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30.5.12

Ter bondade é ter coragem...

E Wagner Moura teve a bondade de subir num palco trazendo antes não a voz, mas a alma de um grande artista, que realmente ama a poesia de Renato Russo. Dessa forma, se conforme um outro poeta já disse, tudo vale a pena se a alma não é pequena, então valeu a coragem, valeu a bondade, valeu o tributo...

Há tempos - Legião Urbana. Ao vivo no show comemorando os 30 anos da banda, em São Paulo - 29/05/12. Talvez a última vez que os companheiros de Renato Russo cantaram essas músicas juntos.


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10.10.11

Como a mais bela tribo

Amanhã faz 15 anos que o Brasil perdeu seu grande poeta punk, que em seus altos e baixos, viveu e cantou a vida de forma intensa, talvez aberta até demais. Dentre as inúmeras letras e músicas memoráveis, resolvi lhes trazer esta abaixo, por conter tantos pensamentos e reflexões resumidos em apenas alguns minutos de pura poesia...

Em "Índios", Renato Russo não fala apenas da forma selvagem com a qual os "seres morais do outro continente" dizimaram os povos indígenas da América, como também encontra espaço para uma crítica social ("quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante, e fala demais por não ter nada a dizer"), ainda outra crítica que toca no cerne do cristianismo ("esse mesmo Deus foi morto por vocês; sua maldade, então, deixaram Deus tão triste..."), uma pitada de gnosticismo ("seu nome está em tudo e mesmo assim ninguém lhe diz ao menos: obrigado"), e um refrão inefável, profundo, pleno de espiritualidade:

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

***

Com vocês, "Índios" no acústico da Legião Urbana (1992):

Renato, obrigado por tudo, espero que tenha encontrado uma bela tribo de luz para continuar a tecer e talhar sua poesia...

***

Crédito da foto: Divulgação (renatorusso.com.br)

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14.1.10

Monte Castelo

Para quem conhece Legião Urbana, vale a lembrança; Para quem não conhece, eis aqui uma de suas músicas mais inspiradas - assim como alguns dos versos mais inspirados de Paulo de Tarso e Camões:

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem.
Agora vejo em parte, mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

Composição: Renato Russo (O soneto 11 de Luiz Vaz de Camões, foi adaptado musicalmente pelo grupo Legião Urbana. A letra é complementada com referências ao texto bíblico 1 Coríntios 13, de Paulo de Tarso).

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