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6.5.11

Primeiro a alma

Se você leu qualquer capa de jornal ou revista de notícias, ou assistiu qualquer noticiário na TV a praticamente qualquer momento dos últimos dias, já deve saber que o presidente americano afirmou ter assassinado o célebre terrorista, Osama Bin Laden.

Osama foi um dos membros sauditas da próspera família Bin Laden, além de líder e fundador da Al-Qaeda, organização terrorista famosa pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e numerosos outros contra alvos civis e militares. A Al-Qaeda ("A Base") foi originalmente destinada a combater a família real saudita. Bin Laden detestava os modos ocidentalizados, perdulários, corruptos e "pouco islâmicos" da família real. Tinha como objetivo alijá-la do poder e implantar no país a semente do que sempre sonhou - o novo califado islâmico. A família real, por ironia do destino, possuía grande consideração para com a família de Bin Laden.

O historiador e pesquisador do Laboratório do Tempo Presente, Daniel Santiago Chaves, chama a atenção para o tipo de "escola de terrorismo" desenvolvido pela Al-Qaeda e que hoje serve de modelo para organizações menores. "Quando nós lembramos da Al-Qaeda, a primeira imagem que vem à nossa cabeça é a de um avião sequestrado sendo jogado contra um prédio, causando a morte de milhares de pessoas. Esse conceito de terrorismo espetacular foi apropriado por esses pequenos grupos", afirmou. Círculo vicioso: segundo ele, a Al-Qaeda, os demais grupos terroristas e a mídia acabam se retroalimentando por essas ações. "Ter a imagem vinculada a Al-Qaeda é bom para os grupos porque dá visibilidade aos seus atos, é bom para a Al-Qaeda, que se mantém na mídia, e é bom para mídia, que vende a sua notícia", analisa. Quem entende esse mecanismo e está à frente das principais explosões em hotéis, boates e restaurantes, principalmente na Ásia, são grupos oriundos de famílias ricas que têm condições de planejar ações desse porte, explica. "São pessoas com liquidez financeira não necessariamente pertencentes a uma grande rede como a de Osama Bin Laden, mas que entendem o significado de um atentado com impacto midiático e são capazes de gerar a inteligência suficiente para executá-lo. De comum com a Al-Qaeda, além dos métodos, existe uma agenda: transformar os Estados da Ásia em um califado islâmico". Por isso os principais alvos dos atentados estão sempre ligados de alguma forma ao Ocidente.

Assim como o alvo da Al-Qaeda nunca foram as torres gêmeas, e sim a mídia, eles tampouco se organizam tal qual os apreciadores de fantasias de duelos do bem contra o mal gostariam: como uma organização hierárquica, com apenas um grande “mestre do mal” – um inimigo para os filmes de Hollywood... Seu quadro composto por células terroristas localizadas em diversos países gerou o que os analistas chamam de Al-Qaeda "nebulosa". Esta denominação tem duplo significado. Ao mesmo tempo em que dá a ideia de que se trata de algo difícil de enxergar, remete ao termo nebulosa presente no vocabulário da astronomia, cuja definição é um conglomerado de astros com uma formação complexa e variável.

São como “franquias do terror” – assim como a desativação de uma lanchonete da Subway praticamente não afeta seu funcionamento global, destruir uma célula da Al-Qaeda, mesmo que seja a do próprio Bin Laden, não vai fazer com que a nebulosa se dissipe da noite para o dia.

Em realidade, violência gera violência, terror gera terror, e esta grande roda da ignorância ainda está longe de parar sua rotação. Sejam os ditos “bonzinhos”, que aceitam a tortura institucionalizada de Guantanamo, ou o conceito de “guerra preventiva”, como caminhos para “aplacarmos o mal”; Sejam os terroristas, os “mestres do mal”, que creem piamente que mudarão os hábitos e o pensamento do povo islâmico com bombas e atentados – todos estão profundamente equivocados. Ou, como dizia Gandhi, o grande guerreiro da alma: “Olho por olho, dente por dente, e a humanidade continuará profundamente carente”...

