estava no roteiro prévio de vocês para a quarta temporada. Como foi a experiência de acompanhar a reconstrução pós-tragédia por lá?
Eu tinha acabado de voltar de uma viagem de férias pelo Japão justamente por achar que o país jamais se encaixaria no perfil de destino do NCLC. Ledo engano. Voltei exatamente no dia do terremoto e tsunami e voltei com meus companheiros de programa menos de um mês depois. Foi incrível ver como aquele povo que tanto preza pela organização, o respeito e a disciplina lidava com uma tragédia de proporções catastróficas. Uma aula de civilidade em um momento tão dramático.

7 – Vocês se preocupam em retratar os aspectos sociais de cada lugar com muitos detalhes. A vontade de mostrar culturalmente cada país é o que move o programa pelo mundo?
Sim! Achamos muito mais interessante quando temos a possibilidade de quebrar algum paradigma, estereótipo ou preconceito do que passar por perrengues ou perigos. O objetivo do programa, e agora do livro, é dar a nossa contribuição para o mundo de alguma forma. E quebrar preconceitos é uma maneira muito importante de dar nossa contribuição.

8 – Qual foi o momento mais hostil? Sentiram medo em algum lugar específico?
Bagdá, sem sombra de dúvida. Fomos  em um momento em que os EUA alardeavam na imprensa que o Iraque voltava ser um país viável, pacífico e que, pouco a pouco o poder voltava as mãos dos iraquianos. Diziam inclusive que turistas começavam a voltar ao local. Pois nos propusemos a fazer parte dessa primeira leva de turistas-cobaias. Acabamos nos deparando com um autêntico cenário de guerra. Atentados, violência e medo por toda a parte. O hotel onde nos hospedamos sofreu um atentado um mês após nossa partida onde mais de 60 pessoas morreram. Lamentável.

9 – Como é preparação para cada viagem? Quanto tempo vocês levam pesquisando e produzindo o roteiro?
Como já é de nosso gosto pessoal esses temas geopolíticos, muitas coisas nós já sabemos. Mas aproveitamos para checar novas fontes e referências como sites, filmes, blogs etc. E, acima de tudo, usamos essa pré-produção para fazermos contatos locais. Estes sim são responsáveis pelas nossas mais interessantes ações e pela garantia de nossa segurança com dicas fiéis e atuais da realidade de seus países.

10 – Quais cuidados com a segurança da equipe vocês costumam tomar nas viagens? Já se colocaram em alguma situação de risco?
É impossível realizar esse tipo de programa e cumprir o objetivo de mostrar a realidade desses locais sem se expor a um certo nível de risco. Mas tentamos mitigá-lo ao máximo possível. 

11 – Conseguiram colocar algo em prática com o que aprenderam no treinamento de guerra em Ravenna, na Itália?
A maioria daquelas dicas é meio bom senso, né? "Atravesse a rua se tiver alguém estranho vindo em sua direção". E as outras são para situações extremas demais: "Se um assassino psicopata entrar no supermercado metralhando todo mundo, voe em sua garganta". Espero que eu nunca passe por nenhum delas, mas se passar acho que estou mais preparado, sim.

12 – Vocês costumam viajar com pranchas de surfe. Momentos de lazer aliviam a tensão nestes lugares?
Na verdade, foram poucas as viagens em que levamos pranchas. O fato é que carregá-las por 20 dias não compensa muito quando a única oportunidade de usá-las é em um mar ruim e por apenas duas horas. Mas confesso que elas ajudam no disfarce de "turistas comuns sem noção" em certas ocasiões.

13 – Som, comida e paisagem inesquecíveis durante o programa:
Melhor som: Explosions in the Sky (banda do Texas, EUA) nos acompanhou e serviu de trilha em várias viagens.
Pior som: gritaria da reza das mesquitas durante o Ramadan.

Melhor comida: prato vegetariano na Albânia e sushi no Japão.
Pior comida: biscoito de lama que provei no Haiti e barata que comi na Tailândia.

Paisagens incríveis: lagos azuis da Band-e-Amir, no Afeganistão. Igrejas de pedra em Lalibela, Etiópia. Templos de Bagan, em Mianmar. O terraço do Hyatt em Tóquio. E qualquer praia de Tuvalu.

