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11.2.21

Lançamento: Mulheres que inspiram

As Edições Textos para Reflexão publicam mais um livro gratuito, novamente unindo um grupo de amigas... e um amigo.

A história foi injusta com as mulheres. Dentro da cultura patriarcal, quantas delas tiveram suas trajetórias ocultadas pela narrativa dominante? Filósofas, poetisas, cientistas, artistas... enfim, mulheres. O livro Mulheres que inspiram pode ser visto como uma tentativa de recuperar essas histórias.

Um ebook já disponível na Amazon, Google Play e Kobo:

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28.9.15

Lançamento: A educação de Casanova

Neste conto em 10 capítulos, o autor nos convida a uma viagem por Istambul (Turquia), Las Vegas (EUA), Rio de Janeiro (Brasil) e, sobretudo, pelas profundezas da alma e da sexualidade humana. Uma história para amantes, amados, e para quem se dedica a amar mais e melhor a cada dia, um pensamento de cada vez...

Um e-book recomendado para maiores de 16 anos, que pode ser baixado ou lido gratuitamente nas seguintes lojas (em breve, também na Amazon):

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Eu considero este conto uma das melhores coisas que já escrevi, inclusive porque a inspiração para escrevê-lo surgiu aos poucos e de forma um tanto estranha. Primeiramente, me pareceu que se trataria de um conto erótico, e eu relutei por muito tempo em iniciá-lo... Quando finalmente comecei, percebi que seria uma aventura muito mais profunda do que havia imaginado de início.

Cada um dos três trechos em cidades diversas, que compõem juntos os 10 capítulos do conto, foi escrito em momentos diferentes, com intervalos de meses entre eles. No final, tudo acabou fazendo algum sentido, mas quando iniciei não fazia a menor ideia de para onde a história iria se encaminhar. Acredito que boa parte da "estranheza" do texto se refira também ao meu próprio sentimento de estranheza ante a sua temática e a inspiração que me impeliu a escrevê-lo.

É, enfim, um conto que superficialmente não tem muito a ver com a maior parte do que escrevo aqui no blog, mas se puderem mergulhar dentro dele, verão que acaba tendo tudo a ver... Boa leitura!

raph


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22.6.15

Olhos Azuis

Foi numa escola da pacata cidade de Riceville, no interior do estado de Iowa, nos Estados Unidos, que um dos experimentos sociológicos mais impactantes e esclarecedores do século passado foi primeiramente implementado em crianças, e nem mesmo Jane Elliott poderia prever a forma como ele moldaria as vidas de todos naquela classe infantil.

Era 5 de abril de 1968, e o célebre ativista dos direitos humanos, Martin Luther King Jr., acabara de ser assassinado no dia anterior. Jane pensou em como poderia ensinar sobre os efeitos devastadores do racismo na sociedade americana da época, e elaborou um experimento que duraria todo o dia de aula, onde as crianças (todas elas brancas, como Jane) seriam obrigadas a sentir na pele, ainda que de forma branda e temporária, o que significava exatamente ser um negro na sociedade da época.

Jane decidiu que as crianças de olhos castanhos seriam "inferiores", e deveriam usar uma espécie de colar pelo resto do dia de aula. Então, a professora passou o resto do dia incentivando os alunos de olhos azuis ou verdes, e descriminando os que usavam os colares... Ela mesma não sabia o que poderia ocorrer, mas aquele dia se tornou ao mesmo tempo traumático e inesquecível para boa parte dos seus alunos.

Desde então Jane teve de conviver com a raiva da maioria dos moradores da cidade, seus filhos foram importunados por boa parte da vida escolar, o restaurante dos seus pais fechou as portas por falta de clientes etc. Mas Jane não se arrependeu, não desistiu, pois ela compreendeu que havia tocado fundo na ferida, e que precisava seguir em frente se quisesse realmente fazer alguma diferença na conscientização das pessoas para este problema que, tantas vezes, é ignorado ou tratado como "algo de menor importância", ao menos pelo grupo dominante.