A grande luz que se acende no mundo islâmico está além das doutrinas do capitalismo ou do terrorismo: foi o próprio povo islâmico, os jovens em sua grande maioria, quem começaram a mudar o seu mundo... E nenhum deles trazia fotos ou cartazes de Bin Laden, nem se dizia abertamente contra o Ocidente ou o capitalismo. Eles não querem terror, eles não querem seguir estritos preceitos de doutrinas religiosas ultra-conservadoras, eles não querem se empanturrar de sanduiches, gadgets e carros grandes – eles querem apenas a liberdade de pensar, a liberdade para a alma.


Todo esse cenário me remeteu ao belo diálogo entre Judas e Jesus no roteiro do filme “A Última Tentação de Cristo”, de Paul Schrader, baseado no romance homônimo, de Nikos Kazantzakis. Como podemos ver, a história ainda se repete, e embora evoluamos lentamente a passo de formigas anestesiadas, ainda insistimos no caminho da dor, e não do amor:

Judas - Eu não sou como esses homens [referindo-se aos outros seguidores de Jesus]. Digo, eles são boas pessoas. Mas eles são fracos. Como irão lutar por você? Eles não podem nem lutar por si mesmos. Onde você os encontrou? Um é pior do que o outro. Isso não é um exército.

Jesus - Eu não preciso de soldados.

Judas - Você me procurou. E se eu amo alguém, eu morro por ele. Caso odeie alguém, eu o mato. Eu posso até matar alguém que eu amo se ele fizer a coisa errada. Você me entende?

Jesus - Eu compreendo.

Judas - Noutro dia quando você disse para darmos a outra face para quem nos bateu, eu não gostei disso. Somente um anjo poderia fazer isso, ou um cachorro. Eu sou um homem livre. Eu não dou minha face para ninguém bater. Você precisa de soldados.

Jesus - E acaso os soldados me farão livre?

Judas - Você deseja a liberdade para Israel?

Jesus - Eu desejo a liberdade para a alma.

Judas - Primeiro você liberta o corpo, depois a alma. Você sabe disso. Os romanos vêm primeiro.

Jesus - A alma vêm primeiro. Se você não mudar o que a alma deseja, você irá apenas substituir a dominação romana por outra dominação, e nada nunca irá mudar. Primeiro você deve mudar o homem por dentro. Então o homem pode mudar o que está a sua volta. É o desejo de riquezas e poder que faz com que o homem queira dominar os outros. É o desejo que precisamos mudar, precisamos primeiro libertar a alma. Com amor.

***

Crédito da imagem: Divulgação (William Dafoe em "A Última Tentação de Cristo").

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21.1.09

Praise song for the day

Provavelmente a primeira vez que uma poetisa foi chamada para uma cerimônia de posse presidencial norte-americana, e criou um poema especialmente em homenagem ao evento (e tudo o que ele significa). A poetisa Elizabeth Alexander recita o poema, em inglês (sem legendas):

Leia a transcrição do poema em inglês.

"E se Amor fosse a palavra mais poderosa?(...) Uma canção de louvor ao ato de se caminhar em direção a esta luz."

Se uma imagem transmite mil palavras, muitas vezes poesias transmitem o que imagens nem palavras, sejam quantas forem, poderiam transmitir...

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20.1.09

Discurso de Obama na posse

Segue na íntegra o discurso de Obama na posse da presidência em 20/01/09, talvez um momento a ser lembrado por ainda muito tempo na história. Em negrito, eu destaquei três passagens. (Fonte: O Globo):

"Meus caros concidadãos,

Eu venho aqui hoje humildemente diante da tarefa à nossa frente, grato pelo crédito que vocês me designaram, consciente dos sacrifícios feito pelos nossos ancestrais. Eu agradeço ao presidente Bush pelos seus serviços a nossa nação, assim como pela generosidade e cooperação que ele demonstrou durante o período de transição.

