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15.12.23

Lançamento: Adquirir a sua alma na paciência

As Edições Textos para Reflexão adentram os reinados da filosofia existencialista com um de seus fundadores.

Em Adquirir a sua alma na paciência, o filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard nos oferece a chave para o encontro e a conquista do nosso "eu". Comentando uma passagem bíblica, o autor nos apresenta um conceito único de "paciência", que tem mais a ver com a teologia do que com a filosofia.

A nova tradução de Rafael Arrais já está disponível na Amazon, em e-book:

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» Leia também o nosso prefácio para esta edição: O andarilho de Copenhague.

» Caso deseje se aprofundar na obra de Kierkegaard, recomendamos seguir o perfil da Maitê Sartori (psicóloga especializada na filosofia do autor) no Instagram, ou quem sabe se increver em algum dos seus cursos sobre o tema.


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1.12.23

O andarilho de Copenhague

O texto abaixo foi escrito para compor o prefácio de Adquirir sua alma na paciência, o discurso de Soren Kierkegaard que tive a honra de traduzir de versões inglesas. Como a maioria dos meus prefácios, procurei falar sobre não apenas o que o autor nos trouxe em sua obra, mas também sobre como viveu sua vida. Creio que ganhamos muito ao nos imaginar, tal qual o pensador dinamarquês, simplesmente caminhando pelas vielas de Copenhague, saudando as almas que nos cruzam o caminho...


A vida só pode ser compreendida quando olhamos para trás, mas só pode ser vivida olhando para frente.

Esta frase, retirada de uma das suas cerca de 7.000 páginas de diários, acabou se tornando uma das mais famosas de Kierkegaard; e, como toda célebre frase de um pensador, resume muito do que ele buscou falar em sua obra. Você arriscaria dizer sobre o que o pensador dinamarquês falou? Bem, se pensou em “autorreflexão”, “autoconhecimento”, ou ainda em “como lidar com a existência humana”, não está muito longe da resposta, seja ela qual for.

Tendo nascido e vivido em Copenhague, na Dinamarca, Soren Kierkegaard (1813 – 1855) foi ao mesmo tempo melancólico e bem-humorado, ao mesmo tempo filósofo e teólogo, mas quase sempre brilhante. Sua mãe, Ane Sorensdatter Kierkegaard, trabalhou como empregada doméstica antes de se casar com seu pai, Michael Pedersen Kierkegaard. Ela era uma pessoa simples, que não recebeu nenhuma educação formal, mas exerceu uma influência duradoura na vida do filho. Já seu pai, Michael, foi um comerciante de lã muito bem-sucedido. Mesmo sendo um homem severo, cultivava interesse por filosofia e costumava hospedar intelectuais em sua casa. Por conta da influência do pai, ele entrou em contato com os livros de Platão ainda bem jovem, e foi especialmente tocado pela figura de Sócrates.

Kierkegaard era o mais novo dos sete filhos do casal. Contudo, quando contava 22 anos, já havia perdido cinco dos seus irmãos, tendo restado apenas Peter Kierkegaard, que mais tarde veio a se tornar um bispo luterano. Logo depois, naquele mesmo ano de 1834, foi a vez da sua mãe deixar o mundo; e, poucos anos depois, em 1838, veio o falecimento do pai. Não admira, portanto, que o filósofo fosse íntimo dos grandes sofrimentos da existência humana, e que tenha se dedicado justamente a viver da melhor forma possível, apesar deles.

Com a herança da sua família, Kierkegaard pôde custear a sua educação, a sua vida e várias publicações das suas primeiras obras. Em 8 de setembro de 1840, Kierkegaard formalizou o pedido de noivado a Regine Olsen, jovem dinamarquesa que havia conhecido cerca de três anos antes. No entanto, ele logo se sentiu desiludido com as perspectivas da vida a dois. Encerrou o noivado em 11 de agosto de 1841, apesar de se acreditar que havia um amor profundo entre eles. Nos seus Diários, Kierkegaard menciona a sua crença de que sua “melancolia” o tornava impróprio para o casamento, mas o motivo exato para o rompimento permanece obscuro até hoje. Dali em diante, seu matrimônio seria com a filosofia e, por assim dizer, com a própria existência.

Uma das primeiras descrições da aparência física do pensador dinamarquês veio de Hans Brochner, um convidado para a festa de casamento do seu irmão, Peter, em 1836: “Eu achei [sua aparência] quase cômica. Na época ele estava com 23 anos de idade. Ele tinha algo bastante irregular em toda a sua forma e usava um penteado estranho. Seu cabelo subiu quase seis centímetros acima de sua testa em uma forma de crista desgrenhada, que lhe dava uma estranha aparência de espanto”. Já o próprio Kierkegaard se descreveu como alguém de composição frágil: “Franzino, raquítico e fraco para poder valer como um homem completo. [E ainda] melancólico, submetido ao sofrimento interior, profundamente ferido de muitas maneiras no íntimo da alma. Bem, a mim só uma coisa me foi concedida: uma inteligência eminente, com certeza para que eu não ficasse inteiramente desarmado”.

Em seu tempo, as ruas de Copenhague eram tortuosas, de modo que poucas carruagens passavam por elas. Kierkegaard amava caminhar pelas ruelas e simplesmente observar o dia a dia das pessoas comuns. Em 1848, ele escreveu: “Eu tinha verdadeira satisfação cristã no pensamento de que, se não houvesse outro, definitivamente havia um homem em Copenhague com quem todas as pessoas pobres poderiam abordar livremente e conversar na rua; se não houvesse outro, havia um homem que, qualquer que fosse o seu círculo social mais frequentado, não se esquivava do contato com os pobres, mas saudava toda empregada que lhe parecia familiar, todo servo, todo trabalhador comum”. Também podemos resumir boa parte da sua teologia sob esse ponto de vista: ao teólogo dinamarquês interessava mais a figura do Cristo andarilho e contador de parábolas do que toda a Igreja que se construiu ao redor dele.