14 – Quais são os próximos passos n TV? Há uma possibilidade de um novo livro no futuro?
Estreamos nossa 6ª temporada no Multishow no segundo semestre com novidades bombásticas: mudanças na equipe e o destino mais temido e impossível da história do programa! Já estou pensando em um novo livro. Não vai ser uma seqüência exata desse. Quero pegar casos interessantes de determinadas viagens e somar a dados curiosos e histórias interessantes sobre o ato de viajar em si. Aeroportos, vôos, estrada, bagagem, hotéis... A ideia é criar o Manual Definitivo do Viajante. Ou algo assim... :)

***

» Veja também o "trailer" do livro no Vimeo

[1] Ele já foi tema de nossa série de artigos: Todas as guerras do mundo.

[2] A entrevista não foi realizada pelo Textos para Reflexão, estamos apenas ajudando na divulgação da obra, pois acreditamos em obras oriundas da Verdadeira Vontade :)

Crédito da imagem: Divulgação/Record/NCLC

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24.6.12

Todas as guerras do mundo, parte 2

« continuando da parte 1

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... Que vos desprezam... Que vos escravizam... Que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! (Chaplin, em O Grande Ditador)

A doce e bela morte

A Coreia do Norte está situada na parte norte de uma península no extremo leste do continente asiático, entre a China e o mar que a separa da ilha do Japão. Como alguns devem saber, a península foi governada pelo Império Coreano até ser anexada pelo Japão, após a Guerra Russo-Japonesa de 1905. Ela foi dividida entre zonas de ocupação norte-americana (sul) e soviéticas (norte) em 1945, após o final da Segunda Guerra Mundial. A Coreia do Norte recusou-se a participar da eleição supervisionada pelas Nações Unidas, feita em 1948, que levava à criação de dois governos coreanos separados para as duas zonas de ocupação. Ambos, Coreia do Norte e Sul, reivindicavam soberania sobre a península inteira, o que levou-os à Guerra da Coreia, em 1950. Um armistício de 1953 terminou o conflito; no entanto, os dois países continuam oficialmente em guerra entre si, visto que um tratado de paz nunca foi assinado.

A Coreia do Norte se autodenomina uma república socialista, mas na prática sabemos que se trata de uma ditadura comunista que ficou presa ao passado, e tem enormes dificuldades de dialogar com um mundo cada vez mais globalizado. Em 2009, os quatro loucos aventureiros que apresentam o programa Não Conta Lá em Casa, do canal de TV a cabo Multishow, e costumam visitar áreas de conflito para nos trazer uma visão genuinamente brasileira da situação, conseguiram adentrar a Coreia do Norte valendo-se de sua “diplomacia sem noção”, como eles mesmos alegam. A despeito das cenas surreais que foram mostradas no programa, como as guardas de trânsito da capital Pyongyang fazendo sinais para um trânsito inexistente (quase não há carros lá), ou quando dedilham rock & roll no violão numa escola de música, e percebem que os adolescentes de lá nunca haviam ouvido coisa igual, a cena que nos interessa aqui é a conversa que eles têm com algum oficial de alta patente do governo ditatorial.

Devemos dizer que eles não são tão “sem noção” assim – surpreendentemente, quem inicia a conversa é o próprio militar, que parece ter uma curiosidade genuína em aproveitar aquele raro momento de contato com jovens vindos de um país tão distante, teoricamente neutro na questão das Coreias (no que também poderia ser interpretado como um perigoso interrogatório). Em todo caso, papo vai e papo vem, um de nossos heróis “sem noção” levanta a questão mais espinhosa sem papas na língua: “É sabido que a China protege os direitos da Coreia de fazer testes nucleares. É mesmo tão necessário fazer esses testes tão perto do Japão?”. O oficial então responde com sua versão dos fatos: “Você sabe que tivemos uma péssima experiência como colônia do Japão por mais de 40 anos. A Alemanha compensou todos os países que atacou, mas o Japão não compensou nada. Todas as 200 mil mulheres que eles usaram como escravas sexuais e os 8 milhões usados como força de trabalho... Eles torturaram nosso povo. Ao menos que eles compensem nosso país, nossa relação não irá melhorar. Nossos testes nucleares não visam atacar nenhum outro país, mas defender o nosso”.

