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9.4.10

Um médium notável, parte 1

E lá se vão 100 anos do nascimento do maior médium brasileiro. Naturalmente que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema Chico Xavier: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crentes e incomodou os céticos, tentarei explicar o motivo...

Um breve resumo de sua vida se encontra na Wikipedia: Nascido de uma família pobre em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte, era filho de Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Educado na fé católica, Chico teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita em 1927, após fenômeno obsessivo verificado com uma de suas irmãs. Passa então a estudar e a desenvolver sua mediunidade que, como relata em nota no livro " Parnaso de Além-Túmulo", somente ganhou maior clareza em finais de 1931.

O seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido foi dado em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que "rompeu" com o catolicismo e escreveu seus primeiros livros. O mais conhecido dos espíritas brasileiros contribuiu para expandir o movimento espírita brasileiro e encorajar os espíritas a revelarem sua adesão à doutrina sistematizada por Allan Kardec.

Sua credibilidade serviu de incentivo para que médiuns espíritas e não-espíritas realizassem trabalhos espirituais abertos ao público. Chico é lembrado principalmente por suas obras assistenciais em Uberaba, cidade onde faleceu. Nos anos 1970 passou a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

Eis um homem praticamente inatacável: Doou todos os direitos autorais de suas obras para a caridade. Não foram poucas obras, nem produzidas nem vendidas. Houvesse retido os direitos, lucraria uma média de 670mil reais por ano (nos valores atuais) durante a vida [1]. Houve quem tentasse encontrar uma lógica absurda de lucro, baseada em “mimos” que as dezenas de editoras diferentes retornavam a Chico, mas o absurdo do ataque fala por si mesmo.

Nada consta, igualmente, de sua vida sexual: Passou a vida toda como assexuado, dedicando todo seu tempo a caridade, a produção literária (psicografias), ao trabalho (aposentou-se como escrivão e datilógrafo no Ministério da Agricultura) e a divulgação da doutrina espírita. Seu filho, Eurípedes, foi adotado, e hoje registrou a assinatura do pai, recebendo os 10% do lucro de tudo que é lançado com ela – inclusive os filmes (nem todos são "santos", obviamente).

A espiritualidade sempre se preocupou em manter Chico além de qualquer tipo de ataque. Pesquisando, encontramos fatos curiosos: o livro que deu origem ao filme com seu nome, “As vidas de Chico Xavier”, foi baseado numa pesquisa do jornalista – e cético – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Porém, não foi lançado após sua morte, a primeira edição consta de 1994 (mesmo a Wikipedia está errada). Ocorre que a pesquisa de Marcel foi “permitida” pelo guia de Chico porque este já sabia que ela seria muito importante para o futuro. E realmente foi: vendeu como água (e apareceu nos radares dos “céticos de plantão”, que perderam a oportunidade de analisá-la quase uma década antes) em 2002, após a morte de Chico (conforme a “profecia”, no dia em que o Brasil todo estava feliz, tendo ganho a Copa do Mundo).

Eis que uma biografia escrita por um cético gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista recaído sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Todos se disseram “mudados” pela história de Chico [2], e o filme já consta como a maior bilheteria de um lançamento do cinema nacional desde sua retomada em 1995. Não, Emmanuel não estava brincando em serviço, ele quis realmente se certificar que não teriam absolutamente nada para atacar tanto no livro quanto no filme (que, diga-se de passagem, também não tiveram envolvimento comercial com nenhuma editora espírita, nem com a FEB).

Sim, Emmanuel era chato mesmo. Se é verdade que tendia muito para o lado religioso da doutrina (já que fora na última encarnação o Padre Manuel da Nóbrega [3]), não se pode reclamar de seu cuidado com os mínimos detalhes da postura de Chico. Quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a famosa reportagem tentando desacreditá-lo (isso está descrito no livro de Marcel), para a reclamação de Chico o guia respondeu: “Jesus Cristo foi para cruz. Você foi para a Revista Cruzeiro”.

Até mesmo a questão do uso das perucas foi veementemente desaconselhada pelo guia – mas os cuidados com a aparência, ao seu gosto duvidoso, Chico fez questão de manter até o fim. Talvez, se mesmo nesse detalhe houvesse seguido a opinião de Emmanuel, muitos não o julgariam apressadamente como charlatão somente porque esconde a calvície (sim, para o ignorante qualquer motivo é motivo).