No documentário Blue Eyed (Olhos Azuis), que podemos assistir abaixo na íntegra, vemos como décadas depois o experimento de Jane ainda continua atual e impactante, mesmo quando aplicado a "adultos brancos de olhos azuis", em plena Nova York... Na cerca de uma hora e meia de filme, vemos como muitos adultos da classe dominante jamais tiveram alguma ideia de como é passar uma tarde sendo tratado como "inferior". Acredito que toda a experiência por que passaram foi muito importante para que passassem a enxergar o racismo pelo que ele realmente é, em essência: uma grandiosa e persistente ignorância.

Mas a grande questão é, "Terá mudado alguma coisa de 1968 para cá?". Sim, mudou, e para melhor, como deve ser... No entanto, como infelizmente costuma ocorrer, se trata de uma mudança lenta, lenta demais. Poderíamos erguer um céu de irmandade e tolerância neste mundo, mas para tal ainda falta nos livrarmos das travas da ignorância, uma reflexão de cada vez. Para você, também pode começar hoje:

Ao final da Segunda Guerra, quando eles limpavam os campos de concentração na Alemanha, um ministro luterano disse: "Quando se voltaram contra os judeus, eu não era judeu e não fiz nada. Quando se voltaram contra os homossexuais, eu não era homossexual e não fiz nada. Voltaram-se conta os ciganos e também não fiz nada. Quando se voltaram contra mim, não havia mais ninguém para me defender." Pensem sobre isso... (Jane Elliott)

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Crédito da foto: Google Image Search/Divulgação (Jane Elliott)

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23.9.14

Emma Watson e a igualdade de gêneros: "Se não agora, quando?"

O discurso integral de Emma Watson na ONU, para o lançamento da campanha pró-feminismo HeForShe. Tradução de Nathália Campos (via Facebook).


Hoje estamos aqui lançando a campanha HeForShe. Eu estou falando com vocês porque precisamos de ajuda. Queremos acabar com a desigualdade de gêneros - e pra fazer isso, todo mundo precisa estar envolvido.

Essa é a primeira campanha desse tipo na ONU. Precisamos mobilizar tantos homens e garotos quanto possível para a mudança. Não queremos só falar sobre isso. Queremos tentar e ter certeza que é tangível.

Eu fui apontada como embaixadora da boa vontade para a ONU Mulheres há seis meses e quanto mais eu falava sobre feminismo, mais eu me dava conta que lutar pelos direitos das mulheres muitas vezes virou sinônimo de odiar os homens. Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que isso tem que parar. Para registro, feminismo, por definição é a crença de que homens e mulheres devem ter oportunidades e direitos iguais. É a teoria da igualdade política, econômica e social entre os sexos.

Eu comecei a questionar as suposições baseadas em gênero quando eu tinha oito anos, fui chamada de mandona porque eu queria dirigir uma peça para nossos pais - mas os meninos não foram.

Aos quatorze anos, fui [precocemente] sexualizada por membros da imprensa. Com quinze anos, minhas amigas começaram a sair dos times esportivos porque não queriam parecer masculinas. Aos dezoito, meus amigos homens não podiam expressar seus sentimentos.

[Então] eu decidi que eu era uma feminista. Isso não parecia complicado pra mim. Mas minhas pesquisas recentes mostraram que feminismo virou uma palavra não muito popular. Aparentemente, eu estou entre as mulheres que são vistas como muito fortes, muito agressivas, anti homens, não atraentes...

Por que essa palavra se tornou tão impopular? Eu sou da Inglaterra e eu acho que é direito que me paguem o mesmo tanto que meus colegas de trabalho do sexo masculino. Eu acho que é direito tomar decisões sobre meu próprio corpo. Eu acho que é direito que mulheres estejam envolvidas e me representando em políticas e decisões tomadas no meu país. Eu acho que é direito que socialmente, eu receba o mesmo respeito que homens. Mas infelizmente, eu posso dizer que não existe nenhum país no mundo em que todas as mulheres possam esperar ver esses direitos. Nenhum país do mundo pode dizer ainda que alcançou igualdade de gêneros. Esses direitos são considerados direitos humanos, mas eu sou uma das sortudas.