Finalmente, o militar pergunta: “Qual a melhor maneira de resolver a tensão em nossa península?”. Ao que nosso sábio “sem noção” responde: “Acho difícil para um brasileiro responder essa pergunta, pois não temos tantos episódios de guerra recentes, como vocês têm. Eu poderia dizer – esqueçam o passado –, mas imagino que seja muito difícil”...

Não sei se concordam comigo sobre a importância desse tipo de diálogo, mas em todo caso ele toca na essência do que manteve tantas e tantas guerras ocorrendo pelo mundo, com breves intervalos de paz entre elas. De certa forma, todas as guerras do mundo são uma mesma guerra, e o que devemos é tratar de tornar os intervalos de paz cada vez mais duradouros.

A Guerra da Coreia não é propriamente um embate ideológico, mas uma luta por território e riquezas, como é afinal a razão de todas as guerras, mesmo as religiosas. O comunismo soviético e o capitalismo americano são apenas sistemas políticos, mas as nações não vão à guerra por achar que sua visão de mundo pode trazer benefício às nações vizinhas, seu real objetivo não é evangelizar ideologia alguma, mas pura e simplesmente conquistar mais território, e mais riquezas. Ao menos, é uma razão bastante simples de se compreender...

Mas, e qual é a melhor maneira de evitar que uma nação, necessitada ou não, invada outra em busca de riquezas? Ora, uma delas é estabelecer um claro equilíbrio de poder, onde o poderio militar de uma ou algumas nações forme uma ou mais potências muito superiores às demais, de modo que as outras nações se abstenham de arriscar invasões. O problema dessa “solução”, no entanto, é que ela não impede que as potências invadam outras nações, ou extraiam suas riquezas de forma autoritária (ou oculta, “maquiada” pela mídia). Uma solução que parece mais duradoura e, em todo caso, que é até hoje a melhor solução que os países encontraram, é estabelecer a diplomacia e um vigoroso mercado econômico entre as nações, de modo que a escassez de recursos de um país possa ser equilibrado pela venda de outros recursos que possua em excesso, e assim por diante... É claro que essa economia globalizada não é imune à manipulações, protecionismo, desequilíbrios e injustiças sociais, mas ao menos é muito melhor do que sangue, tiros de canhão e bombas nucleares.

O que um longo período de paz entre as nações pode nos permitir, entretanto, é que percebamos que, afinal, não existem nações, e que no fundo, todos nós somos bastante parecidos, quando estamos abertos para uma conversa amigável, amistosa, e quem sabe, “sem noção”. Fosse um dos quatro apresentadores do Não Conta Lá em Casa um descendente de japoneses que migraram ao Brasil após a Segunda Guerra, ele provavelmente teria enormes dificuldades em ter uma conversa tão amistosa com o oficial coreano. Mas, que impediria tal amistosidade, senão sua aparência nipônica, senão a pressuposição do coreano de que aquele brasileiro faria parte da “nação japonesa”, a mesma que estuprou suas mulheres e torturou seu povo há sabe-se lá quanto tempo? Tampouco o oficial nalgum dia refletiu sobre o fato de que, após a rendição do Japão aos EUA, eles ficaram proibidos de sequer ter um exército, e que por isso mesmo faz muitos anos que não nasce no Japão alguém que tenha qualquer coisa a ver com os estupros e torturas de quase um século atrás. O que mantém essas chagas abertas, afinal? O mito das nações!

Este é exatamente o título do livro de Patrick J. Geary [1], historiador americano, que basicamente defende a tese de que uma nação é um construto intelectual, ideológico, e não tem bases naturais nem tampouco científicas. Não é tão difícil de entender: assim como hoje vemos negros jogando em times de futebol de países europeus, pois são filhos de africanos que migraram para a Europa há décadas, e, portanto, já nasceram nos países que defendem, da mesma forma que ocorre no futebol, ocorre em tudo o mais. Se a nação fosse algo natural, deveriam haver raças no mundo, e os habitantes de um dado país europeu deveriam ser descendentes diretos dos ancestrais que colonizaram aquela dada região há milhares de anos atrás. Porém, a ciência e arqueologia modernas, juntamente com os testes de DNA, já provaram que só existe uma única raça humana, o homo sapiens, e nos deram fortes indícios de que ela provavelmente originou-se em alguma parte do continente africano, e depois migrou para toda a Terra. Se vamos falar em nação da maneira que Hitler e outros ditadores falavam, só podemos falar numa nação global, composto por todos os países e todas as regiões onde ainda caminham os homo sapiens.