Em todo caso, os céticos nunca desistiram de tentar explicar o fenômeno da produção literária de Chico – mais de 400 livros de mais de 2mil supostos autores espirituais diferentes. Filtrando os ataques ad hominem falaciosos, chegamos a algumas suposições céticas dignas de nota:

Que era um leitor voraz
Se é verdade que Chico largou o colégio aos 13 anos (na quarta série do primário) para trabalhar, não é verdade que fosse um iletrado e ignorante completo. Sim ele certamente lia bastante, além de escrever cartas pessoais a amigos. Mas será que isso explica a maneira prolífera como escreveu em diversos gêneros literários, no mínimo em pé de igualdade com a qualidade dos supostos autores espirituais enquanto eram vivos? – E isso já desde as poesias de seu primeiro livro (talvez, não tenha iniciado pelas poesias sem razão).

Que possuía “vasta” biblioteca
Segundo consta, sua “vasta” biblioteca chegou um dia a possuir cerca de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico (ele não sabia ler hebraico). A lista inclui obras de pelo menos dois autores dos quais psicografou: Castro Alves e Humberto de Campos. Muito bem, isso talvez explicasse as psicografias desses autores, mas e quanto às centenas de outros autores? Será mesmo que em lendo “cerca de 500 livros e revistas” estaremos aptos a escrever livros com a quantidade e qualidade que Chico escreveu? Ora, a biblioteca ainda está lá em Uberaba, preservada pelo seu filho – enviemos então nossas crianças para lá, vamos criar uma nação de gênios da literatura!

Que sofria de criptomnésia
Este é um distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam que conhecem uma determinada informação. Segundo a teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Ora, digamos então que sua biblioteca aliada aos livros e revistas que eventualmente leu durante a vida expliquem como tais informações foram parar em seu inconsciente sem que ele soubesse – e quanto à poesia? E quanto aos livros científicos? E quanto às respostas sobre economia e outros assuntos totalmente fora de sua alçada que deu aos “inquisidores” da Revista Cruzeiro? E quanto às respostas em rede nacional que deu durante o Pinga-Fogo da TV Tupi? Como será que tal conjunto de informações gerou tamanho conhecimento, tamanha habilidade poética?
Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato um dia declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”.

Que comparecia a sessões de materialização de espíritos fraudulentas
Se são fraudulentas ou não, não vem ao caso comentar, pois não quero aqui convencer ninguém de realidade ou irrealidade da existência de espíritos e/ou materializações. Mas é necessário notar que tais episódios que (bem ou mal) exporam Chico ao ridículo da mídia da época foram cuidadosamente orquestrados (novamente) pelos “jornalistas” da Revista Cruzeiro [4]. A lição que ficou do episódio foi prontamente assimilada por Chico, tanto que se afastou da mídia por anos, até o retorno triunfal no Pinga-Fogo de 1971. Fossem as materializações reais ou não, o espiritismo não se presta a esse tipo de espetáculo. É uma doutrina de reforma íntima, de autoconhecimento, de caridade, não de shows de materialização. “Lição aprendida meu caro Emmanuel”!

Na continuação, algumas conclusões sobre tais suposições, e uma mensagem final...

***

[1] Segundo reportagem da Superinteressante de Abril de 2010, matéria da capa sobre Chico Xavier. Mesmo que não sejam valores exatos, certamente era muito, muito mais dinheiro do que a realidade de funcionário público (de baixo escalão) rendeu a ele durante a vida. Algumas citações no artigo (partes 1 e 2) foram retiradas da mesma reportagem.

[2] Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao espiritismo... Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo.

[3] Em sua época, de português antigo, o padre assinava os documentos como “Emmanuel”, daí ter mantido esta grafia.

[4] Outro episódio narrado no livro de Marcel Souto Maior: "As vidas de Chico Xavier".

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Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.

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21.1.10

Espiritualismo: o que a ciência pode estudar

Nesses mais de três anos de artigos, contos e poesias, este blog nunca pretendeu negar que trata de espiritualismo, apesar de também falar bastante sobre ciência e filosofia. Para os que me acompanham a algum tempo, devem ter notado que volta e meia falei sobre questões espiritualistas com certo ceticismo (espero que na medida certa). Isso porque acredito que não devemos impor crenças adiante, é bem melhor esperar que as pessoas se convençam por si mesmas (ou não, mas é importante não haver imposição de qualquer forma)...

