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20.7.10

Reflexões sobre a perfeição, parte 3

Continuando da parte 2

Em busca da Teoria do Tudo

Tenho um amigo matemático – Guilherme Tomishiyo – que ousa afirmar que a matemática é mais arte do que ciência. Vejamos seu pensamento acerca do assunto:

“O motivo pra mim da matemática não ser uma ciência, ao menos uma ciência natural – que estuda a natureza –, é que ela não parte de observações da mesma.

Um matemático não analisa um aspecto do mundo natural e tenta traduzir aquilo. Ele parte de axiomas e constrói daí um sistema lógico. Eu diria que ela é o estudo dos padrões. Quem estuda matemática sabe que números são apenas uma parte, a grande maioria dela não está nem um pouco relacionada com isso.

Uma coisa que eu acho estupidamente bela na matemática é o seu aspecto ontológico. Daqui a mil anos, podemos descobrir que Einstein esteve errado, e a sua teoria inteira não passava de um caso particular de uma teoria mais geral (como foi com Newton), mas daqui a 10 mil anos, o Teorema de Pitágoras continuará sendo verdadeiro, assim como todos os teoremas já demonstrados até o momento.

O teor artístico da matemática é inegável. A criatividade – mesmo para conjecturar alguns fatores – é sublime.”

Por muitos e muitos anos a física experimental esteve sempre à frente da física teórica – primeiro a natureza era observada, experimentada, e somente após os cientistas tentavam explicar o mecanismo natural através de suas equações e teorias... Ultimamente, entretanto, isto se inverteu...

Desde a formulação das teorias da relatividade e da mecânica quântica, os físicos vêm tentando unir todas as forças da natureza em uma espécie de Teoria do Tudo. Assim como Maxwell conseguiu unificar a eletricidade e o magnetismo em uma elegante matemática, Einstein e muitos outros gênios científicos vêm tentando unir o eletromagnetismo as forças nucleares (forte e fraca) e a gravidade. Até agora, a única teoria que obteve sucesso considerável foi à teoria das supercordas ou Teoria-M (não me pergunte sobre o que significa o “M”).

Essa teoria postula que os elementos mais fundamentais da matéria não são pontos e/ou partículas, e sim cordas muito, muito pequenas, em eterna vibração... Da amplitude de suas vibrações partículas de maior ou menor massa são criadas, e o universo se trona uma elegante sinfonia cósmica.

O grande problema da Teoria-M, entretanto, é que ela não pode ser testada! Não dispomos da tecnologia necessária para chegar sequer próximo da energia necessária para detectarmos uma supercorda (ou p-brana). Entretanto, físicos de toda a parte do mundo a estudam a décadas, simplesmente porque sua matemática lhes parece bela e simétrica, com a vantagem de que a gravidade se adequou as suas equações desde os primeiros esboços da teoria. Mas, seria esse sentimento de beleza suficiente para garantir a veracidade de uma teoria?

Brian Greene, um dos grandes defensores da Teoria-M, admite que a simetria da natureza atraí certos cientistas:

“Os cientistas descrevem duas propriedades das leis físicas - o fato de que elas não dependem da ocasião (tempo) ou do lugar (espaço) em que foram invocadas - como simetrias da natureza. Com isso eles querem referir-se ao fato de que a natureza trata todos os momentos do tempo e todos os lugares do espaço de forma idêntica - simétrica -, fazendo com que as mesmas leis estejam em operação em todas as partes. O efeito causado por essas simetrias é o mesmo que exercem na música e na arte em geral - o de uma profunda satisfação; eles revelam ordem e coerência no funcionamento da natureza. A elegância, a riqueza, a complexidade e a diversidade dos fenômenos naturais que decorrem de um conjunto simples de leis universais é parte integrante do que os cientistas querem dizer quando empregam o termo "beleza".”

Já o físico brasileiro Marcelo Gleiser recentemente passou a criticar ferozmente esse tipo de “utopia estética” na ciência:

“A noção de que a natureza é perfeita e pode ser decifrada pela aplicação sistemática do método reducionista precisa ser abolida. Muito mais de acordo com as descobertas da ciência moderna é que devemos adotar uma abordagem múltipla, e que junto ao reducionismo precisamos utilizar outros métodos para lidar com sistemas mais complexos. Claro, tudo ainda dentro dos parâmetros das ciências naturais, mas aceitando que a natureza é imperfeita e que a ordem que tanto procuramos é, na verdade, uma expressão da ordem que buscamos em nós mesmos.
 