Minha vida é de puro privilégio porque meus pais não me amaram menos porque eu nasci filha. Minha escola não me limitou porque eu era menina. Meus mentores não acharam que eu poderia ir menos longe porque posso ter filhos algum dia. Essas influências são as embaixadoras na igualdade de gêneros que me fizeram quem eu sou hoje. Eles podem não saber, mas são feministas necessários no mundo de hoje. Precisamos de mais desses.

Não é a palavra que é importante. É a ideia e ambição por trás dela, porque nem todas as mulheres receberam os mesmos direitos que eu. De fato, estatisticamente, muito poucas receberam. Em 1997, Hillary Clinton fez um famoso discurso em Pequim sobre direitos das mulheres. Infelizmente, muito do que ela queria mudar ainda é verdade hoje. Mas o que me impressionou foi que menos de 30% da audiência era masculina. Como nós podemos efetivar a mudança no mundo quando apenas metade dele é convidada a participar da conversa?

Homens, eu gostaria de usar essa oportunidade para apresentar o convite formal. Igualdade de gêneros é seu problema também. Até hoje eu vejo o papel do meu pai como pai ser menos válido na sociedade. Eu vi jovens homens sofrendo de doenças, incapazes de pedirem ajuda por medo de que isso os torne menos homens - de fato, no Reino Unido, suicídio é a maior causa de morte entre homens de 20-49 anos, superando acidentes de carro, câncer e doenças de coração. Eu vi homens frágeis e inseguros sobre o que constitui o sucesso masculino. Homens também não tem o benefício da igualdade.

Nós não queremos falar sobre homens sendo aprisionados pelos estereótipos de gênero, mas eles estão. Quando eles estiverem livres, as coisas vão mudar para as mulheres como consequência natural. Se homens não tem que ser agressivos, mulheres não serão obrigadas a serem submissas. Se homens não tem a necessidade de controlar, mulheres não precisarão ser controladas.

Tanto homens quando mulheres deveriam ser livres para serem sensíveis. Tanto homens e mulheres deveriam ser livres para serem fortes. É hora de começar a ver gênero como um espectro ao invés de dois conjuntos de ideais opostos. Deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nós definir pelo que somos.

Todos podemos ser mais livres e é isso que HeForShe é sobre. É sobre liberdade. Eu quero que os homens comecem essa luta para que suas filhas, irmãs e esposas possam se livrar do preconceito, mas também para que seus filhos tenham permissão para serem vulneráveis e humanos e fazendo isso, sejam uma versão mais completa de si mesmos.

Você pode pensar: “Quem é essa menina de Harry Potter? O que ela está fazendo na ONU?”. É uma boa questão e, acreditem em mim, eu tenho me perguntado a mesma coisa. Não sei se sou qualificada para estar aqui. Tudo que eu sei é que eu me importo com esse problema e eu quero melhorar isso. E tendo visto o que eu vi e sendo apresentada com a oportunidade, eu acho que é minha responsabilidade dizer algo. Edmund Burke disse: “Tudo que é preciso para que as forças do mal triunfem é que bons homens e mulheres não façam nada.”

Com os nervos a flor da pele por conta deste discurso e em um momento de dúvida eu disse pra mim mesma: “Se não eu, quem? Se não agora, quando?”. Se você tem as mesmas dúvidas quando apresentado uma oportunidade, eu espero que essas palavras possam ajudar.

Porque a realidade é que se a gente não fizer nada, vai demorar 75 anos, ou até eu ter quase 100 anos antes que mulheres possam esperar receber o mesmo tanto que os homens no trabalho. 15,5 milhões de garotas vão se casar nos próximos 16 anos como crianças. E nas taxas atuais não vai ser até 2086 que todas as crianças da África rural poderão receber educação fundamental.