Embora a questão espiritualista ainda esteja na maior parte intimamente ligada a experiência subjetiva, acredito que algumas questões podem, e devem, ser analisadas pela ciência. Ao falar sobre isso, vale lembrar que a ciência não é materialista nem espiritualista, e que tanto o materialismo quanto o dualismo são apenas teorias conceituais ainda não comprovadas. Não adiantará nada, portanto, visualizar tais questões com uma opnião (ou dogma) já formada, do tipo "espíritos não existem" ou "os espíritos de luz é que sabem das coisas" - nada disso irá contribuir para que alcancemos objetivamente a compreensão desses assuntos, que permeiam a história da humanidade desde antes da invenção das linguagens. Vamos aos casos:

1. Da consciência
Os dualistas acreditam na separação mente-corpo como duas entidades separadas. Na realidade essa separação, com o avanço da neurologia, hoje é compreendida como mente (ou consciência) e cérebro. Apesar da ciência ter conquistado avanços no estudo da mente humana, ao ponto de conseguir decodificar sinais motores e fazer macacos "pilotarem" membros robóticos a meio mundo de distância, ainda não se sabe onde está a "usina cerebral", o que exatamente ativa as correntes elétricas em questões mais complexas como decisões morais ou emoções como o amor. Este é o famoso problema difícil da consciência, mas engana-se quem pensa que todos os neurologistas sejam contrários a noção do dualismo.

Sir John Eccles, neurologista vencedor do prêmio Nobel de medicina de 1963, foi talvez o mais ilustre cientista a argumentar em favor da separação entre a mente e o cérebro. Ele dizia: "Nós, como pessoas que experienciam, não aceitamos tudo o que nos é fornecido por nosso instrumento, a máquina neuronal de nosso sistema sensorial e o cérebro, nós selecionamos tudo o que nos é fornecido de acordo com o interesse e a atenção, e modificamos as ações do cérebro, através do 'eu'" - em suma, Eccles apenas defendia uma característica até mesmo óbvia que surpreendentemente escapou ao olhar atento de muitos cientistas (e ainda escapa): que alguma coisa em nós faz escolhas, simples e complexas, e que não sabemos exatamente onde esse 'eu' está fisicamente no cérebro (se é que está lá, ou apenas lá).

Outro defensor dessa teoria é Bahram Elahi, especialisa em cirurgia e anatomia. Diz ele que embora a mente e o cérebro sejam separados, a mente (ou consciência) não é algo imaterial. Ao contrário, é composta de um tipo de matéria muito sutil que, embora ainda não-descoberta, é conceituamente semelhante às ondas eletromagnéticas, que são capazes de carregar sons e figuras (e mesmo videos - figuras em movimento), e são governadas por leis, axiomas e teoremas precisos. Ele teoriza que tudo relacionado a esta "entidade" deve ser considerado como uma disciplina científica não-descoberta, e estudada da mesma maneira objetiva que outras disciplinas (como química ou biologia, por exemplo). A consciência pode, portanto, ser formada por algum tipo de substância material sutil demais para ser medida ou detectada utilizando as ferramentas científicas disponíveis hoje.

Para saber mais: Reflexões sobre a consciência

2. Da memória de vidas passadas
Muitos acreditam que "lembrar de vidas passadas" seja um delírio ocasionado por estados de consciência alterada. Entretanto, nas práticas de Terapia de Regressão de Memória a Vidas Passadas tem sido realizada a décadas nos EUA, no Brasil e no mundo, com considerável porcentagem de sucesso - ou seja, no sentido de serem benéficas para a patologia do paciente. No entanto, é óbvio que esse tipo de experiência não pode ser analisada objetivamente, e é muito difícil encontrar casos onde adultos tenham memórias vívidas o suficiente para, por exemplo, encontrar seu endereço ou árvore genealógica de vidas passadas.