É bom lembrar que a ciência cria modelos que descrevem a realidade; esses modelos não são a realidade, só nossas representações dela. As "verdades" que tanto admiramos são aproximações do que de fato ocorre. As simetrias jamais são exatas. O surpreendente na natureza não é a sua perfeição, mas o fato de a matéria, após bilhões de anos, ter evoluído a ponto de criar entidades capazes de se questionarem sobre a sua existência.”

Espinosa concluiu que o conceito de perfeição só pode ser aplicado às obras humanas, pois que essas podem já ter terminado... Como os quadros e as esculturas dos grandes artistas da Renascença. Talvez o mesmo possa ser dito dos teoremas matemáticos – que são perfeitos porque já foram terminados... Mas, e o que isso tem a ver com a natureza, com a imensidão cósmica a nossa volta?

Eu disse que muita ciência e/ou muita religião nos aproximam e desvelam a Deus... Mas não seria então um “deus imperfeito”? Um “deus ausente” que irradiou o Cosmos à partir de si mesmo somente para deixar-nos a mercê desse eterno baile de partículas e poeira? Existe algum sentido em todo esse infinito a nossa volta? Onde estará à perfeição prometida pelos profetas, o céu que aguardamos para descansar?

Isso nós descobriremos a seguir, seguindo pelo caminho do pólen (dentre outros)...

***

Crédito da imagem: mib_hr

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5.6.09

Aqui está minha teoria das cordas

É isso que Nassim Haramein diz ao desligar o curioso aparelho que, através da vibração de uma simples corda em meio a projeção de luz, demonstra de forma belíssima os padrões vibratórios das ondas, que na verdade nada mais são do que vórtices em 3D se movendo através do tecido do espaço-tempo [1]. O Cosmos não é 2D e por isso mesmo Haramein corrige nossa visão mental das ondas: pois nunca foram ondas, e sim vórtices. Continuamos na sua longa palestra em 45 parte do YouTube [2], que vem sendo legendada aos poucos por Deusmihifortis e outros usuários, esta é a de número 22:

[1] Claro que Haramein está apenas fazendo uma analogia cômica com a teoria das cordas, que trata de cordas tão minúsculas que não podem ser visualizadas por nenhum aparelho conhecido do homem. O aparelho em questão usa uma simples corda (macroscópica) para uma demonstração de como ondas se movem pelo espaço tridimensional. Entretanto, vendo sob outro ângulo mais oculto, a analogia talvez não seja tão cômica assim.

[2] Para continuar vendo, na sequência deste primeiro vídeo no link, basta ir clicando em "Este vídeo é uma resposta a..." logo abaixo dos videos no YouTube.

» Todos os posts sobre Nassim Haramein

Nota: Nassim Haramein até hoje não tem trabalhos científicos publicados em sites ou revistas de renome, e suas teorias não são consideradas de forma séria (ao menos até o momento) pela comunidade científica internacional. Isso não quer dizer que seja um charlatão ou uma fraude, apenas um homem com idéias heterodoxas acerca da geometria do Cosmos.

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28.4.09

Rumo as estrelas

Texto de Brian Greene no "Universo Elegante" (ed. Cia das Letras)

Embora estejamos tecnologicamente ligados à Terra e às suas cercanias no sistema solar, o poder do pensamento e da experimentação nos permite sondar as profundidades do espaço exterior e do espaço interior. Particularmente durante os últimos cem anos, o esforço coletivo de muitos físicos revelou alguns dos segredos mais bem guardados da natureza. E uma vez reveladas, essas jóias explicativas abriram novos panoramas sobre um mundo que pensávamos conhecer mas cujo esplendor nem sequer chegáramos perto de imaginar. Uma maneira de medir a profundidade de uma teoria física é verificar até que ponto ela desafia aspectos da nossa visão de mundo que antes pareciam imutáveis. Sob esse ponto de vista, a mecânica quântica e as teorias da relatividade foram muito além das nossas expectativas mais ousadas: funções de ondas, probabilidades, tunelamento quântico, o incessante tumulto das flutuações de energia no vácuo, o entrelaçamento do espaço e do tempo, a natureza relativa da simultaneidade, a curvatura do tecido do espaço-tempo, os buracos negros e o big-bang. Quem poderia pensar que a perspectiva intuitiva, mecânica e precisa de Newton se tornaria tão provinciana — que havia um mundo novo e extraordinário logo abaixo da superfície das coisas que vemos todos os dias?