Se você acredita em igualdade, você pode ser um desses feministas “sem saber” sobre os quais eu falei mais cedo. E por isso, eu te aplaudo.

Estamos lutando, mas a boa notícia é que temos a plataforma. É chamada HeForShe. Eu convido você a ir em frente, ser visto e se perguntar: “Se não eu, quem? Se não agora, quando?”

Obrigada.

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» Veja o discurso no YouTube (em inglês)

Crédito da imagem: Divulgação/HeForShe/ONU

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19.9.14

Caixas quebradas

» Conto pessoal, da série “Cotidianos”, com breves reflexões acerca dos eventos do dia a dia...


Há quase dez anos atrás eu vivenciei um instant karma, ou um carma instantâneo.

Somente quem passou por isso, e crê em carma, pode saber como é. Em todo caso, outro dia tentei descrever nas redes sociais, comentando uma notícia que tinha a ver com o tema:

Um dia eu fiquei muito revoltado com a minha mulher. Acabei dando um soco na lateral do armário, e toda a minha coleção de CDs de música caiu junto com uma prateleira que se deslocou da parte superior. Naquele momento eu pensei comigo mesmo: instant karma! Até hoje, quando vejo as caixas quebradas dos meus CDs ao abrir o armário, lembro da importante lição que aprendi da Natureza naquele dia...

A notícia em questão era uma notícia do blog do psiquiatra Jairo Bauer, onde ele trazia dados de um estudo realizado nos EUA que chegou a aterradora conclusão de que um em cada cinco americanos agredia a sua parceira.

Como era um canto das redes sociais frequentado por feministas, elas logo tratarem de me alertar:

Pesquisas indicam que o soco no armário é só o começo, depois você poderá estar dando um soco na cara da sua mulher, o que provavelmente é o que gostaria de ter feito!

Posso lhe garantir que o trauma que sua mulher passou não se compara as caixas quebradas dos seus CDs de música!

Vocês podem pensar que eu fiquei chateado com esse tipo de reação... Muito pelo contrário, é o tipo de reação que deveria se esperar de mulheres feministas que estão bem informadas sobre o quadro da violência doméstica no Brasil e no mundo. Melhor pecar pelo exagero do julgamento apressado do que pela leniência da maioria, que costuma dizer que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.

Mas talvez tivesse ajudado se eu houvesse explicado melhor o que eu senti exatamente naquele dia, há quase dez anos atrás...

Como eu estava com uma raiva muito súbita da minha mulher, achei por bem sair do quarto onde estávamos discutindo e ir para outro, e foi assim que entrei no quarto em que soquei a lateral do armário. Ora, é óbvio que eu soquei o armário por estar com raiva, é óbvio que se esta raiva não fosse tratada, compreendida e, quem sabe, domesticada, nalgum dia o alvo do meu soco poderia realmente ser o rosto da minha mulher – e isto é muito grave!

Mas não foi sem a ajuda do instant karma que eu consegui chegar a tal conclusão. Na verdade, eu não dou a mínima para as caixas quebradas dos CDs. De fato, se quisesse eu poderia ter comprado outros CDs. O que me interessa nas caixas quebradas é o símbolo que elas representam, e que me trazem a lembrança daquela vivência:

Quando vi toda a minha coleção de CDs no chão, foi como se ouvisse uma mensagem da Natureza: “Você tem certeza de que quer prosseguir neste caminho? Daqui para frente será só amor corrompido, e cada vez mais corrompido”.

Até hoje, toda vez que abro meu armário e troco de roupa, me lembro daquela mensagem da Natureza.


Um estudo do Ipea estima que, entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminicídios, ou seja, “mortes de mulheres por conflito de gênero”, especialmente em casos de agressão realizadas por parceiros íntimos. Esse número indica uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres. Neste país, a cada uma hora e meia, em média, morre uma mulher vítima da violência do seu companheiro.

