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2.8.11

E então veremos face a face...

Parte (3 de 3) do interlúdio da série de artigos "4 amores"

Para terminar este interlúdio, trago a vocês dois dos maiores textos acerca do amor que a história foi generosa em conservar. Inspirado por eles, espero poder falar sobre ágape da forma mais profunda possível, considerando que eu mesmo, como tantos de nós, ainda estou muito distante de viver plenamente neste amor - eu o conheço, mas conhecer é apenas uma parte...


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luiz Vaz de Camões, Soneto 11


***

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Paulo de Tarso, 1 Coríntios 13


***

Nota: E não poderia deixar de lembrar também da música que Renato Russo, o grande poeta do Centro-Oeste, fez com uma junção desses dois textos: Monte Castelo.

Crédito da imagem: Akiane Kramarik

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1.8.11

Qual é a sua?

Parte (2 de 3) do interlúdio da série de artigos "4 amores"

Texto por Carol Phoenix, do blog "Qualquer coisa que se sinta"

Em nossa cultura, um dos fatores que determina o reconhecimento de qualidades pessoais é a quantidade de conhecimento, além da capacidade de comunicar este conhecimento. Quanto melhor uma pessoa se expressa, mais valorizada ela é. Parece que outras características do ser humano, como a capacidade de sentir, vão sendo cada vez mais renegadas. Basta imaginar o que aconteceria se alguém escrevesse em um pedido de emprego, além das informações habituais, que se sente bem amado, ou que está muito feliz. Provavelmente seria recusado, ou mesmo ridicularizado, como se não fosse importante o amor ou a felicidade para se trabalhar melhor.

Esta necessidade compulsiva que todos tem de explicar todas as coisas é uma das principais manifestações de uma sociedade que é estruturada principalmente sobre a informação e o conhecimento. A realidade, como nós a entendemos, está comprometida com nossa capacidade de explicá-la. O ego se alimenta de palavras e de descrições. Acreditamos que aquilo que podemos descrever está sob nosso domínio. Conhecimento é poder. Quando algo está além de nossa capacidade descritiva, é classificado como místico, tolice, brincadeira, nada que mereça ser efetivamente levado a sério.

Aprendemos a acreditar que, se pudermos explicar logicamente alguma coisa, teremos poder sobre ela. Esse tipo de atitude impede muitas vezes que aproveitemos alguns aspectos mais subjetivos (porém reais) de nossa vida, especialmente aqueles que se referem aos sentimentos. Um sentimento, quando é explicado, deixa de ser autêntico e espontâneo, passa a ser demarcado pelos limites de nossa capacidade de compreender, pelos condicionamentos culturais que nos foram impostos, pelos preconceitos e regras de uma sociedade para a qual nem sempre é conveniente que nos sintamos plenos e felizes, pois uma pessoa atrelada ao universo das idéias "aceitáveis" certamente é uma pessoa facilmente manipulável por aqueles que determinam o que é aceitável ou não.

É claro que a lucidez, a inteligência, a cultura, são elementos importantes de nossa existência. Se pensarmos que a realidade está limitada à nossa capacidade de descrevê-la, ou que o mundo que percebemos é uma descrição, quanto maior nossa cultura e nossa capacidade descritiva, mais profunda e ampla é nossa abordagem da realidade, maior é nossa capacidade de transformar e recriar o mundo. O problema existe quando não inserimos o amor e a capacidade de sentir e se entregar, quando excluímos de nossa descrição tudo que não for facilmente dissecável pela mente. Tornamos o mundo repetitivo e controlado, distante dos movimentos espontâneos da natureza. Esse controle mental é na verdade ilusório, pois corresponde a uma limitação de nossa capacidade criativa, e para mantê-lo precisamos estar sempre atentos e acreditando que nada existe além do que pode abranger nossa linguagem e nossa percepção lógica do mundo.