Mas mesmo essas descobertas que sacodem os nossos paradigmas são apenas uma parte de uma história maior, que tudo abarca. Com uma fé inquebrantável em que as leis do que é pequeno e as do que é grande devem harmonizar-se em um conjunto coerente, os físicos prosseguem em sua luta incessante por encontrar a teoria definitiva. A busca ainda não terminou, mas a teoria das supercordas e a sua evolução em termos da teoria M já fizeram surgir um esquema convincente para a fusão entre a mecânica quântica, a relatividade geral e as forças forte, fraca e eletromagnética. Os desafios trazidos por esses avanços à nossa maneira de ver o mundo são monumentais: laços de cordas e glóbulos oscilantes que unem toda a criação em padrões vibratórios executados meticulosamente em um universo que tem numerosas dimensões escondidas, capazes de sofrer contorções extremas, nas quais o seu tecido espacial se rompe e depois se repara. Quem poderia ter imaginado que a unificação entre a gravidade e a mecânica quântica em uma teoria unificada de toda a matéria e de todas as forças provocaria uma tal revolução no nosso entendimento de como o universo funciona?

Não há dúvida de que encontraremos surpresas ainda maiores à medida que avançarmos na nossa busca de entender a teoria das supercordas de maneira total e factível do ponto de vista do cálculo. O estudo da teoria M já nos propiciou vislumbrar um reino estranho no universo, abaixo da distância de Planck, em que possivelmente não vigoram as noções de espaço e de tempo. No extremo oposto vimos também que o nosso universo pode ser simplesmente uma dentre inumeráveis bolhas que se espalham pela superfície de um oceano cósmico vasto e turbulento chamado multiverso. Essas idéias estão na vanguarda das especulações atuais e pressagiam os próximos saltos pêlos quais passará a nossa concepção do universo.

Temos os olhos fixos no futuro, à espera dos deslumbramentos que nos estão reservados, mas não devemos deixar de olhar também para trás e maravilhar-nos com a viagem que já fizemos. A busca das leis fundamentais do universo é um drama eminentemente humano, que expande a nossa visão mental e enriquece o nosso espírito. Einstein deu-nos uma descrição vívida da sua própria luta por compreender a gravidade: "os anos ansiosos da busca no escuro, que provocavam sentimentos intensos de angústia e alternâncias entre estados de confiança e de exaustão, e, finalmente, a luz". Aí vemos a profundidade desse drama humano. Todos nós buscamos a verdade, cada qual à sua maneira, e todos esperamos um dia poder dizer que sabemos por que estamos aqui. À medida que subimos a montanha do conhecimento, cada nova geração apoia-se sobre os ombros da anterior, aproximando-se coletivamente do cume. Não temos como prever se algum dia os nossos descendentes chegarão ao topo e gozarão da soberba vista que se abre sobre a vastidão e a elegância do universo, com clareza infinita. Mas ao trilharmos o caminho, subindo um pouco a cada nova geração, realizamos as palavras de Jacob Bronowski, que dizia que "a cada época corresponde um ponto de inflexão, uma nova maneira de ver e de afirmar a coerência do mundo". Hoje a nossa geração se maravilha com a nossa nova visão do universo — a nova maneira de afirmar a coerência do mundo — e cumpre assim o seu papel, contribuindo com um degrau a mais na escada humana que conduz às estrelas.