Nos EUA, recentemente, imagens do circuito interno de um hotel flagraram um astro do futebol americano agredindo a sua esposa dentro do elevador. As imagens mostram que ela desmaiou com um único soco, que a fez bater com a cabeça no corrimão de aço do elevador. Alguns andares depois, o jogador a arrasta para fora do elevador e espera ela acordar, enquanto um funcionário do hotel tem o cuidado de segurar a porta para que não se fechasse nas pernas dela.

Devido a enorme pressão popular por conta da divulgação das imagens na web, o Baltimore Ravens, time pelo qual jogava, decidiu demiti-lo, enquanto a liga de futebol americano, a NFL, o suspendeu indefinidamente. Agressões de jogadores as suas esposas ocorrem há anos nos EUA, dificilmente tal caso teria esse desfecho não fosse pela divulgação das imagens.

Mesmo assim, esta foi a mensagem que a esposa agredida divulgou na web, no dia seguinte a agressão:

Tirar algo do homem que amo e que ele se dedicou por toda a vida apenas para ganhar audiência é horrível. Essa é nossa vida! Por que vocês não entendem? Se a intenção era nos machucar, nos envergonhar, nos fazer sentir solitários, tirar toda nossa felicidade, vocês tiverem sucesso.


Esses foram apenas alguns dados estatísticos que refletem o atual estágio de nossa sociedade. Aqui, nos EUA e em boa parte do dito mundo civilizado.

Já foi muito pior, é claro. Não muitos anos atrás a alegação de “legítima defesa da honra” ainda salvava muitos maridos homicidas da condenação pelos seus crimes. Após o caso Doca Street isso mudou. Mas ainda precisamos mudar muito, muito mais!

A própria Lei Maria da Penha, um marco na legislação brasileira, só conseguiu reduzir ligeiramente a mortalidade das mulheres nos primeiros anos após a sua implementação. Hoje a curva da violência doméstica letal já retornou aos mesmos patamares do período anterior a Lei.

Mas ao menos hoje em dia tal assunto não é mais varrido para debaixo do tapete. Ao menos hoje em dia muitos homens e mulheres, feministas ou não, já têm plena compreensão da devastação que a violência doméstica causa em nossa sociedade e em nossas relações, na maioria das vezes, silenciosamente.

O macho é educado para ser viril, para não chorar, para sustentar a casa, etc. Mas o macho também é educado para proteger suas famílias, seus filhos e, sobretudo, para nunca, em hipótese alguma, agredir uma mulher ou uma criança. Como podemos ver, a visão dos machos sobre a própria educação é um tanto quanto seletiva. Muitos provavelmente ainda achariam uma tragédia muito maior chorar em público do que ser visto agredindo a mulher... A educação dos machos falhou, é o que milhares de estatísticas demonstram.

Eu gostaria muito que todo o “homem macho” pudesse um dia sentir, vivenciar, o instant karma que eu passei. Eu gostaria de fazê-los compreender que este tal caminho de “ser muito macho” é uma dos caminhos mais nocivos e corruptores que o ser humano já inventou. Corruptor de almas, nocivo a própria vida.

Eu gostaria, enfim, que todos pudessem um dia ver a si mesmos como eu me vi naquelas caixas quebradas, que em realidade também eram o reflexo de uma alma que vinha se rachando...

Mas eu me consertei a tempo. Espero que outros tenham a mesma sorte. Mas, enquanto a sorte não vem, espero também que as suas companheiras compreendam, cada vez mais, que o amor não tem nada, absolutamente nada, a ver com qualquer tipo de violência.


Segundo a falsa ideia de que não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados. É assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a raiva, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, culpa seu organismo, acusando a Deus por suas próprias faltas. (Hahnemann)

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Crédito da imagem: Google Image Search/Conversation

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