As Edições Textos para Reflexão desta vez trazem a você a obra-prima da teosofista Mabel Collins, Luz no Caminho.
Não foi por acaso, quem sabe, que o grande poeta português Fernando Pessoa escolheu a dedo esta preciosa obra para realizar sua primorosa tradução do inglês. Muitos devem saber que Pessoa foi um místico relutante, e a carta que trazemos na Introdução, endereçada ao seu amigo Sá-Carneiro, nos dá uma bela ideia de como os textos teosóficos o impactaram; e este, talvez mais do que todos os outros. Somente quem já deu seus primeiros passos no Caminho, quem anda devagar porque já teve pressa, quem traz um sorriso porque já chorou demais, poderá aproveitar completamente o teor deste pequeno mistério em forma de palavras.
À seguir, trazemos os vídeos do canal Nova Acrópole no YouTube, onde a professora Lúcia Helena Galvão faz uma análise minuciosa desta obra inefável (até onde é possível explicá-la por palavras, é claro):
Se este blog acaso também fosse uma instituição de ensino, ele seria algo muito parecido com a Nova Acrópole...
Nascida em 1957, pelas mãos de Jorge Angel Livraga Rizzi, um jovem filósofo de ascendência italiana, em Buenos Aires, Argentina, e hoje presente em mais de 50 países nos 5 continentes, Nova Acrópole é a manifestação renovada de um antigo sonho humano: “Desvendar os mistérios do homem e do universo”.
Esses são os 3 princípios fundamentais que norteiam o trabalho da Nova Acrópole:
1. Promover um ideal de fraternidade internacional, baseado no respeito à dignidade humana, além das diferenças raciais, de sexo, culturais, religiosas, sociais etc.
2. Fomentar o amor à sabedoria através do estudo comparado de filosofias, religiões, ciências e artes, para promover o conhecimento do ser humano, das leis da Natureza e do Universo.
3. Desenvolver o melhor do potencial humano, promovendo a realização do ser humano como indivíduo e sua integração à sociedade e à natureza, como elemento ativo e consciente para melhorar o mundo.
Estes princípios, apesar da atualização de sua grafia, são em essência os mesmos que orientaram muitas escolas filosóficas do passado, como a Academia de Platão, na antiga Grécia, a Escola Eclética de Alexandria, no Egito, ou outras, ainda mais antigas ou recentes, na velha Índia, na China e em diversas partes do globo.
Hoje, em um mundo em crise, marcado por disputas e enfrentamentos, em grande medida frutos de nossa educação, voltada mais para a competição e a conquista de conforto pessoal do que, antes, para o humanismo e a solidariedade, um trabalho como o que realiza a Nova Acrópole se mostra mais necessário do que nunca.
A filosofia, como ensinada pelos grandes mestres de todos os tempos, foi, e ainda é, um caminho, através do qual podemos alcançar a união entre todos os povos. E isso é possível quando, por meio do conhecimento de nós mesmos, podemos desenvolver nossas potencialidades, compreendendo a finalidade da vida e aprendendo a conhecer e respeitar a todos, apesar da diversidade cultural e de opiniões que caracterizam a humanidade.
Por meio da filosofia, aprendemos que antigas ideias como amor, respeito, fraternidade, união e felicidade são muito mais do que palavras bonitas para ocasiões especiais. Elas estão na essência da busca humana. Elas constituem, em grande medida, a própria razão de sermos humanos. E formam, assim, parte do grande mistério da vida.
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O texto acima, retirado da revista especial que celebrava os 30 anos da chegada da Nova Acrópole no Brasil, em 2014, parece assustadoramente próximo a tudo o que tenho tentado transmitir neste blog desde 2006.
Mesmo tendo descoberto a Nova Acrópole somente poucas semanas atrás, já fiquei muito impressionado com a qualidade de suas palestras gratuitas [1], tanto as que constam no YouTube quanto a que fui ver, pessoalmente, aqui onde moro, em Campo Grande/MS.
Recomendo enormemente que busquem por uma sede da Nova Acrópole em suas cidades, caso exista [2], e procurem assistir as palestras gratuitas para, eventualmente, se inscreverem nos diversos cursos disponíveis, usualmente dentro da filosofia, mas com referências a inúmeros assuntos espiritualistas que vocês têm visto neste blog ao longo dos anos [3]...
Os cursos não são gratuitos, mas a Nova Acrópole é uma instituição sem fins lucrativos, de modo que eles provavelmente irão custar menos de 15 reais a hora de aula. Em todo caso, muitas sedes costumam oferecer ao menos uma palestra gratuita por mês.
Abaixo, ainda segue um vídeo institucional produzido pela sede de Brasília (provavelmente a mais atuante no país). Boas aulas!