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Crédito da foto: mib_hr

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22.4.09

Física, arte e simetria

Texto de Brian Greene no "Universo Elegante" (ed. Cia das Letras)

Juízos estéticos não solucionam problemas científicos. Em última análise, as teorias são julgadas pela maneira como se comportam diante dos resultados frios e implacáveis das experiências. Essa última observação merece, no entanto, uma qualificação de imensa importância. Enquanto uma teoria está em construção, o seu estado incompleto de desenvolvimento muitas vezes impede a comprovação experimental de suas implicações específicas. De toda maneira, os físicos são forçados a fazer escolhas e julgamentos a respeito da direção a ser dada às pesquisas relativas à nova teoria. Algumas dessas decisões são ditadas pela coerência lógica interna; é justo requerer que uma teoria sensata não caia em absurdos lógicos. Outras decisões são guiadas por uma avaliação das implicações qualitativas das experiências realizadas em um contexto teórico com relação a outro; em geral, não nos disperta interesse uma teoria que não tenha a capacidade de relacionar-se com alguma coisa que exista no mundo à nossa volta.

Mas é bem verdade que algumas decisões dos físicos teóricos baseiam-se no sentido da estética - a sensação de que as estruturas teóricas têm uma elegância e uma beleza naturais, que condizem com o que vemos no mundo físico. Evidentemente, nada garante que essa estratégia conduza à verdade. Quem sabe, no âmbito mais profundo, a estrutura do universo não é tão elegante quanto a nossa experiência nos levou a crer, ou quem sabe, ainda, venhamos a descobrir que os nossos critérios estéticos precisam sofisticar-se muito mais para que possamos aplicá-los a situações pouco comuns.

De todo modo, especialmente agora, quando entramos em uma era em nossas teorias descrevem áreas do universo que dificilmente podem ser alcançadas experimentalmente, os físicos recorrem à estética para guiá-los pelos caminhos, e evitar obstáculos e becos sem saída. Até aqui, esse procedimento tem propiciado orientação válida e esclarecedora.

Na física como na arte, a simetria é parte integrante da estética. Mas na física, ao contrário da arte, a simetria tem um significado muito concreto e preciso.

(...)

Os cientistas descrevem duas propriedades das leis físicas - o fato de que elas não dependem da ocasião (tempo) ou do lugar (espaço) em que foram invocadas - como simetrias da natureza. Com isso eles querem referir-se ao fato de que a natureza trata todos os momentos do tempo e todos os lugares do espaço de forma idêntica - simétrica -, fazendo com que as mesmas leis estejam em operação em todas as partes. O efeito causado por essas simetrias é o mesmo que exercem na música e na arte em geral - o de uma profunda satisfação; eles revelam ordem e coerência no funcionamento da natureza. A elegância, a riqueza, a complexidade e a diversidade dos fenômenos naturais que decorrem de um conjunto simples de leis universais é parte integrante do que os cientistas querem dizer quando empregam o termo "beleza".

(...)

Na verdade, seguindo cuidadosamente essa noção precisa de simetria até as suas últimas implicações matemáticas, no transcurso das últimas décadas os cientistas apresentaram teorias em que as partículas de matéria e as partículas mensageiras têm uma relação muito mais íntima do que antes se pensava ser possível. Tais teorias, que unem não só as forças da natureza mas também os componentes materiais, contêm o maior grau possível de simetria e por essa razão são chamadas supersimétricas. A teoria das supercordas é, ao mesmo tempo, a pioneira e o exemplo máximo dos esquemas supersimétricos.

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Crédito da imagem: Mandelbot set (passo 11)

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11.4.08

A pergunta de Aristóteles

Esse tópico resultou em uma discussão bem interessante na comunidade Física Quântica, a Revolução, do Orkut.

*

Abenides
Faz mais de 2.500 anos que Aristóteles perguntou: Como o espírito se une ao corpo? Esta pergunta já foi respondida?

Ivan
Essas ainda nao me responderam: Espiritos existem? Como EXATAMENTE eles sao?

Abenides
MENTE EXISTE? Como exatamente ela é?

Ivan
Mente eh o nome que damos a nossa capacidade de sabermos que existimos e de perceber o nosso meio. Mas realmente nao sabemos ainda como ela funciona (mas a neurociencia ja esta chegando a bons resultados).
Quanto a espiritos, cabe a voce mostrar que eles existem (o onus da prova eh de quem afirma e nao de quem nega).