Agora, quarenta e quatro americanos já fizeram o juramento presidencial. Discursos foram feitos durante períodos iluminados de prosperidade e de épocas de paz. Assim como, muitas vezes, o juramento foi feito dentre períodos nebulosos e em meio a tempestades. Nestes momentos, a América progrediu, não simplesmente pela habilidade ou visão daqueles que estavam em altos cargos, mas porque nós, o povo, nos mantivemos fiéis aos ideais do nosso autocontrole, nossa verdade e nossa fundação.

Assim foi feito. Assim deve ser com esta geração de americanos.

Que estamos no centro de uma crise já é conhecido. Nossa nação está em guerra contra uma distante rede de violência e ódio. Nossa economia está se deteriorando, como consequência de ganância e irresponsabilidade de alguns. Mas nosso coletivo falhou em fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era. Casas foram perdidas, empregos se diluíram, empresas desapareceram. Nosso seguro de saúde é muito caro, nossas escolas são muito falhas, e, a cada dia, aparecem evidências de que nossa forma de utilizar energia fortalece nossos adversários e ameaça o planeta.

Estes são os indicadores da crise, com dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profunda é a falta de confiança do povo em toda a nação - um medo perturbador de que a queda da América seja inevitável, e de que a próxima geração tenha perdido o seus horizontes.

Hoje eu digo a vocês que os desafios que enfrentamos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão superados facilmente e em pouco tempo. Mas saiba isso, América - eles serão superados.

Hoje nos unimos porque escolhemos a esperança sobre o medo, a união sobre os conflitos e a discórdia.

Hoje proclamamos um fim ao pequeno descontentamento, às falsas promessas, à recriminação e aos princípios morais desgastados, que por muito tempo prejudicaram a nossa política.

Nós continuamos sendo uma jovem nação, mas nas palavras da Bíblia, a hora chegou para afastar as infantilidades. Chegou o momento de reafirmar o espírito duradouro; de escolher uma história melhor; de continuar a transmitir o dom, a nobre idéia, que passamos de gerações a gerações: a promessa de Deus de que todos somos iguais, livres, e de que todos merecemos a chance de ter a felicidade.

Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, entendemos que a grandeza nunca é um presente. Ela deve ser merecida. A nossa jornada nunca foi de corte de caminho ou de contentamento por menos. Ela não tem sido um caminho de covardes - aqueles que preferem o lazer ao trabalho, ou procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Em vez disso, tem sido o caminho dos que arriscam, dos que fazem, dos que produzem - alguns reconhecidos, mas muitos frequentemente escondidos pelo trabalho, que nos levam distante, por longas estradas de prosperidade e liberdade.

Por nós, levaram suas poucas posses materiais e viajaram por oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós, trabalharam em condições sub-humanas e se estabeleceram no Oeste; suportaram chicotadas e lavraram a dura terra.

Por nós, combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg, Normandia e Khe Sanh.

Continuamente estes homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam até as mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles enxergaram a América maior do que a soma de nossas ambições, maior do que todas as diferenças de origem, riqueza ou facção.

Este é a jornada que continuamos hoje. Continuamos a ser a mais próspera, poderosa nação na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. Nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece intacta. Mas não há mais tempo para proteger interesses mesquinhos ou protelar decisões desagradáveis - esse tempo certamente passou. A partir de hoje, nós devemos levantar, sacudir a poeira e começar a trabalhar pela reconstrução dos Estados Unidos.

Para onde quer que olhemos, há trabalho a ser feito. O estado da economia exige ação, arrojada e rápida, e não vamos agir só para criar novos postos de trabalho, mas para estabelecer novas bases de crescimento. Vamos construir estradas, pontes, redes elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Vamos pôr a ciência no lugar certo e usar as maravilhas tecnológicas para aumentar a qualidade e baixar o custo do sistema de saúde.

Vamos usar o sol, os ventos e o solo para abastecer nossos carros e fazer funcionar nossas fábricas. E nós vamos transformar nossas escolas, colégios e universidades para satisfazer as demandas de uma nova era.

Tudo isso podemos fazer. E tudo isso faremos.

