Neste vídeo falo sobre a volta do paganismo nórdico na Islândia, terra da "Edda Poética" e de Odin, o rei xamã, que também já foi andarilho e as vezes faz até bico de Papai Noel ou de mago em filmes do "Senhor dos Anéis". Através deste deus riquíssimo em simbologia, vamos compreender melhor do que diabos se trata um mito: algo que não existe, mas existe sempre!
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No episódio de reestreia, Raph Arrais, Igor Teo, Dani Roses e Josinei Lopes discutem sobre o "imperialismo norte-americano", os problemas da Igreja Católica e a adoção entre casais homossexuais.
Sigur Rós é uma banda islandesa de som etéreo, profundamente belo e espiritual, tão estranho que por vezes soa alienígena... Um dos motivos é pelo fato de nunca compreendermos racionalmente o que está sendo cantado, até porque eles não fazem a menor questão de cantar em inglês, e geralmente cantam em islandês e outros dialetos locais da Islândia que são ainda mais indecifráveis. Para entender sua música, é preciso abrir a alma, e deixar a mente um pouco de lado, escantada pela beleza do ritmo...
Em dado momento de seu documentário Heima ("Casa"), quando tocaram de graça em diversas regiões da Islândia, a banda acompanha um distinto senhor que canta literalmente com "a alma para fora", o que ainda é uma das coisas mais belas que já vi na música (e estou falando de toda a música)... Pois bem, como a música foi cantada dentro de uma pequena capela cristã, e como parecia ser puramente religiosa, achei que se tratava de algum canto religioso antigo. Vejam abaixo o trecho do documentário onde ela aparece:
(os cavalos em 2:55 ainda são um bônus!)
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Somente recentemente descobri que se trata de um poema cantado, composto pelo próprio cantor - chamado Steindór Andersen - juntamente com a banda. Ocorre que Andersen é um dos maiores cantores (ou declamadores) vivos do Rímur, uma poesia épica que permanece "intocada" na Islândia há mais de 500 anos, e é diretamente influenciada por tradições bárdicas e poéticas ainda mais antigas da mitologia nórdica e viking, como o Poetic Edda e o Skald.
Trago a vocês, portanto, minha tradução desta belíssima música, chamada A ferd til breidafjardar, ou "A mente encantada", seguida logo abaixo pelo áudio (sem interrupções):
A mente encantada
Pelo córrego, o platô e a passagem entre as montanhas;
A esperança é escolhida ali
A oeste de Breiðafjörðinn [1].
Tudo é carregado adiante,
Lama dos sulcos e montanhas,
Porque a primavera floresce com seu perfume
Espalhado dentre todos os caminhos.
O dia conquista o orvalho
Espalhado dentre toda a grama do campo;
As flores da montanha crescem ao redor
De seu rio sagrado.
(...)
Quando não houver compaixão com esse lugar
O povo será dividido,
Porque o portão está aberto
Para a imensidão do mar [2].
"A mente encantada" - Traduzido do inglês por Rafael Arrais. A tradução do islandês (original) para o inglês foi feita por "pias".
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[1] Região costeira da Islândia
[2] Na mitologia nórdica em geral, os mares abertos, que cobrem o horizonte, podem separar mundos (como se separa a Terra do Éden), ou servir como portais para outras dimensões. É preciso lembrar, no entanto, que esta é uma composição moderna, e que é antes uma interpretação moderna deste tipo de mito. A mensagem, entretanto, está lá para quem tem olhos para ver.
Em 2006, a banda musical islandesa Sigur Rós fez uma turnê por sua ilha natal, tocando gratuitamente em diversas partes da Islândia, muitas vez sem nenhum anúncio de que iriam aparecer. Esta aventura foi registrada no filme Heima.
Acima, a primeira música se chama Sé Lest, e a segunda Olsen Olsen. Eles intitulam suas músicas no idioma local, as vezes em dialetos - não se preocupe em entender a letra. É uma música mais sentida do que compreendida.