Abenides
Eu busco saber como a mente funciona. Veja o meu raciocínio: O homem para conhecer o seu corpo físico, dissecou-o e descobriu que tinha vários sistemas funcionando tais como: sistema circulatório, sistema disgestivo, etc. Para conhecer a composição psicoespiritual necessita-se dissecar a mente, a sensibilidade para descobrir os sistemas que faz com que ela funcione.
Quando eu falo de espírito eu não estou me referindo ao espírito do espiritismo. Me refiro ao prolongamento da mente, onde ainda não chegamos para conhecer. Ou você acha que o limite da mente humana é o conhecimento onde se chegou? A mente vai além daquilo que conhecemos atualmente, entra pelo lado da consciência, e vai além. Eu estudo uma mente que pode ir além. Como não tenho outra palavra melhor me utilizo da palavra espírito, mas poderemos batizá-la como um nome mais apropriado quando descobrirmos mais da sua essência. Me entende?

Ivan
Mas pode nao ser. Um dia tudo ja teve uma explicaçao mistica, mas aos poucos foi se mostrando que a natureza eh simples e tem um funcionamento preciso independente de existirmos ou nao. A mente ainda eh algo pouco explorado porque o sistema neurologico eh extremamente complexo e dificil de estudar. Eh muito consideravel que sejamos produto das leis naturais e nossa mente uma consequencia da evoluçao da nossa especie (no sentido biologico).
Nao vejo logica em uma mente sem corpo. Primeiro porque ja foi mostrado que os fenomenos cerebrais estao diretamente ligados a reaçoes quimicas e sinapses. Depois porque nao vejo como algo possa ter alguma influencia material se esse algo nem sequer eh regido pelas leis naturais (alias, outra pergunta: quais leis naturais regem os expiritos?).

Otávio
Quanto à questão da mente ser produzida pelo cérebro e o cérebro ser composto de matéria, a questão é saber se a matéria não está sujeita à interferência e isso vai depender da relação entre matéria e campo, se uma partícula gerar um campo, então encerramos o assunto e a mente está sujeita à matéria, se uma partícula for gerada pelo campo, então uma intervenção no campo modifica o funcionamento da matéria e o intelecto pode estar subordinada a alguma outra propriedade mais básica...

raph
Eu acredito que, em se falando de espíritos ou consciência dentro da ciência, e essa é uma comunidade científica porisso estou falando, é necessário sim falar em lógica científica, pois senão é como tentar explicar para um evangélico da impossibilidade de se colocarem todos as espécies animais do mundo em uma Arca.
Acredito eu que a Física Quântica bateu na ponta do iceberg ao comprovar que certos experimentos, ainda que básicos, dependem da participação de uma consciência para se desenrolarem. Ora, o chamado Observador, ninguém ainda sabe onde se encontra, no cérebro, ou onde quer que seja dentro do corpo humano.
O problema atual da neurociência e do materialismo é que eles pretendem explicar não apenas isso, mas como se formam as consciência e as emoções complexas (como amor e coragem) através de reações químicas e memórias registradas no hipocampo, além de um pouco de genética.
Ora, genes formam proteínas, eles podem determinar se a cor do meu olho e verde ou azul, se vou ser um bom atleta, se vou ter maior ou menos disposição a contrair câncer do estômago, etc... Os genes não explicam porque dentre dois irmãos gêmeos um se torna matemático e outro ator de teatro, um se droga e outro bebe socialmente, um está sempre a beira de depressão e outro está sempre feliz, um é homossexual e o outro padre, etc. -- Da mesma forma não precisamos nem falar em irmãos gêmeos, os genes não explicam porque gênios surgem esporádicamente na humanidade, e porque seus filhos não são tão geniais.
Além do mais, se o amor é fruto de reações químicas, todo mundo deveria tomar ecstasy de manhã, o mundo seria um paraíso! :)
Portanto, ao contrário da ciência tradicional, existem ciências alternativas como a Transcomunicação e outras ciências que consideram que a consciência e as emoções não se explicam apenas com recombinações de elementos químicos.
O ônus da prova cabe a eles sim, mas os estudiosos sérios dessa área sabem que ainda não podem provar nada sem exposição subjetiva, e continuam pesquisando o que muitos não enxergam.