Sócrates dizia que “uma vida irrefletida não vale a pena ser vivida”, e o pensador dinamarquês levou essa afirmação as últimas consequências. Em O desespero humano, publicado em 1849 e, para alguns, uma das obras inaugurais da filosofia existencialista, Kierkegaard nos apresenta a autorreflexão como uma ferramenta para entender o problema do “desespero”, que para o pensador não derivava da depressão em si, mas antes da alienação do “eu”. Assim, ele classificou diversos graus de desespero. O mais inferior e comum é derivado da ignorância: o indivíduo mal sabe o que o “eu” significa, e não tem a menor consciência da natureza do seu “eu” potencial, a melhor versão de si. Tal desconhecimento é quase uma bênção, e tão sem consequência que Kierkegaard não estava certo se deveria ser classificado como desespero. Segundo ele, o verdadeiro desespero ocorre quando temos mais consciência de nós mesmos, uma vez que os graus mais profundos de desespero derivam de uma profunda consciência do “eu” aliada a uma profunda aversão por esse mesmo “eu”.

Quando algo dá errado, quando falhamos e, por exemplo, não passamos numa prova, nós aparentemente nos desesperamos porque perdemos algo. Mas numa análise mais atenta, segundo o pensador dinamarquês, fica óbvio que a pessoa não se desespera por conta do fato em si, como não passar na prova, mas antes por conta de si mesma. O “eu” que não conseguiu conquistar seu objetivo se torna intolerável. A pessoa queria se tornar um “eu” diferente, alguém que passou no vestibular, mas agora está presa a um “eu” fracassado, em desespero. Mas seria possível nos desviar desse desespero simplesmente sendo bem-sucedidos em tudo aquilo que desejamos alcançar?

Para responder esta pergunta, Kierkegaard usou como exemplo um homem que queria se tornar imperador. E demonstrou que, ironicamente, ainda que ele conseguisse alcançar seu objetivo, na verdade ainda teria abandonado o seu antigo “eu”. Ou seja, tanto em seu desejo quanto em sua conquista, ele queria “se livrar de si mesmo”. Ora, essa negação do “eu” é dolorosa: é avassalador o desespero de uma pessoa que quer se afastar de si, que “não possui a si mesma; que não é ela mesma”.

Mas ele também propôs, é claro, uma solução para tal dilema. Kierkegaard concluiu que um homem poderia alcançar a paz e a harmonia internas se tivesse a coragem de ser seu verdadeiro “eu”, em vez de querer ser outro. “Querer ser quem se é realmente é, na realidade, o oposto do desespero”, ele resumiu. O pensador acreditava que o desespero desaparece quando paramos de negar quem realmente somos e aceitamos a nossa verdadeira natureza.

Em um trecho dos seus Diários, datado de 1835, Kierkegaard esboçava a essência do que viria a tratar em suas obras posteriores:

O que eu realmente preciso é ter clareza sobre o que devo fazer e não o que eu preciso saber, a não ser na medida em que o conhecimento deve preceder cada ato. O que importa é encontrar um propósito, para ver o que realmente é que Deus quer que eu faça; o mais importante é encontrar uma verdade que é verdade para mim, encontrar a ideia pela qual estou disposto a viver e morrer.

Em sua busca por si mesmo, por quem realmente é, em oposição às inúmeras máscaras sociais ofertadas pela sociedade da época, Kierkegaard nos deu uma contribuição que já era muito relevante em sua época, e que hoje, na sociedade da ebulição da informação e das redes sociais, se tornou ainda mais relevante.

Mas foi em Adquirir a sua alma na paciência, um dos Quatro Discursos Edificantes, publicado em 1843, que o andarilho de Copenhague nos ofereceu a chave para o encontro e a conquista de nossa própria alma. Comentando uma passagem do Novo Testamento bíblico, Kierkegaard nos apresenta um conceito único de “paciência”: uma paciência que tem mais a ver com o mundo espiritual, mais com a sua teologia do que com a sua filosofia. Para um estudante de filosofia ou psicologia, tal conceito pode soar demasiadamente místico, até mesmo incômodo. Se for o caso, vá mais além, mergulhe em tal “incômodo”, desvele o que acha que é o misticismo, se aventure pelo misticismo real, a coisa em si: você mesmo – mas tenha toda a paciência do mundo!


Soren Kierkegaard morreu em 1855, aos 42 anos. Embora a causa de sua morte não seja clara, estudos recentes apontam que a possível causa foi uma doença na coluna vertebral (antes, se achava que ele havia falecido em decorrência da tuberculose). Seu corpo se encontra sepultado no Cemitério Assistens, em Copenhague.


***

Crédito das imagens: [topo] Desenho não terminado de Kierkegaard feito pelo seu primo, Niels Christian Kierkegaard (c. 1840); [ao longo] Martinus Rorbye (pintura de 1831; retrata a Copenhague da época).

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13.5.11

Não há fronteiras

Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de grama...

Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia estar efetivamente “fora de Deus”.

Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente um estado da consciência humana.

Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão antigo (um gnóstico).

Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis cósmicas.

Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.

Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.

Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: “Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”

Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.

Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que lembram vidas passadas seja intrigante).

Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.

A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar corretamente.

A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.

***

Crédito da foto: Niels Sörensen (vista do Platô em Monte Verde/MG).

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