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19.8.19

Como eu virei uma editora

Neste vídeo eu partilho com vocês a sequência inusitada de eventos que me transformou numa editora. Não, eu não abri uma empresa, nem fui contratado por uma, eu me tornei, eu mesmo, uma editora, e a grande maioria dos meus livros sequer é físico. Estranho né? Eu explico melhor no vídeo.

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8.8.19

Como o taoismo lida com o sofrimento

Como toda forma de espiritualidade antiga, o taoísmo apresenta a sua própria proposta terapêutica. E com terapia nos referimos aqui às estratégias para lidar com o sofrimento e encontrar um alívio para ele, ou até mesmo desenvolver um sentimento de paz interna.

Na perspectiva taoista, o sofrimento advém da comparação. Quando passamos por alguma experiência negativa, algo que podemos considerar como relativamente comum à vida, nos comparamos com os outros, com a vida e experiências de outras pessoas, ou até mesmo nos comparamos com a nossa própria vida e experiências de outros tempos.

Tomados em comparação, nos sentimos numa posição inferior aos os demais. Os taoistas chamam isso de sentir a humilhação. Quando nos sentimos humilhados, podemos nos crer injustiçados, pior que os demais, infelizes e amaldiçoados com uma má sorte. Este é o estado de uma consciência em sofrimento.

Mas a comparação não revela apenas o sofrimento. Se conseguimos pensar que, por pior que seja o nosso problema atual, talvez haja no mundo problemas piores e pessoas com um sofrimento maior, veremos a quão injusta age a nossa consciência.

Por exemplo, você pode se sentir terrivelmente injustiçado porque seu negócio faliu enquanto outras pessoas prosperaram. Mas se você pode contar com o fato de que ainda lhe resta o apoio familiar e de amigos, quando há pessoas numa condição de abandono total, talvez você perceba que a sorte não está completamente contra si.

Para o taoísmo, a sorte é sempre mais complexa do que julga a nossa consciência.

Há a história de que um mestre taoista que viajava com seu discípulo pelo interior da China quando encontraram uma família muito pobre. A família foi muito receptiva com os viajantes, mas seus membros se vestiam de forma maltrapilha, faltava comida para os filhos e a casa dela estava praticamente caindo aos pedaços.

O mestre perguntou ao pai da família como eles se sustentavam, ao que ele respondeu: “Está vendo a vaca ali fora? Dela tiramos o leite que consumimos e fazemos queijo. O pouco de leite que sobra, trocamos por outras mercadorias na cidade. Ela é nossa fonte de renda e de vida. Conseguimos viver com o que ela nos fornece.”

No dia seguinte, pouco antes de partir, o mestre ordenou ao discípulo que lançasse a vaca de um precipício. O discípulo não compreendeu a ordem do mestre, pois iria matar a vaca, a única forma de sustento daquela pobre e sofrida família. Mas, pela hierarquia, cumpriu a ordem assim mesmo.

Alguns anos mais tarde, ainda sentindo o remorso do que fez, o discípulo voltou a visitar aquela região e se surpreendeu com o que encontrou. Havia ali agora uma bela casa ali, a família estava bem vestida e já não faltava mais comida.

O discípulo quis saber o que aconteceu, e o pai da família respondeu: “Depois daquela noite que vocês estiveram aqui, nossa vaquinha caiu no precipício e morreu... Como não tínhamos mais nossa fonte de renda e sustento, fomos obrigados a procurar outras formas de sobreviver. Descobrimos muitas outras formas de ganhar dinheiro e desenvolvemos habilidades que nem sabíamos que éramos capazes de fazer.”

A lição dessa história taoista é clara. Quando sofremos uma perda, nos sentimos injustiçados porque estamos conformados com uma determinada posição em nossas vidas. Mas a perda também faz com que nos movemos, tentemos encontrar novas soluções, e às vezes é necessário perder para ganhar mais à frente. A sorte é sempre mais complexa do que aparenta à nossa consciência conformada.

Portanto, a terapêutica taoista se baseia no caminho do reconhecimento e da gratidão pelas coisas que acontecem em nossa vida, mesmo quando não as compreendemos bem.

Porém, é claro que há uma dificuldade em nos sentirmos gratos pelas coisas que nos causaram sofrimento. Nossa tendência é se rebelar contra o que nos fez sentir mal. Ninguém se sentiria contente ao perder sua vaca. Mas o que taoísmo nos ensina é que a gratidão deve ser, antes de tudo, uma prática de libertação.

Quando não conseguimos nos separar das coisas que nos causaram sofrimento, elas continuam presentes em nossa consciência, gerando novos sofrimento. Este é o ressentimento. Imagine se aquela família tivesse desistido de tudo após perder a vaca e passassem todos os dias apenas pensando no que perderam. Para não continuar carregando o sofrimento conosco, precisamos nos libertar dele, aceitando o seu lugar em nossa vida e criando novos caminhos para a nossa existência.

A terapêutica taoista nos ensina a aceitar o sofrimento sem culpa, e fazer disso algo melhor a cada dia.

Igor Teo é psicanalista e escritor. Para saber mais acesse o seu site pessoal.

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Crédito da imagem: Teresa Vega/Unsplash

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5.8.19

Os Filhos, de Khalil Gibran

Voltamos com mais um RECITAL, desta vez trazendo um trecho da obra-prima de Khalil Gibran. Nesta parte de "O Profeta", o grande poeta do Líbano nos fala sobre os filhos e o lugar de onde eles vêm: a Mansão do Amanhã. (edição por Colossi Estúdio Gráfico)

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