[2] Me explicaram que, devido as dimensões do Brasil, a Nova Acrópole “se dividiu em duas regiões” por aqui. Dessa forma existem dois sites onde podem buscar pelos endereços das sedes: www.acropole.org.br (Centro-Oeste, Norte e Nordeste) e www.nova-acropole.org.br (Bahia, Sul e Sudeste).
[3] Basta conferirem, por exemplo, os livros que se encontram à venda na Livraria Giordano Bruno (administrada por eles).
O sujeito à esquerda da imagem acima se chama Gibran Khalil Gibran (apenas Gibran para os íntimos) e é um dos maiores poetas-filósofos de todos os tempos. Uma estrela cadente que habitou nosso mundo entre o fim do século 19 e o início do 20, tendo descido através do Líbano e eventualmente cintilado por todo o mundo, do Oriente ao Ocidente. Eu tive o enorme prazer de traduzir a sua obra-prima, O Profeta, da qual lhes trago abaixo o trecho onde ele fala sobre o Amor:
ENTÃO, disse Almitra, “nos fale do Amor”.
E ele ergueu a cabeça e observou a multidão, e uma quietude recaiu sobre todos. Com uma voz forte, ele lhes disse:
“Quando o amor lhes acenar, sigam-no,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados.
E quando suas asas lhe envolverem, aceitem-nas,
Embora a espada oculta em suas plumas possa lhes ferir.
E quando ele lhes falar, acreditem no que diz,
Embora sua voz possa despedaçar os seus sonhos como o vento do norte devasta ao jardim.
Pois assim como o amor os coroa, ele também os crucifica.
E da mesma forma que auxilia em seu crescimento, trabalha também para a sua poda.
E assim como ascende a sua altura e acaricia os seus ramos mais tenros que se agitam ao sol,
Também desce até suas raízes e as sacode em seu apego a terra.
Como feixes de trigo, ele os aperta junto a si.
Ele os debulha para expor-lhes a nudez.
Ele os peneira para livrar-lhes das suas cascas.
Ele os mói até a extrema brancura.
Ele os amassa até que se tornem maleáveis.
Então ele os encaminha ao fogo sagrado, para que possam se tornar o pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas o amor irá operar em seu interior para que conheçam aos segredos de seus próprios corações, e através deste conhecimento se tornem um fragmento do coração da Vida.
Entretanto, acaso em seu medo vocês buscarem apenas a paz e o prazer do amor, então será melhor que cubram a sua nudez e abandonem ao açoite do amor;
Para que deem risadas num mundo sem estações, mas nem todos os seus risos;
E chorem, mas nem todas as suas lágrimas.
O amor nada oferece além de si mesmo e nada recebe além de si mesmo.
O amor não possui, e tampouco pode ser possuído;
Pois o amor se basta em si mesmo.
Quando você ama não deveria dizer, “Deus está em meu coração”, mas sim, “Eu estou no coração de Deus”.
E não pensem que podem direcionar o curso do amor, pois o amor, se lhes acharem dignos, determinará ele próprio o seu curso.
O amor não tem outro desejo senão o de cumprir a si mesmo.
Entretanto, acaso em seu amor precisarem ter desejos, que sejam estes os seus desejos:
De se diluírem e serem como um córrego que canta a sua melodia para a noitinha.
De conhecerem a dor da extrema sensibilidade.
De se ferirem por sua própria compreensão do amor.
E de sangrarem de boa vontade e com alegria.
De acordarem na aurora com um coração alado e agradecerem por um novo dia de amor;
De descansarem ao meio-dia e meditarem acerca do êxtase do amor;
De retornarem para casa a tardinha com gratidão;
E então, de adormecerem com uma prece para o amado em seus corações, e uma canção de louvor em seus lábios.”
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Se acaso estas lascas de estrelas, estas cascas de sentimento profundo, lhes tocaram de alguma forma ao coração, eu lhes convido a conhecer a mulher a direita da imagem, Lucia Helena Galvão, uma poetisa aqui mesmo de nossas terras, aqui mesmo de nosso século, que possui em sua alma uma rara e distinta compreensão do sentido mais oculto e sagrado das palavras de Gibran.
Na cerca de uma hora do vídeo abaixo, ela irá lhes trazer reflexões profundas sobre cada trecho do poema acima [1], e muito mais... Vale assistir com o espelho do coração voltado para o alto:
Obs.: Para quem está com alguma pressa ou não tem muita paciência para introduções, ela só começa a analisar efetivamente os trechos do livro em 13:10.
[1] A tradução do livro utilizada no vídeo é a mais reconhecida no país, de Mansour Chalita. Embora seja superior à minha, ainda se vale de um estilo de linguagem antigo, que tentei atualizar na minha versão.
Crédito das imagens: Google Image Search/Divulgação