Segundo Geary, “o processo específico pelo qual o nacionalismo emergiu [nos últimos séculos] como uma forte ideologia política variou de acordo com a região, tanto na Europa como em outras partes. Em regiões carentes de organização política, como na Alemanha, o nacionalismo estabeleceu uma ideologia com o fim de criar e intensificar o poder do Estado. Em Estados fortes, como França e Grã-Bretanha, governos e ideólogos suprimiram impiedosamente línguas minoritárias, tradições culturais e memórias variantes do passado em prol de uma história nacional unificada e língua e cultura homogêneas, que supostamente se estendiam a um passado longínquo”. E, não se enganem, “o ensino público de qualidade” também sempre foi à ferramenta ideal pela qual o mito das nações foi construído na era moderna... Hoje, porém, ele talvez não faça mais sentido, mas não significa que os currículos escolares estejam sendo atualizados.

***

Antes de encerrar, porém, devemos tomar cuidado com os termos aqui utilizados. Reflitamos... Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional.

Pois bem, esta é uma definição que pode se adequar as enciclopédias, mas não ao mundo real. Da mesma forma que um jogador negro da seleção de futebol alemã pode não ter a mesma cultura, a mesma religião, e muito menos a mesma cor de pele da maioria dos outros jogadores, ele é, não obstante, um alemão. Quando ele marca um gol, são todos os alemães do estádio que comemoram, todos os homo sapiens que decidiram torcer por aquele time de futebol. E assim é com tudo o mais: no fundo, tanto a seleção alemã quanto o Bayern de Munique são apenas times de futebol. É tão somente uma ilusão ideológica que determina que os times da Copa do Mundo precisam ter apenas jogadores nascidos ou naturalizados nesta ou naquela região do globo. Ninguém nunca viu uma fronteira na face da terra – mesmo assim, em nossas mentes, elas ainda existem.

Talvez fosse mais proveitoso usarmos outro termo... Pátria, do latim patria (terra paterna), indica a terra natal ou adotiva de um ser humano, onde se sente ligado por vínculos afetivos, culturais e históricos. O termo também pode significar somente o ambiente ou espaço geográfico em que discorre nossa vida. Em raízes ainda mais antigas, o termo liga-se ao latim pagus, que significa “aldeia”, e que também deu origem ao termo “pagão”. Ora, como muitos devem saber, toda nossa cultura e religião ancestrais nasceram de aldeias, e xamãs, e as práticas espirituais do paganismo. Além de anteceder a “nação” em milhares de anos, o termo ainda nos oferece a liberdade de considerar que nossa pátria não é somente o lugar onde nascemos, mas também todos os locais onde escolhemos um dia morar, e todos os amigos, e todos os amores que construímos pelo caminho.

Dulce et decorum est pro patria mori... Horácio [2] talvez estivesse certo: pode ser belo e doce morrer pela pátria, defendendo aqueles que realmente amamos daqueles que os querem dizimar; E não propriamente lutando em guerras supostamente ideológicas, baseadas em mitos acerca de povos que nunca foram exatamente o nosso, nos incitando a matar inimigos que, tampouco, jamais foram os nossos. Apenas para que um opressor obtenha o território e as riquezas de outro opressor.

A mais nobre função de um soldado é lutar pela paz, e pela liberdade daqueles que se encontram atrás dos muros dos castelos e das trincheiras nas fronteiras imaginárias. Até que um dia, muros e fronteiras, e balas e canhões, não tenham mais razões de ser. Esta sim, é a única beleza possível da guerra, seja na vitória, seja na morte.

» Na próxima parte, a estrela inimiga...

***

[1] O mito das nações, lançado no Brasil pela Conrad Editora.

[2] Poeta e filósofo romano (65 a.C. – 8 a.C.).

Crédito das imagens: [topo] Divulgação (apresentadores do NCLC na Coréia do Norte); [ao longo] Divulgação (Cacau, jogador brasileiro naturalizado alemão, comemora seu gol na Copa do Mundo de 2010, quando defendeu a seleção da Alemanha); Google Image Search/Anônimo

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