Já no caso das crianças, o assunto é bem mais interessante. Desde os estudos de Ian Stevenson nos países do sul da Ásia, a ciência tem estudado de forma mais séria essa possibilidade. Até mesmo na "bíblia do ceticismo", Carl Sagan admite que a questão merece um estudo aprofundado (embora faça questão de afirmar que não crê na possibilidade das vidas passadas). Ora, se crianças podem descrever parentes de vidas passadas com exatidão, e reconhece-los ainda vivos, além de muitas vezes poderem descrever a região e o endereço de onde viveram, é porque algum tipo de informação é passada adiante, e não de mãe para filho. Aí temos uma possibilidade intrigante, mas que é avassaladoramente ignorada pela ciência moderna, independente das evidências. Algumas dessas evidências são tão fortes que fica difícil pensar em outra hipótese, como no caso do garoto americano, filho de protestantes, e que lembrou-se de outra vida onde morreu em um combate aéreo na Segunda Guerra Mundial.

Aparentemente, são os grandes traumas ou emoções fortes os únicos capazes de fazer com que, em uma suposta "outra vida", o ser se lembre do que ocorreu na vida imediatamente anterior. Aqui temos uma hipótese onde a ciência pode começar a avalisar caso a caso, embora eles sejam raros...

Para saber mais: Crianças que se lembram de vidas passadas

3. Da mediunidade
Essa é de longe a questão mais polêmica a vista, pois é atacada por duas frentes: os céticos que se escandalizam com a possibilidade, e os evangélicos que atribuem quase todas as práticas a necromancia ou "tratos com o demônio" (ainda que Jesus tenha, aparentemente, conversado com Moisés em uma tenda). Mediunidade é a capacidade de detectar os espíritos, ou consciências fora de um corpo físico, através de sentidos que a ciência ainda não compreende bem. Lógico que, a alternativa de ser tudo delírio ou esquizofrenia dos médiuns é igualmente válida. Falta no entanto a ciência explicar que tipo de delírio é esse, que dura alguns minutos e efetivamente altera o funcionamento cerebral, mas que depois deixa o médium tão normal quanto sempre fora: sem nenhuma sequela para sua vida (o que, aliás, já descaracteriza o rótulo de "doença").

Aqui no blog estudamos as cirurgas espirituais de João de Deus, e contrastamos o estudo da Associação Médica Brasileira com as alegações do dismistificador americano, James Randi, de que as cirurgias eram "truaques de mágica": fica evidente que, independente de haver ou não cura efetiva (o que não é comprovado), as cirurgias são reais. Esperamos que mais médicos tenham a coragem de continuar com o estudo em torno desse médium conhecido internacionalmente, embora tão polêmico (e não negamos: ele não é exatamente um ser iluminado, é até bem humano).

A grande questão da meduinidade é: "de onde diabos vem as informações, talentos e habilidades desconhecidos do médium, quando este está em transe mediúnico?" - Há muito tempo mostramos um vídeo com as psicopictografias de Gasparetto, este é um exemplo, pois fora do transe Gasparetto é um pintor medíocre... E o que dizer então de um dos maiores médiuns da história moderna? Chico Xavier sequer entrou na faculdade, e tinha habilidades literárias absolutamente limitadas, no entanto escreveu centenas de livros em estilos que vão desde a poesia espiritualista a divulgação científica - no seu "Mecanismos da Mediunidade", psicografado em pareceria com Waldo Vieira, separados por centenas de quilômetros - o que não impediu que os capítulos se "casassem" perfeitamente. Ora, de onde vem essas informações? Inconsciente Coletivo de Jung? Os memes de Dawkins? Para quem não ignora as evidências, essas podem ser questões para a ciência do futuro.

Para saber mais: Introdução a psicografia

4. Da projeciologia
Waldo Vieira já foi um dos grandes parceiros de Chico Xavier na psicografia de livros em conjunto. Em dado momento, porém, se desiliudiu com os rumos do espiritismo no Brasil, provavelmente por achar que estava se tornando "demasiadamente dogmático". Decidiu então abandonar o aspecto religioso, e investir no científico: há muitos anos mantém estudos quase herméticos em seu Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia. Ele insiste em criar termos técnicos que dizem algo somente aos "iniciados", mas talvez toda a base de conhecimento que ele esteja montando seja ainda um legado para o futuro, quando a neurologia finalmente chegar a um entendimento mais abrangente da consciência e suas capacidades.