Agora, existem aqueles que questionam a amplitude da nossa ambição - os que sugerem que nosso sistema não pode tolerar tantos grandes planos. A memória deles é curta. Eles esqueceram o que este país já fez, o que homens e mulheres livres podem alcançar quando a imaginação é acompanhada por uma proposta comum, necessidade e coragem.

O que os cínicos não entendem é que a terra tem mudado debaixo deles - que os argumentos políticos que nos consumiram por tanto tempo não se aplicam mais.

A pergunta que fazemos hoje não é se nosso governo é demasiado grande ou pequeno, mas se ele funciona, se ele ajuda as famílias a encontrarem trabalho com um salário decente, saúde que eles possam pagar, uma aposentadoria digna.

Onde a resposta for sim, nós queremos seguir em frente. Onde a resposta for não, os programas deverão acabar. E aqueles que gerenciam o dinheiro público serão cobrados - para gastar de forma inteligente, mudar maus hábitos, e fazer seu trabalho às claras - porque só assim poderemos restaurar a confiança da população no seu governo.

A questão para nós tampouco é se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é inigualável, mas essa crise nos faz lembrar de que, sem um olhar atento, o mercado gira fora de controle - e de que a nação não pode ter sucesso quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não somente do tamanho de nosso Produto Interno Bruto, mas no alcance de nossa prosperidade em nossa habilidade de estender as oportunidades a todos os corações - não por caridade, mas porque é o caminho mais certo para um bem comum.

No caso de nossa defesa, rejeitamos como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Nossos pais fundadores, que encararam o perigo que nós imaginamos, traçaram um carta para assegurar as regras das leis e dos direitos do homem, expandida pelo sangue das gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos desistir deles pela diligência. Então, para todas as outras pessoas e governos que nos assistem hoje, das grandes capitais ao pequeno vilarejo onde meu pai nasceu: saibam que a América é uma amiga de cada nação e cada homem, mulher, e criança, e que pede um futuro de paz e dignidade, e estamos prontos para liderar mais uma vez.

Lembrem que as outras gerações encararam o fascismo e o comunismo não somente com mísseis e tanques, mas com sólidas alianças e firmes convicções. Eles entenderam que apenas o nosso poder não pode nos proteger, nem nos dá os direitos que gostaríamos. Em vez disso, eles sabiam que o nosso poder cresce através de nossa prudência; que nossa segurança vem da justiça da causa, a força de nosso exemplo, da nossa qualidade de moderação, da humildade e da contenção.

Somos os guardiões de nosso legado. Guiados novamente por esses princípios, poderemos enfrentar novas ameaças que exigem um esforço ainda maior - uma cooperação ainda maior e de entendimento entre as nações. Nós começaremos a deixar o Iraque com responsabilidade ao seu povo, e mostrar uma paz duramente obtida no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos adversários, nós trabalharemos exaustivamente para reduzir a ameaça nuclear, e fazer retroceder o fantasma de um planeta que está se aquecendo.

Não vamos nos desculpar por nosso estilo de vida, nem vamos vacilar em defendê-lo. E para aqueles que pretendem atingir os seus objetivos com o fomento do terror e a matança de inocentes, dizemos que o nosso espírito é mais forte e não pode ser rompido; não podem durar mais do que nós, e vamos vencê-los.

Porque sabemos que nossa herança é a força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e mulçumanos, judeus e hindus - e incrédulos. Nós somos moldados por todas as línguas e culturas, traçados por todos os cantos desta Terra; porque provamos um pouco dos detritos da guerra civil e da segregação e emergimos deste capítulo negro mais unidos; não podemos deixar de acreditar que antigos ódios vão um dia desaparecer; que as linhas das tribos vão em breve se dissolver; que o mundo crescerá um pouco e que a humanidade deverá se reavaliar; e que a América terá seu papel em liderar uma nova era paz.