Daniel
E você, me explica emoções como? De maneira Filosófica? Através de Pseudo-ciência?
Essa seria uma questão mais complexa, depende muito da convivência do individuo a sociologia explica parte. O Projeto Genoma e o estudo do código Genético ainda é um assunto pouco explorado. A maioria dos argumentos a favor dessas idéias míticas, é mostrar os assuntos ainda não explicados por ela e dar a elas explicações místicas que favorecem sua concepção. Sou defensor do padrão científico e não sou a favor desses argumentos anti-científicos.
O que mais tenho visto atualmente é pessoas usando a linguagem cientifica para dar maior ênfase a seu dogma. Direto vem pastores aqui na minha cidade da Igreja Assembléia de Deus falar de Fisica e Criacionismo pros otarios, sinceramente eu fico triste em saber que a ciência está sendo modificada pra se encaixar com fatos religiosos.....
O que mais vejo ultimamente é a deturpação da linguagem cientifica, acho que as pessoas finalmente andam dando mais importância a Ciência ultimamente e as religiões e dogmas em geral não podem ficar pra trás...

raph
Eu acredito que tudo seja matéria, porém matéria mais fluída, diagmos, na falta de um termo melhor... Ou seja, acrdito que o que anima o corpo e forma a consciência, o que Aristóteles também chamada de "espírito", nada mais é do que um outro "corpo", formado de matéria menos densa, e que vive num brana paralelo ao nosso.
Nesse aspecto posso dizer que a Teoria das Cordas tem uma analogia a isso, deveras interessante, a de que de acordo com a vibração das cordas, produzem-se partículas de maior ou menos massa, mais ou menos densas.
Muitos místicos falam de planos vibratórios e "estados de consciência"... Ora, quando o espírito sai do corpo, ele nada mais faz do que habiar outro plano ou brana vibratório, o qual só pode perceber quando alinha sua vibração a vibração do plano. Sair do corpo durante o sonho ou meditação, e sair do corpo após a morte, nesse sentido, seria exatamente o mesmo fenômeno.
Existem teorias que afirmam que o Universo é um holograma, que nada é real. Existem outras, sobre Matéria Escura, que afirmam que a energia do Universo é representada somente em 4% pela matéria visível, o resto vem da matéria e energia escura, que não interajem com a luz (isso poderia explicar pq as galáxias se afastam umas das outras).
Enfim, não digo que sei provar cientificamente nada disso, estou apenas tentando situar para você em que áreas tenho estudado fenômenos que acredito serem reais, pois assim com o Otávio, já os experimentei pessoalmente.
Não sou louco de dizer que essa é a verdade, longe disso, mas o fato é que a ciência não explica muito do que eu estudo, se um dia explicar, o próprio espiritismo manda: conforme-se com a ciência!

Daniel
O que você me disse é teoricamente lógico, mas nem mesmo a Teoria das cordas é algo que podemos dizer que está certo. Mas a explicação foi plausível.
Mas vejamos: A Própria Teoria das cordas é materialista, segundo ela tudo é matéria e campo.
Segundo a IMM não podemos interagir com universos paralelos, mas mesmo que pudéssemos isso não explicaria vida após a morte, ja que universos paralelos nada mais é do que todas possibilidades acontecendo simultaneamente.

raph
Bem na Teoria-M com as 11 dimensões e o BigBang originado por mero choque de universos-brana, acredita-se que a gravidade "vaza" de uma dimensão para a outra, portanto há como se perceber indiretamente no futuro essas dimensões, na teoria claro.
Mas nem penso em universos paralelos que não interagem entre si, e sim partículas que não interagem com a luz, e portanto sequer as vemos, e podem ser percebidas apenas por medições indiretas, como é o caso na teoria da Matéria Escura.
Ora, se somos formados de partículas, um homem que tenha partículas que não interagem com a luz será totalmente invisível, se forem como os neutrinos tb, por exemplo, será aparentemente tb "imaterial"... Ele pode estar passando através de vc nesse momento, e vc não percebe.
Ele pode viver numa cidade flutuando pouco acima da sua, e ninguém percebe... Sem no entanto estar num universo paralelo.
É nesse sentido que eu tento unir esses dois mundos... da ciência e espiritualidade... mas no meu caso é somente uma coisa subjetiva mesmo, nem posso dizer que tenho certeza de nada disso, pelo menos a nível de funcionamento físico... o que eu acredito é que a consciência pode perfeitamente permanecer funcional após a morte, nesse sentido talvez a ciência esteja mais próxima de explicar através do estudo das EQMs (experiência de quase morte).
E lógico, estudar neurologia tb é minha meta... Quero ler em breve um livro bem interessante: UM ANTROPÓLOGO EM MARTE
Para todos os casos, eu dou enorme valor a ciência, por exemplo "O Tecido do Cosmo" de Brian Greene, a meu ver, tem teorias até mais fantásticas que essas, como a de que o Universo pode ser um holograma, e está e acordo com a ciência.
Acredito que entrando pela Neurologia veja coisas bem interessantes tb... O que não admito é que tudo que é paranormal possa ser explicado pelo "Inconsciente Coletivo"... Para mim, isso é mais místico do que Deus hehe.