Estudos objetivos, no entanto, podem ser realizados aos montes. Em documentários internacionais, são demonstradas as experiências na "academia" de Waldo Vieira, onde pessoas em projeção tentam visualizar imagens randômicas mostradas por um monitor de computador trancado em uma sala a parte. Por menor que fosse a porcentagem de acerto, ela seria surpeendente - e ocorre que ela é bem maior do que seria de se esperar. Serão fraudes tais experimentos? Os projeciologistas não se importam que céticos apareçam para estudar o fenômeno - o problema é que esse tipo de fenômeno a ciência moderna adora ignorar.

Para saber mais: Viagem astral: fora ou dentro?

5. Outros fenômenos
Ainda temos artigos que citam outras hipóteses espiritualistas que ainda não foram analisadas com maior detalhe no blog: A aparente capacidade de certos monges de ficarem dias sem comer nem beber, ou mesmo absolutamente imóveis (embora não acredite que Ram Bonjam fique realmente tanto tempo imóvel quanto afirmam, o experimento com o yogi Prahlad Jani é absolutamente válido para a ciência); Os cristais na glândula pineal, detectados pelos estudos do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, e que podem talvez explicar finalmente o mecanismo da mediunidade pela percepção de ondas eletromagnéticas; A eficácia de tratamentos alternativos como a acupuntura e a homeopatia, que atestam que ainda falta muito para a ciência estudar acerca do efeito placebo-nocebo.

Certamente temos muitos, muitos fenômenos, que merecem um olhar mais cuidadoso da ciência, independentemente da polêmica que suscitam. Os grandes cientistas e pesquisadores são aqueles efetivamente curiosos em desvelar a natureza, independentemente de crenças e descrenças que, no final das contas, nada tem a ver com a ciência em si. Talvez um pouco de anarquia, por incrível que pareça, possa efetivamente ser benéfico para a ciência moderna, pelo menos é o que pensava Paul Feyerabend. E olhem que ainda nem falei sobre o Dr. Sam Parnia e seu estudo inovador sobre as Experiências de Quase Morte (EQMs), me aguardem!

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Leitura recomendada (livros): Twenty Cases Suggestive of Reincarnation, de Ian Stevenson; Life before life, de Jim Tucker; Varieties of religious experience, de William James; A volta, do casal Leininger (sobre um caso forte de reencarnação); O que acontece quando morremos, do Dr. Sam Parnia; O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec; As vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Maior; Encontros com médiuns notáveis, de Waldemar Falcão.

Leitura recomendada (online): paraPsi (blog que analisa com detalhe extremo os fenômenos ditos "paranormais"); Teoria da Conspiração (blog do ocultista Marcelo Del Debbio, que analisa muitas dessas questões de forma racional, com base na mitologia); Saindo da Matrix (blog espiritualista, nesse link temos apenas os artigos sobre espiritismo).

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Crédito da foto: Photo Blues

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8.7.09

Preto Velho

Sou preto. Negro como a noite sem estrelas.

Sou velho. Velho como as vidas de meus irmãos.

Mas se sou ainda negro, é porque trago em mim as marcas do tempo, as marcas do Cristo. Essas marcas são as estrelas de minha alma, de minha vida.

Sou negro. Mas a brancura do linho se estampa na simplicidade do meu olhar, que tenta ver apenas o lado bonito da vida.

Sou velho, sim. Mas é na experiência da vida que se adquire a verdadeira sabedoria, aquela que vem do Alto. Sou velho. Velho no falar; velho na mensagem, velho nas tentativas de acertar.

A minha força, eu a construí na vida, na dor, no sofrimento. Não no sofrimento como alguns entendem, mas naquele decorrente das lutas, das dificuldades do caminho, da força empreendida na subida.

A força da vida se estrutura nas vivências. É à medida que construímos nossa experiência que essa força se apodera de nós, nos envolve e nós então nos saturamos dela. É a força e a coragem de ser você mesmo, do não se acovardar diante das lutas, de continuar tentando.

Sou forte.

Mas quando me deixo encher de pretensões, então eu descubro que sou fraco. Quando aprendo a sair de mim mesmo e ir em direção ao próximo, aí eu sei que me fortaleço.

Sou andarilho.

Eu sou preto, sou velho, sou humano. Sou como você, sou espírito. Sou errante, aprendiz de mim mesmo.