Ao mundo muçulmano, nós esperamos um novo caminho, baseado no mútuo interesse e no mútuo respeito. Aos líderes em volta do globo que desejam espalhar o conflito, ou levar sua sociedade à desgraça - saiba que seu povo irá julgá-lo por aquilo que construir, não pelo que destruir. Àqueles que chegam ao poder através da corrupção, da fraude e do silêncio de seus oponentes, saiba que você está indo para o lado errado da história; mas nós estenderemos a mão se você desejar abrir o punho.

Para o povo das nações pobres, nós prometemos trabalhar juntos para fazer suas fazendas florescerem e deixar suas águas limpas correrem; nutrir corpos famintos e alimentar mentes ávidas. E àquelas nações como a nossa que aproveitam relativa abundância, dizemos que não podemos mais arcar com a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras; nem consumir as fontes mundiais sem levar em consideração seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.

Quando avaliamos a estrada que se desvela a nossa frente, lembramos com humilde gratidão aqueles bravos americanos que, neste momento, patrulham longínquos desertos e montanhas distantes. Eles têm algo para nos dizer hoje, assim como os nossos heróis que descansam em Arlington sussurram através das eras. Nós os honramos hoje não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles incorporam o espírito de servir; um desejo de encontrar significado em algo grandioso para eles próprios. E agora, neste momento - um momento que definirá uma geração - é precisamente este espírito que deve habitar em todos nós.

Para aquilo que um governante pode fazer e deve fazer, é, no final das contas, a fé e determinação do povo americano sobre esta nação que conta. É a bondade de ajudar um estranho em uma inundação, a abnegação de trabalhadores que aceitam reduzir suas horas de trabalho para não ver um amigo perder um emprego nas piores horas. É a coragem de um bombeiro subir a escada cheia de fumaça, e também o desejo de um pai em alimentar um filho, que, no fim, decide nossos destinos.

Nossos desafios podem ser novos. Nossos instrumentos que encontramos agora podem ser novos. Mas aqueles valores sobre os quais nosso sucesso depende - trabalho duro e honestidade, lealdade e patriotismo - estes são antigos. Estes são verdadeiros.

Eles foram a força silenciosa do progresso por toda nossa história. O que é exigido agora é o retorno para estas verdades. O que é pedido de todos nós é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de toda América, que nós temos responsabilidade conosco, com nossa nação e com o mundo, responsabilidade que não aceitamos rancorosamente, mas que agarramos com satisfação, sólidos no conhecimento que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definitivo do nosso caráter, do que dar o máximo à nossa difícil tarefa.

Este é o preço e a promessa aos nossos cidadãos.

Esta é a fonte de nossa confiança - o saber que Deus nos chama para moldar um destino incerto.

Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo - porque homens, mulheres e crianças de todas as raças e todas as crenças devem se unir em celebração através desta magnífica avenida, e porque um homem, cujo pai, há mais de sessenta anos trabalhou num restaurante local, pode agora vir à frente de vocês fazer o mais sagrado juramento.

Então vamos marcar este dia na memória de quem somos e até onde viajamos. No ano do nascimento da América, nos meses mais frios, um pequeno grupo de patriotas aconchegava-se no campo de batalhas, nas margens de rios gélidos. A capital estava abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado de nossa revolução estava em dúvida, o pai de nossa nação disse estas palavras para o povo:

"Que o futuro saiba(...) que no mais profundo inverno, quando nada, a não ser a esperança e a virtude poderiam sobreviver(...) que a cidade e campo, alarmados com o perígo, seguiram adiante para encontrá-lo".

América, frente a frente com os perigos, neste rigoroso inverno, vamos nos lembrar destas palavras eternas. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez a correnteza gelada, e suportemos as tempestades que possam vir. Que os filhos de nossos filhos digam que quando fomos postos à prova, nos recusamos a permitir que esta viagem terminasse, que não demos as costas e nem vacilamos; e com os olhos voltados para o horizonte e com a graça de Deus sobre nós, transmitimos o grande dom de liberdade e o transmitimos a salvo para as futuras gerações.

Obrigado, que Deus os proteja e que Deus salve a América."

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