Para mim o Inconsciente Coletivo não explica isso:
Psicopictografia (Gasparetto)
Psicopictografia (Florencio Anton)
Lembrando que essas pessoas quando fora de transe mediunico não sabem pintar, e sequer o sabe quem assiste... O fato de essa habilidade (pintura) poder ser "pescada" do insconciente coletivo não me convence, é a meu ver até muita inocência acreditar nisso, é para todos os casos uma explicação "mística": não explica nada, apenas transfere o problema pro entendimento de algo ainda mais nebuloso e menos paupável :)

Abenides
Poderíamos caracterizar a alma como sendo a energia que mantém a vida física. Quando a vida física se vai, a alma também morre.
Qual a diferença de uma pessoa viva e outra morta? Uma está com a alma funcionando e a outra não.

raph
Pois é, mas parece que em linguagem científica não é correto falar em energia, a energia não é material, ela é uma potencialidade da matéria. E, em a alma existindo nesse conceito que postei acima, ironicamente mesmo ela seria material, apenas formada de matéria "fluídica" como defendem tantos projeciologistas e espíritas.
A questão é a confusão de nomenclatura que se faz... Quando vc chega para um cientista cético e fala em um "fantasma imaterial" que habita o nosso corpo, para ele é uma coisa totalmente ilógica.
Adequando a nomenclatura para a linguagem científica podemos "falar a mesma língua". Lembrando que não se trata de impor a crença aos outros, apenas explicar o que exatamente estamos querendo dizer.
A meu ver, a própria identificação dos neutrinos é um avanço muito grande em relação a exploração do que chamamos de "mundo imaterial"... É que na verdade é tudo matéria mesmo, mas existem muitos tipos de matéria, e quase todas estão muito distante do que consideramos e percebemos como "sólido".

Eu acho mais correto dizer:
Qual a diferença de uma pessoa viva e outra morta? Uma está com o corpo funcionando e a outra não.
A alma funcionando independente do corpo, não tem nada a ver com isso... Essencialmente a alma nunca morre, é isso.

Para quem não leva isso tudo muito a sério, tb vale lembrar da máxima "no Universo nada se perde, apenas se transforma".
Pense nos bilhões de bits de informação guardados no hipocampo, no potencial elétrico do cerebro, e ai tem de se imaginar: isso se transforma em que? em pó? mas como se isso não era exatamente material orgânico?
Ou seja, se não sabemos onde está a consciência no cerebro, não podemos a primeira vista sequer afirmar que ela tb se "decompõe" na morte... e se ela não se perde, resta saber se mantem-se consciente e individualizada, seja onde for.

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Acredito que quando digo que o espírito pode ser material, muitos religiosos não gostem da idéia.
É que para muitos deles, o melhor é não explicar isso tudo, o melhor é dizer que é tudo "mistério de Deus". Eles tem medo de ter sua fé ainda mais abalada pelas descobertas científicas, pelos fatos contra os quais nada podem fazer senão ignorar.
Mas é interessante que a idéia de espírito material, porém formado de partículas que interagem quase nada, ou simplesmente não interagem, com a luz e com o que conhecemos por "material", em nada impossibilitaria que o espírito possa existir.
No entanto, possibilita que ele possa ser contatado, que possa passar sua própria versão da história, se permitido lhe for: e isso os que vivem de dogmas tem medo. Dizem que é "coisa do demônio"...
Ora, existem os cientistas que não aceitam nada de novo, e ficam presos as teorias já comprovadas: esses nunca irão inovar.
E existem também os religiosos dogmáticos, que preferem permanecer parados no tempo a ter de renovar e reformar sua fé: esses tampouco nunca irão encontrar a verdade.

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