Na estrada da vida, aprendi que até hoje, e possivelmente para sempre, serei apenas o aprendiz da vida.

Pelas estradas da vida eu corro, eu ando.

Tudo isso para aprender que, como você, eu sou um cidadão do universo, viajor do mundo. Sou um semeador da paz.

Sou preto, sou velho, sou espírito.

Pai João de Aruanda (psicografia de Robson Pinheiro em seu livro Sabedoria de Preto Velho - ed. Casa dos Espíritos)

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Para quem é espírito, ser preto ou branco, velho ou jovem, é tudo uma questão secundária...


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18.2.09

Introdução a psicografia

Normalmente eu não gosto de postar esse tipo de reportagem de TV, pois fica parecendo que estou apenas tentando fazer "divulgação". Mas nesse caso dessa reportagem sobre psicografia e espiritismo no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga na Rede Globo, acredito que seja válida a postagem devido a algumas reflexões interessantes que podemos retirar dali; seja para céticos, seja para espíritas, seja para não-espíritas porém religiosos.

Além das explicações simples e didáticas sobre a origem da doutrina espírita e da psicografia de acordo com o espiritismo, temos a presença de Divaldo Pereira Franco que, além de dar em vídeo prévio um depoimento interessante sobre como iniciou na mediunidade (que pode ser entendido de várias formas pelos céticos), dá algumas explicações sobre a doutrina. De qualquer forma, o interessante é atentar aos fatos que Ana Maria expõe: que Divaldo ajuda com sua obra social, a Mansão do Caminho, mais de 5 mil pessoas diretamente (ele tem 600 filhos adotivos e 200 netos); que já psicografoiu e publicou mais de 200 livros, alguns traduzidos para até 16 idiomas diversos (toda renda vai para caridade); e finalmente, que já fez mais de 11 mil conferências em 2 mil cidades em todo o Brasil e em 62 países, e continua fazendo mesmo com mais de 80 anos de idade (nesse caso, julguemo-o, céticos ou não, por suas obras, independente de sua crença).

Ainda temos o exemplo de um menino prodígio no piano, que praticamente "naseceu sabendo como toca-lo magistralmente". Dentre outros fatos ocorridos com o menino (como "aprender" a tocar músicas que "ouviu dormindo em um teatro"), Divlado traz a explicação espírita de que se trata de reencarnação (neurologistas como Oliver Sacks, que estudam autistas savants, tem outra opinião, mas o fato é que a ciência não explica por onde vem toda essa genialidade). O fato é que casos parecidos existem aos montes pelo mundo.

Depois temos o depoimento de um pai que perdeu o filho e, através de carta psicografada por Chico Xavier, obteve a certeza de que ele ainda existia consciente em algum lugar. Este pai teve o cuidado de conferir algumas informações na carta, além de nomes de diversos familiares, o cálculo do tempo exato em que esteve vivo na última encarnação (até as horas e minutos), o que nem mesmo o próprio pai havia calculado, mas que se mostrou exato. O último depoimento fica por conta de uma atriz veterana que perdeu 2 de seus filhos e encontrou consolo na doutrina espírita por intermédio do saudoso diretor da Globo, Augusto César Vannucci, que lhe "emprestou" o Ev. Segundo o Espiritismo para leitura. Apesar de ser apenas uma afirmação de crença (o que para os céticos não significa muito), é inegável o quanto seu depoimento emocionou a todos.

Fato é que o espiritismo encontra cada vez mais espaço na mídia, e não apenas no Brasil como em universidades emblemáticas ao redor do mundo. Isso tudo sem pretender "evangelizar" ninguém, sem cobrar dízimos (nada contra, apenas registrando o fato aqui) e doando-se a caridade e a reforma moral como maior objetivo. Cada um julgue o espiritismo conforme sua consciência, porém vale lembrar da frase de Divaldo lá pelo fim da reportagem:

"A mensagem espírita não é uma mensagem ortodoxa. Nós respeitamos todas as religiões e não-religiões. Para nós o importante não é ter uma crença, é ter uma conduta (moral). E nós optamos as vezes por um indivíduo sem religião, mas bom cidadão, do que por um religioso mal-cidadão."

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Obs: Caso o vídeo acima não carregue, tente abri-lo no próprio site do programa.

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