Isto tudo pode ser entendido como um elemento de limitação e controle de nosso desenvolvimento, mas é também o grande recurso, a ferramenta adequada para que possamos transformar o mundo, recriá-lo, produzir com nossa mente e nossa imaginação uma realidade mais acessível e compatível com nossas qualidades naturais. O ser humano pode se afastar da natureza e imobilizar a própria evolução através da descrição mecanicista e utilitária dela, mas também tem a capacidade de, através da inteligência, harmonizar-se com o universo que o cerca. Basta observar certas culturas não comprometidas com a civilização que, apesar de formadas por seres inteligentes, não abriram mão do direito de sonhar, rir, relaxar, não romperam o contato com a terra e a respeitam e sabem que são filhos dela e não seus senhores. Será que é sinal de evolução usar a inteligência para destruir o planeta que habitamos, por simples cobiça? Será um uso adequado da inteligência estudar muito para poderem trabalhar de sol a sol, para viverem enjaulados e acuados, para comerem enlatados e alimentos cheios de conservantes? Será sinal de cultura e inteligência viverem com medo do fracasso, darem mais importância ao sucesso social do que à felicidade?

A inteligência não é o que realmente distingue o ser humano dos animais, apesar dos esforços culturais em demonstrar isso. Esta distinção existe talvez pela perda da memória, por não nos lembrarmos mais que somos irmãos, células de um mesmo corpo, e que estamos intimamente comprometidos uns com os outros, que a qualidade de nossas vidas depende integralmente da qualidade de vida de nosso vizinho e de todas as outras pessoas, pois afinal, respiramos o mesmo ar que alguém em algum momento respirou, e uma célula que perca sua essência, que degenere no corpo da sociedade, pode destrui-lo. Os animais (que não pensam) e aqueles que vivem em contato com a natureza, sem estarem comprometidos com a vaidade civilizatória, sabem disso, jamais se esqueceram.

O mundo da informação, o rádio, a televisão, a imprensa, tão determinantes em nosso mundo, são os elementos predominantes. E isto parece tão importante, que aqueles que detêm o poder dos meios de comunicação parecem controlar o mundo civilizado. Determinam o que é real ou não, o que é aceitável e o que é condenável, o que deve ser moda e o que pode ser comido. Determinam os padrões estéticos, os critérios para que o povo se emocione, quem deve ser eleito e até qual o melhor tipo de Deus para acreditarmos. E quem não aceita é excluído, quem não está bem informado sobre a última moda, a nova tendência, o mais recente modelo seja lá do que for, está por fora, talvez nem mereça ser aceito, talvez nem mereça ser amado. E o que ganhamos em troca de "estar por dentro"? Usem a inteligência para responder.

Exposto por Carol Phoenix (ver post original)

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Comentário: Estava em busca de inspirações para me auxiliar a escrever as 2 partes finais da série de artigos "4 amores", e decidi entrar no blog da Carol, já que ela é quase uma especialista em sentimentos. Fiquei surpreso com este texto dela, que foi publicado dias antes do primeiro artigo da série "4 amores" (mas que eu não havia lido até então), e que parece complementar o que vinha sendo dito na série, além de servir como uma ponte entre filias e ágape...
Realmente, as palavras, essas cascas de sentimento, não serão jamais suficientes para se explicar o amor. O que poderei expor, portanto, é apenas um pequeno manual de natação, mergulhar dependerá de cada um de nós.

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Crédito da foto: Randy Faris/Corbis

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30.7.11

Buscaglia no Camboja

Parte (1 de 3) do interlúdio da série de artigos "4 amores"

Neste trecho do livro "Vivendo, Amando e Aprendendo" (ed. Nova Era), Leo Buscaglia nos fala sobre os anos que passou na Ásia, e sobre a grande lição que aprendeu no Camboja - uma lição sobre a transitoriedade da vida, e a permanência do amor:

O vídeo foi criado por alunos de Publicidade da UNIFIEO.

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